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fevereiro 24, 2005
Online submission
Qual e' a vossa opinião acerca desta carta que foi enviada 'a Nature?
(Nature 433, 800 (24 February 2005)
Online submission makes authors do all the work
Sir ñ During the past two years, most of the leading scientific journals have switched to an electronic system for manuscript submission.
Superficially, this might seem to be progress. But in practice, the onus for the preparation of publication-quality manuscripts, particularly figures, has quietly switched from the journals to the authors, who are now expected to run mini-desktop publishing operations from their offices and laboratories.
The submission of a paper can now take days of fiddling with various computer programs, where once it took a few minutes to print a manuscript and shove it in an envelope. The end-product is no better, nor is publication any quicker, and page charges (for those journals operating that system) are as high as ever.
So just who has benefited, or profited, from the change? The authors or the journals? And how do scientists in less-developed countries with older computer systems cope with the quixotic demands of the electronic systems?
The degree of user-unfriendliness varies from journal to journal (Nature's is far from the worst), but avoiding the most hassle-associated systems is now, in my case at least, a significant factor to be taken into account when choosing a journal for submission of a paper.
John P. Moore
Department of Microbiology and Immunology, Joan and Sanford I. Weill Medical College of Cornell University, 1300 York Avenue, W-805 New York, New York 10021, USA
Publicado por maradona às 12:46 AM | Comentários (8)
fevereiro 22, 2005
Derrapagem
Regressei a Lisboa e ao folhear alguma imprensa velha deparei-me com o seguinte texto de Ricardo Araújo Pereira (RAP), na coluna Boca do Inferno da Visão de 20-26 Janeiro de 2005: "A sonda que foi a Titã enviou para o nosso planeta fotografias e sons colhidos na lua de Saturno. Leigos como o leitor e eu podem apenas constatar que a superfície de Titã possui cerca de sete calhaus e faz um barulho parecido com três vikings a gargarejar cerveja. Mas, para os cientistas, isto representará anos e anos de trabalho, processamento de dados e estudo, para finalmente concluir, em 2015, que a superfície de Titã possui cerca de sete calhaus e faz um barulho parecido com três vikings a gargarejar cerveja. (...) É estranho que Portugal esteja envolvido no tratamento dos dados recolhidos em Titã. Acho mal que estejamos a fazer planos para a lua de Saturno quando nem sequer fazemos ideia do que se há-de fazer à Casa da Música. Primeiro come o que tens no prato, Portugal." O Ricardo Araújo Pereira (RAP) é provavelmente o melhor humorista a surgir em Portugal nos últimos 20 anos. É também um blogger polémico, que ganhou invariavelmente todas as discussões que figuram nos arquivos do Gato Fedorento, da troca de mimos com Pedro Rolo Duarte ao direito de um humorista poder manifestar publicamente o apoio a uma força política (sim, para alguma gente esse não é um direito adquirido), passando pela crítica pertinente à onda ululante de fascínio por Nelson Rodrigues, cronista e dramaturgo brasileiro. Dito isto, repare-se como no parágrafo supracitado RAP consegue fazer uma boa piada à custa de veicular duas ideias francamente más: a da irrelevância da investigação fundamental e a das prioridades do país. Enfim, parece que RAP só quer formar engenheiros civis e microbiólogos para a indústria alimentar. Portugal não pode ter astrónomos, como não pode ter malta a estudar as populações de sardões da Berlenga, nem gente a fazer genética de moscas (cuidado, Paulo!). Tais actividades são luxos que um país semi-desenvolivdo não pode sustentar. O mote está dado: precisamos de formar profissionais em áreas cruciais, como as finanças, a medicina hospitalar e a stand-up comedy.
Publicado por Conta Natura às 4:59 AM | Comentários (4)
fevereiro 21, 2005
Das vantagens de ter muitos estudantes e até, ocasionalmente, post-Docs...
Publicado por Santiago às 4:32 PM
fevereiro 18, 2005
Domingo e referendo
Este domingo é dia de votos. 
Aqui em Espanha vota-se entre o sim e o não ao tratado pelo que se estabelece uma Constituição para a Europa. Importante e inovador na medida em que “nuestros hermanos” serão os primeiros cidadãos europeus a fazer pública a sua opinião sobre a nova constituição. O tratado é gigantesco. Tem quatro partes, imensos capítulos e 448 artigos. Nele se estabelecem e definem os objectivos, direitos, instituições, políticas e competências da União Europeia. Mas vamos ao que (nos) interessa. Os artigos número 248 a 255 definem a posição da União Europeia no que diz respeito à Investigação e Desenvolvimento. O artigo 248 começa com “A acção da União Europeia terá por objectivo fortalecer as suas bases científicas e tecnológicas, mediante a realização de um espaço europeu de investigação em que os investigadores, os conhecimentos científicos e as tecnologias circulem livremente, favorecer o desenvolvimento da sua competitividade, incluída a da sua industria, assim como fomentar acções de investigação que se considerem necessárias em virtude dos demais capítulos da Constituição” e continua com “Ö a União estimulará em todo o seu território (Ö) aos centros de investigação e às universidades nos seus esforços de investigação e desenvolvimento tecnológico de alta qualidade”(a tradução é minha).
Sim ou Não? Da opinião dos espanhóis saberemos em breve. Sobre o que acontecerá com a Ciência europeia teremos que saber esperar para poder averiguar.
Publicado por SJA às 11:22 AM
fevereiro 13, 2005
Células quê?
Não sei quem foi a “mente brilhante” que se lembrou de traduzir stem cells para células estaminais, mas de que é o resultado de (mais um) delírio de “esquizofrenia” não pode haver dúvida: no mesmo vocábulo passaram a confundir-se vegetal e animal, sexuado e assexuado, reprodutor e somático, gâmeta e célula multipotente, estames e medula óssea...
É que estaminal não é nenhum neologismo, em bom Português significa “relativo aos estames”. Espanta-me o arrebanhamento da comunidade científica portuguesa nesta questão (quem cala consente). Os exemplos do Brasil (células-tronco) e de Espanha (células madre) podem não ser totalmente satisfatórios, mas sempre evitam o ridículo da escolha que nos anda a ser imposta.
Paulo de Oliveira (Texto recebido a 6.02.05)
O Paulo de Oliveira é professor na Universidade de Évora e tem vários textos sobre biologia disponíveis online. A página do Paulo não tem a estrutura típica de um blogue, mas é mais um exemplo de que muito antes de haver blogues já havia bloggers. Repare-se no texto dele: curto, incisivo, pertinente, transdisciplinar, provocatório, enfim, um post como mandam as regras.
Publicado por Conta Natura às 9:13 PM | Comentários (3)
fevereiro 11, 2005
O primórdio do olho e cabeça da mosca (Drosophila mel.)

Publicado por PP às 1:50 PM
fevereiro 8, 2005
Sexual Networks...
Este artigo e' fascinante!
Chains of Affection: The Structure of Adolescent Romantic and Sexual Networks.
Peter S Bearman, James Moody, Katherine Stovel. The American Journal of Sociology. Chicago: Jul 2004.Vol.110, Iss. 1; pg. 44, 48 pgs

Abstract:
This article describes the structure of the adolescent romantic and sexual network in a population of over 800 adolescents residing in a midsized town in the midwestern United States. Precise images and measures of network structure are derived from reports of relationships that occurred over a period of 18 months between 1993 and 1995. The study offers a comparison of the structural characteristics of the observed network to simulated networks conditioned on the distribution of ties; the observed structure reveals networks characterized by longer contact chains and fewer cycles than expected. This article identifies the micromechanisms that generate networks with structural features similar to the observed network. Implications for disease transmission dynamics and social policy are explored.
Publicado por maradona às 10:19 PM | Comentários (7)
fevereiro 7, 2005
Ora, nem mais...
"Há quem diga: temos que atingir a média europeia de despesa em ciência. Esta tese parece reforçada pelo facto de a União Europeia (UE) também pretender aumentar as despesas em I&D. Mas a tese é errada. Nos últimos anos acelerámos os nossos indicadores científicos e a UE desacelerou. A questão não é o ritmo de crescimento da nossa ciência: é se cresce bem."
Luis Salgado de Matos, hoje no Público
Publicado por Santiago às 10:28 AM | Comentários (11)
fevereiro 5, 2005
Serviço Público no Conta (lucro nulo)
A Associação dos bolseiros de investigação (ABIC - www.bolseiros.org)
lançou um manifesto nacional sobre a necessidade de investimento em
Ciência e Emprego Científico em Portugal como uma das formas de
ultrapassar os problemas que enfrentamos.
Nesse sentido convidamos à leitura da petição e sua divulgação por quem
tiver interesse. No mesmo site é possível a subscrição online do abaixo
assinado.
Saudações académicas,
David Aragão, estudante de doutoramento ITQB-UNL
(www.bolseiros.org
Publicado por Conta Natura às 4:48 PM | Comentários (1)
Lucros privados, Publicos dinheiros

(Calvin & Hobbes de Bill Watterson)
O Fio de Ariana chama a atenção para um problema curioso:
O CEPESE viu aprovado pela FCT um projecto, num valor superior a 100.000 euros, para recuperar o Arquivo Histórico da Real Companhia Velha. Esta Companhia, recorde-se, foi fundada ao tempo do Marquês de Pombal para administrar a primeira Região Demarcada na história: a Região Demarcada do Douro.
Não está em causa o interesse do projecto, nem a justeza do financiamento que lhe foi atribuido. Está em causa que a entidade que beneficiou deste financiamento público possa depois cobrar cerca de 50 euros por dia aos investigadores que querem consultar o Arquivo recuperado.
Independentemente de os 50 euros/dia serem ou não exagerados para cobrir os custos de manutenção e/ou edição do dito Arquivo, aproveito esta situação para fazer a seguinte pergunta:
Até que ponto é justo que o dinheiro público possa ser usado para permitir que uma entidade particular (mesmo que sem fins lucrativos, como o CEPESE) ganhe dinheiro à custa do público que quer depois aproveitar o resultado do projecto?
Parece-me que este problema é mais geral do que isto.
1) Os Bolseiros da FCT (de Doutoramento, de Pos-Doutoramento, etc) são pagos por fundos públicos. Deverão estes bolseiros ter direito a lucrar com as patentes a que o seu trabalho de investigação venha eventualmente a dar origem?
2) Os investigadores (e a fortiori os das Universidades públicas) poderão fundar companhias privadas destinadas a comercializar os 'produtos' (de diagnóstico, terapêutica, etc) que desenvolvem em projectos de investigação financiados com recurso a dinheiro público?
3) Há mais: a grande maioria dos Institutos privados (mesmo os que não têem fins lucrativos como por exemplo o Instituto Pasteur - para dar um exemplo que conheço bem) conservam a propriedade intelectual das descobertas feitas pelos investigadores que neles trabalham e limitam-lhes o beneficio individual... Não deveria o Estado fazer o mesmo? Contratualizar a cedência, a favor do Estado, dos eventuais lucros obtidos com os projectos que esse mesmo Estado financia?
É uma questão interessante em que não sei o que é mais justo... Escandaliza-me por exemplo o caso daquele famoso investigador da Califórnia que embolsou mais de 29 megadolares em resultado de trabalho financiado pelos National Institutes of Health. Mas por outro lado também é verdade que se isso não pudesse acontecer não havia biotecnologia para ninguém...
Publicado por Santiago às 2:12 PM | Comentários (1)
fevereiro 2, 2005
Cadernos de Guerra III
A SIDA é apenas uma doença. Do mesmo modo que os diários públicos de John Diamond e Ivan Noble começaram a desmistificar o cancro, a revelação de um ex-ministro britânico sobre a sua condição de seropositivo abre novas portas na aceitação dos doentes de SIDA como apenas doentes crónicos.
Na semana passada, o ex-ministro trabalhista Chris Smith fez público o facto de ter sido diagnosticado HIV positivo em 1987. Chris Smith foi o primeiro membro do governo britânico a admitir publicamente a sua homossexualidade em 1984. Disse que os comentários que Nelson Mandela fez acerca da morte do seu filho Makgatho o convenceram a falar da sua própria doença. Mandela disse: “Vamos dar publicidade ao HIV/SIDA e não escondê-lo, porque essa é a única maneira de o vermos como uma doença normal.”
Claro que Chris Smith teve e tem sorte. Tem à sua disposição no sistema de saúde britânico todos os fármacos que necessita para impedir o avanço da doença. O mesmo não se pode dizer dos milhares que morrem em todo o mundo. A SIDA é só uma doença crónica, mas apenas para os afortunados que vivem nas nações ricas. No entanto, foi dado mais um passo para a sua desmistificação e quanto mais se falar, mais se poderá fazer, tanto na prevenção como no acompanhamento dos doentes.
Publicado por SJA às 4:41 PM | Comentários (4)
Cadernos de guerra II
Stephen Jay Gould, paleontólogo, evolucionista, historiador de ciência, biólogo e geólogo, foi um dos mais famosos cientistas do último quartel do século XX, sobretudo devido ao seu incansável trabalho de divulgação. Os seus ensaios para o grande público estão publicados em Portugal, em vários volumes (Gradiva). Cada biólogo tem a sua gouldiana preferida, uma analogia luminosa que recorre frequentemente a elementos da cultura popular para explicar noções de biologia relativamente complexas. A minha gouldiana predilecta é o ensaio sobre a neotenia (a retenção de características juvenis na forma adulta), que tem como substrato a evolução ocorrida na forma de desenhar... o rato Mickey. Já estive tentado a escrever sobre este ensaio várias vezes, sobretudo depois de ter reparado que, na série de álbuns do ¡stérix de Uderzo, é notória, ao longo dos anos, a mesma tendência no modo de desenhar o pequeno gaulês (com a possível ajuda de quem sabe de BD, teria piada avaliar outros casos).
Há um outro ensaio de Gould, igualmente famoso, que não passa por gouldiana, mas que é um eloquente exemplo de um certo positivismo positivo (perdoem-me): o texto em que Gould descreve a sua reacção após ter sabido que tinha um cancro grave. É um texto de uma coragem, inteligência e sentido de humor impressionantes, que termina assim (a tradução é minha): "as armas para esta guerra são múltiplas, mas nenhuma é mais poderosa do que o humor. A minha morte foi anunciada num congresso na Escócia, e eu quase experimentei o delicioso prazer de ler o meu obituário escrito por um dos meus melhores amigos (...). Este incidente fez-me dar a primeira gargalhada, desde que fui inteirado do meu diagnóstico. Vejam só, quase experimentei à letra a famosa citação de Mark Twain: as notícias da minha morte foram bastante exageradas..."
A história teve um final feliz. Gould faleceu em 2002 mas sobreviveu ao cancro durante 20 anos e, na verdade, fartou-se de viver. Trabalhou e gozou como poucos. É arriscado afirmar que o vasto legado científico de Gould (artigos, livros, conferências) se explica em parte por uma noção de finitude mais presente nele do que no comum dos mortais; sabe-se, por exemplo, que duas das suas contribuições mais válidas- a Teoria dos Equilíbrios Pontuados e o livro Ontogenia e Filogenia- antecedem a batalha contra o cancro. Porém, quando olho para o último trabalho de Gould, o monumental A Estrutura da Teoria da Evolução , publicado mesmo antes da sua morte, é difícil não pensar na batalha que ele travou. Não sei que lugar a ciência reservará a esta obra derradeira. É um livro raro nos dias que correm. Demasiado denso para o leitor comum, demasiado extenso para o evolucionista no activo, por agora o livro corre o risco de não ter leitores. Estaria ele a escrever para as gerações futuras? É bem possível. Uma coisa é certa, a primeira gargalhada de Gould ainda não se deixou de ouvir.
Publicado por Conta Natura às 6:52 AM | Comentários (1)
