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março 30, 2005
Ciências da Saúde: Esse parente pobre da Investigação...

(fonte: OCES)
Três perguntas
1) Por que cargas de água é que a Engenharia e a Tecnologia são consideradas Ciências?
2) Não andamos a gastar dinheiro a mais nas Ciências Sociais e Humanas?
3) A Saúde não devia ser uma prioridade no financiamento do sistema científico nacional?
Publicado por Santiago às 10:38 PM | Comentários (12)
Novos enlaces
A principal conclusão a retirar de uma pesquisa sobre blogues portugueses sobre ciência é esta: são projectos condenados. Enfim, condenados estamos todos, mas a efemeridade destes projectos não deixa de ser curiosa. Há várias interpretações possíveis, em torno de duas ideias: ou deixa de haver pachorra (o cientista precisa de novos projectos e abandona o brinquedo) ou nunca houve muito interesse por parte de quem lê e sem interesse deixa de haver estímulo. Inclino-me mais para a segunda hipótese. Ainda assim, vão sobrevivendo alguns projectos, como o A aba de Heisenberg (agradeço que me informem de outros blogues já veteranos sobre ciência). Vão também nascendo outros espaços, como o Viridarium (sobre história da ciência) e o Físicos Lx. Referência ainda para o muito útil Meta-Blog do Ensino Superior, que não é um blogue de ciência, mas onde são discutidos temas pertinentes.
Publicado por Conta Natura às 8:22 AM | Comentários (5)
março 29, 2005
CORTI«A PORTUGUESA AMEA«A ECONOMIA MUNDIAL

Imigrantes ilegais no Cercal, Alentejo, com trajes típicos do leste europeu e executando técnicas ancestrais de origem azteca para a extracção da cortiça, ainda hoje praticadas nas planícies próximas da cidade do México.
A preocupante proliferação e o alargamento das áreas de plantação de quercíneas assume contornos de praga, com especial gravidade no sul do país. Um relatório económico da União Europeia publicado semestralmente alertou ontem o governo português para a necessidade de um abate sistemático e de uma desinfestação eficaz de sobreiros, carvalhos e azinheiras, em especial nas regiões do território mais afectadas. Segundo o mesmo documento, e uma vez que parecem estar esgotadas as medidas de controlo da reprodução, crescimento e plantação destas árvores pertencentes ao género Quercus, (nome bem conhecido de uma ONG que se tem distinguido na luta determinada, por vezes agressiva contra as plantações ilegais dos carvalhos, sobreiros e azinheiras) sugere-se o abandono dos terrenos para se proceder eficazmente ao isolamento das terras que constam de um inventário nacional rigoroso das zonas em risco.
Os prejuizos desta “epidemia” estendem-se transversalmente e vão desde as perdas nas plantações frutícolas, à cerealíferas, até à floricultura. Os efeitos multiplicam-se, com a diminuição da exposição dos terrenos à radiação solar, acrescido do efeito destrutivo das toneladas de bolota que recobrem as terras e asfixiam as sementeiras, e ainda, o assinalável prejuizo turístico na prática de desportos ao ar livre, com destaque para o Golf, onde as irregularidades nos campos relvados produzidas pelas raízes de superfície, e o efeito ricochete das bolas após embate nos troncos, acumulam atrasos e agravamentos nos custos desta modalidade. Por maioria de razão as populações locais começaram a manifestar a sua revoltae indignação perante a indiferença das autoridades, pelo que já começaram as vagas de protestos, desde a península de Setubal ao Algarve.
A gravidade dos problemas é proporcional ao exorbitante investimento realizado pelos sucessivos governos, que elegeram a cortiça e os seus derivados a paixão da indústria portuguesa, após aturada avaliação das suas potencialidades económicas, e criaram uma estratégia cega, obstinada e intransigente de plantação selvagem destas espécies. Segundo informações recolhidas de uma fonte anónima, há já um inquérito a decorrer na Inspecção Geral das Actividades Económicas (IGAE) e no Tribunal de Contas a fim de se averiguar se houve ou não fraude, com desvios de fundos comunitários para esta actividade. Segundo ainda a mesma fonte, os indícios recolhidos de prática criminosa apontam para “desvios de proporções faraónicas”.
O crescimento do PIB registado em Portugal, com taxas acima dos 4% nos últimos seis anos e com estimativas de crescimento até 2020 a rondarem os 7%, é o reflexo destes investimentos, e tem sido apontado como um exemplo a seguir por toda a União. No entanto, descobre-se agora que foi suportado em grande medida pela difusão e implantação da cortiça portuguesa no mercado mundial e pelo alargamento das suas aplicações à margem dos regulamentos internacionais.
As consequências para a economia mundial só agora começam a ser quantificadas. Na verdade, o mundo árabe está a braços com a maior crise económica desde o pós-guerra, com os valores do barril de crude a registarem mínimos históricos. A cortiça que faz parte da tradição secular da produção de vinho e bebidas espirituosas, foi progressivamente convertendo e deslocalizando toda a indústria dos plásticos, que têm, como é sabido, o petróleo e derivados como matéria prima. Nos últimos vinte
anos, uma técnica desenvolvida no Intituto Superior Técnico para a extração de álcool a partir da fermentação dos resíduos de cortiça, conquistou uma quota do mercado de combustíveis em torno dos 60% na UE e um terço dos automóveis americanos.
As movimentações diplomáticas intensificaram-se nos últimos dias. Citando uma fonte de Bruxelas, Portugal é o país dos 25 que regista maior risco de atentado terrorista promovido por organizações terroristas com sede em países árabes produtores e exportadores de produtos petrolíferos. O nosso
vizinho ibérico começa a recear novo antentado terrorista e culpa o ministério do ambiente de Lisboa de “plantação ilegal de sobreiros pelas forças de segurança que permaneceram no Iraque”, justificando assim o interesse de Portugal na invasão daquele país, tendo ameaçado retaliar com o encerramento da fronteira em resposta à invasão dos suínos alentejanos da Extremadura espanhola. A OMC tem programada na sua agenda para a sua próxima reunião um debate sobre a entrada selvagem de produtos derivados das quercíneas na China e o seu impacto na economia mundial. Antecipadamente foram já anunciadas sanções económicas a aplicadar às exportações portuguesas.
O Contanatura permanecerá atento ao desenrolar dos acontecimentos.
Publicado por RPA às 5:57 PM | Comentários (4)
março 28, 2005
¡rvore rumorosa

¡rvore rumorosa pedestal da sombra
sinal de intimidade decrescente
que a primavera veste pontualmente
e os olhos do poema de repente deslumbra
Receptáculo anónimo do espanto
capaz de encher aquele que direito à morte passa
e no ar da manhã inconsequente traça
e rasto desprendido do seu canto
Não há inverno rigoroso que te impeça
de rematar esse trabalho que começa
na primeira folha que nos braços te desponta
Explodiste de vida e és serenidade
e imprimes no coração mais fundo da cidade
a marca do princípio a que tudo remonta
Ruy Belo (outros poetas, outras árvores).
Fotografia de Jean-Philippe Poli.
Publicado por Conta Natura às 3:44 PM | Comentários (1)
Mudanças (em actualização)
1. Resistindo às acusações internas de não passar de um ditador de pacotilha ou de ter sido vítima do complexo de Napoleão, consegui promover o Miguel Gaspar, o João Pedro Pereira e o Thiago Carvalho à categoria de colaborador permanente com isenção de horário ou em dispensa de serviço. Estes membros fundadores do Conta têm as portas abertas sempre que quiserem escrever e o contrato pode ser renegociado a qualquer altura, se nos derem a entender que estão prontos a participar de uma forma mais assídua. As três vagas serão preenchidas em breve.
2. Como contra-medida destinada a limpar a imagem de prepotência, geralmente associada ao culto da personalidade, a partir de hoje não haverá fotografias dos editores e colaboradores do Conta.
3. O Ricardo Pimenta Araújo, que tinha ficado em estado de coma após, curiosamente, ter escrito um texto - e o seu único texto - sobre o assunto, prometeu-me um regresso em grande para esta semana. Aguardemos.
4. O concurso Selecção da grande experiência em biologia continua em aberto, pois até agora houve apenas duas respostas (que, a devido tempo, terão as honras merecidas). Como forma de estímulo resolvemos atribuir um prémio às três melhores descrições da grande experiência em biologia (caso haja mais de 50 participantes). Na impossibilidade de oferecer viagens às Caraíbas, os premiados terão de ficar satisfeitos com livralhada alusiva ao tema do concurso. A NOVA DATA LIMITE É O DIA 30 DE MAIO DE 2005.
Publicado por Conta Natura às 2:30 PM | Comentários (4)
março 24, 2005
A excelência na ciência (e nas artes)
Como ficara prometido (há uns vergonhosos 3 meses), inicio aqui uma série de entradas sobre a obra Human Accomplishment, the pursuit of excellence in the Arts and Sciences, 800 B.C. to 1950, de Charles Murray, onde se procura quantificar a excelência nas artes e nas ciências ao longo do tempo e no espaço. O método de Murray é quase infantil: pegar nos calhamaços mais representativos sobre história da arte e da ciência (mais os inventários e as cronologias) e contar quem e que eventos aparecem mais vezes, ponderando os resultados pelo destaque que lhes é dado. Esta abordagem está nos antípodas da que Harold Bloom fez há uns anos para a literatura, onde impera a visão do crítico, a retórica e o domínio técnico da área. Na obra de Murray tudo é analisado, da literatura chinesa à história da medicina, num abraço analítico legitimado pela estatística. Apesar de diferentes no método, ambas as obras são filhas do movimento de reacção ao multiculturalismo. O objectivo é restaurar o cânone, reafirmar que quase tudo o que de relevante foi feito desde que o homem deixou as cavernas é da autoria de homens (machos, esclareça-se), gente branca e geralmente europeia. Aí Murray falha claramente, desde logo porque o seu método não é adequado. Apesar da fé desmesurada que ele deposita na técnica de amostragem, que - segundo o próprio - lhe permite escapar aos enviesamentos "epocêntrico" e chauvinista pela escolha criteriosa de obras de várias épocas e países (e por ter assegurado duas gerações de distanciamento), na estrutura do livro está implícita a impossibilidade de comparar, por exemplo, a música indiana e a música ocidental. Murray cria categorias independentes para as artes, o que parece ter sido avisado; Miguel ¬ngelo não chega ao confronto estatístico com o chinês Zhao Mengfu. Para as ciências este problema não se coloca e Murray apresenta-nos uma análise universal. O resultado final é assustadoramente previsível, mas outra coisa não seria de esperar. Afinal, nesta meta-análise Murray limita-se a fazer o cânone a partir do cânone. Ao pegar em 10 enciclopédias e extrair daí a enciclopédia média, só ficaríamos surpresos se o biólogo mais influente não fosse Darwin. Os físicos? Newton e Einstein, ex equo. O médico? Pasteur. O Astrónomo? Galieu, com Kepler a tocar-lhe nos calcanhares. Enfim, estas revelações de trivial pursuit são o que o livro tem de menos interessante. A obra só começa a ganhar alcance quando esquecemos o top 10 e acompanhamos Murray na análise da lista mais extensa daquilo que ele designa como as personalidades e os eventos significativos. A primeira conclusão que me surpreendeu pode extrair-se do gráfico que apresento: quase todos os acontecimentos relevantes em ciência e arte tiveram lugar depois de 1400 DC. Os gregos não chegam a destacar-se do "ruído" (em quantidade de contribuições, não em qualidade, note-se) e o aumento do número de personalidades e eventos significativos acompanha o aumento da população mundial. Mas há mais (continua).
Publicado por Conta Natura às 4:56 PM
Journal Club no Conta II
Provavelmente numa violação escandalosa do copyright do Nature Publishing Group copio aqui uma Letter to Nature publicada no número de 24 de Março de 2005.
Só não digo que não acredito numa única palavra deste paper porque, como alguns ainda se recordarão, uma vez disse exactamente o mesmo do fenómeno de RNA interference (eu era mais novo nesse tempo...). Agora que este paper desafia a minha credulidade, ai lá isso desafia... tanto como alguns dos acontecimentos que supostamente ocorreram na Judeia há quase 2000 anos e que se celebram durante esta semana...
É um artigo que vem muito a propósito de uma discussão que tive com o Vasco lá em baixo: A Comissão Europeia que me perdoe, mas acho que era muito bom se mais alguém conseguisse reproduzir este resultado.
ABSTRACT
Lolle et al, Nature 434, 505 - 509 (24 March 2005); doi:10.1038/nature03380
Genome-wide non-mendelian inheritance of extra-genomic information in Arabidopsis
A fundamental tenet of classical mendelian genetics is that allelic information is stably inherited from one generation to the next, resulting in predictable segregation patterns of differing alleles. Although several exceptions to this principle are known, all represent specialized cases that are mechanistically restricted to either a limited set of specific genes (for example mating type conversion in yeast) or specific types of alleles (for example alleles containing transposons or repeated sequences). Here we show that Arabidopsis plants homozygous for recessive mutant alleles of the organ fusion gene HOTHEAD (HTH) can inherit allele-specific DNA sequence information that was not present in the chromosomal genome of their parents but was present in previous generations. This previously undescribed process is shown to occur at all DNA sequence polymorphisms examined and therefore seems to be a general mechanism for extra-genomic inheritance of DNA sequence information. We postulate that these genetic restoration events are the result of a template-directed process that makes use of an ancestral RNA-sequence cache.
Publicado por Santiago às 3:54 PM | Comentários (3)
Porque ele merece

Referindo-me ao post da Maya de 3 de Março ("Porque eu mereço") venho informar-vos que o presidente da Universidade de Harvard, Larry Summers, foi considerado "não ser de confiança" pelos membros da Faculty of Arts and Science da mesma Universidade. Esta moção de não confiança (votada no dia 15 de Março) aparece no seguimento dos comentários negativos que fez acerca da participação feminina nas Ciências e poderá ter como consequência o afastamento de Summers da presidência de Harvard.
Relembro-vos que Larry Summers disse no passado mês de Janeiro que existem diferenças básicas na capacidade científica das mulheres o que, segundo a sua opinião, explicaria a dominância masculina no mundo científico.
Que pena que estas barbaridades não sejam sempre castigadas...
Publicado por SJA às 2:27 PM | Comentários (3)
março 23, 2005
Todos os artigos cientificos são fraudulentos...

The scientific paper in its orthodox form does embody a totally mistaken conception, even a travesty, of the nature of scientific thought.
Peter B Medawar
Um episódio recente recordou-me um texto de Peter Medawar ('Is the scientific paper a fraud?'. Pode ser obtido na íntegra na nossa Hemeroteca):
Submetemos um artigo para publicação. Os 'reviewers' foram simpáticos e um deles até sugeriu varias coisas, entre elas que fizéssemos uma certa experiência.
Não vem agora ao caso os detalhes dessa experiência. Vem ao caso que, feita a dita experiência, o resultado é bastante bom e reforça em muito as conclusões do paper.
Uma nova versão do artigo vai agora ser submetida e coloca-se-nos a questão de decidir onde incluir este novo resultado. Por razões de lógica, e para facilitar a exposição do raciocínio, o que faz sentido é incluir uma nova figura entre as antigas Figuras 3 e 4 (renumerando a Fig 4 para Fig 5).
O argumento no novo manuscripto vai ser assim: Depois de obtermos o resultado que mostramos na Fig 3 decidimos fazer a experiência descrita na (nova) Fig 4. Por causa deste resultado tornou-se evidente a importância de fazer a experiência que descrevemos na (renumerada) Fig 5...etc etc
Tudo isto é obviamente treta e o paper vai contar uma mentira!!!
O raciocínio não foi, de todo, o que vai ser explicado aos leitores da revista (se o paper for publicado, como espero...).
Trata-se por isso de uma fraude, como Medawar explicou... curiosamente (e irónicamente) uma fraude só possivel devido à cumplicidade activa dos reviewers e dos editores da revista...
É coisa que não me preocupa minimamente, claro. Afinal é o que toda a gente faz.
Não é um pouco preocupante, tanta despreocupação?
Publicado por Santiago às 2:31 PM | Comentários (10)
Mudanças no Conta
É muito provável que a equipa do Conta venha a sofrer alterações nos próximos dias. Se houver por aí alguém interessado em começar colaborar connosco de uma forma mais autónoma, seria bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto.
Publicado por Conta Natura às 10:37 AM | Comentários (1)
março 22, 2005
Para Memória Futura
Aqui fica um excerpto (sublinhados meus) do Programa do XVII Governo Constitucional. Há mais quem, como eu, possa tomar este Programa a benefício de inventário...
CAPíTULO I UMA ESTRATÉGIA DE CRESCIMENTO PARA A PR”XIMA DÉCADA
II. UM PLANO TECNOL”GICO PARA UMA AGENDA DE CRESCIMENTO
3. Vencer o atraso científico e tecnológico
(...)
Assim, assumimos como principais metas para esta legislatura:
ï Triplicar o esforço privado em I&D empresarial (que hoje não ultrapassa 0, 26% do PIB), criando as condições de estímulo necessárias;
ï Triplicar o número de patentes registadas;
ï Duplicar o investimento público em I&D, de forma a que atinja 1% do PIB;
ï Fazer crescer em 50% os recursos humanos em I&D e a produção científica referenciada internacionalmente. Fazer crescer para 1500 por ano o número de doutoramentos em Portugal e no estrangeiro;
ï Estimular o emprego científico no sector público e privado. O Estado promoverá a criação e o preenchimento progressivo, de forma competitiva, de 1000 lugares adicionais para I&D, por contrapartida da extinção do número necessário de lugares menos qualificados noutros sectores da Administração;
ï Tornar obrigatória a prática experimental em disciplinas científicas e técnicas no Ensino Básico e Secundário;
ï Organizar capacidades científicas e técnicas para a minimização e prevenção de riscos públicos, a segurança do País e o reforço das instituições reguladoras e de vigilância.
'Desta forma, as orientações do Governo agora formado, para acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico, serão as seguintes:
ï Cultura científica e tecnológica, educação científica e experimentação. Promoveremos o desenvolvimento da cultura científica e tecnológica e reforçaremos as condições de trabalho e a independência da Agência Ciência Viva. Apoiaremos os centros Ciência Viva e outros centros e museus de ciência e tecnologia, bem como projectos para o reforço das capacidades experimentais nas escolas e para o seu trabalho em rede com laboratórios e empresas. Tornaremos obrigatória a prática experimental em disciplinas científicas e técnicas no Ensino Básico e Secundário, que será valorizada na avaliação dos alunos;
ï Investigação científica competitiva e avaliação internacional. Consórcios, redes e programas. Garantiremos pontualidade nos concursos para financiamento, com avaliação e acompanhamento internacional independente, de projectos, redes e instituições em todos os domínios científicos; reforçaremos a investigação em consórcio entre empresas e institutos de investigação, as condições para novas empresas de base tecnológica, a valorização da engenharia nacional. Crescerão os recursos humanos em I&D, a produção científica referenciada internacionalmente e o emprego científico privado e público (onde haverá 1000 lugares adicionais para I&D, por contrapartida da extinção de lugares menos qualificados noutros sectores);
ï Ciência, tecnologia e inovação em cooperação internacional. A actividade nas áreas fundamentais da agenda internacional, oceanos e espaço, clima e biodiversidade, ambiente, tecnologias de informação e comunicação, biotecnologia e ciências da saúde, materiais e nanotecnologias, energia, astronomia e física fundamental, modelação, entre outras, será desenvolvida com o objectivo de difusão de conhecimento e tecnologias para o País, produção científica própria e aproveitamento de oportunidades científicas e industriais. Participaremos plenamente nas organizações internacionais e na elaboração da política científica e tecnológica da União Europeia, apoiando o reforço de meios, a desburocratização de procedimentos, o maior acesso das PME, e, ainda, a criação de um Conselho Europeu de Investigação;
ï Contratos de serviço público com laboratórios de Estado e laboratórios associados. Retomaremos o rejuvenescimento e a reforma dos Laboratórios de Estado, estabelecendo missões e contratos orientadores, especialmente de apoio à actividade reguladora e fiscalizadora do Estado e à actividade económica, à tomada de decisões e minimização de riscos. Restauraremos a sua autonomia financeira. Também com os Laboratórios Associados, o Estado celebrará contratos de serviço público, designadamente de apoio à decisão e à detecção de riscos e oportunidades;
ï Ciência e tecnologia para a prevenção e minimização de grandes riscos públicos. Organizaremos sistematicamente capacidades científicas e técnicas para a minimização e prevenção de grandes riscos públicos, bem como o reforço das instituições reguladoras e de vigilância, designadamente através da sua avaliação internacional periódica;
ï Desgovernamentalizar e modernizar o sistema público de administração da ciência. Melhoraremos a gestão e desburocratizaremos o sistema de financiamento, criando condições para a sua desgovernamentalização e para avaliações e decisões mais seguras. O sistema público de apoio à I&D em Portugal deve ser um modelo avançado da Administração Pública responsável e moderna.
ï Triplicar o esforço privado de I&D e atingir 1% do PIB de investimento público em I&D. A meta europeia de uma execução pública de 1% do PIB em I&D é tanto mais urgente quanto a experiência internacional nos demonstra como esse investimento é multiplicador do investimento privado em inovação. Pretendemos triplicar o esforço privado em I&D que actualmente não ultrapassa 0, 26% do PIB.'
Publicado por Santiago às 11:52 AM | Comentários (2)
março 20, 2005
Journal Club no Conta
Laboratório que se preze não passa sem um journal club, uma reunião que junta pessoas interessadas numa dada área e onde são apresentados e discutidos resultados publicados por outros. O journal club cumpre várias funções: estar a par da literatura, praticar a arte de apresentar, reforçar as interacções entre os membros do laboratório, amenizar a frustração de não ter resultados próprios, fazer terapia de grupo quando publicam os resultados do nosso manuscrito que estava pronto para ser enviado, iluminar os restantes com a nossa "visão" da biologia, em regra espartilhada pelo detalhe da investigação que conduzimos, etc. Curiosamente, o journal club - específico ou abrangente no tema, fechado ou não a outras pessoas, tendo lugar às oito da manhã ou ao fim da tarde, com fast food e cerveja ou mais formal e ascético - tende a ser uma extensão da personalidade do chefe de laboratório. Enfim, é melhor não entrar por estes caminhos e atalhar já, para dizer que iniciamos aqui uma nova rubrica em que fazemos do Conta um journal club sem hora marcada (e sem cerveja, lamento). Começamos com uma corajosa contribuição do nosso homem de Évora, o Paulo de Oliveira, que ainda não teve oportunidade de ler o artigo mas reconheceu de imediato uma nova fonte de polémica.
A carreira de investigação de Evgenii Koonin é muito original e altamente significativa (e prolífica) para o estudo da evolução genómica, como uma simples pesquisa na Pubmed poderá revelar.
Já quanto ao artigo (pdf): o resumo* sugere que um elevado conteúdo informativo do genoma dum vírus dilui a separação entre vírus e células, e quanto a isso a primeira reacção é discordar, mas pergunto-me se o que se pretende nesta revisão (cujo conteúdo não pude aceder, infelizmente) é "agitar as águas" num assunto que parece consensual na literatura científica: que os vírus são complementos do metabolismo celular, não se podendo considerar que tenham metabolismo ou evoluam sem a respectiva célula hospedeira, e portanto não constituindo por si mesmos "seres vivos". Mas Koonin é sem dúvida uma voz a ter em conta, e quem sabe se a complementaridade metabólica em questão não irá tornar-se com o tempo uma importante fonte de debate na Biologia.
*: The discovery and genome sequencing of the mimivirus, a parasite of Acanthamoeba, blurs the boundary between viruses and cells: the 1.2 Mb genome of the mimivirus is predicted to contain 1262 genes and is much bigger than the genomes of many parasitic bacteria. Curr Biol. 2005 15(5):R167-9.
Paulo de Oliveira (Texto recebido a 9.03.05)
Publicado por Conta Natura às 12:46 PM | Comentários (2)
março 19, 2005
European Center for Disease Prevention and Control
O puro autismo probabilístico das autoridades portuguesas levou a que em caso de terramoto o destino da cidade Lisboa tenha sido entregue ao Espírito Santo e ëa benevolência da virgem Maria. No entanto tal atitude eí especialmente chocante quando se fala na incapacidade do nosso sistema de saúde de controlar de um modo eficiente a propagação de uma doença infecto-contagiosa.
A falta de informação, a ausência de uma real estrutura de comando capaz centralizar os esforços de luta contra a doença em causa, a falta de reservas de fármacos, deixa apenas margem de manobra para a improvisação e a competência dos nossos técnicos de saúde.
Gastar dinheiro no improvável não eí muito popular, mas pode salvar muitas vidas.
Rui
Science, Vol 307, Issue 5716, 1691 , 18 March 2005
Infectious diseases have made an unfortunate comeback. After the Second World War, the development of new vaccines and discoveries of efficient antibiotics meant to many that lethal infectious disorders were enemies of the past. But, not surprisingly, nature has hit back. We now face an increasing number of deadly drug-resistant bacteria, including the mycobacterium that causes tuberculosis, as well as staphylococci. Around 1% of the world population is now infected with HIV. The severe acute respiratory syndrome (SARS) epidemic of 2003 demonstrated just how enormous the social and economic effects of such new infectious diseases can be, and a global avian flu pandemic hovers on the horizon. Moreover, the communicable nature of these diseases is exacerbated by modern travel.
Hence, the decision taken by the European Union (EU) in April 2004 to create a European Center for Disease Prevention and Control (ECDC) is commendable. But what is the potential capacity of the center to fulfill its important mission? The ECDC will start operating in May 2005 in Stockholm, Sweden. The center shall "identify, assess and communicate current and emerging threats to human health from communicable diseases," surely a broad mission to cover. The budget for the center is put at approximately 5, 15, and 30 million euros for 2005, 2006, and 2007, respectively. Compared to a present budget for the U.S. Centers for Disease Control (CDC) of around $4 billion, this budget is hardly inspiring. Even in 2007, the ECDC budget will be less than those of many national disease centers in Europe, and that dictates a stringent policy regarding priorities for deciding which tasks can best be performed by the agency. The current instructions put major emphasis on the operation of surveillance networks and the provision of technical and scientific expertise to the 25 member states. And although the directives repeatedly emphasize the need for the ECDC to provide scientific expertise to the EU, the center will lack laboratories of its own and be devoid of regulatory power.
The director of the ECDC, Zsuzsanna Jakab, will be crucial in shaping the policy and position of the agency within the EU. Jakab, from Hungary, is a former politician with a long administrative background at the regional office of the World Health Organization (WHO) in Copenhagen. In contrast to most directors of disease centers around the world, Jakab lacks medical expertise and scientific background in the field. But her knowledge of EU and WHO bureaucracies may prove invaluable for skillful navigation around the archipelagos of political complexity. However, equally vital for a successful ECDC will be the new director1/2s ability to create an attractive environment for scientists of high quality.
The response to the ECDC has generally been positive. Of course, concerns continue about its power to fulfill an ambitious mission on a minimal budget. It is also unclear how existing projects within the present EU budget concerning public health and communicable diseases will be affected. Scientific experts often require strong ongoing links to research in order to maintain their expertise. Can Jakab construct such an environment in an institute without labs? Perhaps she can; France and Ireland, for example, have disease centers that are considered to function quite well without laboratories. However, as a putative hub of expertise among EU member states, the lack of infrastructure at the ECDC could pose a challenge to its mission.
Harmony among states with regard to rules for handling epidemics of infectious diseases in the EU region is critical, especially in an emergency. Without regulatory power, the ECDC will somehow have to support this cause by relying on other devices. That will be a challenge: Several EU countries defend their rights to have their own laws for handling infectious diseases, whereas others support a common European law. And with an impending avian flu epidemic on its radar screen, the ECDC will have to move swiftly to coordinate EU strategies for handling a potential crisis.
So, what are we left with? A European variant of the U.S. CDC, with a much more restricted role as the coordinating center for networks of surveillance, based largely on independent national agencies. An external evaluation will no doubt be needed in a few years to measure the effectiveness of this European model. Given such formidable challenges, is it conceivable that the ECDC could emerge as a leading international scientific institution in the control of infectious diseases? We look forward, hopefully, to that possibility.
Hans Wigzell
Publicado por maradona às 3:25 PM | Comentários (1)
março 16, 2005
Da Responsabilidade Profissional dos Cientistas

A 11 de Março a Comissão Europeia, num daqueles exercícios cujo alcance honestamente me escapa, produziu uma recomendação aos Estados Membros no sentido de estes adoptarem uma European Charter for Researchers.
Entre muitas pieguices piedosas (embrulhadas em vacuidades banais) contidas nessa Carta dos Investigadores é possível encontrar a seguinte observação, lapidar, àcerca da responsabilidade profissional dos cientistas:
'Researchers should make every effort to ensure that their research is relevant to society and does not duplicate research previously carried out elsewhere'.
Eis aqui uma grande verdade! Infelizmente, há quem ainda não saiba...
Publicado por Santiago às 2:57 PM | Comentários (5)
março 15, 2005
Did Black Death boost HIV immunity in Europe?
Fascinante!
(Published online: 11 March 2005; Nature)
Experts argue over whether smallpox or plague should take the credit. Deaths from plague in the Middle Ages may have left more people with a gene that guards against HIV. Devastating epidemics that swept Europe during the Middle Ages seem to have had an unexpected benefit - leaving 10% of today's Europeans resistant to HIV infection.
But epidemics of which disease? Researchers claimed this week that plague helped boost our immunity to HIV, but rival teams are arguing that the credit should go to smallpox.
What is clear is that something has boosted the prevalence of a mutation that helps protect against the virus. The mutation, which affects a protein called CCR5 on the surface of white blood cells, prevents HIV from entering these cells and damaging the immune system.
Around 10% of today's Europeans carry the mutation, a significantly higher proportion than in other populations. Why is it so common in Europe? One possibility is that it favours carriers by protecting them from disease. But geneticists know that the mutation, called CCR5-Delta32, appeared some 2,500 years ago - long before HIV reared its head.
"You need something that has been around for generation upon generation," explains Christopher Duncan of the University of Liverpool, UK, who led the latest analysis. Plague fits the bill, he and his colleagues conclude from a mathematical modelling study published in the Journal of Medical Genetics1.
Duncan's team points out that when the Black Death first struck, killing some 40% of Europeans between 1347 and 1350, only 1 person in 20,000 had the CCR5-Delta32 mutation. As the centuries wore on, repeated outbreaks, culminating in the Great Plague of London in the 1660s, have occurred in tandem with rises in the mutation's frequency.
Other experts are not convinced, however. A similar study2 published in 2003 suggests that it was smallpox that boosted the mutation's frequency. "Smallpox would still be my favoured hypothesis," comments Neil Ferguson, an infectious disease expert at Imperial College in London, who was not involved in the study.
Duncan counters that smallpox has only been a serious threat in Europe since the 1600s, which may not have been enough time to have such a big genetic effect. But Ferguson argues that the influence of smallpox over the centuries may have been underestimated, because it largely affected children.
"Smallpox seems the most parsimonious explanation," he adds. He points out that one major problem with Duncan's plague theory is that it requires a rethink of how plague was caused. If those with a virus-blocking mutation were more likely to survive, it follows that plague would have been caused by a virus. But the conventional view is that the plague epidemics of the Middle Ages were caused by a bacterium, Yersinia pestis.
Duncan admits that his theory is difficult to prove. But he argues that the outbreaks are easier to explain if one assumes that plague was passed directly from person to person as a virus, rather than the 'bubonic plague' that was caused by bacteria carried by rats and their fleas. "Rats are absolutely in the clear for Europe," he argues.
If that's true, then Duncan can explain not only the mutation's average levels in Europe, but also the fact that people in Finland and Russia have the highest level, around 16%, whereas a mere 4% of Sardinians possess it.
He points out that outbreaks of feverish viral disease continued in Scandinavia and Russia for far longer than in the rest of the continent, reinforcing the mutation's status as a valuable asset. "It was mouldering on until about 1800 in northern Europe."
Michael Hopkin
Publicado por maradona às 5:50 PM
março 14, 2005
Fórum Drosophila
Caros Drosophilistas,
Creio que finalmente estamos prontos para lançar o Fórum Drosophila. Trata-se de uma versão ainda experimental e tem por principal objectivo testar a sua funcionalidade. Apelamos a sugestões ou ideias que possam ajudar a melhorar-lo (por favor usem o fórum propriamente dito para enviar sugestões). O sucesso desta iniciativa depende da participação de todos pelo que apelamos aos interessados que se registem e participem tanto quanto possível. Tenham também alguma paciência com as limitações do sistema (servidor gratuito!). Caso o Fórum Drosophila tenha sucesso e' provável que mais tarde optemos por uma outra solução mais definitiva.
Abraços,
Luis Teixeira
Rui Martinho
Publicado por maradona às 2:31 PM | Comentários (5)
março 11, 2005
As parcerias começam com o convívio
Da alguma experiência que tenho em contratos com a indústria, dá-me a impressão que os problemas fulcrais da relação entre o sector académico e a indústria prendem-se primeiro com o desconhecimento recíproco e segundo com os conflitos inevitáveis associados a dois grupos profissionais com interesses e objectivos diferentes. O segundo é bem conhecido, os indústriais querem fazer dinheiro e os académicos (spin-offistas à parte) estão mais interessados em fazer ciência. Tudo o que não respeite uma boa relação custo/benefício faz alergia aos primeiros, tudo o que faça perder demasiado tempo mental faz alergia aos segundos. A forma de resolver este dilema passa pela indústria pagar o suficiente para entusiamar o académico e pelo académico aceitar de vez em quando sujar as mãos. No entanto, parece-me que o primeiro problema, o do desconhecimento recíproco, é que tem sido mais subestimado. Quantos académicos conhecem e encontram frequentemente indústriais? Se as pessoas não se encontram nem discutem, seguramente que nunca chegarão ao estado de conflicto de interesses. E não penso que o fosso entre as duas comunidades seja únicamente por causa da pouca visibilidade da ciência portuguesa, que o problema existe também noutros países. Trabalhando em bioinformática, de que a maioria dos indústriais e cientistas percebem pouco, recebo com frequência contactos de indústriais com pedidos de colaboração. A maioria das vezes recuso a colaboração formal, não porque não os possa ajudar, mas simplesmente porque a resposta pode ser dada imediatamente com um programa existente ou a partir de um paper publicado numa revista mais ou menos obscura. Por outro lado, não deixo de ficar surpreendido como um ou outro pequeno programa feito no laboratório e que nunca nos demos ao trabalho de publicar pela sua trivialidade (e/ou por perguiça) pode ser útil a outrém. Este desconhecimento das últimas novidades da ciência fundamental (por parte do privado) e das necessidades e possibilidades de aproveitamento do trabalho já feito (por parte do académico) também contribui para bloquear muitas colaborações potenciais. Das três ou quatro colaborações formais com indústriais que fiz nos últimos anos, todas começaram em frente de um copo entre amigos ou colegas em que se discutia ciência. Por acaso, ou talvez não, apercebemo-nos assim das possibilidades de colaborar com grande proveito... para um mínimo de trabalho.
Visto que incubadoras de empresas é o que não falta em Portugal, quem se propõe abrir o primeiro restaurante ?
Eduardo Rocha
O Eduardo Rocha é estrangeirado (em parte por vocação), licenciado em engenharia (química) sem ser engenheiro, mestre em matemática aplicada, tem dificuldades em fazer uma conta de dividir à mão, e, finalmente, é doutorado em genética molecular apesar das más línguas insistirem que ele não sabe fazer um PCR (e têm razão...). Trabalha entre a evolução e a genética, sobre bactérias e sem sujar as mãos (bioinformática). Trinta e poucos, funcionário público do Estado Francês. (ER)
Seja bem vindo ao Conta Natura. Espero que colabore muitas vezes.
Publicado por Santiago às 12:00 PM
março 10, 2005
Quem se priva do dinheiro público?

(AMGEN INC., Thousand Oaks, California)
Dizia o Eduardo Rocha num comentário ali em baixo:
"A questão tem que se pôr: como fazer o privado investir mais? A solução recente tem sido dar dinheiro público ao privado para "investir" no público. Algo circular como sistema..."
Como, na realidade, estimular o investimento privado em Investigação? (O investimento privado de que estou a falar é uma coisa diferente do Mecenato que, frequentemente, já recebe apoio público por via fiscal)
Eu cá acho que ajudava muito se a Comunidade Científica perdesse um certo fundamentalismo, de que muitos ainda sofrem pela investigação dita básica.
Afinal os privados só investirão em Ciência, se os cientistas se disponibilizarem para lhes dar algo em troca. A biotecnologia, por exemplo, financia product-oriented research...
Iniciativas como a Associação Viver a Ciência merecem ser seguidas com atenção (e apoiadas, obviamente). É por aí que querem ir?
Post-Scriptum
Ainda sobre este tema, destaque para a interessante série de posts do Luis Moutinho: Partnerships for Innovation (I), (II) e (III)
Publicado por Santiago às 2:10 PM | Comentários (1)
março 7, 2005
Blogue da Mosca
OK, então aquilo que eu estava a pensar era o seguinte.
O blogue devida ter as seguintes funções:
Uma serie de links úteis para Drosphilistas portugueses
Links de sites de Drosophila
Links de laboratórios onde hajam Portugueses a trabalhar (eventualmente com uma pequena descrição feita pelo próprio sobre a natureza do seu trabalho
Links sobre laboratórios de mosca em Portugal
Um local onde fosse possível enviar pequenas mensagens, por exemplo para pedir stocks, conselhos, etc...
Um local para pequenos anúncios ou mensagens relacionadas com o trabalho de drosophila...
Mais tarde se a coisa funcionar podemos criar algo mais ambicioso, mas por agora let's think small :) (fonix, tornei-me num verdadeiro emigrante)
Neste momento estou a compilar uma lista de emails das pessoas que manifestaram o seu interesse. Eu gostava que isto fosse acima de tudo um exercício colectivo. Existe alguém interessado que tenha um excelente conhecimento de HTML?
Publicado por maradona às 3:38 PM | Comentários (3)
março 5, 2005
Algum interesse?
Por acaso acham que existe algum interesse num pequeno blogue - sem qualquer tipo de pretensões - que pudesse compilar links e pequenas mensagens úteis para Drosophilistas Portugueses?
Eu posso montar algo muito simples se houver interesse.
Ps. Eu não estou a falar de um fórum de debate,estou a falar de um lugar estritamente utilitário... um Skoda da blogosfera
Publicado por maradona às 12:57 AM | Comentários (10)
março 4, 2005
Uma Má Notícia
Mariano Gago é o novo Ministro da Ciência...
Publicado por Santiago às 8:13 PM
Uma Boa Notícia
Mariano Gago é o novo Ministro da Ciência...
Publicado por Santiago às 8:11 PM
Nature, 3 de Março de 2005

A Nature de 3 de Março de 2005 traz duas coisas interessantes (entre outras, claro):
1) Uma carta de um neurocientista sobre o que lhe aconteceu depois de se oferecer como voluntário para uma Ressonância Magnética. Ha dois ou três pontos neste testemunho que me fizeram pensar e a carta merece ser lida por todos os nossos amáveis leitores (Nature. 2005. 434:17 - O texto vai reproduzido abaixo). Tenciono voltar ao tema...
2) Um interessante artigo (pg 10: Upstart states) sobre as gritantes desigualdades na distribuição de fundos federais para I & D entre os 50 Estados Norte-Americanos: Os valores per capita variam entre os $206 do Maryland (pop: 5.2 milhões) e os $18 do South Dakota (pop: 750.000). O artigo discute de que forma alguns dos Estados mais desfavorecidos (como por exemplo a Florida, que recebe menos de US $30 por cabeça) tentam agora posicionar-se para melhor captar fundos públicos.
Vejam a figura acima, retirada desse artigo: a média de despesa pública em I & D nos EUA é de $66 por habitante!
Em Portugal (dados do OCES relativos ao mesmo ano de 2000) ela era, a preços correntes, de 71 euros por cabeça (US $93 à taxa de câmbio actual. 88 euros/$114 em 2003). Não se esqueçam que uma elevada percentagem do orçamento público de I&D dos EUA se destina a aplicações militares, ao contrário do que se passa em Portugal...
Agora respondam a esta pergunta:
Porque é que anda gente a dizer que é necessário duplicar os fundos públicos para Investigação e Desenvolvimento?
(published in: Nature, 2005. Volume 434, page 17)
How volunteering for an MRI scan changed my life
Discovering a serious problem not only causes shock but can have financial implications
Sir ñ I read your news story "Brain-scan ethics come under spotlight" (Nature 433, 185; 2005) with great interest. As a neuroscientist, and being a bit of a 'neuro-nerd', I've always wanted to observe MRI scans of my own brain, so when the opportunity arose I jumped at the chance to help test a new MRI facility at my university.
As it turns out, I should have thought about the consequences of volunteering more thoroughly.
After the test scans, the manager of the facility informed me that something abnormal had been observed during the procedure. With great trepidation, I looked through the scans and, having taught neuroanatomy previously, I instantly recognised a tumour, roughly the size of a golf ball, in a rather sensitive location near the carotid artery to the left of my brainstem. This came as a huge surprise as I had never been diagnosed with any sort of neurological disorder.
Some would call this a fortunate discovery, and I would normally agree with them. Clearly, knowing you have a brain tumour is better than not knowing, right? The manager of the MRI facility offered to refer me to a local neurosurgeon for further investigation. In a state of shock, I agreed without proper consideration. This decision, I later realized, would have unforeseen financial implications.
At the time, my wife and I were expecting our first child, and we were in the process of reviewing our insurance policies. We had decided to apply for additional insurance to support the family should one of us lose our university position though injury or disease. Just before we submitted these documents, along came this 'diagnosis'.
The neurosurgeon told me that 5% of operations lead to potential complications after which, in order to save my life, they would have to induce a massive stroke of my entire left-brain. This could leave me in the horrible position of being unable to communicate with my wife, my newborn child or my students. Clearly, this surgery could lead to my losing my job. What should I do about the insurance policy? Revise the application and report these 'non-clinical' scans? I decided to be honest (others would say naive) and report the scans, which cost me the policy.
Now I sit in the uneasy position of facing surgery that could cost me and my family everything because I wanted to peep at my own brain. I understand that subject recruitment for research studies can be very difficult and every subject is precious. After my experience, however, I feel that informed consent should clearly include recognizing the possibility that something of medical significance could arise and that this could have an impact on future insurance eligibility.
Sadly, this is likely to further reduce subject participation in research critical to our understanding of the healthy and diseased brain.
Name and address withheld by request
Publicado por Santiago às 3:32 PM | Comentários (7)
março 3, 2005
Porque eu mereço *
1. Portugal é o país Europeu com maior percentagem de mulheres a trabalhar. 2. Muitos laboratórios Europeus praticam discriminação positiva em favor de cientistas masculinos de modo a não ter laboratórios constituídos exclusivamente por mulheres. 3. No entanto os chefes de grupo ainda são maioritariamente homens. 4. O presidente de Harvard acha que as mulheres podem ter menos capacidade científica inata que os homens. Para espicaçar ainda mais a discussão, remato com um sugestivo cartoon:
Cláudia Pereira, doutorada em Biologia Celular, procura, com a sua pesquisa, estratégias terapêuticas mais eficazes para a doença de Alzheimer. Para o efeito estuda os processos citotóxicos desencadeados precocemente durante a exposição a peptídeos beta amilóide. Margarida Gama Carvalho, doutorada em Ciências Biomédicas, procura compreender o papel coordenador das proteínas associadas ao ARN na regulação da expressão génica. O júri, presidido pelo Pr. Dr. Alexandre Quintanilha, foi constituído por: Pr. Dr. João Lobo Antunes , Pr. Dr. Fernando Catarino, Pr. Dr. Maria de Sousa, Pr. Dr. Maria do Carmo Fonseca, Pr. Dr. Catarina Resende de Oliveira e Dr. Rui Pereira (Biotechnology, L'Oréal Life Sciences Research Center, Aulnay, France). Não consegui encontrar informação respeitante aos critérios de selecção das candidatas, mas suponho que, dado o reduzido número de concorrentes, não terá sido difícil... Entretive-me a fazer umas contas por alto: em 2001 houve cerca de 950 mulheres a ver reconhecido o seu doutoramento em Portugal (com um sexto a ter realizado o doutoramento numa universidade estrangeira). Como todos dizem que o número de doutorados Portugueses está a aumentar, isto quer dizer que entre 1999 e 2003 houve pelo menos 3800 mulheres a ver reconhecido o seu doutoramento em Portugal. Teríamos que adivinhar a proporção que está na área de Ciências Biológicas, mas uma estimativa por baixo aponta para cerca de um terço, o que dá 1250. Por outras palavras, menos de 3% concorreram a esta bolsa.
Como explicar o fraco interesse nesta bolsa? São várias as hipóteses: não houve divulgação suficiente, só 30 mulheres é que preenchiam as condições (note-se que uma delas era J¡ estarem a desempenhar investigação em Portugal), só 30 mulheres é que estavam interessadas. Possivelmente uma combinação destas três hipóteses, mas qualquer uma delas, se verdadeira, é bastante grave. Outros pontos a ter em consideração:

Maya Mendiratta
*o título é da exclusiva responsabilidade do editor (VMB).
Publicado por Conta Natura às 4:00 PM | Comentários (7)
Biogaffes (I)
Se não estou em erro, a revista "O Biólogo" teve em tempos uma coluna onde se coleccionavam citações da imprensa que maltratavam a biologia. A coluna intitulava-se "biogaffe" e, com a devida vénia aos editores da "O Biólogo", vamos tentar fazer algo semelhante aqui. Estes exercícios valem sobretudo pela maledicência. Não têm qualquer valor estatístico, mas são divertidos.
Começo com uma citação de uma entrevista que ouvi ontem na Tsf. No programa Pessoal e Transmissível - excelente programa - Carlos Vaz marques entrevistava Fernando Alvim, um artista angolano. A dada altura começaram a discutir o conceito de raça e Alvim terá dito (cito de cor, mas a entrevista em breve deve estar disponível na Tsf online) que a genética nos ensinou que somos mais parecidos com um tipo a 3000 km de distância do que com os elementos da nossa família. Bem, a menos que Alvim tivesse em mente a típica história do caixeiro-viajante co-autor de um dos rebentos de uma família distante e feliz (o exemplo antropóide da "sneaky fucker theory"), é difícil digerir este argumento. É sempre oportuno e de bom-tom rebater o conceito de raça, mas convém não o fazer com os pés. Ah, a entrevista recomenda-se.
Publicado por Conta Natura às 10:12 AM