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novembro 30, 2005
Ciclope Cínico
Aldeído acético (da expressão ál[cool] deid[rogenado] + acétu, do lat.: vinagre) s.m. 1. Química Composto orgânico obtido por degradação oxidativa do álcool etílico 2. Fisiologia e Sociologia A reacção que lhe dá origem é indutível pelo substrato, mas não a sua degradação. O substrato cimenta grandes amizades que o produto de degradação depois desfaz 3. Medicina Origem de muitas dores de cabeça, securas de boca, fadiga muscular e desarranjos intestinais 4. Desporto É frequente acumularem-se grandes quantidades de ~ na manhã seguinte aos jogos da Selecção. Alguns resultados sugerem que isso já tinha acontecido na véspera em pelo menos 11 pessoas.
Publicado por Santiago às 8:43 PM | Comentários (1)
Eureka!

°eureka!, é a primeira revista grátis de divulgação científica a aparecer em Barcelona. A par com os três jornais diários de distribuição gratuita no metro de Barcelona, a °eureka! começou a ser distribuída no dia 21 de Novembro e visa aproximar os cidadãos de Barcelona da temática científica. Para tal, procura focar os temas de maneira leve, agradável e atractiva .
A revista, que será mensal, é uma aposta ambiciosa para a divulgação científica e está a ser posta em marcha pela Omnis cellula uma entidade sem fins lucrativos ligada à Universidade de Barcelona e que se dedica a divulgar ciência em vários estilos e formatos. A equipa responsável por °eureka! é composta por jovens cientistas e humanistas de várias áreas.
Publicado por SJA às 4:18 PM | Comentários (0)
Post deliberadamente abrasivo
Que é feito dos pândegos do CLA que de há uns meses a esta parte andam remetidos a um silêncio sepulcral?
Nem um daqueles lancinantes pareceres sobre a Proposta de Orçamento de Estado para a Ciência - 2006, eles conseguiram dar à estampa este ano. Quem leu o que eles escreveram acerca dos Orçamentos de 2004 e 2005 pergunta-se agora que gato lhes terá comido a lingua...
Mudando totalmente de assunto: Consta que João Sentieiro, Secretário-Geral do CLA, será o novo Presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Publicado por Santiago às 1:30 PM | Comentários (4)
novembro 29, 2005
Parece Que Temos Parecer!
Ontem o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida apresentou o seu quadragésimo sétimo parecer, desta vez dedicado à "Investigação em Células Estaminais" de que aqui apresento cópia.
Trata-se de uma matéria especialmente sensível e que concentra no seu ponto número doze, grande parte das divergências:
12. A destruição de embriões criopreservados com o fim específico de obtenção de células estaminais destinadas a investigação constitui uma instrumentalização contraria à sua dignidade.
A colheita de células estaminais de embriões que não é por si própria causa de destruição desses embriões não levanta objecções éticas. O potencial benefício para a humanidade da informação que pode vir a ser gerada pela investigação científica justifica que sejam utilizadas, para tal fim, células estaminais obtidas a partir de embriões retirados de criopreservação por motives alheios à colheita destas células estaminais.
Há algumas vozes mais discordantes entre os membros do Conselho, que aqui poderão consultar, com destaque especial para a opinião do Prof. Miguel Oliveira da Silva.
Da minha parte, acho que se trata de um parecer equilibrado, que permitirá, com algumas dificuldades é bem certo, a investigação em células estaminais. Nada é definitivo e é sempre necessário bom senso para se avançar com segurança. Por outro lado, continuo surpreendido com a negligência ética registada há uns 10 anos atrás, na altura em que se avançou pragmática e empiricamente com a reprodução medicamente assistida, tal como agora fico supreendido com o contraste dos excessos, sobre o que se poderá fazer aos embriões excedentários resultantes da primeira. Não posso esquecer que na altura, uma voz "avisada" e claramente interessada, falava no "imperativo ético" de realizar essas fertilizações in vitro em Portugal, para que as mulheres portuguesas não fossem a Espanha!...
Uma última palavra sobre o país vizinho, onde este parecer foi apresentado há um ano atrás, por cada uma das 19 regiões autónomas, tendo arrastado grandes discussões e negociações para a transladação de laboratórios de gente famosa, das mais conservadoras para as mais liberais. Na altura, recordo mesmo que houve uma forte ameaça de saída do país de um influente, caso a legislação fosse desfavorável à investigação na área. Fica então a saber desde já que, se não concordar com a legislação produzida com base neste parecer, tem 19 alternativas aqui ao lado!
Publicado por RPA às 10:00 PM | Comentários (1)
De Pablo Neruda
Ode ao laboratorista
Há um homem
escondido
observa
com um só olho
de ciclope eficiente,
são coisas minúsculas,
sangue,
gotas de água,
olha
e escreve ou conta,
naquela gota
circula o universo,
a via láctea treme
como um pequeno rio,
observa
o homem,
e anota,
no sangue
minúsculos pontos vermelhos,
planetas em movimento
ou invasões
de fabulosos regimentos brancos,
o homem
com o seu olho
anota,
escreve
ali contido
o vulcão da vida,
o esperma
com a sua titilação de firmamento,
como aparece
veloz o tesouro
trémulo,
as sementezinhas do homem,
logo
em seu círculo pálido
uma gota
de urina
mostra países de âmbar
ou na tua carne
montanhas de ametista
pradarias ondulantes,
verdes constelações ,
no entanto
ele anota, escreve,
descobre
uma ameaça,
um ponto dividido,
um halo negro,
identifica-o, encontra
o seu prontuário,
já não pode escapar-se,
repentina
no teu corpo será a caçada,
a batalha
que começou no olho
do laboratorista:
será de noite, junto
à mãe morte,
junto ao menino as asas
de espanto invisível,
a batalha na ferida,
tudo
começou
com o homem
e o seu olho
que procurava
no céu
do sangue
uma estrela maligna.
Ali, de bata branca
segue
procurando
o sinal,
o número,
a cor
da morte
ou da vida,
decifrando
a textura
da dor, descobrindo
o emblema da febre
ou o primeiro sintoma
do crescimento humano.
Logo
o descobridor
desconhecido,
o homem
que viajou pelas tuas veias
ou denunciou
um viajante mascarado,
no Sul ou no Norte
das tuas vísceras,
o temível
homem com o olho
pega no seu chapéu,
põe-no,
acende um cigarro
e sai para a rua,
move-se, desprendido
espalha-se pelas ruas,
junta-se à massa dos homens,
por fim desaparece
como o dragão
o monstro diminuto e circulante
que ficou abandonado numa gota
no laboratório.
Publicado por MM às 4:08 PM | Comentários (0)
Fingir que a fraqueza é força

O Centro Cultural Calouste Gulbenkian em Paris organizou no passado dia 15 de Novembro um colóquio com o título: " L'Union Européene et la Recherche dans les Sciences biomédicales au Portugal: um regard portugais de l'extérieur". Fernando Tomé (ancien directeur de recherche INSERM em Paris) apresentou o orador, Fernando Lopes da Silva (professeur Émérite da Faculté des Sciences de Amsterdão). Maria de Sousa (professeur, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar do Porto) aceitou perguntas da audiência no debate que se seguiu. A Fundação Calouste Gulbenkian pagou.
Não vou falar em detalhe da apresentação de Lopes da Silva, que mostrou várias séries estatísticas publicadas pelo Observatório da Ciência e do Ensino Superior, visto que o Centro Gulbenkian irá editar um opúsculo com a transcrição do que foi dito na sessão. Vou debater só um ponto aflorado pelo conferencista, quando descrevia as "forças" do Sistema Científico Português.
Lopes da Silva apontou três pontos fortes na Ciência em Portugal: 1) A pirâmide etária, com mais de 60% dos investigadores a terem uma idade inferior a 40 anos, 2) A existência de um número de Laboratórios Associados que são fortes centros de formação de novos investigadores, e 3) A institucionalização de um sistema de avaliação independente. Este sistema é um ponto forte por ser, subentendeu-se, estrangeiro.
Vou-me focar o ponto 1), o mais forte da Ciência Portuguesa na opinião deste famoso conferencista. Achei irónico que ele tivesse apresentado como strong point aquele que é, na minha modesta opinião, a maior fraqueza do Sistema Científico Nacional: Considerando todos os investigadores portugueses, 45% têm menos de 35 anos, 62% têm menos de 40! Os jovens são o futuro do País, disse o orador...
Dou por adquirido que não é após um PhD ou 1, ou sequer 2 post-docs que quem quer que seja adquire a maturidade e a experiência necessárias para ser bem sucedido a organizar um Laboratório de investigação, orientar estudantes, enquadrar post-docs e conseguir ainda ser produtivo em Ciência. Parece-me também óbvio que não é justo (nem sequer avisado) sobrecarregar o início de uma carreira científica com deveres lectivos, administrativos ou de organização das infra-estruturas de apoio à investigação. Biotérios, plataformas tecnológicas, reuniões cientificas, etc devem ser responsabilidade de cientistas já estabelecidos, que tenham situações contractuais mais seguras e por isso horizontes temporais mais dilatados...
O grande erro estratégico que Portugal tem vindo a cometer é apostar só no regresso, prematuro, de uma grande parte dos jovens que, com as Bolsas de Doutoramento do Ciência e depois do Praxis XXI, buscaram o estrangeiro para dar os primeiros passos na sua carreira científica. Feito o PhD (ou o DPhil...), por vezes 1 post-doc (sendo que muitos são "falsos post-docs", por terem sido feitos no mesmo Laboratório do PhD), há um País inteiro, ansioso, a aliciá-los para regressar, organizar os seus próprios Laboratórios, procurarem financiamento onde conseguirem, treinarem os seus técnicos e estudantes como puderem, e depois, se sobrar tempo, publicarem seja o que for, seja onde for, para que os relatórios do OCES pareçam bonitos...
Assim se chegou a esta situação caricata de só haver duas categorias de "retornados": Os "jovens" que regressam para iniciar a carreira (após prometedores começos) e os "velhos" que regressam para terminar a carreira em Portugal (após longas e distintas carreiras científicas no exterior).
Ora, a grande verdade, a verdade que se esconde por detrás da La Palissada "os jovens são o futuro do país", é que quem faz mesmo falta para o desenvolvimento do Sistema Científico Português (ou o de qualquer outro País) são os "outros"... os que estão neste momento "a meio" da carreira, já têm posições permanentes, têm experiência em organizar e dirigir um Laboratório, provas dadas de serem capazes de produzir ciência, publicar, e, sobretudo, uma grande vontade, necessidade até, de sucesso.
Os "jovens" não têm experiência que baste, os "velhos" não têm interesse que chegue... o resultado é o sub-desenvolvimento científico de que temos sofrido, crónicamente...
Percebo as razões desta "aposta estratégica": O "preço" destes "jovens" recém-doutorados é bastante inferior ao dos que fazem mesmo falta. Com os limitados recursos existentes é possível trazer múltiplas vezes mais "jovens" que "outros". Os "velhos" são baratos (não precisarei de apontar exemplos concretos, estou certo, todos conhecemos casos notórios...) e por isso as estatísticas nacionais conseguem revelar um fenomenal crescimento no número de investigadores a trabalhar em Portugal. Fica o Ministério contente, fica o País feliz, fica o OCES extasiado, ficam os Directores emocionados, fica a UE espantada, fica a ciência portuguesa a perder...
Portugal só deixará de ser um "País em vias de desenvolvimento", cientificamente falando, quando souber, puder ou quiser atrair esses "outros" que, estabelecidos (e bem sucedidos) no estrangeiro, queiram olhar para Portugal como "um País normal" e se deixem aliciar por uma posição de investigador. Para que isso aconteça é preciso reconhecer que o espectacular progresso estatístico a que temos vindo a assistir esconde um grave problema em Portugal. Talvez nessa altura queiramos mudar de estratégia e corrigir a aberrante pirâmide etária de que tantos se orgulham...
Publicado por Santiago às 11:43 AM | Comentários (4)
novembro 28, 2005
Reflexões de ponta e mola
Fazer ligações de ADN eí uma verdadeira lotaria, por vezes sem razão aparente uma pessoa pode passar dias a tentar subclonar um fragmento de treta. Por vezes existem dias sucessivos em que todos os plasmídeos são positivos. Que desperdício...
Publicado por maradona às 11:35 PM | Comentários (4)
Ciclope Cínico
Álcool (do ár. vul. al-kuhúl; colírio de pó de antimónio) s.m. 1. Química Líquido incolor, volátil e inflamável 2. Em vista das consequências da sua ingestão e dos mandamentos do Corão, a origem etimológica peca por falta de credibilidade e a definição desdenha o mais importante.
Publicado por Santiago às 10:39 PM | Comentários (1)
novembro 27, 2005
GripePT.Notícias
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Esta semana a newsletter da GripePT.net aborda o plano nacional de resposta à epidemia de gripe. Visite o site e participe nesta iniciativa. Já somos mais de 2200!
Plano de contingência para Portugal
O plano de contingência para a gripe, desenvolvido pela Direcção Geral de Saúde (DGS), está organizado em quatro fases. A primeira, Fase 0, corresponde ao período interpandémico em que nos encontramos, e tem definidos quatro níveis:
Nível 0 - Sem indicação da existência de um novo vírus.
Nível 1 - Detecção de um caso humano de infecção por um novo subtipo do vírus
influenza.
Nível 2 - Ocorrência de dois ou mais casos humanos confirmados de infecção pelo
novo subtipo de vírus influenza, mantendo-se a incerteza sobre a transmissão.
Nível 3 - Ocorrência comprovada da transmissão eficaz pessoa-a-pessoa do novo vírus,
acompanhada do aparecimento do primeiro surto.
A Fase 1 corresponde à confirmação pela Organização Mundial da Saúde (OMS) do início da pandemia. Na Fase 2 verificam-se já surtos regionais ou multi-regionais, culminando na chegada da pandemia a Portugal. A Fase 3 corresponde ao fim da primeira onda de pandemia, a Fase 4 à segunda onda da pandemia e a Fase 5 ao período pós-pandémico.
Durante todas as fases do plano a vigilância epidemiológica será uma prioridade, bem como a comunicação com as autoridades de saúde pública, a criação de uma reserva estratégica de medicamentos e o planeamento de estratégias com os serviços de saúde. O projecto Gripept.net estabelece uma comunicação directa entre a população Portuguesa e as autoridades de saúde que regem as acções de prevenção e resposta. O Gripept.net permite-nos monitorizar melhor e mais rapidamente a propagação da gripe no nosso país. Permite também um fluxo de notícia e debate que mantem a população devidamente informada e integrada no panorama nacional. O Gripept.net conta com o apoio da DGS e constitui uma potencial arma no combate a gripe. A sua eficácia, no entanto, depende agora do nível de participação dos Portugueses.
Publicado por RPA às 11:35 PM | Comentários (0)
Bom senso
Sobre a homilia dominical em raios catódicos do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, creio que alguém disse (cito de memória): "estou sempre de acordo com o Prof., excepto nas matérias que domino". Como exercício de ironia é difícil fazer melhor, mas a frase exprime uma tensão própria do nosso tempo: se é verdade que precisamos de generalistas que nos ajudem a seleccionar e organizar a brutal quantidade de informação que todos os dias vai sendo produzida, nunca como hoje houve tantos especialistas à mão, prontos a detectar a menor falha. Esta vigilância coloca alguma pressão sobre o generalista, o que é de salutar, sobretudo se for uma pessoa com responsabilidades e tempo de antena. O problema surge quando o especialista perde o pé a nadar no seu domínio e revela um excesso de susceptibilidade, abusando do tom e da autoridade para denunciar uma falha que, na verdade, é menor. E aqui os especialistas nas Ciências da Vida surgem como um grupo de risco.
Há um interesse crescente da sociedade civil nas ciências da vida: a biotecnologia continua na moda, qualquer dia uma varina lembra-se de usar a palavra "gene" num pregão e, ainda não refeitos da ressaca da chamada guerra das ciências, passamos agora por mais um pico de tensão/sedução entre as ciências (o evolucionismo, na verdade) e a religião (os evangelistas americanos, e a reboque o Vaticano). Por outras palavras, a probabilidade de se dizer uma asneira e a ouvirmos depois no outro lado do mundo aumentou.
Creio também que alguns cientistas (e isto é uma autocrítica) podem vir a cair na tentação de saborear uma vingança que se come não fria mas gelada, como uma sobremesa boa. As humanidades sempre tiveram uma supremacia sobre as ciências nos saraus culturais. E ¡lvaro de Campos explicou bem tal fenómeno: "o binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo./ O que há é pouca gente para dar por isso." O humanista, termo vagamente pretencioso, é, na definição original, aquele que domina as letras. Como Jacques Barzun recorda, o próprio Leonardo da Vinci, exemplo máximo do homem renascentista de múltiplos talentos, não era em rigor um humanista, porque não fazia versalhada*. A hegemonia das humanidades na chamada cultura geral chegou aos nossos dias, mas tem vindo a ser progressivamente ameaçada pelas ciências. E o cientista sente-se de algum modo legitimado por uma injustiça passada para reclamar agora o seu quinhão.
Que a cultura geral valorizada ainda hoje é essencialmente de tipo humanista parece-me inegável. Quando há uns anos Herman José parodiou o intelectual, com a profissão "culto" a surgir em nota de rodapé no écran, o boneco parecia o Prof. Eduardo Prado Coelho. Quando Pacheco Pereira, historiador, cronista, político e comentador político, escreve no Abrupto sobre astronomia, para o grosso dos seus leitores aquilo deve parecer uma excentricidade. Quando há uns tempos um cronista muito famoso da nossa praça se vangloriou por não saber matemática, ninguém se escandalizou. E na galeria das grandes gafes recentes de políticos lusitanos figuram sobretudo lapsos ou invenções de cultura geral na área das humanidades: Cavaco, revelando os seus hábitos de leitura, troca Thomas More por Thomas Mann; Santana a improvisar um concerto de violino cuja autoria decide atribuir com modéstia a Chopin, Santana a bisar (o seu gabinete, na verdade), quando decide enviar uma carta a um certo Machado de Assis, código postal 0000-000 Céu. Sim, eu sei, Guterres teve dificuldades em fazer contas quando foi atacado por quarenta microfones, mas não é a mesma coisa. O que estes exemplos demonstram é a exclusão da ciência da cultura geral usada no discurso político**. A própria pretensão de Soares de querer impor-se sobre Cavaco Silva como homem de cultura é disso sintomática. Soares é um humanista e Cavaco um economista sem uma visão abrangente das ciências ou sequer, a julgar pelo que leio, da economia. Mas Soares, o homem de vasta cultura, provavelmente não sabe nada de ciência, a menos que o Prof. Sobrinho Simões (mandatário da sua campanha) lhe vá soprando uns nomes e umas ideias.
CONTINUA
* Leonardo também não se interessava por música, latim, grego e História, nem era um grande escritor, pese embora as divagações filosóficas e as parábolas místicas que podemos ler nos seus cadernos [página excepcional da British Library].
** Uma excepção, muito bem detalhada no livro Darwin em Portugal (1865-1914), de Ana Leonor Pereira, é Antero de Quental. Em crónica futura conto escrever sobre esta obra.
Publicado por Conta Natura às 5:45 PM | Comentários (1)
Ciclope Cínico
-Ase sufixo 1. Sufixo que indica estarmos perante o nome de uma enzima, como polimerase, não sendo a regra válida para nomes próprios e apelidos, como Ilie Nastase (tenista). 2. Questão fracturante: há décadas que gerações de estudantes se debatem com o género da palavra enzima. Masculino? Feminino? Não é invulgar o estudante oscilar, sem razão aparente, entre escrever "o enzima" e "a enzima", o que constitui um raro exemplo de androginia lexical.
Publicado por Conta Natura às 5:08 PM | Comentários (0)
novembro 25, 2005
Bolsa Pfizer de Investigação em doenças infecciosas - Professor Artur Torres Pereira

Os Laboratórios Pfizer, em conjunto com a Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, atribuem anualmente a Bolsa e os Prémios Pfizer de Investigação. Este ano a Bolsa Pfizer homenageia Artur Torres Pereira.
Uma detalhada menção a este eminente bacteriologista e antigo Director do Instituto Câmara Pestana ficará para outra altura, porque hoje só vou falar de Mário Ramirez que, juntamente com João Coelho, ganhou a Bolsa Pfizer de Investigação em doenças infecciosas - Professor Artur Torres Pereira.
O Mário Ramirez é um dos históricos do 1∞ ano (graduação Van Uden) do Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina. Realizou o seu trabalho de Tese na Rockfeller, em Nova Iorque, onde me recordo de ele uma vez se ter queixado que a Bolsa de Doutoramento era demasiado curta para lhe permitir ir à ”pera todas as semanas.
Hoje em dia trabalha no IMM e no Instituto de Microbiologia da F.M.L., em Lisboa. Tanto quanto me parece ainda não consegue ir ao Met com a frequência que desejava...
Eis o resumo do projecto premiado em 2005.
(S. pneumoniae apanhados em flagrante delicto)
Caracterização da população em mudança de Streptococcus
pneumoniae
Foi introduzida há poucos anos no nosso país uma nova vacina anti-
pneumocócica que pode reduzir a mortalidade e morbilidade associada a
infecções graves por Streptococcus pneumoniae nomeadamente,
pneumonias, septicémias e meningites. No entanto, esta vacina está apenas
dirigida contra 7 dos mais de 90 serotipos reconhecidos em S. pneumoniae.
Uma vez que a população bacteriana apresenta uma grande variabilidade
geográfica, é fundamental conhecer a realidade nacional para avaliar os
potenciais benefícios da vacinação. As alterações da população bacteriana
induzidas pela vacina oferecem igualmente uma oportunidade única para
investigar as razões que explicam as assimetrias observadas entre as
estirpes isoladas de portadores assintomáticos e as causadoras de infecções
graves. Assim, propõe-se: (i) seguir as alterações da infecção pneumocócica
invasiva devido à vacinação, (ii) identificar a origem dos clones que
expressem novos serotipos e (iii) identificar factores de virulência e
epidemicidade importantes.
Publicado por Santiago às 11:06 AM | Comentários (2)
novembro 24, 2005
Enquanto Há Vida, Há Esperança!

Publicado por RPA às 3:19 PM | Comentários (3)
BD na Nature

Hoje, a Nature estreia-se no mundo da banda desenhada. Para acompanhar uma edição especial dedicada à Biologia Sintética, esta revista científica publica pela primeira vez uma banda desenhada, seguindo (permitam-me que vos diga) um caminho já desbravado pelos editores do Conta Natura!
Publicado por SJA às 9:17 AM | Comentários (4)
novembro 23, 2005
Ciclope cínico
Absoluto adj., s. m.1. S. m.: o que existe independentemente de qualquer condição 2. Adj.: o oposto de relativo. 3. Absolutismo: modelo de governo em que todo o poder do Estado está concentrado nas mãos de um rei, também praticado por directores de institutos de investigação na antiga URSS. 4. Aromoterapia: os ~s são compostos extraídos de plantas com solventes químicos, mas a cocaína, mesmo se introduzida pelas narinas, não parece ser um bom exemplo. 5. Verdades e valores morais ~s: ambos existem, sobretudo quando aplicados para interrogar e julgar terceiros, numa clara manifestação de relativismo. 6. Zero ~: é a temperatura mais baixa possível (0 Kelvin, -273.15∞ Celsius, -459.67∞ Fahrenheit), altamente desaconselhada para raves, pois a 0 Kelvin todas as moléculas possuem o mínimo de energia cinética permitido pela mecânica quântica. O zero ~ ainda não foi atingido, mas investigadores do Massachusetts Institute of Technology andaram perto (4.5 ◊ 10-10 K). O feito só impressionará quem não conheça o Inverno de Boston.
Publicado por Conta Natura às 5:32 PM | Comentários (0)
Há coisas assimÖ
O Dana Centre é um local em Londres dedicado à interacção entre a ciência e a arte. Tem eventos e debates, alguns deles transmitidos via webcasting, e também um fórum de discussão sobre assuntos relacionados com a Ciência e a sociedade. É, no fundo, a comunicação da Ciência no seu aspecto mais pluridisciplinar.
Visitem:http://www.danacentre.org.uk/calendar.asp?filter=date&date=03/11/2005
Publicado por MM às 2:01 PM | Comentários (0)
novembro 22, 2005
Presidential Intelligence and Design
Leio no Portugal Diário que Mário Soares numa acção de campanha ontem, na Escola Secundária José Afonso, em Loures, afirmou textualmente:
É interessante notar a súbita irrupção na campanha presidencial de temas, como por exemplo o Intelligent Design, que temos tratado aqui no Conta. Se esta notícia se confirmar, não quero deixar de chamar a atenção para este presciente post do VMB. Creio que ninguém me desmentirá se eu disser que os indivíduos representados nessa fotografia também não acreditam na selecção natural... problema deles, pô!
Publicado por Santiago às 4:27 PM | Comentários (7)
Do linguado de Gaia ao fulcro da questão [actualizado e revisto]
Esta série começou por ser um pastiche, mas o exercício não estava a funcionar. Desaparece o estilo emprestado mas o resto continua, inclusive a foto.
1. Os comentários que vou lendo sobre o já famoso episódio de duas raparigas de 17 e 18 anos que se beijaram numa escola de Vila Nova de Gaia e foram repreendidas pelo conselho directivo são um hino ao disparate. Há pérolas para todos os gostos. Quer um paralelo idiota? Eis uma saraivada, fresquíssima (Expresso, hoje): "o que faria o comandante de uma unidade se dois soldados do mesmo sexo ou de sexos diferentes trocassem habitualmente beijos na parada do quartel?" Quer factos deturpados? Leia Miguel Sousa Tavares (Público, ontem), esse grande romancista, que certamente vê a cena a passar-se no cimo de uma das mesas da sala de convívio, com as raparigas seminuas e munidas de adereços sexuais, incitando uma horda de rapazes borbulhentos: "Duas miúdas de 14 ou 15 anos [isto é que é rigor] foram chamadas e repreendidas (...) pelo facto de andarem a exibir a sua mútua atracção, através de beijos e apalpões, perante a plateia da escola". Quer dados essenciais para enquadrar o problema? Eis Saraiva, de novo: "Não são as duas de Gaia: uma é brasileira e a outra portuguesa." Qual a relevância deste dado? Saraiva explica: "Trata-se de duas mulheres, portanto, já com alguma experiência." Mas voltemos à delirante imaginação de Sousa Tavares: "os pais das crianças que frequentam a escola, algumas apenas com seis ou sete anos de idade, têm o direito de educarem sexualmente os seus filhos...". É raro ver-se tanto tiro na água. Atrevo-me então a perguntar: saberão estes senhores o que é uma escola secundária em 2005? Se, nos anos oitenta, por cada beijo que dei na Secundária dos Olivais tivesse sido chamado ao conselho directivo, hoje seria estafeta e andaria a fazer fretes para o Expresso. Ora, basta acompanhar a evolução dos vídeos da MTV nos últimos 15 anos para perceber que as manifestações de afecto/desejo não desapareceram entretanto dos pátios de recreio. Estes dois senhores, sob a capa do não alinhamento com o politicamente correcto (tradução= o lobby gay), não dizem o que é óbvio para toda a gente e este episódio ilustra: para cada reprimenda na escola a beijos entre homossexuais faz-se vista grossa a cem idênticas manifestações de afecto entre heterossexuais. Enfim, recomendo a leitura de ambas as crónicas para efeitos lúdicos. O leitor ficará a par das fantasias eróticas de Saraiva com rameiras brasileiras, e ainda de uma frase enigmática de Sousa Tavares - "nunca descobri em mim, vários exames de consciência feitos, qualquer orientação sexual homofóbica" - que parece uma versão levada ao extremo da costumeira ressalva "eu até tenho amigos homossexuais", deixando-nos na dúvida: então, Miguel, como é? Está a dizer-nos que, afinal, tem uma orientação sexual homofílica? Mas... mas... mas o Miguel é gay?
2. A crónica de Sousa Tavares relançou na blogosfera a discussão sobre o polémico artigo 175 do Código Penal (CP). Bem sei que os panegíricos à blogosfera não ficam bem aos bloggers, mas é impressionante contrastar o mau trabalho pago de um dos fazedores de opinião mais famosos do país com a qualidade dos contributos gratuitos de penalistas ou simples cidadãos informados, que com notável prontidão foram sendo produzidos nos blogues e elevaram a discussão. Destaco, em particular, as entradas publicadas nos seguintes blogues: A Origem das Espécies, Notas Várias, Renas e Veados, Glória Fácil, Portugal dos Pequeninos, Da Literatura, Aforismos e Afins, Mar Salgado, Quase em Português e Blasfémias [aqui recomendo sobretudo a discussão que o texto gerou].
3. Entre pessoas sem formação jurídica (como é o meu caso) a presente discussão descamba facilmente e tende a alimentar-se de cenários errados. É necessária muita atenção e disciplina mental para perceber exactamente o que está em causa. Ontem, por exemplo, comecei a discutir esta polémica com uma amiga heterosexual e a certa altura ela confessou-me que preferia ser violada por uma mulher do que por um homem. Apressei-me a concordar e até avancei um nome - “... a Scarlet?” ñ, mas acabáramos de fazer um desvio algo absurdo. Primeiro, uma violação é justamente a negação do direito de escolha. Segundo, saber se uma violação que vai contra a orientação sexual da vítima deve ser vista como uma dupla violação ñ situação não prevista no artigo 165 do CP - não é matéria para a presente polémica.
4. O que se discute é se a idade mínima para que uma pessoa decida autonomamente se vai ter relações sexuais com um adulto deve variar em função da natureza - hetero ou homossexual - da relação. O artigo 174 do CP determina que essa idade são os 17 anos, e diz textualmente:
Artigo 174º do CP: Actos sexuais com adolescentes
Quem, sendo maior, tiver cópula, coito anal ou coito oral com menor entre 14 e 16 anos, abusando da sua inexperiência, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.
O problema surge no artigo seguinte:
Artigo 175º Actos homossexuais com adolescentes
Quem, sendo maior, praticar actos homossexuais de relevo com menor entre 14 e 16 anos, ou levar a que eles sejam por este praticados com outrem, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.
Antes do exercício "descubra as diferenças", percebe-se logo que se os actos homossexuais têm direito a um artigo exclusivo, então é porque de alguma forma têm um enquadramento penal diferente dos outros actos, que por exclusão de partes só podem ser os actos heterossexuais (aqui simplifico, para efeitos de exposição). Mas passemos aos detalhes. Primeira diferença: os actos punidos estão identificados no artigo 174 ("cópula, coito anal ou coito oral") e são descritos vagamente no artigo 175 como actos "sexuais de relevo". Aqui podemos pensar que o legislador - talvez sabendo-se de antemão dotado de uma imaginação menos fértil do que a de Sousa Tavares e depois de experimentar alguns problemas ao tentar aplicar o termo "cópula" a homossexuais - preferiu uma definição mais vaga, mas que não é forçosamente mais abrangente do que o combinado cópula- coito anal- coito oral. Por outras palavras, o uso de uma terminologia diferente não traduziria propriamente uma discriminação, antes estaria adaptado à natureza dos actos que são descritos. Certo? Not so fast... De fonte credível leio que: "a jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça e dos Tribunais da Relação de Lisboa e do Porto entende que um beijo na boca, uma carícia, um passar a mão pelas pernas com fins libidinosos são actos sexuais de relevo". Segunda diferença: no caso da relação heterossexual, só há crime se se provar que houve abuso da inexperiência do menor. Esta ressalva não é feita para o acto homossexual. Combinadas, estas duas diferenças produzem as seguintes consequências: se um rapaz de 18 anos recebe uma felação de uma rapariga de 15 anos, pratica um crime, mas apenas se se provar que houve abuso da inexperiência da menor; se o mesmo indivíduo dá um beijo na boca de um rapaz de quinze anos, arrisca imediatamente uma pena de prisão. É muito curioso ver como o impacto destes exemplos se altera em função das diferentes combinações de sexos e de actos homo ou heterossexuais, mantendo tudo o resto inalterado (o acto e as idades). Há ainda uma terceira diferença, que salvo erro não foi ainda discutida na blogosfera: no caso do acto homossexual com adolescentes, mas não no acto heterossexual com adolescentes, a mesma pena aplica-se a quem pratica os actos e a quem "levar a que eles sejam por este praticados com outrem". Em síntese, estamos perante três diferenças nos artigos que claramente discriminam os actos.
5. Colocou-se então a seguinte questão: será o artigo 175 uma violação do princípio da igualdade, consagrado na Constituição da República Portuguesa (CRP), e do artigo que protege outros direitos pessoais, também da CRP. A CRP diz:
Artigo 13º
(Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Artigo 26º
(Outros direitos pessoais)
1. A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.
6. Esta questão foi já alvo de dois acórdãos do Tribunal Constitucional (Acórdão 247/2005 e Acórdão 351/2005) que consideraram a lei inconstitucional. A argumentação é complexa e baseia-se numa série de trabalhos e de outras opiniões de especialistas, mas no essencial defende-se que a justificação para a discriminação não tem fundamento. A justificação, citada num dos acórdãos, é a seguinte: "As experiências homossexuais de adultos com menores, independentemente da experiência sexual da vítima, são substancialmente mais traumatizantes, por representarem um uso anormal do sexo, condutas altamente desviantes, por serem contrárias à ordem natural das coisas, comprometendo ou podendo comprometer a formação da personalidade e o equilíbrio mental, intelectual e social futuro da vítima desencadeando, também, colateralmente, efeitos danosos de um ponto de vista social, fenómenos disfuncionais em grau mais elevado, à partida, do que os actos heterossexuais com adolescentes, mesmo sem experiência sexual.". Esta prosa é alvo de duas críticas pelos relatores dos acórdãos: 1) os pressupostos em que se baseia não são confirmados pela literatura, nomeadamente quando se diz que as experiências são "substancialmente mais traumatizantes" (ver também o artigo de António de Araújo na revista Atlântico e a referência aí citada: pág. 1 (PDF) e pág. 2 (PDF)); 2) a noção de norma ("uso anormal do sexo", "ordem natural das coisas"), ou seja, assente numa observação estatística (há mais heterossexuais do que homossexuais), não justifica a diferença de tratamento jurídico.
7. Há dois outros argumentos que os acórdãos não tratam, mas que foram desenvolvidos na blogosfera e no artigo de António de Araújo. No Blasfémias sugere-se que o termo homossexual surge no artigo 175 como adjectivo e não como substantivo, pelo que não há discriminação de um grupo pela sua orientação sexual e, consequentemente, o artigo não é inconstitucional. Esta posição seduz pelo requinte formal, mas não pode ser levada a sério, pois na verdade não responde ao essencial: o que distingue, afinal, o acto homossexual do acto heterossexual? A este respeito o artigo de António Araújo é mais substancial. Como referi anteriormente, Araújo parece não alinhar na tese à la Sousa Tavares do "trauma". Mas porque a nossa sociedade é homofóbica, Araújo conclui que "o processo formativo da autodeterminação sexual é muito mais problemático do que o processo formativo da autodeterminação heterossexual". Como tal, " o jovem deve ser protegido na sua liberdade e autonomia, seja dos preconceitos da moral convencional, seja das interferências externas provenientes de pessoas que, pela mera diferença de idade, só muito dificilmente não estabelecerão com um menor relações sexuais numa base assimétrica, onde prevalecerá o elemento de dominação em detrimento da componente afectiva". Para Araújo, isto não se trata de paternalismo mas sim de proteger a "autonomia dos menos autónomos". Este argumento é provavelmente o único que merece ser discutido.
8. Araújo admite trocar a protecção do bem jurídico que é a autodeterminação sexual dos menores pela protecção dos mesmos da homofobia. O que ele propõe, no fundo, é uma espécie de “realpolitik penal”: ponhamos o princípio da igualdade de lado e verguemos o CP à ordem social vigente. Ele quer evitar a todo o custo que o menor se assuma como homossexual, deixando no código a mensagem: “jovem, tens menos de 17 anos? Então não te tornes gay, a menos que seja mesmo necessário”. Aqui, por razões óbvias, dá jeito ao autor do artigo definir a orientação homossexual como uma opção consciente e não como uma tendência natural*. Porque isso alivia a violência que é o recalcamento da orientação homossexual. Para Araújo tal recalcamento não é necessariamente um problema, e pode inclusive ser compensado com “dividendos” sociais. Depois de um início ponderado e brando, é neste crescendo de revelações que se estrutura o texto de Araújo, para culminar com o mote: “não substituamos a tirania da felicidade heterossexual pela tirania da felicidade homossexual” Perdão?
9. Creio que o texto de Araújo assenta ainda numa falácia, de grande efeito retórico. Ele parece dizer-nos: "o artigo 175 ou o dilúvio". Por outras palavras, desaparecendo o artigo 175, os jovens entre os 14 e os 16 serão presa fácil de adultos aliciadores, e também da prostituição juvenil. Aqui pode haver de facto um problema, mas que uma reforma minimamente atenta do CP solucionaria. Fazer desaparecer o artigo 175 e deixar tudo o resto como está seria um erro. Uma alternativa possível - perdoem a ousadia - seria fundir os artigos 174 e 175 num único artigo:
Artigo X: Actos sexuais com adolescentes
Quem, sendo maior, tiver cópula, coito anal, coito oral ou outras práticas sexuais de relevo com menor entre 14 e 16 anos, ou levar a que eles sejam por este praticados com outrem, abusando da sua inexperiência, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.
Nesta fusão: 1) desaparece a discriminação entre actos hetero e homossexuais; 2) o texto original do artigo 174 recebe duas "enxertias" do artigo 175 (a negrito); a primeira faz com que o artigo cubra um leque mais vasto de práticas sexuais, mas dando indicação do que se considera relevante, já que três práticas são claramente identificadas (o que, pelo exemplo anteriormente citado, parece ser avisado); a segunda incrimina quem, não tomando parte física no acto, está na sua origem.
10. Subsiste um problema, provavelmente o mais sério, pela gravidade das consequências e frequência com que é praticado: o da prostituição com menores. Ora, tanto quando julgo saber, por imposição comunitária, há um anteprojecto de lei que prevê a punição do cliente do prostituto menor de 18 anos, o que daria enquadramento legal a todas estas situações (para actos homossexuais e heterossexuais, obviamente). Mas não seria exagerado incluir ainda uma previsão no novo artigo (o artigo fundido) penalizando o adulto por um acto sexual realizado com menor que envolva contrapartidas (não necessariamente financeiras). Com estas medidas, e tendo ainda em conta que o abuso da inexperiência do menor para actos sexuais é crime, a autodeterminação sexual de menores ficaria assegurada do ponto de vista penal, sem discriminação e sem brechas na lei que deixem impunes situações de aliciamento ou manipulação de menores para práticas sexuais, bem como casos de prostituição a troco de dinheiro ou de outras contrapartidas.
Nota final: sou filho de um magistrado. Com vista a salvaguardar o bom nome profissional da minha família, faço notar que o meu pai não leu esta entrada e, como tal, não é responsável por eventuais erros factuais ou de interpretação, nem pelas manifestações de ingenuidade e mau uso da terminologia técnica do seu filho. Com alguma sorte, não serei deserdado...
* Este tópico (o inato versus o meio), que é na verdade o único que gostaria de discutir no Conta, visto respeitar a temática do blogue, será desenvolvido em entradas futuras.
Publicado por Conta Natura às 6:53 AM | Comentários (11)
novembro 21, 2005
Dar e tirar

Na revista científica Cell, esse bastião da publicação científica na área das ciências da vida (com factor de impacto 28,4), há mais uma retractação. Na edição do passado dia 17 de Novembro, um artigo publicado em Abril de 2000 foi retirado de publicação por "haver erros nas experiências que poderão ter influenciado o resultado final do artigo". Ao que parece, diferentes quantidades de DNA foram usadas (sem controlos?) numa experiência fulcral (repetida quantas vezes?) do dito estudo (avaliado seriamente por 2 ou três cientistas importantes e muito cuidadosos?) e as experiências chave não podem ser reproduzidas. Isto concluíram os autores depois do artigo estar "nas bancas" há mais de cinco anos, e ter sido citado mais de duzentas vezes. Mais umas achas na fogueira do "peer reviewing", índice de citações e factor de impacto.
Publicado por SJA às 9:22 PM | Comentários (17)
Cartas do Além/Aquém
Nova "Carta do Além". Desta vez não fala de guloseimas.

Aquela de se dizer que "os jovens são o nosso futuro" recordou-me uma conferência recente do Fernando Lopes da Silva, no Centro Gulbenkian de Paris. Chamava-se "Un regard portugais de l'exterieur" e discutiu a problemática do desenvolvimento do sistema cientifico nacional. Tomei umas notas e acho que ainda volto a este tema.
Vou publicando estas cartas não só por estarem bem escritas e serem interessantes, mas também com a esperança que o bom do Epicuro, se nos anda a ler, comente estes posts e deixe pistas sobre a sua identidade.
From: epicuro@clix.pt
Subject: Carta do além/aquém
Date: 19 November 2005 15:12:06 GMT+01:00
To: Pensadores@pasteur.fr
Nesta minha reencarnação, vou continuar a prestar aos jovens a mesma atenção que em Samos, mas também em Atenas, lhes dedicávamos. É verdade que muitos misturavam isto com coisas lascivas, mas eu escrevi contra esse prazer menor.
Mesmo nós, intelectos gregos ou helenísticos superiores, cometíamos erros à maneira de um meu posterior, muito engraçado, o Sr. de la Palisse. Um é dizer que os jovens são o nosso futuro. É por isto, que, nesta minha estadia entre vós, tenho dado muita atenção aos jovens. Gozando desta faculdade de ser invisível, mas também de incarnar em quem quero, julgo que tenho hoje algumas ideias interessantes.
Surpreende-me que alguns dos vossos comentadores, principalmente um tal Eduardo Prado Coelho, continuem a falar de "uma" cultura. No meu tempo, isto era possível e nenhum filósofo podia desconhecer os velhos Sócrates e Platão. Hoje, pelo que vejo, há muitas formas de cultura, a mudarem geracionalmente. Vou dar um exemplo. Neste meu retorno, maravilhei-me com a leitura de um grande génio, Shakespeare. Indaguei e verifico com tristeza que a maioria dos vossos jovens o desconhecem completamente.
Mas há quem diga que "os" nossos pais conheciam e eram cultos. Há que distinguir: "os" ou "todos os"? Sempre houve elites. Para a vossa geração, os vossos pais faziam parte de uma elite reduzida, que podia ser bem educada. Hoje, a elite, vou tomá-la como a dos universitários, tem dimensão muito maior. Quantidade e qualidade é um problema muito interessante. Muitos é muito bom, atendendo ao nosso espírito democrático que vocês herdaram, mas, se calhar, terão de pensar em níveis diferentes de elite, a culminar em muito poucos que serão os guardiães da sabedoria universal. Creio que a vossa educação superior devia conformar-se a objectivos culturais de nível diferente.
E os vossos pais, que não adivinhavam o que viria a ser o computador, o mundo de informação da net, eram mais cultos do que os jovens de hoje?
Hoje vou ficar por aqui. Falei sobre a cultura dos jovens, com apreço. Infelizmente, não poderei dizer o mesmo da sua educação da mente, a começar pela filosofia. Fico arrepiado. Filósofos portugueses de hoje, onde estais? Fica para a próxima carta.
Caros pensadores, façam o favor de ser felizes. E busquem a ataraxia. Vosso,
Epicuro
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Nada é suficiente para quem não se conforma com pouco,
Epicuro (eu)
Publicado por Santiago às 8:00 PM | Comentários (0)
Profissão: Cientista
A Associação Viver a Ciência apresenta, amanhã, no Grande Auditório da Faculdade de Medicina de Lisboa, às14.30 horas, o projecto editorial “Profissão: Cientista/ Retratos de uma geração em trânsito”. Esta apresentação antecede a Conferência internacional “Ciência e Decisão Política”.
“Profissão: Cientista” é uma viagem pelo mundo da ciência, tendo como principais protagonistas jovens investigadores portugueses com trabalho internacionalmente reconhecido.
Das moscas “telecomandadas” à utilização da matemática para ajudar na luta contra doenças infecciosas, passando pela explicação para o facto de Vénus girar “ao contrário”, são histórias de descobertas que marcam a Ciência. Feitas em Paris, Washington, Aveiro, Braga ou Boston. As temáticas vão desde a conservação da natureza à evolução do Universo e aos mecanismos da memória. As aplicações das investigações dos catorze cientistas retratados permitem, por exemplo, prever a obstrução de condutas de petróleo no fundo do mar ou explicar por que é que certos medicamentos são eficazes contra a SIDA. Os “mundos” desvendados vão das partículas mais elementares “surfando” o plasma aos embriões de galinha que nos falam do nosso próprio desenvolvimento, passando pelos segredos da divisão celular e pela evolução genética oculta nos padrões das asas das borboletas.
“Profissão: Cientista” é, assim, uma (pequena) amostra do melhor trabalho da comunidade científica portuguesa e de uma ciência moderna que se faz em colaboração internacional, muitas vezes multidisciplinar. Que apela para o desafio de uma profissão exigente mas aliciante. A linguagem é acessível ao grande público. A coordenação editorial foi de Joana Barros, os textos de Joana Barros, Margarida Trindade, Vítor Faustino e Rita Caré. O design e projecto gráfico é da autoria do Atelier Formas do Possível. O patrocínio do projecto é do 6º Programa Quadro de I&D da Comissão Europeia, Fundação para a Ciência e a Tecnologia e Fundação Calouste Gulbenkian.
A distribuição de “Profissão: Cientista/Retratos de uma geração em trânsito” será gratuita, juntamente com a edição do próximo domingo do jornal Público. Aos primeiros trezentos respondentes ao inquérito apenso ao livro serão oferecidos bilhetes para o Visionarium, Pavilhão do Conhecimento e Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.
Porque a ciência faz-se, também, divulgando o conhecimento junto da sociedade que a acarinha.
Texto da Associação Viver a Ciência, Lisboa, 21 de Novembro de 2005
Publicado por SJA às 4:33 PM | Comentários (9)
Da possibilidade do humor germânico
Titus
1:12 One of themselves, even a prophet of their own, said, The Cretians are alway liars, evil beasts, slow bellies.
1:13 This witness is true. Wherefore rebuke them sharply, that they may be sound in the faith.
Este livro do Novo Testamento eí uma das 13 Epístolas de São Paulo, cartas sobre a nova fé endereçadas a diversos recipientes, donde o nome dos livros (Romanos, Coríntios, Timóteo, etcÖ), cujo conteúdo enfatiza instruções para o bom funcionamento das Igrejas locais. Como se sabe, Paulo, ou Saulo de Tarso, perseguia cristãos até sua miraculousa conversão a caminho de Damasco, efetuada por ninguém menos que Jesus Cristo em pessoa (dois milénios depois, outro grande líder, W, também agradeceria a JC lui-même, “for changing my heart”). Timóteo 1 e 2 e Titus são as chamadas Epístolas Pastorais, aos dois jovens responsáveis por novos rebanhos, Timóteo em Ephesus na actual Turquia e Titus numa certa ilha Mediterrânea. Na carta, destinada a Titus, um gentio convertido ao cristianismo com o fim de ajudá-lo a estabelecer o seu ministério, Paulo registra um preconceito da época. A gentileza com os nativos de Creta não é gratuita: Paulo durante a sua peregrinação missionária estabeleceu lá uma Igreja e deixou Titus encarregado de seu ministério, e a carta tem como um dos seus fins encorajá-loÖ 
A idéia do carácter nacional, como uma certa aldeia gaulesa, resiste agora e sempre. Aliás, nós, no Novo Mundo, aprendemos enquanto miúdos os estereótipos europeus pela brilhante pena de Goscinny (os Portugueses fazem uma aparição fugaz no Domínio dos Deuses, declarando “Nós Lusitanos não sabemos cantar, mas se quiserem podemos recitar alguma coisa.”*). Reconhecemos alguns arquétipos imediatamente, e ninguém precisa que lhe expliquem velhas anedotas, como a do inferno europeu (polícia alemã, cozinheiro inglês, o amante suíço, organizador italiano, etc) ou dos preservativos africanos (em três tamanhos, grande, médio e caucasiano). Era inevitável que isto se tornasse tema de tese díalguém em algum canto, mas ainda assim, me surpreendeu ver recentemente nas páginas da Science um paper com autores da Nova Zelândia até ao Brasil, passando por uma verdadeira ONU de colaboradores, que tinha por objectivo estudar objetivamente o fenômeno do “carácter nacional”. O titulo já diz tudo: “National Character Does Not Reflect Mean Personality Trait Levels in 49 Cultures” (Terraciano et muitos, muitos altri, Science 310:96).
Mais importante em estudos deste tipo do que as conclusões é examinar com cuidado a metodologia, como se aborda algo que é de início tão subjectivo. Afinal é pelo menos formalmente possível que os ingleses apreciem a sua própria culinária ou que os alemães acreditem ter imensa piada. Os autores explicam assim sua abordagem:
(Thiago Lopes-Carvalho, A coluna do senhor)
Stereotypes are oversimplified judgments, but if they have some “kernel of truth”, national character should reflect the average emotional, interpersonal, experiential, attitudional, and motivational styles of members of the culture.
Pode parecer ao leitor uma declaração demasiado vaga e abrangente para servir de base a uma aboradagem experimental, mas segundo os autores:
However, recent advances in personality psychology and cross-cultural research make it possible to compare and perceived national character with aggregate personality data (that is, the means of a sample of assessments of individuals) across a wide range of cultures.

Ferpeitamente! Seguindo um modelo supostamente consensual da psicologia moderna (eu não acreditava existirem modelos consensuais na psicologia, mas confesso que meus estudos do assunto começam e terminam com sua ridicularização, em nota de rodapé, por Thomas Kuhn, como sendo pré-científica), o “modelo dos cinco factores”, examinam dicotomias fundamentais, e determinantes de outras mais complexas. São elas: neuroticismo vs. estabilidade emocional; extraversão vs. introversão; receptividade a novas experiências ou não; hostilidade vs. amabilidade; e conscientiousness (tenho que decepcionar o leitor também na qualidade de tradutor, seria algo como responsabilidade e algo mais). Pode estar claro a alguns, a mim ainda parece ser um poucoÖ vago- imagino investigadores a mostrarem o Rocky Horror Picture Show em Burkina Faso e medirem a resposta da platéia (receptividade a novas experiências ou não) ou então a repetirem a rotina clássica dos Python, “is your wife a goer, nudge, nudge, say no more” ad nauseum até levarem uma bofetada.
Mas não temam, estas características são apenas aparentemente subjetivas, podem ser decompostas em componentes objectivos, como neste exemplo (ainda segundo Terraciano et al):
For example, the extraversion factor in the Revised NEO Personality Inventory is defined by warmth, gregariousness, assertiveness, activity, excitement seeking, and positive emotions facets.
I stand corrected. Na prática, o que os autores fizeram foi distribuir um questionário em várias línguas (27 ao todo) a estudantes universitários em 49 “culturas”. O questionário consiste em uma série de 30 escalas, onde os voluntários optaram entre pólos como “unreliable, undependable” vs. “dutiful, scrupulous” ou “modest, humble, self-effacing” vs. “arrogant, conceited” para descrever os compatriotas**.
A conclusão dos autores?
Perceptions of national character thus appear to be unfounded stereotypes that may serve the function of maintaining a national identity.
Aguardo agora a conclusão dos meus leitores, quando voltarem da Missa.
* Para alguns isto denota uma ignorância da cultura musical portuguesa, seja o Carlos Paredes amado pelo editor-chefe desta página, seja o fado desde Amália até a auxiliar de cozinha cantante na Adega do Ribatejo. Eu que creio na omniciência de Goscinny prefiro interpretar como referência subtil ao gênio de Camões.
** “Compatriotas” não é o melhor termo:
Most cultures corresponded to nations; however, where sub-cultures could be identified on the basis of history (e.g. England versus Northern Ireland) or language (e.g. French- versus German-speaking Swiss), they were treated as separate samples.
(Thiago Lopes-Carvalho, A coluna do senhor)
Publicado por Conta Natura às 2:46 AM | Comentários (5)
novembro 20, 2005
As Novas Maçonarias
Quando em tempos se falou aqui no Conta de uma lista (errada) dos cientistas portugueses mais citados nos últimos 10 anos, quase que não houve bicho-careta que não corresse logo a chegar-se a frente e a gritar "Parabéns" e a enaltecer "qualidades humanas" e mais o diabo a quatro...
Uns meses depois verifica-se que, 'afinal havia outra' lista. Todos aqueles encómios deviam ter sido dirigidos, mais apropriadamente, ao Manuel Sobrinho Simões e à Maria do Carmo-Fonseca...
O que aconteceu então? Enorme silêncio, entrecortado por balbuceios patetas a explicar porque é que havia quem estivesse tão "mal classificado".
Meus amigos e minhas amigas:É este temor de sugerir que outros merecem tanta, ou mais, admiração que os ídolos (tantas vezes com "pés-de-barro") a que nos habituámos, que tornam tão difícil 'tirar portugal de dentro' de cada um de nós...
É neste terreno que as sociedades secretas funcionam. É por causa desta espécie de "conspiração do silêncio" que acabam a controlar pessoas, organizações, notícias e mesmo acontecimentos...
É verdade que o Conta Natura, no fundo no fundo, é uma espécie de "Loja". Pelo menos não é nem Regular, nem Irregular...
Publicado por Santiago às 4:55 PM | Comentários (7)
Ciclope cínico
Alzheimer, Doença de 1. Doença neurológica degenerativa descrita pela primeira vez por Aloysius Alzheimer 2. O mais famoso paciente foi um antigo Presidente dos EUA, que quando iniciou funções nao sabia o que queria fazer, e quando as terminou nao se lembrava do que tinha feito 3. O primeiro sintoma é, habitualmente, falta de... uhh... ehm... qualquer coisa 4. Aloysius Alzheimer colaborou com outra pessoa cujo nome agora me falha 5. Desenvolve-se em duas fases: Na primeira o doente nota e os amigos não se preocupam; na segunda o doente não nota, mas os amigos preocupam-se 6. O mais famoso paciente foi Ronald Reagan, antigo Presidente do Irão 7. É má prática médica dar a estes doentes, para ler, repetidamente o mesmo jornal, apesar de eles pensarem sempre que se trata da edição do dia 8. Ronald Reagan é jogador de futebol 9. Quando era pequeno tinha um cavalinho de pau chamado Rolando 10. Ronald Reagan? Nunca ouvi falar...
Publicado por Santiago às 2:36 PM | Comentários (6)
novembro 19, 2005
Novo Instituto de Investigação
Portugal e Espanha criam instituto de investigação e desenvolvimento
(do Diário Digital)
Sugiro Gibraltar. Os macacos já lá estão...
Publicado por Santiago às 2:47 PM | Comentários (18)
Vale a pena ler
Este post do bem informado A Minha Rica Casinha
Não deve ser preciso explicar de que "Mandarim" se fala. Consta que é parente afastado do Almirante Gago Coutinho e vive no meio de "laranjas" (e não, não são essas em que estão a pensar...).
Publicado por Santiago às 8:12 AM | Comentários (1)
novembro 18, 2005
Prémio Pfizer de Investigação 2005
Leonor Saúde, Moisés Mallo e António Jacinto vão receber o Prémio Pfizer de Investigação Básica 2005. Este prémio, que foi atribuído ex-aqueo aos três cientistas, será entregue amanhã, dia 18 de Novembro pelas 18h30, no Hotel da Lapa, depois de uma conferência de imprensa com a presença dos investigadores. Leonor Saúde e Moises Mallo trabalham no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) em Oeiras e António Jacinto no Instituto de Medicina Molecular (IMM) em Lisboa. Deixo aqui os meus parabéns aos três!
Publicado por SJA às 9:46 PM | Comentários (7)
GripePT.Notícias
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O Conta Natura revela aqui a abertura do projecto GRIPEPT.NET a todo o território português: Portugal continental e regiões autónomas da Madeira e dos Açores!
O site continua a crescer, mas ainda não alcançámos a fasquia dos vinte seis mil participantes. Já recomendou o site aos seus familiares, amigos ou ao seu patrão? Vai bem a tempo de o fazer. Participe. Vai ver que não dói!
A newsletter nº 2 pode ser lida aqui no Conta. Já sabe, em primeira mão!
"A gripe das aves na China"
Os três primeiros casos, em humanos, de gripe das aves, foram confirmados na China. As vítmas foram dois irmãos, uma menina de 12 anos e o seu irmão de 9, na província de Hunan, na China central, e uma mulher de 24 anos na província de Anhui.
O governo chinês anunciou a decisão de vacinar todas as aves domésticas do país, 4 mil milhões de galinhas e 1,2 mil milhões de patos, num total de 5,2 mil milhões de aves, o que representa a maior campanha de vacinação alguma vez levada a cabo em qualquer espécie. As dificuldades logísticas de uma tal campanha são consideráveis, especialmente se tivermos em conta que as aves têm de ser injectadas uma por uma, e que muitas delas vivem em relativa liberdade, sendo necessário apanhá-las primeiro. Os veterinários terão de ir de aldeia em aldeia, e de porta em porta, visto que muitas aves na ¡sia são mantidas em pequenas quintas ou simplesmente no quintal de muitas casas.
A China começou ainda a produzir a sua versão do famoso Tamiflu, o famoso medicamento anti-viral eficaz contra infecções em humanos, e prepara-se para o produzir em grandes quantidades para fazer face a uma possível pandemia. No último ano, a China relatou 50 surtos de gripe das aves em 16 províncias, a que se vêm juntar mais 11 surtos neste Outono. Uma vacina falsa usada no combate a estes surtos pode ter sido responsável pela disperão da doença nas aves, ao invés de a prevenir. Esta vacina incluiria vírus activos, e o seu uso pode ter consequências graves, dificultando o combate à doença.
"Codificação dos vírus da gripe"
Os vírus têm uma necessidade absoluta das células para a sua replicação. Sem as células, os vírus podem persistir no meio ambiente, na água, no ar, no solo, mas não conseguem aumentar a sua população.
Cada partícula do vírus da gripe é constituída por uma camada exterior ou invólucro, uma camada intermédia ou matriz e uma camada central ou nucleocapsídeo.
O invólucro é composto por uma dupla membrana de fosfolípidos, isto é, uma fina camada de lípidos (ácidos gordos, glicerol e fosfato) com origem na célula que abrigou o vírus. No momento da saída da célula hospedeira, as novas partículas virais são envolvidos por porções da membrana dessa célula.
A matriz é constituída por proteína, a M1. O nucleocapsídeo, corresponde à região nuclear, central, e é composta por oito segmentos de cadeia simples de ácido ribonucleico (RNA) onde se concentra a informação genética do vírus. No genoma viral, normalmente muito simples, estão codificadas as proteínas que compõem a estrutura do vírus e também aquelas que têm um papel regulador ou auxiliador do funcionamento viral.
¿ superfície de cada partícula viral projectam-se para fora dois tipos de glicoproteínas: as Hemaglutininas e as Neuraminidades, conhecidas pelas letras H e N, respectivamente. Estas moléculas permitem a selecção das células que melhor servem as necessidades do vírus, as células alvo, servindo de guia para os respectivos receptores das membranas das células dos indivíduos susceptíveis (galinha, pato, etc). Por outro lado, a nível laboratorial, estas glicoproteínas vão permitir a identificação dos diferentes subtipos do vírus influenza. Por cada subtipo se atribui um algarismo e assim chegamos ao nome de código: H5N1.
Publicado por RPA às 6:27 PM | Comentários (1)
Naturalmente
¿ nossa caixa de correio chega pouca coisa e o que chega geralmente é lixo. É verdade que a publicidade a produtos que aumentam o tamanho do pénis seria tópico para uma entrada sobre biometria, mas hoje preferimos dar destaque a uma simpática e pertinente mensagem do Pedro Beltrão:
Não sei se por acaso lêem este email mas gostava só de chamar a vossa atenção para a criação de dois blogs potencialmente interessantes. A Nature Genetics e a Nature Neuroscience abriram recentemente blogs e pareceu-me um tema interessante para o Conta Natura. Se repararem a Nature tem estado muito ocupada a explorar algumas das novas tecnologias da net (Nature podcasting e Connotea) e agora blogs. Qual é o papel das casas de publicação das revistas cientificas na massificação das novas tecnologias da internet ? A criação destes serviços gratuitos tem provavelmente por objectivo fidelizar os leitores da Nature. Será que isto vai influenciar coisas como o factor de impacto ? O movimento gerado à volta destes serviços costuma trazer muito dinheiro de publicidade que é exposta nos sites. Será que a Nature está a tentar arranjar maneiras alternativas de financiamento para poder um dia ter os conteúdos gratuitos ?
Pedro Beltrão
Publicado por Conta Natura às 5:39 PM | Comentários (1)
Ciência vs Tecnologia: O eterno conflito...
O responsável pela Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico, José Tavares, apresentou hoje a sua demissão por discordar da forma como o ministro da Ciência está a interferir na aplicação do plano.
Lido na TSF, a rádio escrita
Publicado por Santiago às 10:03 AM | Comentários (0)
novembro 17, 2005
Qual e' a vossa opiniao?
Nature 438, 282 (17 November 2005)
Peer-review system could gain from author feedback
Sir:
The ever-growing number of submissions to many journals has necessarily increased the number of scientists serving as reviewers. Although the majority of these perform their duty honourably and provide valuable feedback to the authors, some produce bad or even damaging reviews, which may not be filtered by the editors.
I believe anonymity is important for the peer-review process, but some power could also be granted to the authors in order to balance the equation. The flexibility of online systems could be employed to establish a feedback mechanism that may help journals weed out rogue reviewers.
One can imagine a scenario in which all authors would be asked to complete an online questionnaire about the reviews of their manuscript. The questionnaires could be anonymous, but should allow the journal to cross-reference the feedback with the name of each reviewer. Once sufficient data have accumulated, the journal will be able to identify reviewers who are serial offenders and decide not to approach them again.
Gathering feedback from the authors and using that to improve the peer-review process is a simple way of humanizing an increasingly electronic process.
Alon Korngreen
Faculty of Life Sciences and the Leslie and Susan Gonda Brain Research Center, Bar-Ilan University, Ramat-Gan 52900, Israel
Publicado por maradona às 4:17 PM | Comentários (13)
Carta do Além
Recebi uma carta ontem à noite que só não me causou pesadelos por causa de uma bem metida referência a "foie gras truffé", que me deixou a sonhar com guloseimas...

Reproduzo essa elegante carta mais abaixo para inaugurar uma nova secção do Conta Natura, as "Cartas do Além", mas antes deixem-me fazer 3 breves notas:
1) Segundo a Infopédia, Ataráxia (do grego: ausência de perturbação) Medicamentosa significa "estado de tranquilidade e de indiferença por efeito de agentes neurolépticos". Desconfio que esta ainda vai parar ao Cíclope...
2) Já que falei de cínicos faço questão de partilhar convosco a minha opinião do Diogenes: Era um velho bacoco...
3) Agradeço ao Epicuro não me ter escrito na sua língua materna...
From: epicuro@clix.pt
Subject: Cartas do além
Date: 16 November 2005 20:29:24 GMT+01:00
To: Pensadores@pasteur.fr
Cc: democrito@olimpo.net, lucrecio@olimpo.net, aristoteles@olimpo.net
Já há tempos que Zeus achou que era bom eu voltar à terra e, não sei porquê, despachou-me para Portugal. Demócrito, Empédocles e Lucrécio foram para outras paragens e não nos temos contactado. Eu ando por cá, invisível, a observar. Tive de me actualizar em muita coisa, entre as quais, imprescindível, no uso da Internet. Aí, depois de consultar muitos blogues, recolhi uma lista de endereços de pessoas pensadoras e com espírito critico. De vez em quando, escrever-lhes-ei algumas cartas. Hoje fico pela primeira impressão sobre esta minha introdução a essa coisa muito estimulante que é o Google (nem Zeus, Júpiter, Jeová ou Alá sabem como isto lhes virou a criação).
Tive curiosidade de procurar o meu nome e fiquei indignado. Algumas dezenas de textos sobre os meus escritos, dispersos entre muitas centenas de coisas relativas a restaurantes, revistas de cozinha ou clubes gastronómicos. Foi para isto que tanto reflecti? A minha filosofia do prazer reduzida ao "foie gras truffé" ou, à vossa maneira, ao bacalhau com natas!
O que eu escrevi sempre é que o prazer e a dor são os nossos dois motores fundamentais. A propósito, tendo já lido os excelentes livros de um vosso compatriota, António Damásio, vou ver se o inspiro a um próximo "Ao encontro de Epicuro". O meu amigo Demócrito também vai gostar. Espero que ele, onde esteja, tenha sentido grande prazer por verificar que, afinal, os átomos sempre existem. Não sei é se ele entenderá coisas tão difíceis como mesões e quarks.
Mas sempre distingui vários tipos de prazer. No nível mais baixo da minha hierarquia estão os prazeres vãos: poder, saúde, riqueza, fama e outros que tais. O grande prazer é o de estar bem consigo próprio, ter prazer no conhecimento e no movimento da nossa mente, na ética virtuosa. Mas aqui não estou muito de acordo com o meu amigo Zenão e os outros estóicos. Não considero a virtude como um fim em si, mas como instrumento para a felicidade da realização pessoal.
Também não gosto que reduzam a esquemas o que escrevi. A minha ideia central é a de que todos os homens actuam movidos pelo prazer e pela fuga à dor. São as minhas categorias absolutas. Mas, voltando aos estóicos, acho que só enriqueci a sua visão, porque também eu penso que uma vida virtuosa e moderadamente ascética é uma boa maneira de assegurar o prazer e a felicidade. Talvez menos compreensível seja a relação não contraditória que tenho com os meus colegas hedonistas. Mas não tem sido impossível, desde que nos entendamos sobre a valorização relativa dos prazeres.
Isto faz-me lembrar uma troca de correspondência com um de vós. Ele dizia-se uma mistura de epicuriano, estóico e hedonista. Fiquei a pensar nisto porque, quando era vivo, não fazíamos estas classificações. Depois escrevi-lhe a dizer que não havia nada de contraditório nessa mistura ecléctica, com a ressalva de que o eclectismo tem de ser muito racional e ponderado, senão fica um prato incomestível. Ainda por cima, aquilo de que ele estava à procura era da ataráxia. Se quiserem, explico depois.
Já me apresentei. A próxima carta será sobre coisas vossas, da actualidade, mas vistas na perspectiva deste velho milenário.
Vosso velho amigo,
Epicuro
________________________________________________________________________
Nada é suficiente para quem não se conforma com pouco,
Epicuro (eu)
Publicado por Santiago às 3:37 PM | Comentários (2)
Darwin x 4

"In the survival of favoured individuals and races, during the constantly-recurring struggle for existence, we see a powerful and ever-acting form of selection."Charles Darwin
Acaba de sair pela WW Norton and Co. uma edição em volume único das quatro obras maiores de Darwin. O novo volume reúne Voyage of the H.M.S. Beagle (1845), The Origin of Species (1859), The Descent of Man (1871) e The Expression of Emotions in Man and Animals (1872), editadas e comentadas pelo Professor Edward O. Wilson , actualmente em Harvard, mas nativo de Mobile, no meu glorioso Alabama. Além de editor, Wilson também compôs ensaios comentando os clássicos (para uma amostra, esgueire-se por aqui). Thiago Lopes-Carvalho
Publicado por Conta Natura às 3:32 PM | Comentários (0)
novembro 16, 2005
Ainda o impacto dos cientistas portugueses

Uma vez tivemos aqui no Conta Natura uma discussão sobre os cientistas portugueses mais citados. Recordo-me de ter argumentado na altura que a repetição acrítica dos erros de facto, tão frequentemente publicados na imprensa chamada da especialidade, é uma tentação em que os cientistas sérios não devem cair.
Ora, nada como consultar as fontes originais e combater as fantasias que se vão perpetuando por mera preguiça!
Decidi preparar uma curta tabela, extraída do ISI: Essential Science Indicators, que recentemente publicou a lista dos cientistas de maior impacto, segundo o número de citações aos seus artigos, nos últimos 10 anos. Reduzi o meu universo de pesquisa aos imunologistas meus amigos e aos Directores dos grandes Institutos de investigação nacionais. Nem todos fazem parte da lista, mas poderei ter falhado alguns. Juntei ainda, para comparação, os falados Hanna e António Damasio.
Usando o lugar-comum, convém notar que estas listas valem o que valem. Não é a mesma coisa ter 100 auto-citações ou 50, das quais nenhuma é própria, e também não é a mesma coisa ter 100 citações em geologia ou em imunologia. O verdadeiro impacto de um cientista não é apenas este número, mas inclui também a qualidade das revistas onde publica, a média de citações por artigo, etc.
Espero que esta pequena tabela acabe com alguns mitos que parece terem vida própria...
Publicado por Santiago às 5:22 PM | Comentários (24)
Selecção de Esperanças

Selecção de Esperanças é o novo programa de ciência que a TSF emite, desde o dia 11 de Novembro, a seguir ao noticiário da uma da tarde. Sempre às sextas-feiras, durante 14 semanas. Catorze são também os cientistas retratados nas entrevistas conduzidas por José Milheiro, o jornalista responsável pelo programa. As histórias à volta das suas investigações são, porém, inúmeras. Ou não fosse o mundo da ciência uma fascinante e permanente descoberta, envolvida em peripécias, rotinas, frustrações e gritos de alegria perante uma experiência bem sucedida.
Esta é uma parceria da TSF com a Associação Viver a Ciência, que, no âmbito do programa “Researchers in Europe”, seleccionou uma amostra dos mais promissores jovens cientistas portugueses, a trabalhar em Portugal ou no estrangeiro. Esse trabalho terá também expressão impressa, sob a forma de um pequeno livro intitulado “Profissão: Cientista/Retratos de uma geração em trânsito”, a distribuir gratuitamente dia 27 de Novembro.
Uma selecção de excelência
Sendo duas linguagens diferentes ó rádio e livro ó com tratamento comunicacional próprio, “Selecção de Esperanças” e “Profissão: Cientista” partilham os mesmos protagonistas.
“Decidimos mostrar um conjunto de descobertas científicas recentes, feitas por cientistas portugueses, abrangendo áreas como as Ciências da Vida, a Química, a Física e a Matemática. Deparámo-nos com casos em que esta classificação foi difícil de aplicar porque a ciência moderna é cada vez mais multidisciplinar, e a arte do cientista está, muitas vezes, em ligar dois ramos do saber até então separados”, explicam Joana Barros e Margarida Trindade, que coordenaram “Profissão: Cientista”.
“Quisemos também escolher cientistas em início de carreira ñ até aos 40 anos ñ procurando um equilíbrio de perfis, alternando entre o jovem cientista promissor e o líder de grupo embrenhado na aventura de ter a sua própria equipa de investigação.
Procurámos casos de cientistas que decidiram voltar a Portugal, após longos períodos no estrangeiro. E também histórias de cientistas que nunca sentiram a necessidade de sair, mas que nem por isso deixaram de estar em contacto com o que se faz de melhor nas suas áreas no estrangeiro. E casos de cientistas que nunca irão voltar. Porque estes são os dilemas de todos aqueles que, movidos pelo desejo de fazer boa ciência, acabam por ter de se confrontar”, referem as duas divulgadoras, que foram, até à pouco, cientistas profissionais.
Como escolheram? “Consultámos a própria comunidade científica, jornalistas de ciência, pesquisámos a Internet e fomos utilizadores incansáveis dos programas que nos ajudam a encontrar as publicações mais citadas por colegas cientistas, os artigos mais recomendados, os cientistas mais premiadosÖ Fomos auxiliados por um grupo de personalidades do mundo da ciência, que nos garantiram a excelência científica e o impacto a nível internacional de cada um dos trabalhos. Muitas outras histórias ficaram de fora, o que significa que teremos material para voltarmos a público com ëProfissão: Cientistaí II, IIIÖ”.
Texto da Associação Viver a Ciência
Publicado por SJA às 5:19 PM | Comentários (2)
Ciência e Decisão Política

A Associação Viver a Ciência e o Instituto de Medicina Molecular realizam no dia 22 de Novembro, em Lisboa, uma Conferência sobre a relação entre cientistas e decisores políticos, com especial destaque sobre experiências parlamentares de aconselhamento científico. Esta conferência e debate fazem parte de um projecto destinado a estabelecer o intercâmbio entre o Parlamento português e a comunidade científica, visando a promoção da ciência em Portugal e o seu contributo para as políticas públicas.
A Conferência é de entrada livre e irá realizar-se no Grande Auditório da Faculdade de Medicina de Lisboa/Instituto de Medicina Molecular, campus do Hospital de Sta Maria, no dia 22 de Novembro às 14.30. Para mais informação, visite o site da Associação Viver a Ciência.
Publicado por SJA às 11:27 AM | Comentários (1)
Lack of curiosity is curious (by J. PEDER ZANE)
"I guess I've always known that many students are just taking my course to get a requirement out of the way," Naumoff said. "But it was disheartening to see that some couldn't even go to the trouble of finding out the name of the person teaching the course."
The floodgates were opened and the other UNC professors at the dinner began sharing their own dispiriting stories about the troubling state of curiosity on campus. Their experiences echoed the complaints voiced by many of my book reviewers who teach at some of the nation's best schools.
All of them have noted that such ignorance isn't new -- students have always possessed far less knowledge than they should, or think they have. But in the past, ignorance tended to be a source of shame and motivation. Students were far more likely to be troubled by not-knowing, far more eager to fill such gaps by learning. As one of my reviewers, Stanley Trachtenberg, once said, "It's not that they don't know, it's that they don't care about what they don't know."
This lack of curiosity is especially disturbing because it infects our broader culture. Unfortunately, it seems both inevitable and incurable.
In our increasingly complex world, the amount of information required to master any particular discipline -- e.g. computers, life insurance, medicine -- has expanded geometrically. We are forced to become specialists, people who know more and more about less and less.
Peder Zane
No entanto a falta de cultura científica foi desde sempre prevalente mesmo entre aqueles que se consideram cultos e bem informados. Questiono-me portanto se a falta de curiosidade de que o autor fala em parte não resulta de um interesse crescente por outro tipo assuntos de cariz mais técnico ou científico.
Rui Martinho
Publicado por maradona às 1:02 AM | Comentários (0)
novembro 15, 2005
Salvar o mundo
Durante muito tempo, quando as pessoas perguntavam o que é que eu fazia e eu dizia que fazia investigação em biologia, ouvia de resposta: "Sim senhora, com que então a salvar pessoas e o mundo!". Ao qual eu retorquia que a Ciência não resolvia problemas nenhuns no mundo, que por muitas potencias soluções que a Ciência apresente para questões actuais, quem decide se são problemas e se depois as soluções são usadas ou não são os economistas e os políticos. Dou como exemplo a SIDA, a malária, os alimentos transgénicos que parecem que são problemas científicos também mas para os quais a única coisa que os biólogos podem fazer é contribuir com uma ideia que talvez ajudasse se uma longa série de "ses" políticos e económicos fossem preenchidos.
Isto tudo a propósito de o filme "The Constant Gardener" que estreou há algumas semanas na Europa. Provavelmente já ouviram falar de qual é a base do filme: a mulher de um diplomata inglês é assassinada porque descobre que se estão a testar medicamentos para a tuberculose que tem efeitos secundários graves em pacientes africanos. Os doentes se se recusarem a servir de cobaias deixam de receber tratamento para a SIDA. Pelo meio é mencionado o caso real de empresas farmacêuticas que enviam medicamentos fora de prazo para os países subdesenvolvidos, recebendo em troca descontos nos impostos. Junto uma informação que me foi dada por um amigo e não está no filme: as companhias farmacêuticas são as indústrias que apresentam uma margem de lucro maior, na ordem dos 20%, que é muito maior que outros sectores, incluindo os bancos por exemplo.
A maioria de nós está no princípio desta cadeia, a fazer investigação que permite desenvolver novos medicamentos, vacinas, terapias. Mas que só são realmente medicamentos, vacinas, terapias se no fim da cadeia as companhias farmacêuticas e os políticos assim o entenderem.
Se ainda não viram o filme vão ver, pois além das questões éticas, é também uma belíssima história de amor. Entre duas pessoas e também entre a equipa de produção e ¡frica.
Publicado por MM às 2:57 PM | Comentários (8)
You sexy thing!

These are composite images of the faces of 10 women with the highest level of estrogen and 10 women with the lowest levels.The composite image of 10 women with high estrogen levels is on the left. Men chose it as the most attractive in the study.
MIRIAM J. LAW SMITH
The researchers photographed 59 women between 18 and 25, who were wearing no makeup, and took a urine sample from each subject for hormone analysis. A group of men then rated the women in the photographs for health, femininity and attractiveness.
The results showed that men were most attracted to the women who tested for high levels of estrogen. Miriam Law Smith, who helped carry out the research, says men were, in effect, choosing the women best poised to bear children.
"From an evolutionary point of view, it would now make sense that men prefer feminine female faces because those are the women who have higher estrogen levels, and who are ultimately more fertile," says Law Smith. "In our evolutionary past, men who favoured women with feminine features would be choosing the more fertile female, thus would have had more babies and be passing on more of their genes."
CHRISTOPHER HUTSUL
Artigos originais relacionados com este assunto*:
Women's attractiveness judgments of self-resembling faces change across the menstrual cycle.
DeBruine LM, Jones BC, Perrett DI.
Two lines of reasoning predict that women's preferences for people exhibiting cues to kinship will be lower in the follicular phase than in the luteal phase of the menstrual cycle. Women may avoid kinship cues during the follicular phase when they are most fertile due to the costs of inbreeding. Alternatively, women may seek kinship cues during the luteal phase as a byproduct of the benefits of associating with kin during pregnancy, which is also characterized by high progesterone. We find that preferences for facial resemblance, a putative kinship cue, follow this predicted pattern and are positively correlated with estimated progesterone levels based on cycle day. Neither estimated estrogen levels nor conception risk predicted preferences for self-resemblance, and the cyclic shift was stronger for preferences for female faces than male faces. These findings lead to the possibility that this cyclic change in preference for self-resemblance may be a byproduct of a hormonal mechanism for increasing affiliative behavior toward kin during pregnancy rather than a mechanism for preventing inbreeding during fertile periods.
Horm Behav. 2005 Apr;47(4):379-83. Epub 2005 Jan 25.
Female intrasexual competition decreases female facial attractiveness.
Fisher ML.
Evolutionary theory predicts that female intrasexual competition will occur when males of high genetic quality are considered to be a resource. It is probable that women compete in terms of attractiveness since this is one of the primary criteria used by men when selecting mates. Furthermore, because hormones influence the mate-selection process, they may also mediate competition. One competitive strategy that women use is derogation--any act intended to decrease a rival's perceived value. To investigate intrasexual competition through derogation, the influence of oestrogen on women's ratings of female facial attractiveness was examined. During periods of high oestrogen, competition, and hence derogation, increased, as evidenced by lower ratings of female facial attractiveness. By contrast, oestrogen levels did not significantly affect ratings of male faces. These findings support the theory of female intrasexual competition with respect to attractiveness.
Proc Biol Sci. 2004 Aug 7;271 Suppl 5:S283-5.
*ainda estou à procura do artigo original desta notícia.
Publicado por maradona às 1:04 AM | Comentários (4)
novembro 14, 2005
Momento de Poesia
Camilo Pessanha, poeta maldito, viveu no Oriente escondido pela sombra do outro grande poeta que por lá passou...
Morreu em Macau, de ópio, a 1 de Março de 1926.
Este poema não tem nada que ver com Ciência, mas recorda-nos que Arte também é vida...

VIOLONCELO
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trémulos astros...
Soidões lacustres...
ñ Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
ñ Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
Publicado por Santiago às 3:00 PM | Comentários (5)
Uma história de morcegos sem o Robin
Lev 11:13 And these [are they which] ye shall have in abomination among the fowls; they shall not be eaten, they [are] an abomination: the eagle, and the ossifrage, and the ospray,
Lev 11:14 And the vulture, and the kite after his kind;
Lev 11:15 Every raven after his kind;
Lev 11:16 And the owl, and the night hawk, and the cuckoo, and the hawk after his kind,
Lev 11:17 And the little owl, and the cormorant, and the great owl,
Lev 11:18 And the swan, and the pelican, and the gier eagle,
Lev 11:19 And the stork, the heron after her kind, and the lapwing, and the bat.
Liber Leviticus é o terceiro dos cinco livros do Pentateuco, que tratam da história do mundo e do povo escolhido, da sua Gênese até à morte de Moisés. Consiste essencialmente numa coleção de leis para os Hebreus, em especial para a mão de obra do Templo- aquele, com T maiúsculo- que deveria ser composta pelos membros da tribo de Levi. Por isso é um dos livros bíblicos favoritos dos estraga-prazeres. É lá, por exemplo, que se proíbe comer mariscos, lagostas e mesmo os fantásticos camarões-tigre que fazem no restaurante Torre Mar na praia de Carcavelos:“Whatsoever hath no fins nor scales in the waters, that [shall be] an abomination unto you.” (Lev 11:12)
Felizmente também é um livro particularmente útil no debate com os fundamentalistas que querem trazer a interpretação literal estrita das escrituras para dentro da educação científica (aqui no Alabama não são uma curiosidade que encontro nos jornais, e sim gente que encontro na rua). A passagem acima claramente classifica os morcegos como parte das Aves- acho que podemos todos concordar que não é o caso. Mas para dissipar todas as dúvidas estou a incluir uma foto do Batman (versão George Clooney), onde com um pouco de esforço os meus três leitores poderão idenficar algumas características taxonómicas que o colocam nos mamíferos (Öpara terminar o suspense: as glândulas mamárias).
(Thiago Lopes-Carvalho, A coluna do senhor)
Mais surpreendente para os não biólogos - e os biólogos que abandonaram os caminhos da luz pelas trevas da biologia molecular - é que os morcegos, os ratos alados, tão pouco são roedores. Como se vê na árvore, a filogenia mais aceite actualmente coloca os morcegos (Chiroptera) mais próximos dos Primata do que dos Rodentia.

Há mais de novecentas espécies vivas de morcego, e recentemente três delas, do gênero Rhinolophus, foram parar nas páginas do noticiário científico por razões não muito agradáveis. Dois artigos recentes, um na revista Science (Li et al, Science 310:676-678) e outro no Proceedings of the National Academy of Sciences USA (Lau et al, PNAS 102:14040), identificaram estas espécies como reservatórios naturais dos coronavírus causadores da Síndrome Respiratória Aguda Severa, a popular SARS. Não é o primeiro hospedeiro animal identificado para o vírus da SARS- já havia sido encontrado em pequenos mamíferos carnívoros, os civets. Mas neste caso eram animais vendidos em feiras no sudeste asiático, e não se acreditava que eram os hospedeiros naturais, seriam somente hospedeiros intermediários - o vírus era encontrado nos civets em cativeiro, mas não nas populacões naturais. Já no caso dos morcegos, Lau e colaboradores encontraram o próprio patógeno em 39% das amostras em populacões selvagens de morcegos (pela agradável via dos swabs anais), e exames serológicos demonstraram que 84% dos individuos amostrados tem anticorpos contra o vírus. Apesar da alta prevalência, não há nenhuma indicação que a infecção é prejudicial aos morcegos. Li e coloboradores também concluem que os morcegos são reservatório natural dos coronavírus da SARS. Estudando diversas espécies do gênero encontram uma grande diversidade genética do vírus- muito superior aquela encontrada nos civets ou em humanos, indicando que a infecção está há muito tempo disseminada nos morcegos.
Se o leitor teme a vingança dos herdeiros de Vlad Tepes, o impalador, filho do Dragão (daí DraculyaÖ o impalador eu acho que se explica sozinho), não é necessário investir em alho e crucifixos: como a maior parte da subordem Microchiroptera, Rhinolophus é um gênero de insectívoros, e não se acredita que o vampirismo seja via de transmissão para humanos. Para os adeptos da antropologia, os chineses incluem a carne de morcego na sua culinária e utilizam as suas fezes na medicina tradicional (aparentemente uma das indicações é no tratamento da asma). Por isso, morcegos vivos são frequentes nos mercados de animais. Em situação semelhante à da emergência de novas formas de gripe, a proximidade de muitas espécies animais diversas e humanos em alta densidade forma o ambiente ideal para que um patógeno se adapte a múltiplos hospedeiros. Como no caso dos coronavirus a infecção entérica (do trato digestivo) dos morcegos foi facilmente demonstrada, é provavel que o virus espalhe para outras espécies por via das fezes dos morcegos (mesmo sem contar o consumo directo das mesmas pelos chineses asmáticos). Embora a pandemia de SARS que alguns temiam não tenha se materializado, o surto de 2002/2003 matou pelo menos 774 pessoas, infectou mais de 8000 e arruinou a economia da região. Dada a enorme diversidade de vírus relacionados ao que causou este susto, num gênero de morcego cuja distribuição geográfica vai da Austrália até a Europa, urge empregar mais biólogos!
(Thiago Lopes-Carvalho, A coluna do senhor)
Publicado por Conta Natura às 1:26 AM | Comentários (5)
novembro 13, 2005
Notas sobre sociobiologia

Tinha pensado fazer o Política ao Natural de ontem sobre a série Natureza Humana do blasfemo João Miranda (I, II, III...). A frase que me chamou a atenção foi esta:"o formigueiro é o estado socialista ideal". A comparação que Miranda faz assenta em erros factuais que interessa apontar. Na minha opinião, tem também vícios de interpretação que gostaria de debater. Mas o tema pareceu-me depois demasiado rico para se esgotar numa crítica pontual e ser tratado no "Política ao Natural", que é um exercício de exercício de escrita algo limitado. Em função da minha disponibilidade de tempo, começarei então uma série de pequenos textos sobre sociobiologia, cada um ilustrado com brincadeiras que fundem a bicharada com o melhor da iconografia comunista, estalinista, salazarista, hitleriana e outras.
Foto: capa da revista alemã Der Spiegel com uma ilustração bas