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abril 30, 2006

Os Barões Voadores

nils_udo_21.jpg A mundialização, se existe, gira em torno do "triálogo" entre "fundações filantrópicas", organizações "militantes" e poder económico "multinacional". Como consequência do movimento de mobilização cívica que resulta, diz-se, da globalização, a chamada "elite internacional" encontra um novo tipo de poder. Tal elite é formada num espaço chamado Ivy League (embora esta seja afinal extra estado-unidense, por incluir claramente Universidades do outro lado do "Ocidente", como Cambridge, Oxford ou Sorbonne). Ali formam-se os protagonistas decisivos da nossa História presente: ONGs, políticos e capitalistas. Os jogadores deste póquer, que rege a nova governância mundial, trocam de campo com considerável facilidade. (já é esta a palavra oficial portuguesa? Ficamos com o neologismo? Usamos a velha governança? Perdoem-me os puristas) Um exemplo claro é o Benjamin Heineman, diplomado em Harvard, Oxford e Yale, funcionário de um gabinete jurídico de interesse público financiado pela Fundação Ford, membro do governo de J. Carter e ulteriormente Senior Vice President e Secretário do Conselho Geral da General Electric, a maior multinacional do planeta.

Pelo que tenho visto, o estandarte do Mercado do Desenvolvimento Sustentável (a cara lavada do que até ontem não era politicamente incorrecto chamar-se defesa do ambiente) é, como dizia o meu avô, "um pau de dois legumes". (Eu creio mesmo tratar-se de toda uma horta!) Se por um lado ele demonstra a possibilidade de entendimento entre os poderes da nova "sociedade civil", por outro pode ainda consistir noutro modo hipócrita de nomearmos o universal (os direitos humanos e da [boa] governância) para benefício do particular. Isto é, pessoas como o Benjamin tanto podem ser mercenários como elementos de unidade. Dá um certo medo.

Talvez por simples ironia conjuntural, os cientistas encontram-se no centro deste importante equilíbrio. Eles próprios saídos dos mesmos "altos-fornos do saber", podem funcionar como marionetes de interesses definidos (com possibilidades de escapar aos objectivos globais de progresso) ou como agentes de mudança. Basta que cada um tenha um "preço". Eles (nós!) foram, por exemplo, essenciais no processo de desempate quando a Fundação Ford tentou (com sucesso) mudar a rota de movimentos ambientalistas contestatários, como a Environement Defense Fund (EDF), em direcção a temas "mais responsáveis". O modo como certas ONGs "encorajam" os ecologistas a negociar com os industriais (e vice versa), com o objectivo de demonstrar que a protecção do ambiente não representa apenas um custo mas uma "fonte de lucros em potência", constitui uma "contra-ofensiva inscrita na grande tradição reformista do capitalismo filantrópico americano" com riscos globais ainda pouco avaliados.

A credibilidade dos "especialistas científicos reconhecidos" apresentados pelas ONGs, só poderia ser aceitável se as folhas de salário dos mesmos fossem anexadas aos respectivos relatórios. Caso contrário, veremos generalizado o famoso caso da limpeza do rio Hudson, imposta pela agência americana de protecção ambiental à General Electric (pura coincidência!). Poucos dias após a sentença, uma equipa "isenta", constituída por biólogos de renome, tornou público um relatório "alternativo" que defendia os recém-criados ecossistemas de bactérias que entretanto viviam do abundante PCB no rio morto!

Publicado por VB às 12:59 AM | Comentários (0)

abril 29, 2006

Contrariando os mitos: Menos é melhor?

Ecoli.jpg

A bactéria E. coli é um residente permanente no nosso corpo, mais particularmente do nosso tracto intestinal. No entanto, esta bactéria é muito mais famosa por outras características - mais interessantes arriscaria mesmo - tais como ser a entidade viva que é melhor conhecida e estudada a todos os níveis. Saliento o facto de que, apesar de tudo isto, é ainda objecto de estudo por milhares de laboratório por esse mundo fora e um excelente palco para certas e determinadas experiências, cujo objecto de estudo é ortogonal à pobre bactéria...

A E. coli foi a sexta espécie a ter o seu genoma totalmente sequenciado em 1997 (a primeira foi Haemophilus influenzae em 1995 - obrigado Alexandre e Eduardo) e existem inclusivé genomas sequenciados das várias estirpes (variantes) desta bactéria. É também a entidade viva que terá sofrido - até à data! - o mais vasto tipo de abuso possível e imaginário. Como resultado, a informação disponível a respeito do seu funcionamento é do mais completo que existe em comparação com qualquer outra espécie conhecida.

O lado utilitário desta bactéria resume-se por vezes em simplesmente amplificar eficientemente um pedaço de DNA que se insira no interior da célula. Esta tarefa - aparentemente simplista - escapa ainda hoje à tecnologia mais de ponta que possam imaginar simplesmente por razões económicas. Percebe-se então a razão do interesse em optimizar (ainda mais!) este processo de amplificação dos pedaços de DNA que tem um passo crucial: a inserção o DNA que se quer amplificar no seu interior. A este processo chama-se transformação. Outro lado utilitário desta bactéria é a produção de proteínas codificadas nos pedaços de DNA previamente inseridos no seu interior.

Falo-vos hoje de um resultado muito recente publicado na Science que descreve um suposto "genoma mínimo" desta bactéria. O genoma mínimo será o conjunto mínimo possível de genes necessários para que a bactéria "funcione". Devo confessar que a ideia de genoma mínimo não me fascina por aí além na medida em que não faz sentido falar de um genoma mínimo a menos que se estabeleça primeiro o habitat do ser em questão... mas deixemos esta questão para os comentários.

Resumidamente, os autores "pegaram" no genoma da bactéria com o objectivo de perceberem qual é o conjunto mínimo de genes necessários para que esta bactéria mantenha a sua capacidade utilitária em laboratório. Atacando o problema de modo inverso, os autores em vez de a pouco e pouco construirem um genoma até ele funcionar, optaram por ir retirando partes do mesmo que se consideram dispensáveis e mesmo contra-producentes. Obtiveram no final uma nova estirpe desta bactéria que é vantajosa em relação à original do ponto de vista laboratorial, um resultado extremamente interessante por si próprio. O resultado é também interessante por ser a primeira vez que alguém chacina o genoma de um ser relativamente complexo de forma benéfica. Isto apenas foi possível dada a condição privilegiada desta bactéria ao nível de conhecimento. Outro aspecto interessante - e aproveitando a polémica fácil derivada de temáticas sexuais recentes no conta... - é a conclusão de que, aparentemente, menos pode ser melhor!

Como nem tudo é perfeito, a realidade é que esta bactéria não deveria ter grande hipótese de sobrevivência nos nossos intestinos...

Bruno Afonso

Publicado por BA às 4:16 PM | Comentários (9)

abril 26, 2006

Despertar Para A Bioética

cloning-dolly.jpg O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) emitiu mais um parecer este mês, desta vez dedicado à clonagem humana.

Apesar de já se saber que “a clonagem com finalidade reprodutiva e a clonagem para fins de investigação biomédica suscitam problemas éticos específicos”, na verdade, “a prática da clonagem para fins de investigação biomédica poderia ser recomendada ao abrigo dos princípios da utilidade e da solidariedade vistos os potenciais benefícios terapêuticos para os seres humanos”. Se o material celular da transferência do núcleo for considerado embrião, não pode ser usado e se for considerado um artefacto laboratorial, então aí já pode ser usado em investigação biomédica.

Fiquei com dúvidas sobre se o zigoto, que está muito longe de ser um embrião ou, menos ainda, um artefacto laboratorial, estaria liberto da influência reguladora deste parecer.

No entanto, a posição do CNECV foi clara quando afirma que “independentemente da viabilidade da clonagem com finalidade reprodutiva, esta deve ser proibida porque viola a dignidade humana.”

Para esclarecer os cidadãos, especialmente os mais curiosos e interessados, a CNECV desenvolveu uma iniciativa meritória para a divulgação e debate públicos do seu parecer numa área que terá facilmente grande acolhimento junto do público, tendo em conta a profusão de notícias nos media e muitos outros produtos culturais que têm imprimido um cunho por vezes folclórico a este tema.

A pedido da Presidente do CNECV, Paula Martinho da Silva, o CONTA NATURA solidariza-se com esta iniciativa séria e apela aos nossos leitores para que anunciem e participem no encontro que decorrerá no dia 28 de Abril, no Instituto Português da Juventude, em Lisboa. São 10, as Escolas Secundárias (Matosinhos, Viseu, Cantanhede, Coimbra, Castro DíAire, Ançã, Lisboa, Parede e Queluz) que vão debater a Clonagem sob diversas formas: da representação ao texto, passando pela escultura. Cerca de 200 alunos irão participar num “Conselho de Ética Jovem” onde, conjuntamente com alguns membros do CNECV, tentarão elaborar as conclusões, em forma de parecer, do dia de reflexão.

Bom Despertar!

Publicado por RPA às 3:09 PM | Comentários (2)

O Anti-Cientista

Evelyn-waughportrait.jpg
Eles e elas

As nossas amigas são um mito infame. Não existem. Não é geneticamente possível ser homem e manter uma relação de amizade com uma mulher. Ninguém controla a natureza humana. Sobretudo os homens. Em tempos, Miguel Esteves Cardoso dissertou sobre o factor SPAC. Teoria: Não há amizade entre homem e mulher, sem que o homem queira Saltar Para A
Cueca (SPAC) da mulher. Correctíssimo. Faz parte da condição masculina. Só que o velho Miguel pressupunha que, ainda assim, a amizade entre dois exemplares de sexos opostos era possível. Em teoria. Só em teoria.

No início dos anos noventa havia uma possibilidade real de isto acontecer. ínfima, mas real. Entre pessoas anormalmente cultas e inteligentes, claro. Porém, uma década mais tarde, não há. Vivemos na época dos tops, dos calções curtos e das mini-mini-saias. Vivemos numa época de produção hormonal descontrolada. Já nem as senhoras dominam as glândulas endócrinas. Sobretudo as senhoras. Aliás, são elas a principal causa do caos sexual em que vivemos. São elas as provocadoras das erecções ilegítimas, que tanto embaraço causam. Qual época glaciar, qual aquecimento global, qual carapuça. Nós atravessamos o período do sempre em pé. Da erecção permanente. Já não é possível atravessar dois quarteirões, num bairro minimamente decente, sem andar com o mastro erguido. São os Descobrimentos sexuais. Cheiramos um decote, lá vem ele espreitar. Vemos a empregada de quatro a limpar os rebordos da sanita, levanta-se o dito cujo. Ligamos a televisão, toca logo a alvorada. É toda uma circulação sanguínea que está fora de controlo. Não me admira, que cada vez morra mais gente com problemas cardíacos. Era de esperar.
.
Ao longo da última década, verifiquei diligentemente a teoria do grande grande Miguel Esteves Cardoso. Fui o melhor amigo de um (não tão amplo como eu gostaria) bando de raparigas. Fui aquele idiota que vê, ouve, sorri (em tons de amarelo, diga-se), dá o ombro nas horas difíceis, mas não toca. Pode tudo, menos tocar. Resultados? Amargos e penosos. Extremamente penosos. E acima de tudo, tristes. Porquê? Porque eu quero sexo, meus amigos. Eu vivo em função do tacto. Eu quero carnificina. Mas uma carnificina saudável, entenda-se. Quero iniciar-me nas artes abstractas da paixão. Do Lado De Swann? Tenho tempo. Quero adiar o Senhor Proust por mais uns anos e dedicar as minhas noites em branco ao exercício da pélvis.

Porém, nem tudo é mau. Quero dizer: é mau, mas não é assim tão mau. Anos e anos de frustração sexual e prevenção do tumor da próstata através da masturbação permitiram-me obter um vasto conhecimento tácito. Algo só ao alcance de extensas horas de solidão e muitas mais de contemplação. Acreditem em mim, quando vos digo: O mundo divide-se, verdadeiramente, em dois grupos. Só dois grupos: Aqueles e aquelas. Eles e elas. É científico.

Tiago Galvão

Publicado por Santiago às 12:24 PM | Comentários (31)

Charles A. Janeway Jr. 1943-2003

Alertámos os leitores, uma vez, que a série dos "Obituários fora de prazo" nunca iria ter muita animação, porque nós não admiramos assim tanta gente. Recentemente no entanto tive ocasião de me recordar de um dos raros cientistas que muito admirava e àcerca de quem o lugar-comum "a Ciência ficou mais pobre quando ele partiu" acaba por ser a única coisa que há para dizer...

Untitled.jpgCharlie Janeway acabou por perder a última batalha (que é sempre a única realmente importante) de uma guerra que várias vezes até pareceu ganha, durante os mais de 10 anos em que nela esteve envolvido. Continuou até ao fim a fazer avançar a disciplina científica na qual foi responsável por importantes contributos. De todos eles, destaco o facto de ter sido Charlie Janeway quem propôs, correctamente, que a activação da "Innate Immunity" é o que permite que os linfócitos T e B (que fazem parte do sistema de "Acquired Immunity") montem uma resposta imunitária, com produção, por exemplo, de anticorpos. Olhando para tudo o que se publica hoje em dia nesta área, pode bem dizer-se que Janeway foi um dos pais da Imunologia moderna.

Uma (fascinante) "Autobiografia Científica" pode ser lida na nossa Hemeroteca. Merece a pena ler também as reminiscências publicadas no P.N.A.S., que terminam com uma comovente despedida dos seus estudantes, dos colaboradores, dos colegas e da vida em geral.

De todos os Obituários que foram publicados por altura do seu falecimento, escolhi o de Derek Sant'Angelo para poder destacar uma frase que é uma verdadeira "Lição" para todos os cientistas:

Charlie frequently reminded us that the discussion of a paper might be interesting, but "it's the results section that will be important over time"

Recollections of Charlie: Dr. Charles Alderson Janeway, Jr. (1943-2003)

Derek B. Sant'Angelo
Memorial Sloan-Kettering Cancer Center

"...one should always attempt to construct an internal image of the universe of knowledge, and then ask if a given publication can, in any significant way, modify that image"
Charles A. Janeway, Jr.
(Presidential Address, AAI, 1998)

C A Janeway.jpg

I used to comment that it often seemed as though Charlie already knew the answers to the various questions being asked in his lab; it simply was our responsibility to devise the experiments that would provide the necessary data - one might say, the proof of principle. Charlie was a thinker. He rarely embraced the newest or flashiest technology, perhaps he did not always devise the most cutting edge experiments and it could, possibly, be said that he did not always provide the definitive answer to a particular question. But so many times, it seemed, that when an experimental approach brought a question to it's conclusion, the data ended up simply proving what Charlie had already been telling us. In fact in some ways, it could be argued that Charlie's greatest impact on Immunology is the seemingly endless stream of incisive review and opinion articles, book chapters and text books that have in some way influenced or shaped the way nearly all immunologists think about various aspects of immunology. Indeed, Charlie's introductory essay to the 1989 Cold Spring Harbor Symposium volume "Approaching the asymptote? Evolution and revolution in immunology" is widely regarded as the seminal contribution that redefined and focused the field of innate immunity.

The Immunologist's Dirty Little Secret

Charlie attributes his early thoughts on innate immunity to insightful questions posed by his wife, Dr. Kim Bottomly, also a world-renowned immunologist. Kim was puzzled by data showing that various effector cytokines were present before their production by effector T cells. Charlie's answer to her question asking where do these cytokines come from was "I don't know, but has anyone looked at the innate immune system"?. To put a timeframe on this discussion (for us younger immunologists), Pam Bjorkman had recently astounded the community with her crystal structure showing that peptides bound to the cleft of MHC class I and David Schatz and Marjorie Oettinger had just reported the cloning of one of the genes central to adaptive immunity, RAG1.
"(I)n order to obtain readily detectable responses to (protein) antigens" Charlie wrote in this essay, "they must be incorporated into a remarkable mixture termed complete Freund's adjuvant." "The most likely possibility (to explain this) is that primitive effector cells bear receptors that allow recognition of certain pathogen-associated molecular patterns that are not found in the host. I term these receptors pattern recognition receptors." "I propose that these pattern recognition systems activated effector functions of primitive immune systems before the development of rearranging gene families and continue to play a role in host defense today." Charlie's prediction that the immune system is dependent upon evolutionarily conserved pathogen pattern recognition receptors was dramatically realized when his lab cloned and characterized the first of these receptors, human Toll (TLR4) in 1997. Did Charlie's words influence the field? A search of PubMed reveals that in 2188 papers the authors refer to "innate immunity" in their abstracts. 2107 of these papers were published after 1989.
Charlie's insights into the field of innate immunity were, however, based on his understanding of the adaptive immune response. His work, for example, demonstrating that CD4 associates with the TCR helped define the concept of coreceptors. Charlie's work also included critical findings and conceptual advances that helped explain superantigens, T cell costimulation and the Th1/Th2 paradigm, as well as work that characterized the peptide cargo presented by mouse MHC class II molecules. Charlie's work on adaptive immunity was largely based upon his interest in understanding how the TCR interacts with MHC. Charlie was fascinated by how TCR interactions with self-peptide:self-MHC during thymic development led to a TCR repertoire that was "self-referential." In recent work, he also proposed that the B cell repertoire was also self-referential as a result of BCR interactions with self antigens. Understanding the self-referential nature of lymphocytes, Charlie proposed, was critical for understanding autoimmunity and the functions of T suppressor cells.

While Charlie was renowned for speculation, personally he enjoyed the hard facts. I remember explaining to Charlie during our first meeting that I wanted to be a postdoc in his lab because he always seemed to be working on "the big picture." Charlie replied something along the lines of "seeing the big picture depends upon generating lots of data!". Indeed, he frequently reminded us that the discussion of a paper might be interesting, but "it's the results section that will be important over time." Lab members always looked forward to phone calls from Charlie in which he would enthusiastically report the latest findings from whatever meeting he was attending. There is little doubt, however, that Charlie's favorite data was the identification of human Toll (now called TLR4) and the demonstration that it could induce B7.1 and B7.2 on APCs. So perhaps as you contemplate your data in an effort to construct your internal image of the universe of knowledge, you will pause and remember "the man in the floppy red hat," Dr. Charles Alderson Janeway, Jr.
Charlie will be deeply missed by his three daughters, Katie, Hannah and Megan, his wife, Dr. Kim Bottomly, his friends, former trainees, scientists around the world and, unknowingly, by the people he sought to help by understanding the immune system in health and disease.

(J. Exp. Med., May 2003; 197: 1231 - 1232)

Publicado por Santiago às 1:13 AM | Comentários (1)

abril 25, 2006

Citação

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"(...) people just don't come out in refereed journals and lie about their work. It's crazy. First of all, they'd never get away with it. There are too many safeguards. They'd get caught by their principal investigator. Or the referees would find something fishy in the article. And then, even if the thing did get published, no one would be able to reproduce the work later on, and the scientific community would catch them (...) You suppress bad data - it's going to cost you your career."

Do novo livro "Intuition" de Allegra Goodman. Um livro sobre ciência ao estilo do "Da Vinci Code" que talvez, um dia, seja revisto aqui no Conta.

Publicado por SJA às 8:33 PM | Comentários (0)

O processo de Bolonha e o “wishful thinking”

Ainda não se falou muito no Conta sobre este suposto mega-evento que está a abanar os alicerces da educação universitária portuguesa e que (diz-se) vai mudar completamente o ensino em Portugal. Mas é importante falarmos disto porque o ensino científico seria um dos mais afectados. Convenhamos, o ensino de Francês ou Direito é necessariamente diferente em Portugal e em França. No entanto, um curso de Bioquímica ou Física convinha que fosse parecido nos dois países, pelo menos o suficiente para que um bioquímico português pudesse candidatar-se a um emprego em França ou um físico francês pudesse concorrer a um doutoramento em Portugal.
Já dá para ver o que eu creio ser um dos maiores problemas do processo de Bolonha e principalmente da sua aplicação em Portugal. Isto é, um caso sério de “wishful thinking”. Porque claro que mesmo com a equivalência de graus empregos em Bioquímica em França ou doutoramentos em Física em Portugal não andam por aí aos pontapés. Reconhecido, o fenómeno de “wishful thinking” não é um grande problema. Ou seja, reconhecermos quais as coisas que não vão acontecer só porque queremos que elas aconteçam já é meio caminho andado para pensar no que mais é preciso fazer para que os desejos se concretizem. Se não for reconhecido, é que é o problema. Isto é, lá por gostarmos muito dos ideais do processo de Bolonha e da ideia das universidades portuguesas os cumprirem, não é por elas dizerem que aderem que vão passar a ter por objectivo primordial e determinante um ensino dos seus alunos adequado, competitivo e equiparado aos outros países europeus. Como bom exemplo da maneira como uma universidade portuguesa pode subverter um bom princípio, conto um caso que aconteceu há alguns anos mas que ainda podia acontecer agora:

A minha mãe, que foi professora na Faculdade de Letras da U.P. e durante algum tempo presidente do conselho pedagógico, lutou arduamente durante muitos anos para que se introduzisse na Faculdade uma avaliação dos professores à maneira americana. Este é um sistema em que todos os anos os alunos avaliam o desempenho e qualidade dos professores que lhes deram aulas. Os resultados desta avaliação são afixados, antes dos alunos que estão a chegar escolherem as cadeiras que vão tirar. Claro que um aluno que veja um professor com muito má pontuação vai pensar duas vezes antes de se inscrever na cadeira e possivelmente escolherá outra. Ao fim de alguns anos, se o professor não melhorar o seu ensino, deixa de ter alunos e é substituído (numa adaptação humana da selecção natural). Ora bem, os professores da Faculdade de Letras aceitaram (incrivelmente, vocês devem estar a pensar) serem avaliados anonimamente pelos alunos. Mas com uma condição: o resultado da avaliação de cada professor só seria conhecido pelo próprio professor ñ nem pelos futuros alunos, nem pelos colegas, nem pelo conselho responsável pela renovação do contrato. E a partir daqui, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto pode passar a dizer que fazia avaliação dos professores pelos alunos.
Uma coisa nestes moldes é o que eu ouço dizer que as universidades portuguesas estão a fazer à adesão ao processo de Bolonha. Mas gostava de ouvir se alguém soubesse de exemplos concretos de como se está a conduzir (mal ou bem) a adesão. Entretanto, para efeitos de clareza, aqui ficam os objectivos, tais como estão no tratado:
“Texto da Declaração de Bolonha
Declaração conjunta dos Ministros da Educação europeus reunidos em Bolonha a 19 de Junho de 1999
[...]
ïAdopção de um sistema de graus de acessível leitura e comparação, também pela implementação do Suplemento ao Diploma, para promove entre os cidadãos europeus a empregabilidade e a competitividade internacional do sistema europeu do Ensino Superior;
ïAdopção de um sistema essencialmente baseado em dois ciclos principais, o graduado e o pós-graduado.O acesso ao segundo ciclo vai requerer o termo com êxito dos estudos do primeiro ciclo, com a duração mínima de três anos. O grau conferido, após o primeiro ciclo, será também relevante para o mercado europeu do trabalho como nível apropriado de qualificação O segundo ciclo deverá conduzir aos graus de mestre e/ou doutor como acontece em muitos países europeus;
ïEstabelecimento de um sistema de créditos -como, por exemplo, no sistema ECTS -como um correcto meio para promover a mobilidade mais alargada dos estudantes. Os créditos podem também ser adquiridos em contextos de ensino não superior, incluindo a aprendizagem ao longo da vida, desde que sejam reconhecidos pelas respectivas Universidades de acolhimento;
ïPromoção da mobilidade, ultrapassando obstáculos ao efectivo exercício da livre mobilidade, com particular atenção:
o aos estudantes, no acesso às oportunidades de estudo e formação, bem como a serviços correlativos;
o aos professores, investigadores e pessoal administrativo, no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários;
ïPromoção da cooperação europeia na avaliação da qualidade, com vista a desenvolver critérios e metodologias comparáveis;
ïPromoção das necessárias dimensões europeias do Ensino Superior, especialmente no que respeita ao desenvolvimento curricular, à cooperação interinstitucional, aos esquemas da mobilidade e aos programas integrados de estudo, de formação e de investigação.
Comprometemo-nos, por este meio, a alcançar estes objectivos [...]
Na convicção de que o estabelecimento do espaço europeu do Ensino Superior requer constante apoio, vigilância e adaptação às necessidades contínuas que se vão desenvolvendo, decidimos voltar a reunir dentro de dois anos para avaliar a progressão conseguida bem como os novos passos a dar.
Assinada por:
¡ustria, Bélgica (comunidades flamenga e francófona), Bulgária, República
Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria,
Islândia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda,
Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, República Eslovaca, Eslovénia,
Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido”

Publicado por MM às 5:20 PM | Comentários (2)

32 anos

carnation_small.jpg

Publicado por SJA às 11:51 AM | Comentários (1)

abril 24, 2006

Cíclope Cínico

penico_g.jpgDUPLO.jpgAgua Régia (do lat. aqua, água + regia, "id."), mistura de ácido Nítrico (ver ¡gua Forte) e Clorídrico, também conhecida pelo mais pedestre nome de ¡cido Nitroclorídrico 1. Etimologia e "o meu primeiro kit de química" O nome vem da propriedade desta corrosiva mistura de dissolver metais nobres, como o ouro e a platina. O ouro das medalhas Nobel atribuídas a Max von Laue (em 1914) e a James Franck (em 1925) foi dissolvido em ~ e assim permaneceu escondido durante a invasão da Dinamarca pelos nazis. Após a retirada destes, o metal foi precipitado da solução e devolvido à Fundação Nobel, que depois ofereceu novas medalhas. O estratagema encontrado foi original mas de mérito duvidoso já que, salvando a matéria-prima, destruiu o objecto. Dependendo do artista, demos graças ou lamentemos o facto de a moda de dissolver preciosidades para efeitos de ocultação não ter colhido entre os coleccionadores de arte 2. Realidades desconhecidas e Generalizações abusivas Desde que subiu ao Trono, Isabel II do Reino Unido tem-se recusado a tomar banho com o argumento, aparentemente razoável, de que a água que sai do seu chuveiro em Buckingham Palace danifica as Jóias da Coroa. A sua recusa manteve-se mesmo após as Jóias terem sido trancadas na Tower of London e por causa disso, e em vista da sua empatia com a plebe inglesa, também ela é conhecida como "The Great Unwashed" 3. Segredos da Monarquia Lusitana No Palácio Ducal de Vila Viçosa há uma vasta colecção de penicos feitos de nobres metais. Conta-se que foram usados em testes de paternidade reais, pois príncipe que ao neles mictar não largasse fumo, não seria herdeiro legítimo do trono. Esta tradição não vem descrita nos livros oficiais da História de Portugal, talvez devido ao embaraço causado pelo impecável estado de conservação de toda a colecção 4. A cábula do bartender Soltando vapores e tendo uma coloração amarelada, a ~ dá uns cocktails de belo efeito, sobretudo se ornamentados com uma sombrinha lilás. A base é constituída por uma parte de ¡cido Nítrico e três de ¡cido Clorídrico, mas não há razão para se não experimentar outros rácios passíveis de prolongar a agonia dos convivas mais irritantes. Por perder propriedades rapidamente, a ~ deve ser preparada no mixer imediatamente antes de ser servida, como é apanágio do bom profisisonal de restauração . Os experts aprenderam também a não mergulhar azeitonas no cocktail, servindo-as sempre num pires à parte.

Legenda: Penico de Napoleão Bonaparte, que nem depois da cerimónia de coroação hands-on soltou fumo. ¿ cautela, a Josefina exigiu que fosse feito de porcelana.

Publicado por Santiago às 8:31 PM | Comentários (2)

GripePT.Notícias

logoGripenet.jpgA primeira fase deste projecto aproxima-se do fim. A newsletter desta semana do Gripept.net revela os vencedores dos concursos.


A Gripe Vai à Escola

Esta semana como prometido, fazemos um apanhado dos vencedores do concurso A Gripe Vai à Escola. Nas tabelas em baixo apresentamos os vencedores por modalidade de participação e os prémios de participação para os alunos e para as escolas.

Relembramos que estão ainda previstos prémios muito especiais para os trabalhos de qualidade excepcional, esses trabalhos bem como os respectivos prémios serão anunciados assim que possível.

Vencedores

Prémios

Previsão da Epidemia da Gripe

O concurso da Previsão interactiva da epidemia da Gripe terminou dia 20 de Abril.
Até dia 27 (quinta-feira) será anunciado o vencedor e o prémio associado. No entanto, até se fazer o balanço final, é possível aceder à sua pontuação (caso tenha participado) através da entrada no menu de utilizador (após login).

Publicado por RPA às 12:34 PM | Comentários (0)

"Legislação eticamente absurda"

No DN de hoje João César das Neves debate os problemas éticos colocados pelas tecnologias de reprodução medicamente assistida.
Vindo de quem vem, é claro que a linguagem é deliberadamente provocatória e a perspectiva demasiado conservadora. Não subscrevo a primeira e discordo da segunda, mas realço o contributo.

Publicado por Santiago às 7:09 AM | Comentários (1)

abril 23, 2006

Quem tramou Henry Louis Gates?

gates.gifCorre por aí a sentença: mentire humanum est. Pois, será do sapiens errar mas quem garante que mentir é, em qualquer circunstância, um erro?

Parece certo que a relação que a nossa espécie mantém com a busca da verdade preenche uma quantidade considerável de estantes em casa de filósofos, advogados e, obviamente, cientistas. Estes últimos fazem dela a sua praxis, embora por vezes a um ponto tão obsessivo que a invenção desiste de ser descabida. Talvez por isso os testes de DNA tenham chegado à categoria de ciência du jour em matéria de Identidade. Para o grande público, o "ácido do núcleo" deixou de ser (se é que alguma vez o foi) apenas a chave que decifra um código molecular: o indivíduo do presente procura no DNA a camada de passado onde as suas raízes se enterram. E como tudo tem um preço, a verdade última pode custar entre 200 e 1000 dólares.

Mas quanto de escrúpulo, de medo ou de vergonha existirá entre o entulho que a esconde? Quando a verdade de facto aparece nua diante daquela "outra", a emocional, à qual estávamos habituados de tanto ouvir contar, não poderá parecer surpreendentemente chocante? Aqui o DNA faz tremer a Antropologia uma vez que, para além do erro, também é humana a procura da certeza. Esta vontade subterrânea e desenfreada estabelece os "novos limites do conhecimento histórico", reabre valas e exibe o avesso das sepulturas, até satisfazer com mórbido fascínio a derradeira gota de curiosidade acerca dos mais antigos mistérios. Assim, muitos não se preocupam tanto com a instalação de máquinas de PCR nas naves lançadas para o espaço, desde que também se busquem entre terráqueas cinzas os vestígios genéticos de Joana d'Arc. E o impacto de um teste de paternidade que busque justiça a quem pariu ou foi parido? Deixou de ser tão grande como o que revela se o avô de um milionário de hoje foi capturado como escravo aquém ou além em ¡frica. O que trará de bom ou mau à memória colectiva a certeza absoluta destes tipos de passado? Pouco, digo eu. Mas para a existência de cada humano, já outro galináceo cacareja.

Aqui nos EUA, a Biologia associa-se cada vez mais à escavação arqueológica, às narrações dos antepassados, ao estudo de padrões migratórios e à recuperação de velhas transacções comerciais, num esforço colectivo pela reconstrução da história familiar de cada um. Infelizmente, tal objecto atrai a atenção dos meios de comunicação social apenas quando a poda se restringe à árvore genealógica de "proeminentes figuras Afro-americanas" como os comediantes Chris Tucker e Whoopi Goldberg, a académica Sarah Lawrence-Lightfoot e a (...não encontro profissão que a descreva) Oprah Winfrey. Daí ao show na TV vai um salto de pardal, como o demonstra a série da PBS intitulada African American Lives, organizado por em com base no trabalho literário de Henry Louis Gates Jr., director do departamento de estudos africanos e afro-americanos da Universidade de Harvard. Ele próprio, de boca aberta, descobriu da sua saliva uma verdade inesperada: aquela paternidade branca resultante da violação da bisavó escrava, não foi senão resultado de uma fabricação arbitrária por parte dos seus pais e avós. Mais, Gates descobriu que uma componente "caucasiana" existe no seu sangue mas deriva da parte materna e possui origens judias europeias.

No mundo da memória individual, o que nos chega à razão através da cultura pode ser desmentido pelo que vem da molécula. Será isto viver numa fábula? E qual a moral, se estas fábulas podem servir de lenitivo a uma realidade bastante mais dura que, quando descoberta, destrói-nos e obriga-nos a uma "reeducação histórica" num momento em que nos encontramos pouco preparados? Creio que a nobreza da procura não logra vencer o vazio do encontro.

Em todo o caso, a questão de transpor este problema estado-unidense para a sociedade lusa, por enquanto não se põe. Desconfio que tal deve-se não à falta de tecnologia ou a diferenças na política do tráfico de humanos, mas ao facto de a comunidade afro-portuguesa ser hoje demasiado pobre e rejeitada para que companhias de "Mitotipagem" vejam nela algum lucro em potência.

Publicado por VB às 7:54 AM | Comentários (2)

abril 22, 2006

Cíclope Cínico

PV.jpgplato_acad.jpgAcademia (s.f.; do gr. Akademía, referente a ´Akádemosª, n. pr., pelo lat.academia), clube recreativo para sábios 1. Etimologia A palavra deriva do nome do lugar escolhido por Platão para ensinar, a ´Escola do jardim de Academoª, perto de Atenas. Todos os académicos carregam hoje o nome do herói grego Academo, embora este seja mais delator que descobridor, e a matéria em questão - o esconderijo de Helena de Tróia - muito pouco académica. Tenhamos presente, porém, que a classe seria hoje ainda mais gozada caso Platão se tivesse instalado com a sua trupe noutro jardim, nomeadamente no de Teseu 2. Academias Famosas ~ des Sciences: Venerável instituição francesa, dirigida por dois Secretaires Perpetuels que só são eleitos após uma longa e notável carreira. Dada a inexorabilidade do curso da natureza, a insistência nessa regra torna o cargo paradoxalmente efémero. ~ Française: Tentou resolver o paradoxo anterior de uma forma original: a sua elite de 40 membros recebe o titulo de "Immortels". Só que a História, hélas, encarregou-se de provar até à exaustão que o título é apenas vitalício. National Academy of Sciences: Aqui não só os seus membros são mortais, como chegaram ao ponto de fundar uma revista ñ a P.N.A.S. ñ que acelera a sua senescência académica. Académica: Clube da cidade de Coimbra que pratica um futebol de interesse exclusivamente académico 3. Bizantinices e Hopeful Monsters A discussão académica por excelência é a que trata de saber do sexo dos anjos. O assunto nunca chegou a ser esclarecido porque a queda de Bizâncio provocou a interrupção desta interessante linha de investigação. Nos tempos modernos, Joshua Lederberg teve acesso a uma péssima tradução das actas que restaram e conseguiu depois demonstrar que ao menos as bactérias não só o têm, como o usam amiudadamente. Para o QED desta querela seria agora útil encontrar uma Salmonella alada que tocasse harpa, corneta, ou ambos os instrumentos 4. Grau académico Título conferido por uma universidade aos que a frequentam com aproveitamento e não usaram cheques carecas para pagar as propinas. Em certos países, tende a ser atribuído por qualquer um a qualquer pessoa, por automatismo cortês, normalmente em regime de troca por troca. Na versão honoris causa o título é ainda atribuído a uma figura pública que a Universidade pretenda explorar.

Publicado por Santiago às 3:39 PM | Comentários (7)

Orgãos novos por um testiculo?

Seguindo as pegadas históricas do ContaNatura, inicio aqui as minhas prosas a falar sobre coisas sobre as quais não sei muito. Se esperasse até poder falar sobre algo que soubesse realmente, não escreveria nada tão cedo, por isso optei por arriscar o descrédito público :-) Para começar, um tema na berra...

A ideia de podermos viver para sempre - imortalidade - ocorre no consciente de todo o ser humano, quanto mais não seja, pelo exercício fascinante que isso é para a imaginação de todos nós. Quem sabe um pouco mais sobre biologia começará logo a pôr entraves à imaginação desenfreada e - mais realisticamente - pensará que viver 120 anos já seria uma grande feito (falo como solteiro e bom rapaz, se fosse casado apontaria para os 80 se a sogra fosse ainda viva talvez...) para o que se sabe hoje em dia a respeito de envelhecimento. A ideia mais ingénua será prolongar a vida substituindo determinados orgãos velhos por novos.

É justamente este sonho que alimenta o fascínio pela investigação em células estaminais. O estimado leitor cuja última consulta ao médico indiciou que o fígado já nem para iscas serve, a esta altura do campeonato já deve estar a esfregar as mãos de contente. Estas células são as únicas células (pelo menos que eu me lembre) capazes de se dividirem "eternamente" in vitro com uma constituição genómica (o nosso querido DNA) "normal". Esta e outras propriedades têm uma relevância fundamental mormente por dois aspectos:

1) É possivel trabalhar sobre as celulas mantendo a sua "normalidade", isto é, não estragamos as suas potencialidades por andarmos a "brincar" com elas (os cientistas são levados da breca!)
2) Estas células possuem a capacidade de a qualquer momento se poderem diferenciar em células de diferentes tipos.

A combinação destes aspectos permite coisas espantosas (e assombrosas!) como fazer com que estas células tenham capacidade de gerarem novos animais - ratinhos novos! - bem como de hipoteticamente serem capazes de gerarem qualquer orgão do corpo de qualquer animal, incluindo o do ser humano.

Há apenas um detalhe que ainda não foi revelado: apenas as células estaminais embrionárias é que são realmente pluripotentes, isto é, capazes de gerar praticamente (excepto uma coisinha que agora não vem para o caso) todos os tipos de células - leia-se tecidos e orgãos - do corpo humano. Isto acaba por ser uma chatice porque na realidade, tal como o nome indica, estas células são obtidas a partir do embrião. Ora, como embrião já era(!), eclipsa-se a possibilidade de cada pessoa obter células pluripotentes com o DNA igual a todas as outras células do seu corpo, hipoteticamente obviando grande parte dos problemas de rejeição de transplantes, etc.

Com isto em mente, a corrida científica iniciou-se no sentido de tentar encontrar:

1) células pluripotentes presentes algures no corpo adulto
2) células capazes de se tornarem pluripotentes presentes no corpo adulto. Na prática isto quer dizer que se procuram células com as características das células estaminais embrionárias.

Há coisa de menos de um ano, um grupo publicou um artigo demostrando ser capaz de isolar e produzir células com as propriedades das estaminais embrionárias a partir de células presentes nos testículos de ratinhos muito novos - 2 dias. Isto teve um impacto muito grande pois significa que hipoteticamente será possivel fazer o mesmo com ser humanos, criando assim um stock pessoal para cada pessoa. Numa edição recente da revista Nature um grupo baseado na alemanha foi ainda mais longe. Utilizando um método de selecção mais sensível, conseguiram isolar um certo tipo de células dos testículos de ratinhos mais velhos, 4-6 semanas. Demonstraram também que estas células foram capazes de se alterarem para adquirirem as características de células estaminais embrionárias!

Alguns comentários são necessários. Primeiro é preciso ver que isto não resolve o problema dos seres humanos mais velhos, pois os primeiros meses já lá vão! Embora os autores do último artigo mencionado refiram no título que isolaram de ratinhos adultos isso não é bem assim. Um ratinho é considerado adulto normalmente após as 8 semanas e os ratinho sacrificados neste artigo tinham entre 4 e 6 semanas...

O último comentário prende-se com os humanos. Hipoteticamente será posível fazer uma biópsia a testículos de crianças pequenas para obter amostras deste tipo de células e convertê-las numa fonte inesgotável de células estaminais com características de embrionárias. Resta saber se uma biópsia bastará ou quão invasiva será a biópsia. Estaria disposto a trocar um testículo (caso tenha nascido com eles) por um stock personalizado de células estaminais?

Bruno Afonso

Publicado por BA às 6:19 AM | Comentários (6)

abril 21, 2006

Coisas que verdadeiramente me surpreendem na Blogosfera:

Haver tanta gente a discutir as patetices da Mongolfiera e tão pouca a debater os pareceres do CNCEV...

Nunca tantos disseram tanto acerca de tão pouco, e tão pouco quando está em causa tanto (S.)

Publicado por Santiago às 7:22 PM | Comentários (1)

Rir é o melhor remédio

cover_wired_190.jpg
Informa-nos a Wired que "born helpless, nude and unable to provide for himself, Lore Sjˆberg eventually overcame these handicaps to become an entrepreneur, restauranteur and voyeur"

Deve ser por isso que escreve algumas das mais hilariantes crónicas que podem ser lidas por aí. Esta por exemplo, ou esta.

Verde de inveja por não saber escrever assim, transcrevo abaixo alguns excertos da sua mais recente crónica. Não me ria tanto desde que o Mariano Gago voltou a ser Ministro...

The Wikipedia FAQK


What is Wikipedia?
Wikipedia is a new paradigm in human discourse. It's a place where anyone with a browser can go, pick a subject that interests them, and without even logging in, start an argument. In fact, Wikipedia is the largest and most comprehensive collection of arguments in human history, incorporating spats and vendettas on subjects ranging from Suleiman the Magnificent to Dan the Automator. As an unexpected side effect of being the perfect argument space, it's also a pretty good place to find information about all the characters from Battlestar: Galactica.


What should I know if I want to contribute to an argument nexus (or "article") on Wikipedia?
It will help to familiarize yourself with some of the common terms used on Wikipedia:

ï meat puppet: A person who disagrees with you.
ï non-notable: A subject you're not interested in.
ï vandalism: An edit you didn't make.
ï neutral point of view: Your point of view.
ï consensus: A mythical state of utopian human evolution. Many scholars of Wikipedian theology theorize that if consensus is ever reached, Wikipedia will spontaneously disappear.


Is it true that anyone can contribute?
Sure, Wikipedia is absolutely open to absolutely anyone contributing to absolutely anything! As long as you haven't been banned, or the article you're contributing to about hasn't been locked, or there isn't a group of people waiting to delete anything you write, or you don't make the same change more than three times in one day, or the subject of the article hasn't decided to send scary lawyer letters to Wikipedia, or you haven't pissed Jimbo Wales off real bad. It's all about freedom.


But why should I contribute to an article? I'm no expert.
That's fine. The Wikipedia philosophy can be summed up thusly: "Experts are scum." For some reason people who spend 40 years learning everything they can about, say, the Peloponnesian War -- and indeed, advancing the body of human knowledge -- get all pissy when their contributions are edited away by Randy in Boise who heard somewhere that sword-wielding skeletons were involved. And they get downright irate when asked politely to engage in discourse with Randy until the sword-skeleton theory can be incorporated into the article without passing judgment.


What's this is I hear about Wikipedia saying some guy shot Kennedy?
That was actually a misunderstanding. The person who was accused of murdering Kennedy didn't realize that it's his job to monitor his own Wikipedia entry at all times and fix mistakes. By not doing so, by allowing his entry to contain libelous information, he was in essence accusing himself of murdering Kennedy. The Wikipedia board of directors is hoping that the courts will accept this as a confession and convict him of assassination. At that point, his Wikipedia entry will be one hundred percent true, proving that the system works.


An article about me is up for deletion! What can I do to keep this from happening?
Well, you could try building a strong case using documented evidence from outside Wikipedia to bring people around to your well-researched and well-founded point of view, but honestly your best bet is to get a role on Battlestar: Galactica.

Publicado por Santiago às 2:26 PM | Comentários (6)

abril 20, 2006

Cínico? Sim! Mas desta vez com ambos os olhos bem abertos...

image.jpgMongolfiera s.f.: La Mongolfiera è un aeromobile che per ottenere la forza necessaria per sollevarsi da terra, utilizza un gas pi˘ leggero dell'aria ovvero: Aria calda. La mongolfiera fa parte della categoria degli Aerostati, velivoli che utilizzano gas per sollevarsi. Quando in volo, vengono trasportati dal vento e non possiedono strumenti direzionali propri.

Publicado por Santiago às 9:10 PM | Comentários (7)

Pendências do Vasco: Método Científico

Antes de sair, naquele frenesim típico de quem está prestes a abandonar um cargo, convidei o maradona e o Tiago Galvão para esta casa. O maradona já picou o ponto e é agora a vez do Tiago. Este rapaz, que escreve no Pif Paf , estuda química no Porto e a sua chegada ao Conta faz baixar significativamente a média etária da equipa, o que é uma forma de rejuvenescimento. Comunicou-me que escreverá uma rubrica intitulada "O Anti-Cientista" e os seus textos passarão a ser ilustrados com uma imagem de Evelyn Waugh, o escritor que foi salvo por uma alforreca (dolphins are overrated). Espero que apreciem a sua prosa. (VMB)
Evelyn-waughportrait.jpg
Método científico

Mal acordo, procedo às habituais rotinas quotidianas. Antes da higiene oral, banho e mata-bicho, despacho a primeira urina matinal (termo médico). Ou quase. Explico: estranhos fenómenos pélvicos apoquentam-me a consciência e impossibilitam a drenagem. No bom e velho espírito do senhor Karl Popper, adopto uma perspectiva puramente científica. Primeiro: observação. Olho a área circundante e descubro o facto. Trata-se de um caso típico de erecção matutina, ou seja, um problema pequeno. Pequeníssimo. Porém, de proporções respeitáveis (wishful thinking). Solução? Está toda nas palavras do Doutor Havelock Ellis e constitui a base de qualquer teoria freudiana de alpaca. Vamos pôr as coisas assim: envolve trabalho de força e preparação física digna de uma maratona olímpica, por outras palavras, procedo a estimulação manual dos órgãos genitais, que é como quem diz, toco uma (termo técnico). A fazer fé na escolástica do senhor Tomás de Aquino, todo o sujeito que se proponha a resolver o problema desta maneira, ainda que no mais genuíno espírito científico, tal como eu, é animal ainda mais execrável do que quaisquer parentes incestuosos.

Após realização experimental em ambiente laboratorial controlado que, especifiquemos, se trata de uma bela imagem para designar uma casa de banho cobardemente trancada à chave, com o único intuito de testar a validade da hipótese, obteve-se o seguinte resultado: excitação intensa das zonas erógenas, com (quase) ejaculação à décima segunda bombada. Contudo, após uma primeira análise dos resultados podemos, desde já, afastar o fantasma da impotência, porque a minha mãe interrompeu-me a meio e todos nós sabemos a pica que a voz maternal dá, logo de manhãzinha e sem comprimidos milagrosos disponíveis. Porém, novos ensaios serão cuidadosamente efectuados e, agora, por uma questão de honra, vai ser dar-lhe à força toda, que nem o remador de Ben-Hur, até o dito cujo esfoliar. Tudo em nome da ciência.

Tiago Galvão

Publicado por Santiago às 2:33 PM | Comentários (16)

Novo prémio para a Imunologia

CartazCitomedpeq.jpg

A Associação Viver a Ciência, a Sociedade Portuguesa de Imunologia e a empresa Citomed lançam um novo prémio de estímulo à investigação científica. Desta feita, destina-se a premiar o melhor trabalho publicado na área da Imunologia básica ou aplicada (clínica).
O Prémio Citomed, tem um valor de 5.000 euros e será atribuído ao autor ou autores do melhor
artigo, neste domínio, publicado em revista científica com arbitragem pelos pares ( peer review) durante 2005 ou 2006. A investigação que deu lugar ao artigo deverá ter sido desenvolvida total ou parcialmente numa instituição nacional.

As candidaturas apresentadas serão apreciadas por um júri de renome, maioritariamente internacional. A escolha dos elementos do júri recai sobre a Sociedade Portuguesa de Imunologia, com a colaboração da Associação Viver a Ciência.
O regulamento do concurso, disponível em www.viveraciencia.org, é claro quanto ao destino do
prémio:
“O prémio será atribuído ao autor principal (primeiro autor, ou primeiros dois autores em caso de coautoria), até 50 por cento do montante total poderá ser utilizado livremente pelos autores. Os
restantes 50 por cento deverão ser aplicados em investigação científica.”

As candidaturas ao Citomed 2006 deverão ser apresentadas até dia 9 de JUNHO de 2006 ás 12.00.
Esta parceria entre uma ONG de cientistas, uma sociedade científica e uma empresa de biotecnologia é mais uma forma de concretizar um dos objectivos da Associação Viver a Ciência: promover a ligação entre o financiamento privado e a investigação científica, complementando o investimento público na Ciência. “Pensamos contribuir, assim, para o continuado desenvolvimento de carreiras científicas e de promoção da investigação de excelência em Portugal, incentivando ainda a responsabilidade social perante o progresso do país” acrescenta Joana Barros da Associação Viver a Ciência.

Texto do comunicado de imprensa - Associação Viver a Ciência

Publicado por SJA às 1:08 PM | Comentários (3)

Arte e Ciência

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Cartoon de Rafael Florés em LabTimes

Publicado por SJA às 8:51 AM | Comentários (0)

abril 19, 2006

Ecossistemas valem dinheiro

Ecossitem-Value-Science.jpg
A ideia de que os recursos têm valor económico não é nova - consulte-se, por exemplo, este artigo da Nature que faz referência a alguns artigos dos anos 80. Os ecossistemas prestam serviços e são por si só altamente valorizados financeiramente, constituindo um capital natural avaliado em muitos biliões ou triliões de euros.
Os seres humanos beneficiam dos recursos naturais, tal como beneficiam dos recursos artificiais criados por si. Os primeiros têm sido desvalorizados financeiramente, enquanto que os segundos têm um preço a ser pago para serem obtidos.

Os benefícios provenientes dos ecossistemas vão desde os aspectos estéticos aos culturais, até à prestação de serviços ecológica. Exemplos destes serviços são a regulação climática, a formação do solo, os ciclos dos nutrientes e a captura de espécies selvagens que fornecem, entre outros, alimentos, combustível, fibras para vestuário e produtos farmacêuticos.
O aumento do crescimento das populações humanas ñ estima-se que somos já 6,5 biliões ñ origina uma enorme pressão sobre o ambiente, colocando muitas vezes em risco a existência dos recursos naturais. O benefício que retiramos do mundo natural deveria ter um retorno financeiro, cujo objectivo seria incentivar a conservação dos ecossistemas. Neste caso, parece fazer todo o sentido aplicar-se o conceito do utilizador-pagador.

No entanto, a elevada complexidade dos ecossistemas e o número de variáveis envolvidas numa avaliação económica de recursos naturais torna os estudos muito difíceis, uma vez que não se pode utilizar uma análise convencional aplicada às economias de mercado.

Continua num próximo post.

Texto de Rita Caré

Publicado por SJA às 3:02 PM | Comentários (0)

Fluida solidez

Clone army.jpg“So they go on in strange paradox, decided only to be undecided, resolved to be irresolute, adamant for drift, solid for fluidity, all-powerful for impotence.”
Winston Churchill

O CNECV publicou o seu parecer N∞ 48 sobre a Clonagem Humana, por "iniciativa própria". Realço a coragem e determinação que o Conselho revelou em participar no debate sobre matérias tão sensíveis. Possam os Snrs Deputados, e o Governo, demonstrar a mesma coragem e determinação na produção (breve, espera-se) de legislação sobre o assunto...

O Parecer #48 deve ter sido o mais polémico da história do CNECV. É fascinante a leitura das Declarações relativas ao parecer sobre clonagem humana, que não deixam dúvidas sobre como a temperatura deve ter subido durante o debate no seio do Conselho. Leiam também o Relatório que acompanha este Parecer. Recomendo vivamente a leitura de todos estes textos aos que se interessam por estes problemas éticos.

Os Snrs. Conselheiros baseiam-se em considerandos até pacíficos ("as elevadas expectativas relativamente [à] clonagem humana"; "o vultuoso investimento [...] no domínio da investigação em clonagem"; "o interesse da sociedade em acompanhar e intervir no debate sobre a clonagem humana"; o facto de "a clonagem humana por transferência nuclear somática com finalidade reprodutiva não [estar] cientificamente testada"; etc.), para concluir que:

1) A clonagem reprodutiva e a que tem fins de investigação biomédica suscitam problemas éticos específicos

2) A clonagem com finalidade reprodutiva deve ser proibida porque viola a dignidade humana

3) A clonagem para fins de investigação poderia ser recomendada, embora o juízo ético dependa da natureza que for atribuída ao produto da transferência nuclear somática. Em particular realçam que "se for considerado um embrião não pode ser usado porque tal constituiria uma violação da sua intrínseca dignidade", enquanto que "se for considerado um artefacto laboratorial pode ser usado em investigação biomédica sem suscitar problemas éticos além dos inerentes à utilização de material biológico humano"

4) "Na presente situação de ausência de unanimidade ou ampla convergência científica e filosófica acerca da natureza do produto de transferência nuclear somática, considera-se dever [ser de] aplicar o princípio ético da precaução". Desenvolvendo este quarto ponto, o CNECV recomenda que seja incentivada "a investigação em células estaminais obtidas sem recurso à clonagem por transferência nuclear somática", e também "a investigação na reprogramação celular", visto poder permitir "a prossecução da investigação em curso com células estaminais sem a produção de qualquer neo-estrutura biológica susceptível de ser identificada como embrião humano"

Suspeito que o Conselho foi tão longe quanto podia, e que os Snrs Conselheiros devem ter percebido muito rapidamente que não havia maneira de formarem qualquer espécie de consenso para além do que acabou escrito no parecer. Evitaram assim, talvez, um risco maior, que seria o de não conseguirem aprovar documento nenhum sobre tão melindrosa matéria.

A citação de Churchill que transcrevo (de um discurso em que fez uma devastadora crítica à política do Governo de Neville Chamberlain) não pretende criticar o CNECV pela inocuidade do parecer. Acho que não compete ao CNECV orientar debates sobre estes assuntos (ou tomar decisões sobre o que deve ou não deve ser permitido), mas tão só registar os consensos a que a Sociedade (isto é: Todos nós) vai chegando, em cada momento. Desconfio que a dita Sociedade não está preparada para ir mais além, hoje em dia.

Quem sentir que falta alguma coragem neste parecer, nomeadamente no ponto 4, está só a dar-se conta do "medo" que vamos tendo ainda de formar opinião sobre um tema excessivamente delicado...

Publicado por Santiago às 12:56 AM | Comentários (0)

abril 18, 2006

Desvio

Ia escrever um texto sobre o Tratado de Bolonha. Já tinha feito a pesquisa e tudo. Mas atrasos de vários tipos acumularam-se e o texto não estava ainda pronto quando tropecei neste abstract da minha selecção da Faculty of 1000. Achei tão interessante que resolvi pô-lo assim, tal qual. O post sobre o Tratado de Bolonha fica para a semana. Depois não digam que eu não avisei.

"Evolution of hormone-receptor complexity by molecular exploitation.
Bridgham JT, Carroll SM, Thornton JW.

Center for Ecology and Evolutionary Biology, University of Oregon, Eugene, OR 97403, USA.

According to Darwinian theory, complexity evolves by a stepwise process of elaboration and optimization under natural selection. Biological systems composed of tightly integrated parts seem to challenge this view, because it is not obvious how any element's function can be selected for unless the partners with which it interacts are already present. Here we demonstrate how an integrated molecular system-the specific functional interaction between the steroid hormone aldosterone and its partner the mineralocorticoid receptor-evolved by a stepwise Darwinian process. Using ancestral gene resurrection, we show that, long before the hormone evolved, the receptor's affinity for aldosterone was present as a structural by-product of its partnership with chemically similar, more ancient ligands. Introducing two amino acid changes into the ancestral sequence recapitulates the evolution of present-day receptor specificity. Our results indicate that tight interactions can evolve by molecular exploitation-recruitment of an older molecule, previously constrained for a different role, into a new functional complex. "

Science. 2006 Apr 7;312(5770):97-101.

Publicado por MM às 5:05 PM | Comentários (1)

abril 17, 2006

GripePT.Notícias

logoGripenet.jpgA newsletter desta semana do Gripept.net aborda o tema da gripe nas andorinhas e nos pombos urbanos.

Esteja atento às iniciativas e concursos que chegam agora ao fim e visite o site Gripept.net para mais detalhes.


Gripe Aviária e Andorinhas

Recentemente várias andorinhas foram encontradas mortas no sul de ¡frica (Malawi) e em várias ilhas da Malásia cujo teste ao vírus H5N1 resultou negativo. Têm surgido dúvidas sobre a possibilidade desta espécie de aves migratória transportar o vírus para o sul da Europa, dando inicio a uma possível onda de propagação para outros países da Europa por contaminação de outras espécies. No entanto o risco é reduzido. Primeiro porque a rota de migração (figura em baixo) e os hábitos das andorinhas não as sujeitam a factores de risco elevado. Segundo porque são aves pequenas e frágeis o que condiciona negativamente a probabilidade de sobrevivência das aves infectadas durante a migração.

migration_arrows.jpg

Gripe Aviária e Pombos

Os chamados pombos urbanos são tão susceptíveis ao vírus H5N1 como as outras aves. No entanto não têm contacto directo com aves migratórias, o que reduz o risco de contraírem o vírus. De qualquer modo é de salientar que os pombos urbanos mantêm contacto directo (e constante) com humanos nas grandes cidades. Caso o vírus H5N1 se torne endémico na população de pombos urbanos, várias medidas de controlo têm de ser implementadas de imediato. Vários países da ¡sia já implementaram medidas de prevenção dado o elevado contacto de pombos com aves migratórias nesses países.

Assim sendo, e por enquanto, não há razões para alarme relacionadas com as populações de pombos ou andorinhas nos grandes centros urbanos Europeus.

A Gripe vai à Escola

Os vencedores do concurso "A Gripe vai à Escola" estão quase a ser revelados. É já na próxima 3™ feira, dia 18, que os resultados serão publicados no site do Projecto! Já só faltam 5 dias...

Aproveitamos para relembrar que a sessão de entrega de prémios se irá realizar no Instituto Gulbenkian de Ciência (Oeiras) no dia 29 de Abril, com início às 15h.

Publicado por RPA às 4:48 PM | Comentários (1)

abril 16, 2006

Ciclope Cínico

DUPLO.jpgEuratom.jpg¡tomo (s. m.; do Gr. átomos, pelo Lat. atÚmu, indivisível) 1. A mais pequena partícula que ainda exibe as propriedades de um elemento, como um ~ de enxofre para Vasco Pulido Valente, Marques Mendes para o PSD ou Louis XIV para a França . 2. Linguística Histórica A etimologia desta palavra criou grandes problemas à definição de protão, neutrão e electrão (para não falar das outras partículas subatómicas). A fissão nuclear veio a revelar que o ~ é, afinal, tão indivisível como a antiga URSS 3. Milagre da multiplicação dos ~s A cerimónia da Consagração introduz um ~ de Deus em cada uma das Hóstias. Sucede que, sem prejuízo da Santíssima Trindade (ver molécula), Deus é um ser indivisível e portanto um ~ de si próprio, esgotando-se assim na massa de uma única Hóstia. Não se insinua que andem outras mãos na massa, mas por indícios bem menos fundamentados de haver gato por lebre, a DECO já foi chamada a investigar. 4. Património Mundial Caso típico de megalomania europeia, o Atomium é o maior e mais feio átomo do mundo. Tão grande e tão feio que não coube na tabela periódica. 5. Bases atómicas da fé em tercetos decassilábicos

Não há mistério nas hemoglobinas:
Uma pitada do que não se vê
e duas a duas as proteínas.

Mas não esqueças que são uma mercê
Para os homens, os ratos, rãs e até
O ateu, os quatro átomos de Fe

...................................V.P.B.V.

Publicado por Santiago às 7:02 PM | Comentários (0)

abril 14, 2006

Ponto e vírgula

Preguica.jpgEste é o meu último contributo individual para o Conta. Deu-me muito gozo colaborar neste projecto, mas agora as prioridades são outras. Não tenho conseguido nem conseguirei manter uma participação regular.

Agradeço a todos os leitores e, sobretudo, à Maya, à Sofia, ao Santiago, ao Thiago, ao Bruno, ao Vitor, ao Rui, ao Ricardo, ao Paulo, ao Bruno Buys, ao Miguel e ao maradona, por terem aceite o convite para escrever aqui por pura carolice.

A minha participação futura ficará limitada à série Ciclope Cínico, que ando a escrever a duas mãos com o Santiago (e à crítica de um livro que recebi da editora Gradiva).

Publicado por Conta Natura às 2:50 PM | Comentários (5)

abril 13, 2006

Primeiro encontro de Comunicação de Ciência

Cartazpeq.jpg
Cartaz de Paulo Emiliano

O primeiro encontro de Comunicação de Ciência vai realizar-se Sábado, 3 de Junho de 2006 no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, e tem como objectivo reunir todos aqueles que exerçam e/ou se interessem por actividades de envolvimento do público com a ciência em Portugal. Este encontro visa debater ideias, partilhar experiências e fomentar colaborações em comunicação de Ciência. Estarão presentes como oradores convidados: Ben Johnson (Graphic Science, Bristol, Reino Unido), Chris Smith (The Naked Scientists, Cambridge, Reino Unido) e um dos responsáveis pelos projectos de comunicação da Associação Viver a Ciência (a confirmar). Este primeiro encontro de comunicação de Ciência em Portugal está a ser organizado por mim, pela Mónica Bettencourt Dias e pela Ana Godinho Coutinho, sob a alçada da Associação Viver a Ciência, e tem os apoios do British Council, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Gulbenkian de Ciência.

No final do encontro, apresentar-se-à e distribuir-se-à pelos participantes um guia de bolso de Comunicação de Ciencia com conselhos práticos em como comunicar com os media e o público. Depois desta cerimónia de lançamento dia 3 Junho, este guia também será distribuído por investigadores em todo o país.

Poderão participar todos os interessados, após inscrição prévia, até dia 5 de Maio, em info@comunicar-ciencia.org. Para além dos oradores convidados, serão seleccionadas 10 apresentações orais dos interessados em partilhar as suas experiencias, que apresentem um resumo da apresentação até dia 5 de Maio. Os restantes interessados, não seleccionados como oradores, poderão apresentar um poster. Para mais informações contacte info@comunicar-ciencia.org.

Publicado por SJA às 9:27 AM | Comentários (5)

abril 12, 2006

Coisas De Aves

Coisadeaves.jpg

Publicado por RPA às 5:20 PM | Comentários (2)

abril 11, 2006

That's all Folks...

thatsallfolks.jpg
Num estilo bastante mais comedido que o do ataque, a Nature lá se defendeu da Britannica. A resposta apareceu a dois tempos: Primeiro por carta, depois num Editorial publicado no número de 30 de Março de 2006.

Ninguém estranhará o tom testudo da resposta da Nature (cf. Our comparison was unbiased, and we reject Britannica's allegation that we have acted in a dishonest manner. We stand by the story.), já que se trata de uma Revista conhecida pela teimosia com que defende as decisões (geralmente negativas...) que toma.

Quem achou intrigante a acusação de ser "[...]simply unacceptable for Nature to cut and paste different Britannica entries, add its own editorial material, and then pass the resulting pastiche off under Britannicaís name" não deixará de notar a fina diferença entre o que diz a carta (cf. "[...]Britannica alleges that we provided a reviewer with material that was not from the Britannica website. We have checked and are confident that this was not the case") e o que vem no (mais sóbrio) Editorial (cf. "The company has, for example, claimed that in one case we sent a reviewer material that did not come from any Britannica publication. [...] We have checked the original e-mail [...], and it is clear to us that all the reviewer's comments refer to specific paragraphs from Britannica").

É bem verdade que há muito advogado que guia BMWs por causa de respostas "a quente"...

Chegámos assim, provavelmente, a uma trégua neste combate de gigantes. Uma Enciclopédia que só publica actualizações a intervalos de vários anos não pode competir com uma Revista que consegue atacar todas as semanas. Se o Conta ainda fôr vivo, darei nota do que vai dizer a Britannica na actualização da entrada Nature (e também, claro, na entrada Wikipedia...). Entretanto vou guardar o cartoon que ilustra este post para me recordar de como tudo isto foi divertido...

O que é verdadeira novidade na resposta, e razão para "parar as máquinas" e reimprimir a 1∞ página, é a histórica admissão da Nature que os seus reviewers às vezes se enganam! (cf. "Our reviewers may have made some mistakes", num texto, e We realised that in some cases our reviewersí criticisms would be open to debate, and in some cases might be wrong, no outro). Quem já se correspondeu com eles, e delicadamente tentou chamar a atenção para o baixo QI da maioria dos reviewers que lhe calharam em sorte, não se esquecerá certamente de citar estas frases, ipsis verbis, em futura correspondência com os telhudos Editores desta reputada Revista ...

Publicado por Santiago às 10:52 PM | Comentários (0)

Ensinar (e aprender) a pescar

A estrela do Fórum no passado dia 1 foi, sem dúvida, a Margarida Correia-Neves. O primeiro-ministro estava vidrado nas suas palavras, embora para isso talvez tenha contribuído a sua visita aos países africanos nos dias a seguir e que está a encher as páginas dos jornais. Todas as outras pessoas também ouviram e o que ela disse parece que já está a ter resultados práticos, o que para mim é uma das maiores evidências que as coisas foram bem ditas.
Margarida Correia-Neves é investigadora auxiliar no IBMC na área das doenças infecciosas e é directora da secção de Moçambique da Associação Ciência para o Desenvolvimento. Deixo aqui as suas palavras:

“Novas Fronteiras
1 de Abril de 2006
Margarida Correia-Neves

Fui desafiada a falar sobre a importância da internacionalização da ciência para o desenvolvimento da ciência em Portugal. É do conhecimento de todos, dada a divulgação realizada pelos media, que este governo se tem empenhado efectivamente na concretização de protocolos com instituições de reconhecido mérito científico e tecnológico. Este esforço, pelo menos o que nos tem sido dado a conhecer, assenta essencialmente na cooperação tecnológica com países com indicadores de investigação científica e desenvolvimento tecnológico superiores ao nosso.

O que gostaria de trazer hoje para esta discussão prende-se com a internacionalização da ciência portuguesa com países em vias de desenvolvimento, especialmente em ¡frica.

Sem dúvida que a palavra cooperação faz parte do léxico político diário. É um facto que Portugal tem contribuído activamente em cooperação, por exemplo, na educação e formação de quadros africanos. No entanto o que me trás aqui hoje é a colaboração em termos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico. Neste aspecto julgo que muito há a fazer. A título de exemplo, consultando concursos e resultantes projectos de cooperação financiados pelo IPAD, Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, não encontrei no ano de 2005, palavras como: investigação, ciência e/ou tecnologia.

A internacionalização da ciência em Portugal através de projectos de colaboração com países africanos é frequentemente encarada como uma ajuda unilateral que prestamos a colegas africanos.

Apesar da ajuda a colegas africanos ser uma atitude em tudo correcta e louvável, conduz frequentemente a acções pontuais com enorme dificuldade em termos de sustentabilidade. Gostaria aqui de lançar o desafio de olharmos para ¡frica como colaboradores em que pode haver claro benefício científico e de desenvolvimento para todas as partes envolvidas.

Portugal poderá beneficiar muito mais no futuro, por exemplo, como parceiro privilegiado em redes que envolvam também países com índices de desenvolvimento científico e tecnológico superiores aos nossos. Ganhando em experiência assim como atraindo mais facilmente fundos privados ou da Comunidade Europeia, especialmente concebidos para os países em vias de desenvolvimento. Por exemplo na área da saúde, acções no terreno consistentes e sustentadas atraem grandes investimentos estrangeiros. Veja-se o recente investimento da Fundação Bill Gates para investigação básica e clínica em Moçambique através de uma estrutura criada por investigadores espanhóis. Tal poderia facilmente ter sido atribuído a investigadores portugueses, tivéssemos nós criado essas mesmas condições.

Não esqueçamos ainda, que algumas das chamadas doenças da pobreza, tais como SIDA e tuberculose, são ainda problemas graves de saúde em Portugal.

Para não me alongar muito, foco apenas a relevância e o muito que Portugal poderia aprender no campo da conservação da natureza. Os parques naturais com maior biodiversidade estão em ¡frica e muitos dos melhores especialistas mundiais em conservação da natureza, assunto que tem atraído cada vez mais atenção em Portugal e na Europa, são africanos ou estão a trabalhar em ¡frica.

Naturalmente que para além da vontade manifesta dos investigadores portugueses é preciso um sinal claro do governo na promoção e apoio directo ou indirecto a iniciativas deste cariz. Para tal, os recursos financeiros são certamente importantes mas talvez tanto ou mais do que isso, urge definir uma estratégia de longo prazo de cooperação científica com os países africanos. Uma estratégia inclui não só definir quais as áreas de intervenção em que haja mais-valia para todas as partes envolvidas, mas também assegurar a avaliação rigorosa da sua implementação no terreno e resultados obtidos.

Para terminar, gostaria ainda de salientar que uma fonte considerável de financiamento da cooperação pode ser proveniente de instituições privadas. Neste sentido congratulo-me em saber que começaram esta semana a serem atribuídos os estatutos de mecenas científicos - Certificados Ciência 2010 - a várias empresas assim como o estatuto de entidades beneficiárias de mecenato científico. É, na minha opinião, uma excelente iniciativa a qual deve ser muito mais acarinhada, divulgada e incentivada no futuro.

Muito obrigada.”

Publicado por MM às 1:11 PM | Comentários (0)

abril 7, 2006

Ciclope

DUPLO.jpgAstrolabio.jpg
Astrolábio: do Gr. ástron, astro + lab, r. de lambánó, apanhar Instrumento usado para medir a altura dos astros acima do horizonte. 1. História: invenção milenar de sutil juro & sabio (Lusíadas, V:25), ou seja, de autoria incerta, o ~ náutico só viria a ser substituído pelo sextante, que seria trocado pelo GPS, que será abandonado quando o niilismo geográfico de nós se apoderar. 3. Erro de paralaxe nacionalista: diz-se que o ~ foi melhorado pelos portugueses quando, na verdade, o autor da façanha foi Abraão Zacuto, um judeu, português en passant at best, nascido em Salamanca e que, entre duas expulsões, se demorou uns anos na corte de D. João II. No século XVI, o cosmógrafo e matemático Pedro Nunes inventou uma escala secundária - o nónio - que permitiria medir fracções de grau no ~, mas os navegadores portugueses não o chegaram a utilizar, talvez por temerem que o excesso de precisão os mantivesse sempre na rota certa, que é a melhor forma de a História os ignorar. 2. Zoologia e artesanato: beiça de alguns animais do filo Equinoderme (não confundir com os objectos de marroquinaria fabricados a partir de peles de cavalo), como a estrela-do-mar. 3. Imprensa Tablóide e NASA: alcunha de Scarlett Johansson, usada entre amigos por um obscuro namorado, que dizia: "aquela boca até me fazia ver estrelas". Especialistas puritanos da agência espacial americana defendem que era a constelação Virgem que o namorado tinha em mente; ao tomar conhecimento da inconfidência, Scarlett fez uma declaração de imprensa em que o tratou por Cão Menor, num notável exercício de consistência lexical.

Publicado por Conta Natura às 7:18 PM | Comentários (2)

GripePT.Notícias

logoGripenet.jpgA newsletter desta semana do Gripept.net anuncia a aproximação do fim, da primeira edição, deste inovador projecto de vigilância epidemiológica. A data já está marcada e o local para a cerimónia também.

Para mais detalhes, visite o site Gripept.net e participe!


Os concursos "A Gripe vai à Escola" estão a chegar à recta final. Fazemos um balanço muito positivo da participação de professores e alunos e recebemos mesmo trabalhos de todo o país. O prazo para recepção de trabalhos terminou no passado dia 28 de Março e contabilizamos:

228 cartazes para a "Galeria de Arte",
61 trabalhos de "¡rea de Projecto" e
17 newsletters no "Jornalismo Científico"

Os trabalhos serão avaliados por um júri composto por especialistas de diversas áreas, nomeadamente:

Saúde - Francisca Fontes - Médica e Investigadora
Ciência - Natalia Mantilla - Investigadora
Educação - Madalena Santos, João Matos, Teresa Silva, Maria Teresa Faria - Centro
Competência CRIE-FCUL
Comunicação - ¬ngela Marques - Diário de Notícias
Imagem - Patrícia Rei - Fotógrafa publicitária

O processo de avaliação já se encontra em curso e os resultados serão divulgados no site do projecto - www.gripept.net - no próximo dia 18 de Abril.

Temos prémios muito aliciantes para os vencedores e para as escolas, patrocinados pela Porto Editora, Plátano Editora e Campo das Letras Editora. Os prémios serão atribuídos por modalidade - Galeria de Arte, ¡rea de Projecto e Jornalismo Científico - bem como por idade dos participantes. Para além disso, prevemos premiar de forma muito especial os "trabalhos revelação", ou seja, aqueles que o júri considerar serem de excepcional qualidade. Poderá saber mais sobre este assunto já na próxima newsletter.

Gostaríamos desde já de convidar todos os participantes do Projecto Griepept.net a estarem presentes no Instituto Gulbenkian de Ciência no próximo dia 29 de Abril, pelas 15h, para a sessão de encerramento da primeira edição do Projecto, a qual sera em simultâneo a sessão de entrega de prémios aos vencedores do concurso. Temos diversas actividades planeadas para essa tarde. Venham festejar connosco, serão todos muito bem vindos!

Publicado por RPA às 11:04 AM | Comentários (4)

abril 6, 2006

.......???

........Zavala?

.........Não...

Rosebud.jpg

Publicado por Santiago às 8:30 PM | Comentários (5)

Politics & Policy

Foto1.jpgDurante o passado fim-de-semana houve aqui no Conta uma interessante troca de opiniões sobre estratégias de desenvolvimento científico, durante a qual dois desconhecidos contribuíram textos de particular interesse. Um deles chegou a pedir desculpa pela extensão do comentário, mas eu respondo-lhe com Mark Twain: "Iím sorry to write you such a long letter, but I didnít have time to write a short one.”

São ambos anónimos (para mim, pelo menos) e, contradizendo algumas ideias feitas que por aí andam, e algumas pseudo-leis pomposamente anunciadas, percebe-se bem que sabem do que falam...

Regresso ao assunto porque as últimas observações de cada um suscitaram-me uma interrogação que espero que não venha a ser interpretada como uma mera provocação:

Pergunto-me se as frases Sem instituições de "policy" ([independentes das] instituições financiadoras) [...] as áreas prioritárias serão sempre encaradas como escolhas políticas (mesmo quando são acertadas) (LOS), e [O]s Research Council ingleses são semelhantes [...] à FCT [nos instrumentos de financiamento], mas são também muito diferentes [...] na definição da política, e na composição dos orgãos de aconselhamento e decisão [...]. Na FCT quem decide é o Presidente, nomeado pelo partido que está no Governo e pelo Ministro [...]. Não existe em Portugal uma visão nacional no processo político, mas uma visão partidária (anonimo) não serão excelentes razões para argumentar que foi um grande erro "promover" a Ciência e Tecnologia até ao nível de Ministério? Não será melhor fazer a Ciência e Tecnologia regressar ao nível de Direcção-Geral, na dependência exclusiva do Primeiro-Ministro?

Continuaria "partidarizável", claro, mas, por definição, sê-lo-ia bastante menos...

Se calhar o excesso de "visibilidade" actual é contraproducente. Afinal, durante o Governo de Marcelo Caetano, o investimento em Ciência & Tecnologia conheceu aumentos notáveis, sem que a C & T tenha servido como instrumento de promoção na carreira política de ninguém...

Acho que posso demonstrar esta última afirmação: Quantos dos estimados leitores conhecem o Snr. representado na foto?

Publicado por Santiago às 3:40 PM | Comentários (5)

abril 5, 2006

Ciclope

DUPLO.jpgAtmosfera: s.f. do Gr. atmós, vapor + sphaÓra, esfera Camada gasosa que forra alguns planetas.1. Física: unidade de pressão de gases e vapores, e também de tensão ou força elástica dos fluidos. O preservativo é obviamente o objecto ideal para estudar estes conceitos em escolas secundárias, mas a oposição das Associações de Pais tem conservado o manómetro como instrumento mais usado. 2. Atmosfera Pesada: quando o ar está carregado de humidade, a ameaçar trovoada, ou quando a mulher, o marido e o/a amante de um deles (ou de ambos) coincidem acidentalmente numa assoalhada.

Publicado por Conta Natura às 4:45 AM | Comentários (1)

abril 4, 2006

A Universidade no seu Labirinto

Alma Mater.jpg

É obrigatório ler o estupendo artigo AS UNIVERSIDADES EUROPEIAS: MIT OU REALIDADE? (um título simplesmente genial) de João Caraça.

Aproveitem para visitar o interessantíssimo site de João Vasconcelos Costa. Este meu amigo anda há muitos anos a pensar, e a escrever sobre, o Ensino Superior, debatendo os desafios que se lhe colocam (pedi emprestado o título deste post a uma conhecida obra sua que trata do assunto). No seu site pessoal, à mistura com fascinantes observações sobre (quase) tudo o que vai acontecendo pelo mundo, podem descobrir de que "massa" é feito um verdadeiro epicurista.

Publicado por Santiago às 11:59 PM | Comentários (3)

Um dia não-simbólico

Fui no Sábado ao Fórum Novas Fronteiras da Ciência e do Conhecimento, na Alfândega do Porto. Isto foi, no fundo, uma apresentação sobre política científica e áreas de excelência em Portugal, com o factor adicional que estavam lá as pessoas de peso todas: o primeiro-ministro, o ministro da Ciência, o ministro da Reforma do Estado e da Administração Pública (Alberto Martins), o presidente da FCT e uma série dos "notáveis" na ciência portuguesa. E provavelmente uma série mais de políticos que eu não reconheci.
Confesso que ao princípio achei que ia ser mesmo um encontro de dia 1 de Abril, com um discurso cuidadosamente preparado e absolutamente demagógico de José Sócrates. Mas todas as apresentações que vieram a seguir elevaram o tom, com questões a serem discutidas de um modo sério, uma visão de áreas que são realmente de excelência em Portugal e a apresentação de soluções ambiciosas mas concretas. E José Sócrates, honra lhe seja feita, ficou até ao fim e ouviu e registou tudo. E ficou, portanto, no ar um leve cheiro, não a mentira, mas sim a verdade e esperança para o contexto científico português (e não só).
Do conteúdo das apresentações falarei nas próximas semanas, já que muitas delas merecem posts individuais. Na mania da contradição e para satisfazer os cínicos leitores do Conta, publico hoje só os "prémios", se bem que se lerem tudo, verão que no fim até há umas frases acertadas.

Prémio maior feito desde os Descobrimentos
“O primeiro laboratório de nanotecnologia internacional, financiado por Portugal e Espanha, vai ser localizado aqui em Portugal” José Sócrates, primeiro-ministro
Prémio olha que não sei...
“Na Ciência o que valem são as incertezas, não as certezas.” Idem
Prémio mas qual, qual?!
“O discurso político serve para indicar uma estratégia” ibidem
(este prémio devia ser mudado para prémio cartoon Dilbert, segundo o publicado no dia 1 no Conta que até parece de propósito)
Prémio lágrima ao canto do olho
“Eu acredito principalmente nos cientistas portugueses.” ibidem

Prémio quem vai achar um novo “oma”
“Cognoma – cognição no homem e na máquina” Luís Moniz Pereira
Prémio e não será um bocadinho exagerado?
“Em cinco anos vai-se poder aplicar o cognoma da mesma maneira que se aplica o genoma hoje em dia” idem

Prémio então para que é que lhes deram o grau?
“Nem todos os doutorados têm competência para fazer investigação” Teresa Lago
Prémio poesia científica
“As minhas keywords até rimam” idem
Prémio e tu, foste avaliada?
“A avaliação é precisamente a coisa essencial” ibidem

Prémio para o uso de palavras estrangeiras só quando é justificado:
“Portugal sofre de miscasting” Rui L. Reis
Prémio Grrrr...
A extinção do GRICES (Gabinete de Relações Internacionais da Ciência e Ensino Superior) foi a melhor notícia que me deram nos últimos tempos. idem

Prémio políticamente correcto
“Inicialmente éramos todos negros.” Manuel Sobrinho Simões

Prémio ah, ah, ah foste desmascarado:
“Depois de uma era glacial, a Europa foi repovoada partir da península ibérica portanto os finlandeses, que criaram a Nokia e que o Sr.Primeiro Ministro tanto admira, descendem dos portugueses” Manuel Sobrinho Simões
“É preciso dar independência aos jovens, porque nem sempre nós, os mais velhos, temos razão. Por exemplo, o Manuel Sobrinho Simões não tem razão quando diz que os finlandeses descendem dos iberos, na realidade vêm da ¡sia” Fernando Lopes da Silva

Prémio duplo grrrr
"Precisamos de uma avaliação dentada, que morda" Fernando Lopes da Silva

Publicado por MM às 12:44 PM | Comentários (4)

abril 3, 2006

posts que nunca saem...

newyorker.jpg


Havia um anúncio à revista The New Yorker que dizia
It has been called the best magazine in the world, probably the best magazine that ever was....

Quase que bastam as capas para o provar. A American Society of Magazine Editors seleccionou as 40 melhores Capas de Revista dos últimos 40 anos e três delas pertencem-lhe.

Esta não é uma das escolhidas, mas é a minha favorita.

Publicado por Santiago às 1:30 PM | Comentários (2)

abril 2, 2006

Falemos então de estratégia e, já agora, também do limbo

limbo.jpgO L. O. S. escreveu um comentário muito interessante a que quero dar destaque repetindo-o em post.
Aproveitem e leiam também o comentário do Luís Oliveira. Este debate sobre "política científica" e "estratégias de financiamento" interessa a todos por isso espero que os amáveis leitores não se inibam de contribuir para ele.
(Comentários meus ao que disse o L. O. S. acompanham a transcrição. Os destaques também são meus)

1. Encontro alguma dificuldade em perceber como operacionalizar áreas estratégicas de investigação num país com muito poucos recursos financeiros e com uma comunidade científica ainda sem instituições de "policy" independentes do tipo National Academies dos EUA. A definição de "áreas estratégicas" resultou no Programa Ciência, com alguns resultados interessantes, muitos investimentos disparatados e áreas científicas muito penalizadas (ver 2). Cairemos em belos planos, definidos por algumas luminárias, muito bonitos no papel, devidamente sintonizados com as áreas estratégicas das melhores universidades/países com recursos, mas sem recursos humanos e recursos financeiros para os executar em Portugal e para competir internacionalmente.

Parece-me que justamente por termos muito poucos recursos financeiros devíamos concentrá-los onde forem produtivos e possam "fazer uma diferença". Creio que a melhor maneira é tentar identificar aquelas áreas onde Portugal tem A) Massa crítica bastante para poder ter retorno do investimento e impacto, e B) Fortes vantagens comparativas relativamente aos outros países europeus.
Creio que há pelo menos uma área científica que se destaca claramente, se aplicarmos estes dois critérios (Disclaimer: Não é a área em que eu trabalho). 20 anos e muitos e muitos milhões depois houve sectores que se desenvolveram fortemente e são internacionalmente competitivos. Nesses sectores Portugal tem enormes vantagens sobre outros países (coisa que não acontece por acaso, obviamente).

Vou dar um exemplo: Ao contrário do que o Mundo inteiro pensa, o HIV-2 foi descoberto em Portugal e não em França. Depois dessa descoberta, todo o trabalho e toda a investigação subsequentes, que levaram ao seu isolamento e ao desenvolvimento do teste de detecção, foram feitos em França. Isto aconteceu porque nunca foi nas Ciências da Saúde que Portugal investiu 25% dos fundos públicos afectos a I & D...
Actualmente todo o dinheiro das royalties gerado pelas patentes associadas fica em França. O I Pasteur recebe muitíssimo mais dinheiro pela propriedade intelectual do HIV-2 do que recebe pelo HIV-1 (porque este é a dividir com o NIH).
É quase irónico que pouca gente conheça esta história. É pena que os responsáveis políticos prefiram falar-nos de "porcos com asas" em vez de meditar sobre isto...

Não pode ser por acaso que o CSCTI, orgão por excelência par