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maio 30, 2006
Peixes

Apesar da fotografia, este post não é novamente sobre assuntos culinários, mas sim sobre um website que, de relance, me pareceu fenomenal. É, simplesmente, uma base de dados de todos os peixes existentes em Portugal. Esta fotografia, por exemplo, é do Atherina boyeri, de nome comum verdugo (entre outros), localizado no litoral Mediterrânico e Mar Negro, com populações isoladas no Atlântico. Tem ainda a descrição do habitat, ciclo de vida, etc. e também os factores que ameaçam esta espécie. O website também pode ser pesquisado por local ou autor. Eu até nem sou uma fã por aí além de peixes mas o valor e esforço deste recurso parecem-me incalculáveis.
Carta Piscícola Nacional. Autores: F. Ribeiro, R. Beldade, M. Dix, & J. Bochecas, 2005
Como indicado, façam login como ëguestí.
E seguindo a minha política de referenciar a minha fonte de informação, e até porque neste caso é uma fonte um pouco fora do normal, devo dizer que vi este site noticiado na revista “Dica da Semana”.
Publicado por MM às 11:48 AM | Comentários (4)
maio 24, 2006
Montra Natura

Corte sagital de um cérebro de murganho, ao nível do telencéfalo. O vermelho marca células que expressam o factor de transcrição Nkx6.2 e o verde, interneurónios onde a expressão da GFP (green fluorescent protein) está sob o controle do promotor de outro factor de transcrição, Nkx2.
Foto de Marc Fuccillo, Programa de Doutoramento em Genética do Desenvolvimento, Skirball Institute of Biomolecular Medicine, Universidade de Nova Iorque, USA.
Publicado por VB às 5:01 PM | Comentários (0)
maio 23, 2006
Para a cozinha! Bork bork bork!
Uma breve nota para falar da cozinha científica e da gastronomia molecular.
Estes dois conceitos estão muito próximos e no entanto bastante distantes. A cozinha científica pode ser entendida como uma maneira de divulgar ciência, especialmente para os mais jovens, explicando as reacções químicas que ocorrem nos alimentos enquanto se cozinham pratos do dia-a-dia.
Um livro ilustrativo desta ideia é “El cocinero cientifico” do divulgador científico argentino Diego Golombek.
A gastronomia molecular é uma corrente da culinária que está a sair do laboratório para os jornais em que cozinheiros com formação científica experimentam novos métodos de preparar alimentos, muitas vezes usando técnicas químicas que normalmente não seriam usadas na cozinha. (Quem pense que esta corrente é moderna, que releia “A cidade e as Serras” do Eça, em que ele fala de servir morangos com éter). Em Inglaterra, o grande exponente é o Heston Blumenthal, em França, a colaboração entre o físico-químico Hervé This e o chefe de cozinha Pierre Gagnaire. Os portugueses estão a acompanhar bem a tendência, tendo já ganho um prémio no 1º encontro de Ciências e Cozinha, realizado em Paris.
E para que só tiver lido por causa da imagem do “Swedish Chef” dos Marretas, fiquem sabendo que é possível arranjar os sketches dele na Internet e até há um clube de fansÖ
Publicado por MM às 12:21 PM | Comentários (4)
maio 21, 2006
Barroco
O seminário que acabo de assistir era rico de maneirismos científicos.
A maioria consistia no animismo aplicado por bastantes dos que encontraram emprego nas ciências biológicas, quando dissertam sobre os seus modelos experimentais. (Ouve-se por aí que as moscas estavam "felizes", que as células "não gostam" disto ou daquilo, que o cerebelo "decidiu" formar-se sem tal e tal lobo, que certa molécula "fala" com outra, que o neurónio migrante não "sabe" por onde ir, etc.) Tais hábitos de linguagem nem aquecem nem arrefecem. Ainda que imprecisões, não deixam de ser parte de quem, por ser humano, necessita de metáforas, de desesperadamente demonstrar que não é tão geek quanto parece, ou ambos.
Dentro desta categoria de rococó empregue no discurso científico, está a o verbo "sacrificar" para descrever a acção de matar animais. Ou por estar particularmente distraído ou por ser aquela uma palestra mais aborrecida do que o respectivo anúncio permitiu adivinhar, perdi-me entretido na reflexão acerca deste "sacrifício". Há muitos cientistas que usam tal expressão (de resto pouco relevante) nas suas alocuções. Quase sempre são pessoas que estudam ratazanas ou camundongos. Nunca ouvi alguém descrever o modo como as bactérias, leveduras ou moscas-do-vinagre foram "sacrificadas". Eu próprio não penso que "sacrifico" as últimas, mesmo quando as estripo vivas.
Mas o "sacrifício" tampouco se limita a "coisa de vertebrados". Ninguém a trabalhar com peixes ou galinhas usa tal termo. Mamíferos, pois. Nesse caso, que diriam, se os houvesse, os cientistas dedicados à fisiologia ou genética dos ornitorrincos? Poderia tão pequeno detalhe alimentar afinal discussões inflamadas? Creio que alguém capaz de gastar o tempo de uma conferência pública mencionando o "sacrifício" dos seus mamíferos seria muito capaz de criar um platypus gate.
Não creio porém que se trate de uma expressão exclusivamente filogenética. Aposto que muitos dos homens e mulheres que se referem ao "sacrifício" de ratinhos sobre a bancada do laboratório, não hesitariam em matar à vassourada um indivíduo daquela mesma espécie encontrado sob o lava-loiça do apartamento. Os providos com um pouco mais de remorso, talvez procurassem um modo menos "desumano" de eliminar o bicho, como as selvagens (mas rápidas) ratoeiras de mola ou os mais cruéis (para os roedores) mas menos perigosos (para os hominídeos) papéis de cola. Os verdadeiramente sensíveis pagariam a um exterminador (não sacrificador) para "limpar-lhes" a cozinha. Raríssimos seriam os que procurassem recolher vivo ao invasor de espaços domiciliários, para soltá-lo de regresso ao seu habitat "natural" (seja lá o que for natural no habitat de um rato urbano).
Como atenuante devemos considerar a possibilidade do cientista que declara ter "sacrificado" tal e tal ratazana durante o seu procedimento experimental, pretender apenas "amaciar" a fúria de um hipotético "fundamentalista dos direitos dos animais", eventualmente "infiltrado" na audiência. Um simples vocábulo lograria assim mudar a intenção original do zelota em encher de granadas as batas dos presentes e depois ir para a prisão concluir a sua existência com uma greve de fome.
O "sacrifício" poderá finalmente referir-se ao perpetrador. "Senhoras e senhores, foi com grande mágoa que retirei a vida àquele animal!" "Sacrificar" aparece assim com a qualidade paliativa para a consciência de quem, achando-se "superior em espécie", quer justificar um acto que (no fundo, no fundo) entende mau, a priori. Aqui o escrúpulo passaria a chamar-se mentira.

Publicado por VB às 12:43 AM | Comentários (2)
maio 19, 2006
DIA ABERTO NO INSTITUTO GULBENKIAN DE CI NCIA
Hoje deixo-vos aqui o relato da Sofia Cordeiro, a coordenadora da comunicação de ciência do IGC, sobre o dia aberto do passado dia 13 de Maio. SJA
“Eu acho que isto foi bué fixe e é por isso que vou ser cientista”

“Posso confessar-lhe que desde sábado, a minha cozinha se transformou num laboratório onde se preparam as mais diversas "poções" e os livros sobre ciência foram tirados das prateleiras”, escreve num e-mail emocionado Paula Faria, mãe da Rita, de 8 anos. Estas foram duas das visitantes do Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) que decorreu no passado dia 13 de Maio, sábado. O mote deste ano era “destino: ciência!” e propunhamos aos visitantes que viajassem com os cientistas pelos avanços na área da Biomedicina que se vão fazendo no Instituto. Num dia que convidava à praia e suplantando as expectativas, mais de 1300 pessoas aceitaram o convite de visitar o IGC, das quais cerca de 500 eram crianças, ansiosas por conhecer os cientistas e a ciência que se faz neste Instituto.
Tirar cientistas do laboratório para receber o público não é tarefa fácil. Há sempre a reticência do tempo perdido de uma experiência para algo que não se materializa num paper. Mas a verdade é que, para os cientistas que já tinham participado no ano passado, a recompensa era conhecida e muito apetecida. O ambiente vivido nos dias anteriores ao Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência foi de um entusiasmo colectivo, muito motivante, com novas ideias a surgir à última da hora e muita vontade de receber quem nos visita à procura do “futuro”. Foi assim que 130 cientistas do IGC se mobilizaram para um dia diferente. No fim do dia, cansados, ficaram ainda num pequeno convívio, trocando as experiências e impressões de um dia diferente. Mesmo aqueles que já tinham participado se confessam mais uma vez agradavelmente surpreendidos pela grande afluência de público e pelas reacções dos visitantes. Desde as crianças mais pequenas, que nos apanham desprevenidos com as observações mais engraçadas, aos adultos que os acompanham e vêm também eles com uma vontade grande de conhecer e uma curiosidade que traz de novo um brilho de criança aos seus olhos.

Os laboratórios do instituto estavam todos representados numa tenda montada especialmente para o efeito e prepararam actividades relacionadas com a sua investigação. Os visitantes puderam questionar, conversar e experimentar com os cientistas, participando, como dizia o Bruno, de 14 anos, “numa espécie de magia, a magia da vida”.
As crianças, transformadas em mini-cientistas, foram incentivadas a pôr as suas questões, resolver problemas e fazer as experiências propostas de uma forma interactiva que procurou estimular nelas a curiosidade que move os cientistas no seu trabalho do dia-a-dia.
Através de jogos e brincadeiras, os mais novos puderam conhecer o interior de uma célula, construindo o seu próprio modelo em plasticina, ou saber que as células do nosso corpo não são todas iguais e o porquê das suas diferenças.
As actividades experimentais eram este ano mais e mais diversas. Uma das experiências mais populares voltou a ser a extracção de ADN do morango, em que os “cientistas por um dia” seguiam uma “receita”, que podem repetir em casa, e que é em tudo semelhante à que se usa nos laboratórios para fazer análise genética a partir de sangue. Alguns confessavam-se “impressionados” porque afinal “o ADN pode-se ver”. Noutra actividade, muito adequada a esta época do ano, mostravam-se os malefícios do sol, crescendo leveduras expostas a radiação com e sem protector solar. Adultos e crianças puderam verificar que as leveduras sem protector solar não sobrevivem nem se multiplicam depois de apanhar “sol”. A fertilização in vitro de ouriços-do-mar foi também sensação entre crianças e adultos. Nesta actividade, os visitantes podiam fazer os seus próprios “bebés-proveta”, misturando óvulos e espermatozóides de ouriço-do-mar. Ao longo do dia podiam acompanhar o desenvolvimento dos embriões que tinham sido produzidos de manhã. Dois amigos, ambos de 12 anos, testemunharam ao vivo, a primeira divisão do ovo, originando as duas primeiras células do embrião. Sem palavras para descrever e visivelmente emocionados, tentavam mostrar com as mãos o que tinham visto, como as células se tinham “separado” ali diante dos seus olhos, com a ajuda de um microscópio ligado a um monitor.
Outro dos pontos altos do dia foram os períodos em que os cientistas do projecto GRIPEPT.NET se vestiram de vírus da gripe e jogaram com as crianças à apanhada, mas de uma forma especial. Competia às crianças ñ médicos de serviço - colar anticorpos no vírus e assim conseguir “matá-lo”. O entusiasmo era muito e todos quiseram também vestir a pele de vírus.
¿ conversa com os cientistas
Num ambiente informal e de diálogo, o director do IGC, António Coutinho, e alguns cientistas falaram da ciência que se faz no instituto e da importância que ela tem nas vidas de todos, em quatro pequenas conversas, pautadas pelas múltiplas interpelações do público mais jovem para responder entusiasmado a todas as questões que iam sendo levantadas.
Muitos foram os que quiseram também participar na “aventura bioinformática” que era proposta. Em mais uma actividade “para repetir em casa” usaram-se os sites de internet e os softwares que os cientistas usam para seguir informaticamente o percurso de um gene até à proteína a que este dá origem.
Os visitantes tiveram ainda oportunidade de entrar num laboratório do IGC com um dos cientistas que aí trabalham e saber mais sobre quem são, quantos são e como é o seu dia-a-dia. Por exemplo, foi possível ver de perto todos os animais, plantas, fungos e bactérias com que os investigadores trabalham e perceber o porquê da sua escolha como modelo biológico.
Num ambiente festivo, a ciência saíu das quatro paredes dos laboratórios e os visitantes levaram-na mesmo para casa. Para além das actividades que podem repetir em casa ou na escola e das memórias de um dia especial, os futuros cientistas puderam vestir-se a rigor e tirar uma foto num cenário de laboratório, que levaram para casa com um íman para a segurar onde se lia “eu quero ser cientista”. E alguns querem mesmo. No livro de visitas do Dia Aberto, a Ana, que ainda mal conseguiu escrever o seu nome sozinha, deixou expresso o seu desejo: “Eu acho que isto foi bué fixe e é por isso que vou ser cientista”.
O Dia Aberto do IGC está integrado no projecto "Oeiras Vive a Ciência", organização conjunta com o Instituto de Tecnologia Química e Biológica, apoiado pela Câmara Municipal de Oeiras. Este projecto pretende estimular a curiosidade científica do público e promover assim a interacção e envolvimento na ciência. O Dia Aberto foi também apoiado por diversas empresas privadas.
Sofia Cordeiro, Coordenadora de Comunicação de Ciência do Instituto Gulbenkian de Ciência (scordeir@igc.gulbenkian.pt, tel. 214 407 959)
Publicado por SJA às 6:48 PM | Comentários (0)
Jacques Monod 30 ans après
Publicado por Santiago às 2:26 PM | Comentários (2)
maio 17, 2006
Tecnologia não é Ciência

Entendo que "Ciência" e "Tecnologia" são actividades fundamentalmente diferentes, apesar de intimamente relacionadas. São ambas essenciais para o progresso, claro, e é por isso importante que as políticas públicas promovam o desenvolvimento tanto de uma como da outra...
Não devemos no entanto confundi-las. Elas diferem nas suas origens civilizacionais, nos seus objectivos, nos seus métodos de actuação e, sobretudo, nos critérios de avaliação do sucesso. Perceber essas diferenças é crucial para poder desenhar políticas correctas de apoio a cada uma delas.
Num capítulo de um livro de que tenho falado muito, Lewis Wolpert discute, com algum humor, as distinções essenciais entre Ciência e Tecnologia. Esse capítulo ("Technology is not Science") está disponível na nossa Hemeroteca em 5 partes, com 2 páginas cada uma (800-900 KB cada).
.
Nesse capítulo Wolpert fala do seu Teorema dos Cinco Minutos ("if a structure was built and remained standing for five minutes after the supports had been removed, it was assumed it would stand up forever"). Se 5 minutos bastam, então Mestre Afonso Domingues deve ter tido outras razões para ficar tantos dias debaixo daquela abóbada...
Publicado por Santiago às 1:35 PM | Comentários (11)
maio 16, 2006
Activismos
Apesar de não ser Ciência, achei que valia a pena divulgar esta notícia, dada a preocupação do Conta com questões ambientais. Queria também dizer que esta notícia foi-me enviada por uma amiga minha a partir do blog Dias com árvores, que o publicou dia 2 ñ tem que se dar crédito a quem “descobre” primeiro! Além de que tem lá os links para a reportagem completa e outros sites interessantes.
Notícia: "...armed only with shrubs and plants..."
´Guerrilla gardeners wage turf war: Guerrilla gardeners are sowing the seeds of resistance in south London, with a spot of illicit gardening in its neglected public spaces.
Striking at night, armed only with shrubs and plants, they set out to brighten up roundabouts and verges. (...) Mr Reynolds said he has never run into any problems with the authorities - in fact he even entered one of his guerrilla gardens into a local "in bloom" competition and got a nomination. (...)
It is a continuing battle against vandalism, water shortages and errant cars, but the guerrilla gardeners are holding firm. Member Camilla Maxwell-Morris told the BBC: "It's about brightening up people's lives and putting a bit of green and flowers into the grey areas of London."
E para quem quiser discutir este ou outros activismos em Lisboa:
2™ Sessão do Workshop - O Direito na Intervenção Ambiental
"Novas formas de activismo e protecção ao activista: contributos para a causa ambiental"
20 Maio 2006, das 10h às 17h
Local:
Biblioteca/Museu República e Resistência - Espaço Cidade Universitária,
Rua Alberto de Sousa - Zona B do Rego, Lisboa
Organização: RADICA (Rede de Acção para a Denúncia e a Intervenção em Crimes
Ambientais)
Programa
Publicado por MM às 12:00 PM | Comentários (1)
maio 15, 2006
nanoNatura

A expressão "nano ciências" não passa de mais uma manobra de marketing para vender ao grande público algo de definição ambígua e credibilidade nebulosa ao primeiro contacto. Um exemplo mais palpável é o da palavra (ou quase-prefixo) "Engenharia", ajuntada ao título de variadíssimos cursos de Ciências que de outro modo não atrairiam mais candidatos que aqueles já quase desesperançados de ingressar no Ensino Superior.
Num aquecido debate acerca das "áreas prioritárias" para o investimento de capital público na investigação científica portuguesa, foi aqui questionada, por alguém que se acha "desgraçadamente português", a atenção do nosso Governo às "nano ciências". Distracções à parte, devo pronunciar pouco clara a intenção do referido "comentador": o sentido do seu epíteto relaciona-se mais com o desencanto da nacionalididade ou com, dado o contexto, a estatura (ou QI?) média do povo Luso? Em qualquer dos casos procurei, de modo proporcional à minha presente disposição de tempo, alguma informação básica sobre o(s) assunto(s).
Ainda que com o conceito de "Ciência" entrançado na sua semântica, uma "inesperada" anfibologia caracteriza a panóplia de campos, interesses, questões e consequências contidos no "grande" mundo das "nano ciências". Pergunto:
- As "nano ciências" referem-se ao salário médio dos post-docs?
- Esta "área emergente" alude ao esforço tecnológico de "miniaturização" da existência ou ao científico de "reorganização" da matéria ao nível atómico, com o intuito de modificar a matéria?
- Que tipo de investimento tem sido feito sobre o "nano mundo" e por quem? Que significado poderá isso ter no futuro da Ciência?
- Em que consiste realmente o B.A.N.G. (bits, atoms, neurons and genes) e o que comporta o conceito de "Tecnologias Convergentes"?
- Porque é que a Ecologia e a Saúde Pública são raramente abrangidas por tais "convergências"?
- Será que graças às "nano ciências" o trabalho do cientista deixará de ser "simplesmente" o de conhecer e controlar a matéria para tornar-se o de um "criador de propriedades" novas, desconhecidas e, provavelmente, indomadas?
- Exagero com tantos medos?
Numa recente publicação, Bernadette Bensaude-Vincent, professora de Filosofia da Ciência em Paris, diz que as "nano tecnologias"...são uma oportunidade, uma ocasião formidável para interrogarmo-nos sobre as técnicas, sobre o seu sentido, a sua evolução, as suas implicações e, se possível, para devolvê-las ao debate público."
Crie-se pois esta "nano série" que se inclina sobre o futuro do infinitamente pequeno.
Publicado por VB às 12:58 AM | Comentários (17)
maio 14, 2006
António Xavier 1943-2006

Homenagens a António Xavier houve, infelizmente, bem poucas. Só me apercebi das da Minha Rica Casinha e do Ciência Hoje a assinalar a triste notícia. No Ciência Hoje há ainda dois belos textos, da autoria da Claudina Rodrigues-Pousada e do António Coutinho.
É verdade que quando morre um Homem Bom não há muito a dizer e que às vezes a tristeza se sofre melhor em sossego, mas apesar disso choca um pouco tanta indiferença...
Tenho muita pena que o António Xavier já não possa receber a EUROBIC MEDAL, nem saber que a Bruker instituiu um prémio em sua honra. Recordemo-lo com esta fotografia (de quando o ITQB se chamava CTQB) e com as palavras do Presidente da República:
Publicado por Santiago às 4:07 PM | Comentários (1)
maio 12, 2006
Dia Aberto IGC

Ciência é o desafio que o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) lança amanhã, dia 13 DE MAIO, entre as 10h e as 17h, num DIA ABERTO em que os visitantes podem fazer experiências divertidas, ver exposições e filmes científicos, conhecer os investigadores e a ciência que fazem, como e porquê.
Os visitantes de todas as idades são convidados para uma viagem pelos avanços na Biomedicina, em áreas como genética de doenças, o autismo ou diabetes, acidentes vasculares cerebrais, doenças auto-imunes, desenvolvimento embrionário de plantas e animais, ou a evolução dos organismos vivos. Lado a lado com os cientistas do IGC, os participantes vão poder dar passeios guiados pelos laboratórios, descobrir como se faz ciência, observando as células, tecidos e os organismos, extraindo ADN de morango tal como se faria no laboratório para analisar, por exemplo, o sangue ou navegar pelos genomas com a ajuda de ferramentas bioinformáticas.
Uma oportunidade para todos aprenderem a brincar, levando como
recordação o resultado de algumas experiências.
Para mais informações visitem:
www.igc.gulbenkian.pt/diaaberto/2006/
ou contactem: Sofia Cordeiro (scordeir@igc.gulbenkian.pt, tel. 214 407 959)
texto da comissão organizadora do dia aberto 2006
Publicado por SJA às 9:10 AM | Comentários (0)
maio 11, 2006
Que viva Hespanha, la vida tiene otro color...
O Ciência Hoje tem vários motivos de interesse (e por ter dito isto espero que o Jorge Massada me perdoe este post como já nos perdoou outras irreverências...).
Um deles é uma nova secção, intitulada "FLAD and the portuguese scientists in América" (publicada em colaboração com a ... FLAD, justamente!), que apresenta em inglês o curriculum de alguns cientistas portugueses que vivem e trabalham nos EUA.
O primeiro texto dessa rúbrica é assinado por João Hespanha (37 anos) que é Associate Professor na UCSB. Por razões dificeis de explicar a quem nunca viveu na Costa Oeste (já passei por isso...) o bom do Hespanha faz questão de nos informar, de forma très nonchalant, que do seu curriculum consta o seguinte (fascinante) item: "Until this moment he received no formal invitations to return to Portugal". Confesso que, com esta carinha laroca, não tenho dúvidas que os convites que recebe da Califórnia têm sido bem mais "formais" que quaisquer outros...
Como o Hespanha não nos dá o seu email, só aqui o posso informar que eu, por curiosa coincidência, conheço mais 1.500 cientistas (em todas as áreas) que também nunca receberam "convites formais" para trabalhar em Portugal. Talvez estes, pelo menos 1.501, cientistas em tal desgraçada situação queiram formar uma associação?
Sugiro que se chame: Associação Viver a Ciência Fora de Portugal...
Publicado por Santiago às 9:38 PM | Comentários (7)
Cíclope Cínico
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Acne ((s.f.; do gr. ákhne, erro tipográfico de akmé, ´erupção facialª) Infecção da pele, frequente em rapazes espigadotes, causada pelo Propionibacterium acne 1. É encarada com resignação pelos que a esperam, vista com repugnância pelos que já a tiveram e não olhada ao espelho pelos que dela sofrem
Evitandoreavivar más lembranças em muitos leitores e num dos autores (o outro tem traumas bem piores), a ilustração evoca Pompeia.
Publicado por Santiago às 6:21 PM | Comentários (0)
Biobank UK

A maior experiência médica do mundo começou, em Março, no Reino Unido. Esta mega-experiência, que envolverá cerca de meio milhão de britânicos, tem como objectivo principal descobrir como se combinam factores genéticos e ambientais para manter a saúde ou provocar a doença. O projecto Biobank UK é uma experiência a nível nacional que estudará pessoas de idades compreendidas entre 45 e 69 anos e está a ser financiado pelo MRC, o Wellcome Trust e o Department of Health do Reino Unido, com apoios de várias instituições de caridade.
Da informação gerada através do estudo destes milhares de participantes será criada uma base de dados nacional para estudo e consulta por parte dos vários investigadores do projecto. Depois de consultados e de obtidas as suas respectivas autorizações, cada participante dará uma amostra de sangue e outra de urina, será examinado por uma enfermeira e preencherá um questionário sobre os seus hábitos de vida. Durante os próximos 20 a 30 anos a análise seguirá e serão registados todos os acontecimentos relacionados com a sua saúde. De acordo com a informação oficial, todos estes dados serão unica e exclusivamente utilizados para investigação etica e cientificamente aprovada. No entanto, a controvérsia sobre toda esta confidencialidade já existe.
O Gene Watch UK uma organização sem fins lucrativos que faz a monitorização das novas tecnologias genéticas) tem emitido uma série de avisos aos participantes do Biobank e tem organizado diversos debates sobre qual a utilidade do Biobank UK. As questões postas são, regra geral, sobre confidencialidade, o eterno medo das companhias de seguros e o acesso a estes dados e, fora tudo isto, a grande incerteza sobre os próprios resultados do Biobank e o que isso trará de novo para a medicina. Novos testes genéticos, novos fantasmas sobre análises e predicções de inteligência e, como sempre, o admirável mundo novo da genética aliada à medicina. A bola de cristal da medicina moderna. Será que queremos saber a que estamos destinados? Tudo isto se tem discutido ad nauseum sobre o Biobank. No entanto, para a comunidade científica britânica o Biobank não foi (e continua a ser) mais do que um profundo corte no financiamento científico. O fundo inicial para o Biobank foi anunciado, em 2002, como 45 milhões de libras provenientes do MRC. Nos anos seguintes o MRC veio a diminuir o seu financiamento não só a todos os outros projectos científicos do Reino Unido, mas também aos salários dos cientistas, para poder cobrir este “Biobankgate”. Aparte das discussões sobre a utilidade científica do Biobank, é importante focar que, como sempre, estes projectos megalómanos têm que ser mais bem pensados e financiados. Não se pode retirar financiamento a toda a investigação de um país para cobrir os gastos de um projecto que devia ser financiado independentemente. Claro, ao mesmo tempo, os governos e os cientistas europeus queixam-se da fuga de cérebros. Afinal, não é só em Portugal.
Publicado por SJA às 10:16 AM | Comentários (2)
maio 9, 2006
E depois do adeus ñ “Scientistsí gap year?”
Estando a concluir um doutoramento em Inglaterra, é natural que tenha (e realmente tenho) vários amigos que estejam aproximadamente na mesma fase do processo: a prepararem-se para começar a escrever, em fase de escrita, ou recém-terminados (sortudos). Das várias conversas que tive com eles, um aspecto salienta-se: muitos estão a pensar em deixar a investigação científica e procurar emprego noutras áreas. Em nenhum dos casos a experiência do doutoramento foi desagradável, e portanto não pode ser citada como causa do abandono.
As razões mais comuns são:
1 ñ Experimentar outra coisa para ver se há algo de que se gosta mais; daí eu achar que devia haver uma aceitação e formalização maior de um “gap year” para doutorados em Ciências, tal como funciona o “gap year” em vários países para estudantes que estão entre o 12o ano e a universidade (não em Portugal, infelizmente). Haveria, então, empregos e empregadores específicos para este ano. Atenção que talvez tente desenvolver esta ideia por isso nada de roubar ñ mas opiniões aceitam-se.
2 ñ Querer sair da “torre de cristal”, ou seja, o isolamento social do meio académico, e sentir que se está no mundo real e a contribuir de uma forma mais directa para a sociedade.
3 ñ Poder ter a sensação que se produziu qualquer coisa de tangível ao fim de cada dia.
4 ñ A ideia de que não se tem o espírito de sacrifício e motivação suficiente para ser um bom cientista.
Não acho que seja necessariamente mau haver doutorados em Ciência a querer sair do meio académico. O problema é se começa a ser a maioria (o que parece estar a acontecer aqui em Inglaterra), e/ou se for principalmente pela razão 4. Aí convém repensar o papel de um doutoramento e a percepção do que é um bom cientista. Apesar disto ainda não estar a acontecer ainda em Portugal, já está a acontecer com doutorados portugueses no estrangeiro. E quando começar a haver outras opções em Portugal para doutorados em Ciência também vai começar a acontecer no nosso país. É um assunto que tem de ser debatido, portanto.
Publicado por MM às 11:55 AM | Comentários (10)
maio 7, 2006
Ficção Natural: fatum.
Alan Moore é assim como uma espécie de Tony Kushner da banda desenhada. A sua extraordinária capacidade de envolver o leitor numa teia de ideias originais, onde numerosos elementos da nossa cultura e fantasia desenham cenários fascinantes e fenómenos sociais fáceis de entender, faz com que ele, o leitor, quase se impacienta de não ver passar um "herói" alado pela janela de 25o andar do seu apartamento em Manhattan. Moore consegue colocar em relevo o que de mais atraente existe na Ficção Científica: o formidável que se transforma em plausível.
Este escritor é também capaz de reunir com humor os quatro cantos das nossas mais remotas memórias etnográficas, integrando o jazz com o clássico, o comunista com o fascista, a cultura pop com a erudita, e por aí fora. Como resultado, equacionamos muitas variáveis em simultâneo e, embora cheguemos a conclusões bem pouco distantes das que encontramos ao ruminar sobre a "vida real", consolamo-nos com ideias de utopia, com as surpresas que o futuro poderá trazer. Esta capacidade de escrever acerca de tudo surpreende mesmo os mais snobes pirrónicos desta forma de arte. Por exemplo, na saga Watchmen, Moore brica com a suposição de que o que o Ocidente assistiu durante a Guerra Fria ocorreu de modo completamente independente do conhecimento científico que a humanidade tinha ou pudesse ter tido. As diversas acções que ocorrem em paralelo (e ainda outras que decorrem em livros de banda desenhada que os próprios personagens vão lendo) são intercaladas com textos de ficção que complementam o que o desenho não é capaz de transmitir. Até textos de carácter ornitológico podem ser reescritos com acrescida beleza neste quadro futurista (Maradona? Por onde andas? Píu, píu,píu!).
Alan Moore foi recentemente anunciado ao "público global" através da conversão para o cinema de um dos seus textos mais premiados: V for Vendetta. Para a (esperada) infelicidade de ver grande parte da mensagem original ser "mastigada", "digerida" e "arredondada" sobre os grandes ecrãs do mundo, apenas encontrei refrigério na figura da Natalie Portman e na homenagem a Alexandre Dumas. Nem um nem outro se encontram no texto de Moore, cuja reflexão sonda as profundezas do terrorismo de estado, da luta de classes e de uma visão niilista da História. No campo científico "V" é provavelmente a narrativa com menor elaboração, embora contenha um aviso pouco novo mas continuamente caído no olvido:

Publicado por VB às 12:35 AM | Comentários (0)
maio 4, 2006
Fórum Novas Ciências - Manuel Sobrinho Simões
Sem querer dar a impressão de andar "a reboque" da Ciência HOJE, considero muito positiva e digna de comentário a compilação de transcrições dos discursos proferidos durante o Fórum Novas Fronteiras. Venho pois, por este meio, discordar com o que li da intervenção de Sobrinho Simões.
As constatações feitas pelo director do IPATIMUP acerca do Ensino Português são argutas e pertinentes, embora não me pareça que haja alguém a quem não se tenham afigurado óbvias. É como viver no Portugal de 1984 e proclamar solenemente a descoberta de que as estradas do país estão repletas de buracos. Ao que não dou apreço no discurso é o modo paternalista com que se inicia. Independentemente da diversidade académica do público daquele fórum, Sobrinho Simões denota uma certa falta de pontaria ao tentar identificar os reais interesses de quem exerce a sua investigação no domínio das "Ciências da Vida". Eu (e muitos outros cientistas, jovens e "idosos") não reconheço como fim último desta vocação o "...ser capazde fazer vida". Nem creio ser realmente esta "...a última fronteira das nossas Ciências". De um ponto de vista pragmático, o que queremos mesmo é publicar muito para poder obter o financiamento necessário à continuação da investigação. O nosso interesse é apenas parcialmente regido pelo que de facto nos dá gozo descobrir. A força que orienta a nossa mão durante um determinado procedimento experimental é pouco "romântica" e muito associada ao que é "moda" ou "quente" na mente dos editores da Cell. Tampouco é possível negar que muitos investigadores exercem por falta de outro remédio.
Como geneticista, também entristeço-me (isto é, não rio) com o frequente recurso, por parte de Sobrinho Simões, ao que "tem graça" ou "piada" neste ramo (ou, na verdade, em qualquer outro) da Biologia. Creio que a intenção de referir aqueles três exemplos de sucesso conseguido por geneticistas portugueses era a de estimular a audiência a aceitar a importância do nosso trabalho. A presença do poder PS na sala exigia uma certa "venda de peixe". Porém, não obstante a benignidade da essência, a forma apresentou-se nociva. Para lá da introdução em formato "Avô-Cantigas-vai-ao-jardim-de-infância", cada um dos exemplos tem um porte inconsequente. O significado real da descoberta da homologia entre H. sapiens e D. rerio para o "gene das riscas" deste último, passa incógnito e N√O É HUMILHANTE. Além disso, óptimos geneticistas "...como a Luísa Mota Vieira", não devem ter encontrado a sua força motriz científica no paralelismo entre a Nokia e o riso do Primeiro Ministro. A menos, é claro, que adorem a adulação recíproca (o que, de resto, não é incomum).
Por outro lado, a mobilidade como arma de combate ao inbreeding nem sempre significa que é saudável o realce sistemático de "... jovens que fazem trajectórias super-rápidas". Não digo isto como lamento pelo crescimento (igualmente rápido) da minha calvície, mas porque com tal política os "óptimos cientistas" que investem fortemente o seu capital de "tempo" em bons mas arriscados projectos, seriam injustamente punidos. Em que estado encontraríamos a Genética moderna se Gregor Mendel tivesse achado demasiado o tempo de geração de uma ervilheira?
Repetindo-me: é certo que a crítica de Sobrinho Simões tecida ao nosso sistema de ensino foi imprescindível (como toda a crítica deveria ser). A projecção de um "sistema científico" capaz de accionar mudanças fundamentais ao nível da academia tem um considerável valor (dado aquele não estar já irremediavelmente apodrecido com os males desta). Do mesmo modo, é necessária a desdramatização pública do objecto dos cientistas ditos "... da vida". Mas também é importante a aproximação correcta do protagonista ao espectador (e usando as mesmas figuras de estilo do orador), como a do futebolista aos seus fãs ou a do político ao eleitorado. Da minha nebulosa identidade ouso sugerir a Sobrinho Simões que redimensione a sua propaganda em prol da Genética e que visite, ao menos por um instante, o colóquio do próximo 3 de Junho, organizado pela associação Viver a Ciência.
Publicado por VB às 4:07 PM | Comentários (7)
maio 3, 2006
Standing up scientists
A recente acusação de ser este um blogue sério, feito por gente séria para gente séria (etc., etc.), fez-me pensar no drama de ouvir um nerd contar anedotas. O problema não é termos sentido de humor mas antes encontrar suficiente público interessado...
Imagine-se, como fez Patricia Marx, o tipo de piadas "secas" que contaria um grande ícone da ciência caso se encontrasse diante de uma plateia na Village. Nem o seu companheiro alado (e provavelmente único espectador) se sentiria motivado para a repetição.
Não tentem obter do cientista o que não se encontra no seu (inteligente) design. É como pagar a pipa de massa que se cobra para ver o Woody Allen tocar clarinete ao vivo... e gostar.

Publicado por VB às 7:46 PM | Comentários (6)
maio 2, 2006
Fórum Novas Ciências - Mariano Gago
O meu post da semana passada, sobre o tratado de Bolonha, apesar de inspirado pelo debate do Fórum Novas Ciências e Tecnologias, foi uma espécie de desvio. Volto agora ao Fórum propriamente dito. Como o website Ciencia Hoje esta a tentar publicar as intervenções de todos os oradores convidados, resolvi passar directamente ao que eu aproveitei da intervenção final de Mariano Gago.
(Como neste momento estou a escrever a tese de doutoramento e ando muito irritada por não o poder fazer em “bullet points”, resolvi que pelo menos neste “post” podia faze-lo e dai o formato pouco ortodoxo do que vem a seguir.)
O discurso de Mariano Gago foi muito diferente do de José Sócrates. Primeiro ele tentou fazer um somatório e resumo do que ele tinha achado mais importante das intervenções anteriores. Depois adicionou algumas ideias que as intervenções lhe tinham suscitado. Dai resultou um discurso que obviamente não tinha sido preparado, mas que em parte por causa disso, parecia muito mais honesto e definido. Acho que uma grande vantagem de pertencermos a um país pequeno e que tanto o Primeiro-Ministro como o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior puderam ouvir, ao mesmo tempo que o publico e directamente, uma serie de cientistas portugueses falar sobre a ciência em Portugal. Cá vão então os “bullet-points”:
- ate agora, a investigação científica teve que se desenvolver nas dobras e interstícios que conseguia encontrar dentro do ensino universitário. Isto tem que acabar e as universidades devem ser modificadas de modo a conjugarem-se com a investigação.
- notou-se um imenso avanço desde as jornadas científicas de 1987, especialmente no que toca a interdisciplinaridade.
- não deve haver “nacionalismos”, ou seja, o favorecimento de investigadores portugueses.
- na definição de áreas prioritárias, os investigadores responsáveis fazem um “truque de secretaria”: definem como áreas prioritárias aquelas em que eles próprios estão a trabalhar, eliminando assim uma avaliação competitiva com todas as áreas. Como e impossível saber quais são as áreas que vão ter sucesso no futuro (um aspecto ignorado por todas as discussões que eu já ouvi sobre áreas prioritárias), o que se deve fazer e apoiar grupos de excelência e não áreas.
- o debate sobre a política científica e de educação universitária em Portugal deve ser alargado a comunidade internacional. Quanto ao ensino universitário, o convite a avaliadores estrangeiros já gerou algumas críticas e sugestões importantes:
- Portugal tem demasiadas horas de ensino formal por semana (mais de 20 em contraste com as 15 comuns noutros países). As aulas teóricas (horas passivas) devem ser substituídas o mais possível por “horas activas” dos estudantes.
- o peso lectivo distribuído a cada docente/investigador deve ser redistribuído cada ano e modo a atribuir mais peso lectivo aos investigadores que nesse ano não estão muito activos em termos de investigação (pessoalmente acho que isto e um pouco utópico conhecendo os docentes portugueses e o aumento de pessoal administrativo que seria necessário mas e bom ter um objectivo assim definido).
- a ideia de que as universidades são donas do seu pessoal tem que ser combatida
- os estudantes devem ser obrigados a frequentar centros de investigação desde o primeiro ano de licenciatura (como exemplo, Mariano Gago falou de um ano que alunos de engenharia dos primeiros anos de licenciatura tinham parte do curso num laboratório de engenharia. Nesse ano foram estes alunos os responsáveis pelo maior numero de patentes e artigos saídos desse laboratório).
Publicado por MM às 3:29 PM | Comentários (20)
