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junho 30, 2006
Previsão estatística

A febre dos golos também pode ser científica. Assim, um grupo de matemáticos publicou a demonstração de que quando uma equipa marca o primeiro golo, tem mais hipóteses de vir a marcar muitos mais, devido, a factores tais como a maior confiança da equipa nas suas capacidades. Isto significa que as equipas não marcam sempre um número de golos proporcional às suas capacidades futebolísticas, mas sim são empurradas para a glória depois de marcarem um ou dois golos consecutivos.
Este efeito é menos notório em competições como o Campeonato do Mundo do que, por exemplo, nas ligas de cada país. Provavelmente, isto deve-se a um maior grau de competência e igualdade de qualidades das equipas que chegam às finais.
Resta-nos esperar que, amanhã, PORTUGAL marque um primeiro golo bem cedinho e que a esse primeiro se sigam muitos mais!
Publicado por SJA às 11:23 AM | Comentários (0)
junho 28, 2006
Do Expresso
Portugal evita ëfuga de cérebrosí
PORTUGAL está a atrair cada vez mais cientistas estrangeiros. Os últimos dados da Fundação para a Ciência e Tecnologia relativos a 2000/2006 mostram que o número de doutorados estrangeiros a quem foram atribuídas bolsas para fazerem investigação no nosso país (753), supera largamente os portugueses bolseiros a fazerem investigação no estrangeiro (345), o que é uma realidade inteiramente nova.
Jornal O Expresso, edição de 24 de Junho de 2006, primeira página.
Mesmo que estes dados sejam referentes apenas às bolsas de pós-doutoramento da FCT, custa a crer que os números sejam verdadeiros. No entanto, é díficil ter acesso ao número total de bolseiros da FCT. Em todo o caso, a maioria dos doutorados a trabalhar no estrangeiro não é financiada pela FCT, o que implica que Portugal não está verdadeiramente a evitar a "fuga de cérebros"...
Publicado por SJA às 10:43 AM | Comentários (2)
junho 26, 2006
Exposição de ilustração científica

Está aberta ao público, desde dia 22 de Junho, uma exposição de ilustração científica no Museu Nacional de História Natural em Lisboa, composta pelos trabalhos de alunos do Dr. Pedro Salgado da Faculdade de Belas Artes e do Instituto de Artes e Ofícios da Universidade Autónoma de Lisboa dos últimos dois anos. Os trabalhos expostos incluem ilustrações nas suas versões finais, bem como uma variedade de exercícios de técnica, estudos preparatórios e cadernos de campo.
Algumas obras (excelentes, digo-vos já) de Diana Marques também estão expostas. Diana Marques é ilustradora científica profissional, embora não faça parte deste grupo de alunos da FBAUL.
A exposição, que vai estar aberta ao público até 7 de Julho, conta com os patrocínios da Reitoria da Universidade de Lisboa e da Associação de Antigos Alunos da FBAUL. Mais informações na página do Museu Nacional de História Natural.
Publicado por SJA às 9:43 AM | Comentários (0)
junho 20, 2006
História de uma droga
A maioria de nós faz investigação biomédica com o objectivo distante e indirecto mas bem definido de ajudar a desenvolver um novo medicamento que cure ou alivie alguma doença. Recentemente os jornais ingleses estão cheios de um desses novos medicamentos, o Herceptin (ou a Herceptin?). Isto porque algumas pacientes com cancro da mama ganharam um processo contra o sistema de saúde inglês, o NHS, que queria receitar o medicamento só a casos extremos. Terminado o processo, o NHS anunciou que ia passar a financiar o tratamento com Herceptin a qualquer paciente que fosse susceptível ao medicamento (cerca de um sexto dos cancros da mama malignos, se não estou em erro). Isto quer dizer que a NHS vai pagar à Roche, que produz o Herceptin, cerca de 20000£ por cada mulher britânica que receber o tratamento.
Isto é, à partida, uma grande história de sucesso por todos os lados: para as mulheres vítimas de cancro da mama e ovários e os que lhes são próximos, pois aumenta bastante a expectativa de vida (este é um daqueles medicamentos que funciona mesmo); para os accionistas da Roche, que devem ver o seu lucro habitual enorme de 20% ainda mais aumentado; para os cientistas em geral cuja imagem deve ter saído muito melhorada desta história ñ afinal eles até inventam medicamentos que salvam mesmo vidas!
Mas fiquei curiosa com a evolução desta droga. Deve ter começado nalgum laboratório, financiado pelo governo (via universidades ou não) ou por alguma caridade. Em algum momento passou para a Roche. Que agora a vende. Os contribuintes pagarão portanto duas vezes para este medicamento ñ primeiro para financiar a investigação que o descobriu, e agora via os seus impostos para os sistemas nacionais de saúde? Ou para seguros privados? Em que altura terá passado de investigação altruísta para lucro puro e duro? Já comecei a investigar esta história, o próximo post trará novidades.
Publicado por MM às 2:55 PM | Comentários (5)
junho 16, 2006
Polarização no núcleo
Maria João Amorim
Localização da nucleoproteina (NP) do virus influenza A/PR/8/34 em células epiteliais humanas durante um ciclo de infecção. A NP (verde) e a proteina LAP2 (vermelho), usada para delimitar o núcleo, foram detectadas por imunofluorescência. A imagem do meio mostra pela primeira vez a polarização de uma proteina no núcleo de organismos superiores.
Publicado no “Biology Letters” em 2005.
Publicado por MM às 10:01 AM | Comentários (0)
junho 15, 2006
O guia Comunicar Ciência

O novo guia Comunicar Ciência é um 2 em 1. De um lado, um guia prático, com dicas de como melhor comunicar ciência, do outro, um guia teórico, com algumas bases do “Porquê comunicar”.
Os conteúdos deste guia foram editados (por mim, pela Mónica Bettencourt Dias e pela Ana Godinho Coutinho) a partir do material de apoio apresentado no workshop Comunicar Ciência, realizado no Instituto Gulbenkian de Ciência em 2003. A parte prática do guia contém conselhos a utilizar quando se fala com os media, por exemplo, o que fazer quando se é entrevistado. Aposta também em como chamar a atenção dos media sobre o nosso trabalho e em como comunicar directamente com o público. A parte teórica foca os temas da comunicação da ciência, as bases e a história da comunicação, de uma forma resumida.
O guia, é em formato A5 e contém apenas 24 páginas. Destina-se a cientistas de todos os ramos, quer possuam ou não um interesse forte em comunicar o seu trabalho. Afinal, quem sabe se amanhã um jornalista não lhe telefonará a pedir que faça uma entrevista!
O guia estará disponível para download em formato PDF no website Comunicar Ciência num futuro próximo. Os cientistas interessados em receber este guia pelo correio, por favor enviem um email, explicando as razões por que gostariam de ter o guia e especificando uma morada postal para info@comunicar-ciencia.org.
Publicado por SJA às 10:41 AM | Comentários (2)
junho 14, 2006
Experiências no Peer Review
O Peer review é o processo que consiste na avaliação do trabalho dos cientistas pelos seus pares. Na prática funciona (em linhas gerais) da seguinte forma:
1) O manuscrito é submetido a uma revista
2) Os editores da revista analisam se tem qualidade e ou interesse para o jornal em questão
3) Se sim, mandam o manuscrito a 2 ou mais reviewers da área , isto é, pessoas que tenham artigos publicados no campo de investigação do trabalho em questão
Todo este processo é normalmente sigiloso e apenas têm acesso aos manuscritos os autores(!), os editores da revista e os reviewers a quem o manuscrito foi enviado. Neste processo, os autores desconhecem a identidade dos reviewers mas estes sabem quem são os autores (vai no manuscrito).
A revista Nature resolveu criar a possibilidade dos autores terem os seus manuscritos submetidos ao jornal, publicados online para comentários públicos de pessoas que se identifiquem.
Dos poucos manuscriptos disponíveis para leitura online ainda nenhum tem um único comentário. Resta esperar para ver se este modelo tem algum impacto positivo ou negativo no peer review. Para mais informação sobre peer review a revista Nature tem uma página bastante informativa.
BA
Publicado por Conta Natura às 1:36 PM | Comentários (2)
junho 8, 2006
O primeiro encontro de Comunicação de Ciência

O primeiro encontro de Comunicação de Ciência, em Portugal, realizou-se no passado dia 3 de Junho, no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras. A ideia de organizarmos este encontro emergiu dos workshops de treino em Comunicação de Ciência que fizemos em 2003 e 2005. Durante estes dois workshops, tanto nós como os participantes, concluímos que era necessário mais interacção entre as pessoas interessadas em comunicação de ciência em Portugal. Hoje em dia, uma parte significativa da comunidade científica portuguesa tem vindo a demonstrar um grande interesse na comunicação da sua investigação a audiências não técnicas. Por estas razões, tornou-se urgente encontrar um espaço para discutir projectos, partilhar ideias e fomentar o contacto entre os intervenientes na comunicação de ciência em Portugal.
O encontro começou com as palavras simpáticas do nosso anfitrião, António Coutinho, seguindo-se uma apresentação da parte da organização (eu, a Mónica Bettencourt Dias e a Ana Paula Coutinho). O pontapé de saída foi dado pelo Ben Johnson da Graphic Science que nos falou, durante meia hora, do programa “Meet the scientist” que (claro, por si só merece um post) desenvolve no Reino Unido.
Em seguida, passámos à primeira sessão com quatro apresentações orais, seleccionadas dos abstracts recebidos. O “chair” foi João Caraça (FCG) e as apresentações versaram diversos modos de comunicar ciência a públicos muito diferentes. A Ana Sanchez (ITQB) fez uma pequena reportagem sobre os dias abertos do ITQB; o Paulo Ribeiro-Claro (UA) falou-nos da popularização da disciplina da química e de como atrair mais estudantes para a Química; seguiu-se-lhe a Isabel Ferreira (UM) que descreveu a inovadora exposição “Física na cidade”; no final da sessão, a Ana Paula Santos descreveu o dia, e um projecto inovador, em que o ITQB abriu as suas portas a públicos com necessidades especiais.
Depois do almoço, a segunda sessão tinha como “chair” Carlos Fiolhais e começou com duas investigadoras das ciências sociais: Anabela Carvalho veio falar-nos da sua investigação sobre a aceitação e as reacções do público português ao tema da mudança climáticas e Rosa Gomes apresentou o seu trabalho sobre educadores de infância como comunicadores de ciência. Em seguida, José Xavier apresentou o mega-projecto de comunicação que tem a ver com a participação portuguesa no Ano Polar Internacional 2007-2008. Para finalizar esta sessão, tivemos a honra da presença de Maria Mota, que veio falar-nos dos projectos da Associação Viver a Ciência.

A última sessão começou com uma apresentação de meia-hora, de Anna Lacey, sobre o projecto de rádio/podcast “The Naked Scientists”, que teve um dos seus moments altos perto do final, quando da audiência perguntaram à Anna se a equipa gravava os programas mesmo sem roupa! Depois vieram as fantásticas apresentações da sessão de SciArt com Ana Moutinho, como “chair”. Judite Dias descreveu o seu novo projecto de ciência e teatro; Diana Marques apresentou o seu trabalho como ilustradora científica e Marta Menezes falou-nos do novo projecto Ectopia.
Para finalizar, Lígia Amâncio da FCT, fez os comentários finais ao encontro e, de seguida, Elisabete Caramelo, apresentou o nosso novo Guia de Comunicação de Ciência (que também merecerá um post só para ele).
Depois deste longo dia, bebemos e comemos uns aperitivos no terraço da cantina do IGC (aquele onde estão expostos as marcas, em cimento, das mãos e pés do Thiago, das mãozinhas da Ana Coutinho e de umas outras mãos não identificadas)!
Um dia bem passado onde se testemunhou tudo o bom que se passa em comunicação de ciência em Portugal. Infelizmente, notou-se a ausência de muitos projectos financiados pelo programa Ciência Viva, mas talvez a divulgação não tenha chegado a todos. Ficou presente a necessidade de mais colaborações entre os comunicadores científicos e as pessoas que fazem investigação em comunicação de ciência. E, claro, a necessidade de organizar mais eventos deste género.
Resta dizer que estamos todos agradecidos à Fundação para a Ciência e para a Tecnologia e ao British Council que financiaram esta nossa iniciativa. Agradecemos também à Fundação Calouste Gulbenkian, ao Instituto Gulbenkian de Ciência e à (nossa) Associação Viver a Ciência pelo apoio que nos deram.
Esperamos que este tenha sido o primeiro de muitos destes encontros.
Publicado por SJA às 10:56 PM | Comentários (1)
junho 6, 2006
Um evento não-científico
Na passada quarta-feira fui a um “Café Scientifique” em Cambridge, que era ao mesmo tempo, em evento “Naked Scientist”. Passo a explicar, do pouco que eu sei:
Os “Café Scientifique” existem em vários países (não em Portugal, pelo menos que eu saiba) e pretendem ser debates sobre questões científicas, em ambiente de café, com o público em geral. Aliás já estão a ver que é uma pena não haver em Portugal, com a sua cultura de café e a tradição das tertúlias, seria um sucesso. Porque em Cambridge teve que ser numa livraria, daquelas de cadeia, aberta até mais tarde só porque estava a vender livros dos convidados para o debate. O “Naked Scientist” é divulgação científica, que por esta altura faz-se sobretudo via um programa de rádio com bastante sucesso dirigido pelo Chris Smith. Isto sim, é específico de Cambridge. Portanto este evento era um encontro de café sobre ciência moderado pelo Chris Smith, com o tema “The Science of Happiness”. Até aqui muito prometedor.
O problema era que nem os convidados nem o público eram cientistas. Ou pelo menos era o que parecia ñ os únicos cientistas presentes pareciam ser eu e mais duas amigas, e o Chris Smith. O que por um lado até foi melhor, considerando que o primeiro convidado escreveu um livro com o principal objectivo de parar com a experimentação animal, usando como argumento que os animais também tem sentimentos. Não percebi muito bem porque é que não estavam lá mais dos milhentos cientistas que habitam Cambridge. Falta de divulgação? Falta de interesse? Ou será que já sabiam que isto não ia ser um evento para cientistas? Porque apesar do primeiro convidado intitular-se cientista, definitivamente não estava lá a falar como cientista, ele pôs isso logo claro. A segunda convidada era psicóloga, veio falar do seu livro “The Science of Well-Being” que pelo que eu percebi não era nada sobre Ciência, mas sim um daqueles livros de auto-ajuda. A audiência (cerca de 15 pessoas) estava lá ou para se ouvir, ou para ver se ficavam um pouco mais felizes. O Chris Smith inicialmente defendeu a experimentação em animais com alguns exemplos pouco aprofundados, e depois contentou-se em deixar aquilo prosseguir num tom não-científico, fazendo de vez em quando um comentário numa voz que deve resultar muito bem com um microfone de rádio à frente, mas que ao vivo não se ouvia muito bem.
Antes de ficarem a pensar que isto foi uma desgraça, não foi. Porque é muito melhor haver coisas deste género do que não haver nada. E é sempre fácil melhorar. Por isso, aqui fica lançado o desafio: porque não fazer um café científico (a sério) em Portugal?
Publicado por MM às 10:18 AM | Comentários (6)
junho 1, 2006
V FIIP

Organizado pelo Fórum Internacional de Investigadores Portugueses o V Encontro FIIP terá lugar no Porto, em Setembro. Esta associação tem por objectivo constituir um espaço de divulgação e aproveitamento do potencial e recursos científicos portugueses dentro e fora de Portugal, e estimular a mobilidade e a internacionalização da comunidade científica portuguesa.
No V encontro FIIP, a realizar-se de 21 a 23 de Setembro de 2006 na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, apresentar-se-ão temas da maior importância e actualidade para a Saúde, Medicina e Sociedade, em Simpósios coordenados por cientistas, de forma aberta e convidativa à compreensão e discussão por não-especialistas.
Para mais informação e pormenores sobre como participar, bem como para a própria inscrição, ir, por favor, a: http://www.up.pt/fiip2006
Publicado por SJA às 10:58 AM | Comentários (1)