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julho 26, 2006

Debate na LPN

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No Dia Nacional da Conservação da Natureza, 28 de Julho, a LPN comemora o seu 58.º aniversário, assinalando a data com a realização de um debate sobre o tema “A Conservação da Natureza e da Biodiversidade - Os Meios de Comunicação Social e a Sociedade Civil”.
As questões relacionadas com a Conservação da Natureza são muitas vezes complexas e exigentes, obrigando a soluções de consenso, num balanço que só é aceite numa sociedade informada e participativa.
Partindo de alguns exemplos concretos, pretende-se discutir e escrutinar as razões para a existência de algumas lacunas na passagem da mensagem dos especialistas e das ONGA através da comunicação social.
Consciente das potencialidades que a comunicação social tem enquanto fonte de informação sobre ambiente e ciente do seu poder na influência da opinião pública, a LPN procura, com este debate, encontrar formas de ultrapassar essas lacunas.

A LPN desafia todos quantos queiram contribuir para enriquecer este debate, que conta já com nomes respeitados dos vários quadrantes, da comunicação social, aos representantes das ONGA e outros representantes da sociedade civil.

17h - Abertura
Presidente da LPN, Eugénio Sequeira

17h15 ñ O papel da Comunicação Social: desafios e dificuldades
Pedro Brinca (Setúbal na Rede)
Carla Tomás (Expresso)

17h30 ñ Debate moderado por Mário Batista Coelho

19H ñ Bolo de aniversário da LPN

Importante - Agradece-se confirmação de presença até ao final do dia de hoje.
Tel: +351 217 780 097
E-mail: lpn.natureza@lpn.pt

Publicado por SJA às 4:05 PM | Comentários (0)

julho 25, 2006

Medicina alternativa vs. Placebo

Consideremos que:
- Os maiores factores na melhoria da condição de um doente são o tempo e a atenção que o médico lhe dá.
- Muitos doentes reagem tão bem a um placebo como a um medicamento normal
- Muitos indivíduos, se informados de efeitos secundários (fictícios) de um placebo, demonstram esses efeitos secundários quando tomam o placebo.
- Pacientes com doenças graves, se inseridos em grupos de apoio, têm melhor prognóstico do que indivíduos que lidam com a doença isolados.

Portanto:
Será que os efeitos da medicina alternativa conseguem ser totalmente explicados por factores psicológicos, entre eles o “efeito placebo”?

Curiosamente, uma das grandes dificuldades que a medicina alternativa enfrenta para se poder afirmar é precisamente a dificuldade que tem em criar placebos, ou controles negativos. Nos ensaios clínicos da medicina ocidental, um grupo de pacientes recebe o medicamento com o princípio activo, que foi desenvolvido via investigação científica, com a dose apropriada e possíveis efeitos secundários determinados em modelos animais e voluntários humanos. O outro grupo recebe o medicamento sem o princípio activo. (E é pena que não haja mais ensaios a usar um terceiro grupo que não recebe nada, o que daria melhor para testar o efeito placebo). Se o primeiro grupo apresenta melhoras significativas em relação ao segundo, o princípio activo no medicamento é considerado eficiente na dose utilizada.
O que acontece é que na maioria das terapias alternativas, é difícil estabelecer o equivalente da terapia sem o princípio activo. Para a acupunctura, por exemplo, há alguns estudos a ser feitos em que o placebo é uma agulha falsa que só pica a camada superior da pele, em vez de penetrar para as camadas inferiores como as agulhas verdadeiras. Mas há sempre o problema (o que também é uma das grandes vantagens de muitas terapias alternativas) de o tratamento ser diferente para cada doente, mesmo os que apresentam a mesma doença. O tratamento de enxaquecas, por exemplo, é apresentado como um dos grandes sucessos da acupunctura. No entanto, cada doente é examinado pelo praticante e os pontos de aplicação das agulhas podem variar de indivíduo para indivíduo. Sendo assim, torna-se difícil comparar os efeitos num doente que recebeu o tratamento com agulhas reais, contra outro que foi tratado com agulhas placebo.
No caso de terapias alternativas que consistem em ingestão de substâncias químicas, a dificuldade está em saber qual é o princípio activo, visto que o empirismo e a tradição determinam a escolha e a dose das substâncias. Alguns cientistas e/ou empresas farmacêuticas já começaram a tentar descobrir qual o princípio activo de alguns medicamentos tradicionais ou alternativos.
Apesar das dificuldades (que também são enfrentadas, em menor grau, pelos medicamentos ocidentais), os estudos para provar ou desprovar os efeitos “reais” (isto é, fisiológicos) das terapias alternativas continuam. Neste caminho, que não nego que deva ser percorrido, acho que estamos a perder uma lição importante. Os efeitos psicológicos de uma terapia podem ser muito difíceis de determinar, quantificar ou prever. No entanto, estão lá, existem e enquanto as terapias alternativas tem que provar efeitos fisiológicos para serem usadas em conjunto com a medicina ocidental, é importante não perderem as suas capacidades terapêuticas psicológicas. E talvez, quem sabe, a medicina ocidental passe a incorporar alguns destes aspectos nas suas terapias...

Publicado por MM às 5:07 PM | Comentários (0)

julho 22, 2006

Porque se fala cada vez mais em Acessibilidade?

Hoje, a Fátima Alves, explica-nos o conceito de acessibilidade.SJA

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Desde sempre, têm existido pessoas de todas as “maneiras”, no entanto, insistimos em criar um mundo só para alguns ou para a maioria (como se costuma dizer), isto é, pessoas “normais”. Desta generalidade, foi-se criando e restringindo o acesso ao espaço e à participação/utilização de bens públicos e privados. Consequentemente, a visibilidade da diferença/diversidade tantas vezes referida como essencial na evolução da espécie humana, tornou-se invisível e/ou associada à boa vontade ou infortúnio.
Hoje, com 10% da população mundial apresentando necessidades especiais e uma sociedade cada vez mais envelhecida, começamos a sentir na pele esta indiferença “fermentada” por tantos anos.
O conceito de acessibilidade tem um significado vasto, mas que se resume a que qualquer pessoa possa usufruir de forma autónoma e tirar o máximo da oferta de qualquer espaço ou sítio. Temos tendência a pensar que a acessibilidade só tem a ver com pessoas com deficiências ou que então trata apenas do acesso arquitectónico. A prática diz-nos que são bem mais as pessoas que este conceito envolve.
Para que qualquer pessoa (funcionários, colaboradores e público externo) possa entrar, estar e participar activamente em todo espaço é preciso reunir várias condições:
ACESSO EXTERNO (componente física e informativa)
ACESSO INTERNO (componente física, informativa e participativa)
Sabermos que meios de transporte, estacionamentos, entradas (degraus, rampa, elevador), que informações nos diversos meios de divulgação (site, folhetos, poster etcÖ), que conhecimentos acerca do nosso público devemos saber e vice-versa, que condições temos e o que podemos melhorar a curto ou médio prazo; estas e muitas outras questões poderão fazer a diferença, isto é, se estamos realmente a desenvolver um trabalho para Todos ou então apenas para as Pessoas do costume.

Texto de Fátima Alves

Publicado por SJA às 3:16 PM | Comentários (1)

julho 19, 2006

NANOTECNOLOGIA, O FUTURO VEM Aí!

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Voltamos a ter a honra de ter um texto de Carlos Fiolhais aqui no Conta, desta vez um original escrito de propósito para nós. Espero que gostem e que, brevemente, tenhamos mais! SJA

“Nano” é uma expressão que está em moda. O prefixo “nano” está, desde há algum tempo, a proliferar não só nos títulos de artigos científicos e patentes tecnológicas (a tal ponto que a mera inclusão de “nano” no título aumenta logo a probabilidade de publicação ou de aceitação do registo...) mas também nos títulos de jornais (já chegou até às primeiras páginas dos tablóides). De onde vem essa moda? O que tem o nano de novo?

Nanometro é um milionésimo do milímetro, ou, se se preferir, um milésimo do mícron. Se uma pequena formiga tem cerca de um milímetro de tamanho, uma célula dela tem alguns milésimos de milímetro e uma molécula orgânica tem apenas alguns milionésimos de milímetro. O mícron é a escala celular ao passo que o nano é a escala molecular. Se o insecto se vê a olho nú, uma célula dela só pode ser observada com um microscópio óptico e a molécula de DNA, no núcleo da célula, só desvenda os seus segredos mais íntimos com microscópios especiais. A molécula de DNA é bastante longa, mas a sua largura é apenas de alguns nanómetros. É elegantíssima!
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As máquinas-ferramentas da vida cujas estruturas e, portanto, funcionalidades, estão codificadas no DNA ñ as proteínas - têm o tamanho do nano. O nano é a escala das estruturas biológicas e, nesse aspecto, não há nada de novo. Estruturas desse tipo, muito complexas e por vezes ainda mal conhecidas, foram fabricadas pela Natureza, ao longo do lento processo evolutivo sem haver recurso à mão humana (a biotecnologia só recentemente explora a possibilidade de o homem interferir nos blocos constituintes dos seres vivos). Mas agora há algo de novo, de espectacularmente novo... Conhecendo bem os átomos e as suas ligações ñ e, lembremo-lo, toda a química e toda a biologia assentam na possibilidade de os átomos se ligarem em moléculas, isto é, de os átomos “gostarem” de estar juntos ñ os cientistas conseguem hoje associar, com um dado propósito, os átomos, formando novas moléculas e também novos materiais.

É isso a nanotecnologia: a construção, com precisão, de novas estruturas à escala molecular. O homem pode hoje, a um nível profundo, competir com a Natureza e acelerar a evolução (a recentíssima nanobiotecnologia não é mais do que a nanotecnologia que se pode fazer com base em alguns componentes biológicos). Para que servem as novas nanoestruturas? Para o que se quiser, sendo os limites apenas impostos pela nossa imaginação, ou melhor, pela nossa falta de imaginação. Podem servir para pura brincadeira - fazer os logotipos mais pequenos do mundo- mas também para aplicações mais sérias como o fabrico de moléculas com propriedades especiais - moléculas feitas “ao gosto do freguês”, nomeadamente com funções de sensores ou reparadores - ou materiais com propriedades únicas - por exemplo, obtidos por incorporação de certas moléculas no interior de um substracto. Há quem imagine, por exemplo, a possibilidade de desobstrução de vasos sanguíneos por nanorobôs feitos à medida, evitando assim a morte por enfarte. E há também quem imagine telhas feitas de materiais com propriedades fotovoltaicas, que não só protegem da chuva como aproveitam o sol.

A física está evidentemente por detrás desses avanços. A nanotecnologia é um esforço multidisciplinar de físicos, químicos, biólogos e engenheiros em que todos dão e todos recebem. Foi um físico norte-americano que deu a ideia ñ o Prémio Nobel da Física Richard Feynman proferiu em 1959 uma palestra para engenheiros em que disse categoricamente “há muito espaço lá em baixo”, querendo com isso significar que era possível associar os átomos de uma maneira mais ou menos livre (mais de dois milénios antes um filósofo grego, Demócrito, tinha antecipado tudo ao propor que “só há átomos e espaço vazio”). Feynman, que gostava de brincar, ofereceu um prémio de mil dólares a quem conseguisse reduzir de 25000 vezes as letras de um texto, que é a mesma mudança de escala que fazem as cartas militares ao passarem um quilómetro a quatro centímetros. Se a letra do livro for do tamanho de uma formiga, vê-se facilmente que se obtém um nanotexto...

Mas que caneta permite escrever com letra tão miudinha? O instrumento essencial da nanotecnologia só ficou pronto em 1981, quando os físicos Heinrich Rohrer e Gerd Binnig, respectivamente suíço e alemão, construíram o primeiro microscópio de varrimento por efeito túnel. Não era o primeiro microscópio que permitia ver os átomos, mas alcançava uma precisão até essa altura não atingida. Há cem anos ainda se falava de “hipótese atómica”, mas hoje falamos de realidade atómica e podemos, como São Tomé, ver para crer. O mais extraordinário é que o aparelho permite não só ver como mexer nos átomos. Hoje em dia uma universidade que se preze já utilizou um desses instrumentos para fazer o seu logotipo à escala atómica. E muitos, muitos artigos e patentes já foram publicados à custa do novo engenho. Não espanta por isso que os dois físicos, um mestre e outro discípulo, tenham ganho o Nobel da Física em 1986, escassos cinco anos depois da sua invenção. Raramente a Academia Sueca é tão rápida!

Algumas aplicações já chegaram ao mercado. Já há ecrãs de televisão feitos de nanotubos (folha enrolada de grafite) e já há calças feitas de nanotêxteis que não se sujam facilmente (o que se consegue com a tal incrustação de agregados atómicos). Já se ensaiam em pacientes alguns produtos nanobiotecnológicos. E até os advogados se apressam a registar nanopatentes enquanto os legisladores preparam novas leis sobre o que deve ou não ser permitido. A tal ponto que um mestrado português sobre “Novas Fronteiras do Direito” pediu a colaboração de um físico para comunicar o b-a-ba da nanotecnologia aos juristas. Que não haja quaisquer dúvidas: Com a nanotecnologia, o futuro vem aí... Einstein (já agora, o responsável por uma das primeiras medidas do tamanho das moléculas) dizia que não nos devíamos preocupar com o futuro, porque ele chega sempre mais cedo do que pensamos. Com a nanotecnologia o futuro está a chegar muito mais cedo do que pensávamos.

Texto de Carlos Fiolhais, Físico, Universidade de Coimbra

Publicado por SJA às 5:21 PM | Comentários (2)

julho 18, 2006

Escaravelhos

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Encontro-me neste momento a trabalhar temporariamente no Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge. Este é um local fascinante com vários séculos de História, inclusive com alguns dos animais recolhidos por Darwin na sua expedição no Beagle e várias outras amostras referenciadas regularmente em literatura científica popular. Como estou a colaborar no catálogo electrónico da colecção de insectos e têm-me aparecido espécimes de escaravelhos lindíssimos (inclusive um de Portugal em que o torso superior, mais pequeno, é vermelho, e o abdómen, maior, é verde), ocorreu-me perguntar qual é o processo que dá aquela variedade e brilho das cores metalizadas (neste momento já encontrei, em tons metalizados, laranja, roxo, azul, verde e vermelho). A resposta está num fenómeno, com o nome de interferência, que ocorre na estrutura física da quitina do insecto. Várias camadas da cutícula são compostas de espaçamentos minúsculos que permitem às ondas luminosas reforçarem-se mutuamente ou enfraquecerem. Um escaravelho verde metalizado, por exemplo, tem uma periodicidade regular que reflecte só uma gama restrita de comprimentos de onda. No caso de um escaravelho dourado (este infelizmente ainda não me apareceu na colecção), há uma variação da espessura das camadas reflectoras, resultando numa reflexão de luz de vários comprimentos de onda a partir da mesma camada. As cores causadas por interferência não são estáticas mas sim variam conforme o movimento dos raios de luz e este fenómeno provoca as cores mais puras e brilhantes de qualquer pigmento. Daí os escaravelhos terem sido usados como adornos ou pigmentos em muitas culturas.

Publicado por MM às 2:38 PM | Comentários (1)

julho 13, 2006

Quem tem necessidades especiais?

Continuamos hoje com mais uma contribuição da Fátima Alves. SJA

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Como disse no meu post anterior, trabalho há já alguns anos na comunicação/divulgação da Ciência para as pessoas com necessidades especiais, em particular, pessoas em cadeira de rodas, pessoas cegas/baixa visão, pessoas surdas e pessoas com deficiência mental. Por isso, parece-me essencial, dizer o que significa pessoas com necessidades especiais.

São pessoas, de todas as idades, que estão impossibilitadas de executar, independentemente e sem ajuda, actividades humanas básicas ou tarefas resultantes da sua condição de saúde ou deficiência física/mental/cognitiva/ psicológica, de natureza permanente ou temporária, ou seja:

1) Utilizadores de cadeiras de rodas;
2) Pessoas que têm dificuldade em andar, com ou sem ajuda;
3) Pessoas idosas debilitadas;
4) Os muito jovens (com menos de 5 anos de idade);
5) Pessoas que sofrem de artrite, asma, ou problemas de coração;
6) Pessoas com deficiência visual e/ou auditiva;
7) Pessoas que têm uma deficiência cognitiva, incluindo demência, amnésia, lesão cerebral ou delírio;
8) Mulheres em estado avançado de gravidez;
9) Pessoa com deficiências derivadas do uso de álcool, ou outras drogas como cocaína e heroína, e alguns medicamentos;
10) Pessoas que perderam total ou parcialmente as capacidades relacionadas com a linguagem (afasia);
11) Pessoas deficientes devido à exposição à poluição ambiental e/ou irresponsabilidade da acção humana.

Como podem ver, a listagem é grande!
Tenho-me concentrado em quatro delas: mobilidade / cegueira / surdez e deficiência mental. Porquê? Além da falta de tempo, tenho-me dado conta que ao criar condições/soluções para as pessoas que têm uma destas quatro deficiências, as melhorias são consideráveis no seu todo. Brevemente, nos próximos posts, irei referir algumas destas situações.

Fátima Alves

Publicado por SJA às 5:44 PM | Comentários (1)

julho 11, 2006

Mony, Mony...

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Na minha pesquisa sobre a passagem do (da?) Herceptin do domínio académico para o comercial, encontrei este conjunto de perguntas interessantes postas por Robert L. Brachi numa apresentação. Como qualquer investigação que se preze leva sempre a novas perguntas resolvi divagar e apresentá-las aqui. Para debaterem ou simplesmente pensarem no assunto. E sonhar com o dia em que vai ser mesmo preciso responder a estas perguntas no dia-a-dia da Ciência em Portugal.
Já agora, dêem a vossa opinião se Herceptin devia ser feminino ou masculino.

- As universidades devem promover, criar, gerir e/ou investir em “start-ups”?
- As instituições devem fazer investigação patrocinada pela indústria em que a universidade tem um interesse financeiro no resultado?
- Deve ser permitido ao corpo académico de uma faculdade estarem envolvidos em “start-ups” como gerentes ou directores?
- Deve ser permitido a estudantes de serem ao mesmo tempo empregados por “start-ups”?
- Deve ser permitido aos estudantes participarem em projectos de investigação académicos orientados por professores que tem um interesse financeiro no resultado da investigação?
- Se um membro do corpo académico tem um interesse financeiro numa “start-up”, deveria-lhe ser permitido fazer investigação patrocinada por essa “start-up”?

Publicado por MM às 9:27 AM | Comentários (1)

julho 10, 2006

Ciência para Todos?

No seguimento de um comentário ao post da Ana Coutinho, e devido ao excelente trabalho que exerce no Pavilhão do Conhecimento, convidei a Fátima Alves a colaborar connosco. A Fátima faz parte do Ciência Viva onde desenvolve projectos de divulgação de ciência para públicos com necessidades especiais. Para esta colaboração, abrimos uma categoria nova à qual chamamos Ciência para Todos. Esta categoria não é só para a Fátima, mas extendo desde já o convite a quem queira escrever sobre as suas experiências em comunicação com diferentes audiências.

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Acordei hoje com uma boa sensação e inspirada para viver intensamente este belo dia de sol em Lisboa, mesmo que seja a trabalhar!

Nunca pensei que ao começar este projecto, repleta de preconceitos, que trabalhar na comunicação/divulgação de ciência para as pessoas com necessidades especiais se tornasse num dos meus maiores desafios profissionais e pessoais (não, não tenho familiares com necessidades especiais). A descoberta deste variadíssimo público mudou para sempre a minha visão do mundo e das pessoas. A satisfação de ir conhecendo pouco a pouco estas diferenças, das quais todos vamos fazendo parte mas poucos reconhecem, fortaleceu a minha convicção de estar no caminho certo. E porque tudo tem sempre um outro lado, o estar associada a este público colocou-me numa situação deveras movediça. Poucos acreditam seriamente que as pessoas com necessidades especiais têm, neste mundo, o seu real lugar.

Por isso, neste espaço, tentarei expôr passo-a-passo ideias, reflexões, bons e maus exemplos sobre tudo o que envolve a comunicação de ciência para pessoas com necessidades especiais. Por favor, não hesitem em colocar-me todas as questões que tenham, tanto aqui nos comentários como para o meu email. Aos que vivem fora de Portugal e estão atentos, peço que tragam também o que vai sendo feito de novo e diferente nesta área.

Fátima Alves

Publicado por SJA às 9:51 AM | Comentários (2)

julho 7, 2006

Esta nem o Avô Cantigas

Ridiculus mus.jpg[Ciência Hoje] ñ O limite na manipulação está relacionado com a falta de conhecimentos científicos ou prende-se com o próprio sistema?

[Cláudio Sunkel] ñ Penso que os limites são intrínsecos ao sistema. O que está na moda na biologia fundamental, onde se liga a clonagem com as células estaminais e com a terapêutica, é a memória celular. Isto é, as células sabem o que são. Existem duas linhas de pensamento sobre este assunto. Os deterministas dizem que, no momento da fertilização, a célula tem bocadinhos de memória que distribuirá por todas as outras que lhe derem origem. Há outra corrente que defende a existência de mecanismos de regulação e compensação e, neste contexto, a célula tem potencial para fazer tudo. Provavelmente, a verdade está nas duas correntes. Pode estar muita informação escrita na célula original e, se calhar, está escrita de uma forma que permite uma flexibilidade que, contudo, se vai perdendo ao longo do tempo, uma vez que se vai dividindo e limitando as suas capacidades. Agora, essas limitações não parecem ser perdas de genes, caso contrário seria irreparável. A criação da Dolly permite-nos dizer que é possível eliminar a memória, como num disco rígido, e instalar um novo programa. O problema é que não o consegue instalar a 100 por cento e, então, surgem problemas no tecido muscular, infecções pulmonares, morte precoce... Aquilo que se tem vindo a perceber é que existem núcleos de determinadas células que têm maior capacidade para serem reprogramados. O truque reside em encontrar as células em fase adulta que permitirão uma reprogramação melhor. Se calhar nunca se atingirá um sucesso a 100 por cento, mas poderá chegar-se aos 95 por cento.

Cláudio Sunkel em entrevista ao Ciência Hoje a propósito do 10∞ aniversário da Dolly, explica-nos de onde vêm os bébés...

Publicado por Santiago às 2:57 PM | Comentários (5)

Olha: Outro que acha que é preciso ter estratégia...

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Não vale a pena irmos para os novos sectores tecnológicos?

Vale a pena. Mas numa lógica de pôr inovação e conhecimento no que já temos. Portugal não tem dimensão para ser relevante em nenhuma actividade dessas. Claro que temos que fazer biotecnologia mas não toda. Claro que temos que fazer novos materiais mas não todos. Claro que temos que dominar a engenharia genética mas não toda.
Como é que escolhemos? Em função do que já temos

Augusto Mateus em entrevista ao Semanário Económico

[Tenho escrito muito, mas nada que seja publicável aqui no Conta Natura (ou sequer noutros sítios, infelizmente...). Vou ter agora algum tempo para voltar a falar de áreas prioritárias e de estratégia, com mais referências ao Fórum Novas Fronteiras. Entretanto escondam do Augusto Mateus a lista dos projectos financiados pela F.C.T. no âmbito do Concurso para Projectos de I&D em todos os Domínios Científicos - 2004 para não o fazerem chorar]

Publicado por Santiago às 2:12 PM | Comentários (5)

POR QUË SÓ BONS NA BOLA?

Hoje temos outro convidado. Carlos Fiolhais é Físico (oh, não, um físico a escrever num blog de Biologia!) e um excelente comunicador de ciência que não necessita apresentações. Este desabafo sobre futebol foi escrito para o Campeão das provincias, depois da vitória de sábado, mas pareceu-me boa ideia pô-lo aqui também (apesar da recente derrota), com os devidos agradecimentos.

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O futebol é um jogo simples baseado nas leis da física. E não é preciso invocar a física mais moderna (que é necessária para transmitir audiovisualmente os jogos), mas sim e apenas a velha física de Newton. A bola é um projéctil sujeito às leis da mecânica que se aprendem na escola.

Armando Vieira, um físico doutorado na Universidade de Coimbra, publicou recentemente um artigo numa revista norte-americana em que explicava um efeito estranho no pontapé. Essa contribuição portuguesa para a ciência do futebol não passou despercebida aos “media”: o “Público”, a SIC e a Sport-TV entrevistaram-no (na última junto com o ex-goleador Mário Jardel).

Os ingleses também estudam a ciência do golo. O último “Expresso” noticiava que um físico inglês, Ken Bray, da Universidade de Bath, tinha analisado no seu livro
“How to score” (“Como marcar golos”) a melhor forma de marcar penaltis. Pesquisando jogos como o do Portugal-Inglaterra do Euro 2004, concluiu que há zonas que são alvos indefensáveis, pois estão fora do alcance do guarda-redes.

Pois no último Portugal-Inglaterra a história repetiu-se. Os jogadores ingleses não devem ter lido o livro tão premonitório (dizia que o guarda-redes pode cobrir 72% da área da baliza) do seu conterrâneo. Não houve nenhum milagre da Senhora de Caravaggio ou da Senhora de Fátima, mas sim falta de pontaria inglesa e, claro, habilidade do nosso guardião. Quanto às leis de Newton verificaram-se mais uma vez e o Ronaldo sabe tirar partido delas: um pontapé aqui com uma certa velocidade dá um golo ali, onde o “keeper” não a pode apanhar.

Vi o jogo e estou, evidentemente, muito contente com a vitória lusa. Mas, perante o desvario que grassa entre nós com o futebol, gostava de colocar uma só questão: Por que é que havemos de ser apenas bons na bola? É que os ingleses ñ e já agora todos os semi-finalistas ñ são, além de bons na bola, bons noutras coisas. Por exemplo, para não ir mais longe, nas leis da física e nas equações da matemática (Newton era inglês!). Podemos dar meças a esses países no futebol, mas não poderemos também competir de igual para igual em áreas como as ciências, as tecnologias, a inovação e a produtividade?

No futebol é evidentemente preciso sorte, mas é preciso também saber. Quem tiver treinado mais e melhor, tanto o ataque como a defesa, tem maior probabilidade de ganhar. E há factores psicológicos: é preciso querer ganhar. A nossa selecção deu o exemplo. Eu acho muito bem que sejamos bons na bola, mas não percebo por que é que só somos bons nisso. O exemplo dos nossos jovens doutores chama-nos a ser bons no resto. Olhando para quem ganha no futebol e para quem ganha na ciência, vamos lá ganhar no resto!

Texto de Carlos Fiolhais

Publicado por SJA às 12:39 PM | Comentários (1)

julho 6, 2006

A Ciência, o público, a cultura científica...e os profissionais da comunicação de ciência

Hoje temos mais uma convidada. Transcrevo aqui um artigo da Ana Coutinho, adaptado de um outro que foi publicado na Revista da Sociedade Portuguesa de Bioquímica. A Ana Coutinho é Scientific Communications Officer do Institute for Stem Cell Research (Edinburgo, Reino Unido), colaboradora para a Comunicação de Ciência do Instituto Gulbenkian de Ciência (Oeiras) e membro da Direcção da Associação Viver a Ciência. Comigo, organiza eventos de comunicação de ciência e co-editou o novo guia Comunicar Ciência.
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Era Quinta-feira e eu aguardava a minha vez de pagar as compras da semana, no supermercado. Reparei que a funcionária perguntara ao cliente à minha frente se tivera um bom dia, ao que o cliente respondeu com um murmúrio inaudível. Chegada a minha vez, imaginem a minha surpresa quando a funcionária me fez a mesma pergunta:
- Teve um bom dia?
- Sim, obrigada - respondi eu.
- Tem planos para o fim de semana?
(Tenho reparado que os escoceses têm muita curiosidade sobre o que os outros têm planeado para o fim de semana).
- Por acaso - respondi eu - vou a Bruxelas em trabalho.
- Que bom! O que faz?
- Trabalho em comunicação de ciência.
Um olhar em branco. Obviamente, “comunicação de ciência” não lhe dizia muito. Tentei uma nova abordagem:
- Trabalho num instituto onde se faz investigação científica. Dou a conhecer o que lá se faz a jornalistas, estudantes, professores, o público em geral.
- Ah - disse ela - é relações públicas.
- Sim - respondi eu, com um suspiro - sou relações públicas.
- Então bom fim de semana.
Agradeci e parti com um sorriso nos lábios ñ não é todos os dias que a funcionária da caixa de um grande supermercado mostra interesse pelo nosso bem-estar!
Para além deste incidente, têm-me acontecido outros, no último ano, que me levam a concluir que, mesmo aqui no Reino Unido, onde o movimento da chamada “compreensão pública da ciência” é tão activo, há muitas pessoas que não sabem o que é fazer comunicação de ciência por profissão. Permitam-me contar mais um destes incidentes, em poucas palavras.

Vi, há uns meses atrás, um filme produzido para a BBC que abordava o assunto polémico da investigação com células estaminais. Um dos personagens era o relações públicas de uma faculdade de Medicina: um homem arrogante, absolutamente ignorante sobre ciência, vaidoso e impiedosamente ambicioso. E conduzia um Audi TT! Obviamente, o argumentista deste filme não conhece muitos profissionais da comunicação de ciência! Eu, que trabalho na área, não conheço ninguém assim! A exibição do filme foi seguida por um debate sobre células estaminais. Falou-se também da forma como o cientista tinha sido retratado no filme. Faltou falar sobre o retrato do relações públicas, por isso dedico este artigo a esclarecer um pouco esta “nova” profissão.

Onde estão então os comunicadores de ciência, e o que fazemos? É verdade que muitos trabalham em Universidades ñ é o meu caso. Na realidade, ocupamos posições em todas as estruturas apontadas como “actores” neste movimento de promoção da cultura científica: os departamentos governamentais, os media, os estabelecimentos de ensino, os museus e centros de ciência, a indústria e o sector privado, e os centros de investigação. A maioria tem formação científica, muitos são doutorados. Alguns são, ou foram, professores. Outros vêm de áreas artísticas ñ design ou cinema, por exemplo.

As nossas actividades são diversas e variadas. Por vezes num mesmo cargo temos oportunidade (e sorte) de fazer assessoria de imprensa, escrever artigos para audiências não-técnicas, organizar iniciativas de comunicação de ciência (exposições, debates, dias abertos), organizar actividades de esclarecimento para públicos específicos (professores, estudantes, políticos e decisores), elaborar material educativo-lúdico para as escolas (material impresso, filmes, actividades plásticas).

Em Portugal, a profissão de comunicador de ciência está agora a nascer. São cada vez mais as pessoas que veêm uma carreira em comunicação de ciência como uma alternativa atraente à carreira de investigação científica. Um doutorado, em particular, possui, além da sua formação científica, outras capacidades adquiridas e desenvolvidas durante o período de doutoramento, relevantes para um mercado de trabalho qualificado e competitivo: iniciativa, capacidade de trabalho individual e também em equipa, técnicas de apresentação oral e escrita, gestão de tempo, planeamento, perseverança e pensamento original na resolução de problemas. O segredo está em reconhecer estas capacidades e alargá-las para além do laboratório (ou gabinete, ou campo).

Cada vez mais é reconhecido o papel dos profissionais da comunicação de ciência na promoção da cultura científica dos cidadãos. Num mundo em que cada vez mais os cidadãos são chamados a envolverem-se e a participar activamente nas decisões político-económicas do país (veja-se só a quantidade de debates públicos e sondagens deliberativas que são organizadas nos países do norte da Europa), a actividade dos comunicadores de ciência acaba por se reflectir também no apoio público continuado aos investimentos em ciência e tecnologia.

A Royal Society, do Reino Unido, publicou este mês os resultados de uma sondagem dos factores que influenciam a comunicação de ciência por parte de cientistas e engenheiros, feita a 1485 investigadores a trabalhar no Reino Unido. Entre as várias conclusões deste estudo está a necessidade de existir mais apoio ñ logístico, material, de ideias e de tempo ñ para os cientistas que queiram participar em actividades de comunicação de ciência. Entre estes apoios, o relatório da Royal Society refere especificamente “o apoio directo de comunicadores de ciência profissionais” que “organisem actividades e convidem os cientistas a participar”.

Na verdade, hoje já não faz sentido exigir aos cientistas que, para além das suas actividades de investigação (pelas quais são avaliados), se dediquem a planear e a coordenar também as iniciativas de comunicação do seu trabalho ao público. A sua participação é sem dúvida indispensável e fundamental, mas o planeamento, a coordenação e a gestão da comunicação do seu trabalho deverá ficar a cargo dos comunicadores de ciência. Aliás, pela minha experiência, os projectos mais inovadores, estimulantes e recompensadores (para todos: comunicadores, cientistas e audiência) resultam de colaborações estreitas entre comunicadores de ciência e cientistas!

Voltemos a Portugal. Para que a profissão de comunicador de ciência, e os proveitos decorrentes, se estabeleçam e façam sentir em Portugal, é importante que o sector público (departamentos governamentais, agências financiadoras) e o sector privado (editoras, agências de comunicação, empresas) juntem esforços no sentido de criar as melhores condições de trabalho e perspectivas de carreira para aqueles que escolhem esta profissão. No mundo académico, a atribuição de bolsas de pós-doutoramento em Promoção e Administração de Ciência e Tecnologia pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia é um primeiro passo encorajador neste sentido, que seria bom ver alargado a outras áreas - ao mundo empresarial, por exemplo. Como em tudo, e principalmente no que se relaciona com ciência e tecnologia, há que tirar partido da “matéria-prima” de qualidade que existe em Portugal, e construir um plano a médio-longo prazo para o continuado desenvolvimento do país.

Texto de Ana Godinho Coutinho

Publicado por SJA às 2:31 PM | Comentários (6)

julho 5, 2006

Dolly

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Faz hoje 10 anos que nasceu a ovelha Dolly. Dolly, que foi abatida em 2003, foi o primeiro mamífero a ser clonado a partir de células de um adulto.

Publicado por SJA às 10:16 AM | Comentários (0)

julho 4, 2006

História de uma droga - continuação

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O medicamento Herceptin, nome comercial do trastuzumab, é produzido pela Roche e é um anticorpo contra a proteína HER2 que inibe o crescimento das células cancerosas que sobre-expressam a proteína HER2.

1985 – A proteína HER2 ou NEU ou ERBB2 e o gene que a codifica são identificados.
1987 – Dennis Slamon et al (University of California – Los Angeles) descobrem que 20 a 30% dos casos de cancro da mama sobre-expressam HER2, e que estes são os casos mais agressivos.
1989 – Slamon et al descrevem a acção da HER2 em células cancerosas mamárias.
1998 – O Herceptin ganha o ok da Federal Drugs Administration, a entidade que aprova os medicamentos nos EUA. Na prática, costuma ser a primeira a aprovar medicamentos para uso no mundo inteiro.
1999 – O Herceptin começa a ser comercializado pela Roche.
2006 – Continuam em curso ensaios clínicos para determinar quais os casos e qual o regime de tratamento em que se pode usar Herceptin.

Ainda não consegui descobrir o que se passou entre 1989 e 1998, em que se deu o salto crucial entre investigação académica e investimento comercial farmacêutico. Mas estou a trabalhar no caso!

Publicado por MM às 1:17 PM | Comentários (2)

julho 3, 2006

A Consolação

wallace.jpgRealizou-se na semana passada, em Creta, a 16a edição de um workshop sobre Biologia do Desenvolvimento, com o patrocínio da EMBO. Quem dos "blogonautas" ali esteve presente e queira resumir o aprendido, o nosso endereço de correio electrónico encontra-se no canto superior esquerdo desta página.

Por enquanto, o que mais atraiu a minha atenção ouvindo um breve resumo dos acontecimentos, foi a notícia de um prémio entregue no início do referido encontro, intitulado "Franklin and Wallace" e destinado a cientistas cujo reconhecimento tenha sido inferior aos seus méritos.

Quanto ao Franklin, suponho tratar-se do Benjamin, que aliás sempre me pareceu mais ligado à tecnologia que à ciência. Perdoem-me a heresia. Além disso, que reconhecimento maior poderá ter um homem senão a presença da sua face numa nota de dinheiro?
Quanto ao outro, perguntei a um colega: "Wallace? Qual Wallace?" Responde-me ele: "Não será o do Darwin?" No mesmo instante esclareceu-se não apenas a identidade do subestimado como também a importância do dito prémio.

O optimismo cresce. Ao cabo de uma vida de artigos com impacto "assim-assim", floresce ainda a esperança de um cubo de açúcar lambido nalgum recanto tranquilo do Mediterrâneo.

Publicado por VB às 4:54 AM | Comentários (10)