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agosto 29, 2006
Ciclope
Adaptação s.f. Característica anatómica, fisiológica ou comportamental que capacita um indivíduo a prosperar no seu habitat e resulta de um processo de selecção ao longo de sucessivas gerações. Os ajustamentos que um organismo faz ao longo do seu período de vida como resposta às mudanças ambientais e que não se transmitem às gerações seguintes recebem outro nome (ver aclimatação), distinção que parece ter escapado aos responsáveis por certos dicionários, em mais uma manifestação perversa da hegemonia da cultura francófona (ver Lamark) sobre as Humanidades Lusitanas.
Publicado por Conta Natura às 5:08 PM | Comentários (0)
agosto 28, 2006
Oops! ou Cinismo na Sub-Sub-Secção
Quando rio das declarações ou actos zelotas da ultra direita religiosa yankee, nunca sei se o faço por simples alternativa ao pranto ou se por querer reconfortar a própria consciência com a noção de que todo o cidadão extra estado-unidense é isento de tais fantasias. Infelizmente, esta última é mentira, a julgar pela tinta que já rolou (por exemplo) acerca de cruzes nas escolas portuguesas, véus nas francesas ou astrónomos nos observatórios italianos.
O fundamentalismo religioso do Ocidente não tem piada alguma. Não é inócuo tanto pelas guerras que ajuda a gerar como pelo modo pragmático e metódico com que tem atentado contra as liberdades e a razão.
Na semana passada mais uma prova deu à costa: um pequeno (mesmo despercebido) artigo no New York Times fala da omissão da Biologia Evolutiva na lista de cursos a cujos alunos de baixo rendimento económico é permitido o concurso a bolsas de estudo públicas. Ironicamente, o financiamento federal foi instituído este ano pelo Congresso com o título SMART (Science and Mathematics Access to Retain Talent).
Mas a ironia não acaba aqui. A exclusão de candidatos às bolsas SMART por quererem estudar Evolução foi explicada por Katherine McLane, uma porta-voz do Departamento de Estado da Educação, como um... lapso! Uma falta (aparentemente corrigida na passada sexta-feira) por omissão de uma sub sub secção na lista de cursos aprovados pelo Governo Federal para o ensino superior. Uma coincidência curiosa.
Ainda propósito da supracitada porta-voz, foi dito por Margaret Spellings, a Ministra da Educação que a nomeou: Katherine is a talented communicator who brings experience and integrity to the position. She gained a strong understanding of education issues during her time on Gov. Schwarzenegger's staff. Perdi de novo a compostura. Ri.
Publicado por VB às 12:13 AM | Comentários (3)
agosto 24, 2006
A Maçonaria nas florestas da Nova-Guiné
Com as vénias devidas e os cumprimentos do estilo coloquei na nossa Hemeroteca um artigo publicado hoje na Nature. Transcrevo abaixo o comentário do Editor acerca deste trabalho que demonstra que o paroquialismo não é um exclusivo luso...
Confesso que não me surpreendem as conclusões publicadas, a que já tinha chegado pela observação das Faculdades de Medicina Portuguesas. A demonstrar este ponto, e por curiosa coincidência, a ilustração podia também representar uma reunião do Conselho Científico da Faculdade de Medicina de Lisboa.
Editor's Summary:
Publicado por Santiago às 2:13 PM | Comentários (2)
agosto 23, 2006
Só cá faltava o ... entretenimento científico!
O Brainiac é um programa de televisão britânico de um novo género, apelidado por alguns meios de comunicação de entretenimento científico. Eles próprios apelidam-se de parte ciência, parte efeitos especiais. Eu vi um bocadinho na Sexta (antes de desligar, horrorizada) e pareceu-me uma combinação dos piores aspectos do Banzai e do Jackass. Sorte a vossa se não sabem o que isto é. Mas julguem por vocês próprios ñ aqui vai um exemplo das experiências que eles conduziram no programa:
- Atravessar e ficar de pé numa piscina cheia de leite-creme para demonstrar as propriedades de fluidos não-Newtonianos
- conduzir experiências num pub com os reagentes disponíveis
- comer só peixe durante um mês torna-te mais inteligente?
- qual é o óleo doméstico que é mais escorregadio usado numa rampa de 70 metros
- o que é que exercita mais o teu coração: olhar para o peito de uma rapariga bonita durante trinta minutos ou fazer exercício físico durante trinta minutos? (Noto que isto é a modificação de uma experiência já publicada)
- o que acontece quando se mistura os metais alcalinos rubídio e césio a água? (provou-se mais tarde que a explosão resultante foi montada).
Publicado por MM às 12:54 PM | Comentários (4)
agosto 21, 2006
Ficção Natural: guevedoce.
Conta a lenda que perdida num oceano pouco distante havia uma ilha de gente invulgar, onde a pergunta Menina ou menino? raramente era feita à pertinaz gestante a respeito do seu embrião, mas ao(à) adolescente acerca de si próprio(a).
A culpa por tal dúvida de género provinha de uma herdada deficiência que intimidava o genótipo masculino por de trás do fenótipo oposto. Diz-se que a insuficiente produção de 5-alfa-reductase aplacava o primeiro pico de actividade da testosterona durante o desenvolvimento do macho humano. Só na adolescência viam os testículos a luz do dia, crescia desproporcionadamente o que antes se julgava clítoris, soava o soprano onde primeiro tinia o contralto e eriçava-se de penugem o que antes era "dermicamente" macio.
Naturalmente, a gente dessa ilha teria constituído uma Atlântida para os antropólogos. O conceito de comportamento desviante era necessariamente distinto do nosso. Nas festas de escola secundária, nada de dramas: ninguém era obrigado a dançar aos pares. O cor-de-rosa era considerada uma tonalidade do vermelho não apenas desprovida de nexo mas também de sexo. A primeira geração nunca fazia e (sobretudo!) impunha planos para o futuro da segunda. Cada pessoa possuía assim uma predisposição acentuada para o "normal absoluto", isto é, para a bissexualidade descomplexada.
Quanto de doença haverá afinal na insensibilidade a androgénios?
Publicado por VB às 12:00 AM | Comentários (2)
agosto 17, 2006
Visualmente a Comunicar Ciência
Seguindo a tendência deste Verão, hoje trago-vos mais uma convidada. Diana Marques é uma excelente ilustradora científica freelancer e bióloga formada em Portugal e nos Estados Unidos, com experiência de trabalho em comunicação visual de ciência para o público em geral e para a comunidade científica. Divide actualmente o seu tempo entre os Estados Unidos e Portugal, colaborando frequentemente com o museu de história natural do Smithsonian em Washington e trabalhando com clientes nos dois paises. A primeira edição do Workshop de Introdução à Ilustração Científica Digital, o primeiro do género em Portugal, esteve a seu cargo e ocorreu na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa através do Centro de Investigação e Estudos de Anatomia e Ilustração Científica entre Março-Maio deste ano. Esperamos poder contar com futuros posts da Diana. SJA

Alguma vez ouviram dizer que comunicar ciência é fácil? A favor dos comunicadores está sem dúvida a originalidade e o desconhecimento em geral dos temas por parte da audiência; mas contra, está tudo o resto: a complexidade, a linguagem específica, os mecanismos abstractos, os conceitos difíceis de transmitir e não observáveis...
Foi da necessidade de comunicar ciência e da inerente dificuldade em fazê-lo que nasceu a Ilustração Científicaóa Arte ao serviço da Ciência*.
As ilustrações científicas podem ser (e muitas vezes são) obras de arte. Mas a sua finalidade primária e razão de existência é bastante mais prática: comunicar ciência visualmente, auxiliando ou substituindo as palavras escritas e orais, para o público em geral e para a comunidade científica.
São as ilustrações que expõem o que as máquinas fotográficas nunca conseguiram ver, nos livros de Biologia Celular como funcionam os receptores das membranas e nos de Geologia o interior da Terra, para não falar das ilustrações do espaço remoto ou do fundo dos oceanos; são os painéis nas paredes dos museus que nos desvendam a aparência dos dinossauros em vida e as imagens dos artigos científicos os aspectos taxonómicos de novas espécies; são os sites interactivos e as animações que cada vez mais cativam e instruem crianças e adultos sobre o mundo da ciência.
Mas a eficácia de uma ilustração científica não resulta apenas de revelar o que de outro modo não seria observável. Na verdade, cada ilustração é a consequência de um estudo estratégico: tendo em conta a audiência, o conteúdo informativo e o suporte final da mensagem, o ilustrador edita a informação que recolheu de muitas e diferentes fontes e cria uma imagem cientificamente rigorosa, clara e apelativa, que é fácil e eficazmente assimilada.
Será que não existe alguma subjectividade no processo de edição da informação? Sim, com certeza. Por isso é que um ilustrador científico profissional tem uma preparação académica cientifica e artística e trabalha, de um modo geral, em contacto próximo com cientistas. A preocupação primária é o rigor científico, os aspectos estéticos são cuidadosamente tidos em conta de modo a não interferir com o conteúdo e apenas melhorar a sua transmissão.
Em Portugal a ilustração científica já deu os seus primeiros passos e não é arriscado dizer que há algum reconhecimento da sua existência. Workshops e cursos de ilustração científica de técnicas tradicionais e agora também de técnicas digitais ocorrem periodicamente e cada vez mais existe interesse em contar com o trabalho dos ilustradores para a valorização e capacitação da comunicação científica.No entanto, a falta de informação e ideias pré-concebidas sobre o seu uso, custos e aplicações, continuam a interferir com o papel importante que a ilustração científica pode desempenhar.
Um pouco por todo o mundo, institutos de ciência, museus, editoras e media contam com os serviços permanentes ou periódicos de ilustradores científicos e estudantes e cientistas são habilitados durante a sua formação a comunicar melhor visualmente. Como em várias outras situações, temos de olhar para fora das nossas fronteiras e seguir os exemplos de sucesso, procurar optimizar os nossos recursos para melhorar a eficácia dos nossos projectos.
Da parte dos ilustradores os esforços de sensibilização e divulgação vão com certeza continuar e vocês, da próxima vez que jocosamente vos perguntarem “queres que te faça um desenho?”, já sabem o que hão de responder... “Sim!”
Texto e ilustração de Diana Marques (*alguns dos conceitos usados foram extraídos do livro “The Guild Handbook of Scientific Illustration”, editado por Elaine Hodges, John Wiley and Sons, 2003)
Publicado por SJA às 8:23 AM | Comentários (3)
agosto 15, 2006
OTL: FameLab 2006
Em Junho teve lugar a segunda edição do FameLab, uma competição britânica anual para o melhor comunicador de ciência.
O vencedor foi Jonathan Wood, que falou da composição das teias de aranha.
De realçar o comentário no artigo da Seed Magazine, que mencionava que uma das qualidades dos cientistas que competiam que foi mais destacada pelos organizadores do evento era o de terem uma vida activa fora da ciência. Entre as actividades de tempos livres dos competidores estavam a dança do ventre, dança jive, corridas automóveis ou piloto de avião.
Embora eu seja completamente a favor da eliminação da imagem de ëgeekí dos cientistas, acho que pilotar um avião nos tempos livres é levar as coisas um pouco longe demais. Onde é que eles arranjam o tempo e o dinheiro?
Publicado por MM às 3:44 PM | Comentários (0)
agosto 14, 2006
Anel3

Foi através de um artigo da biógrafa Jean Strouse num dos últimos números do New Yorker que conheci o trabalho de Gerhard Trimpin. Com a complexidade de princípios, de definições e de origens que o presente apresenta o mundo da criação artística, Trimpin é alguém de difícil descrição. Não se trata exactamente de um outsider, uma vez que recebeu formação académica. Tampouco é um músico, apesar da busca inquietante que lhe preencheu a juventude, e do papel central que "a arte do som em movimento" desempenha no seu trabalho. Contudo, contrariamente a S. Agostinho, o autor desta definição, Trimpin quis realmente criar "sinais sensíveis" para o tal movimento, tornando-se assim escultor, inventor, matemático e físico com recurso à electrónica.
A arte de Trimpin, segundo ele próprio, consiste em esculpir para o cego "ver" e em compor melodias "audíveis" ao surdo. Foi dela que se extraiu o "Roots and Brunches", um gigante turbilhão de guitarras "auto afináveis" que decoram com forma e som o edifício do experience music project (EMP), construído com puro capital Microsoft. Outro exemplo é o "”rgão de Fogo" no qual Trinpim controla, através de um software, a intensidade da chama dos bicos de Bunsen instalados na base de tubos de ressonância, permitindo a variação de pressão e consequente produção sonora. Também aqui em Nova Iorque esteve (no Hall of Science) a instalação Liquid Percussion: um instrumento musical gigante em que a frequência das gotas de água caídas sobre diferentes superfícies podia ser controlada através de um teclado de piano.
Apesar do vínculo inquebrável com o "silicone", e que aliás parece ter motivado a mudança da sua Alemanha natal para Seattle, Trimpin diz-se defensor do acústico. Pessoalmente vejo-o como explorador dos mistérios escondidos pela superior olive. Com esta podemos determinar a origem de um som mas percebemos, a diferentes distâncias, um variegado leque de dissonâncias entre dois tons sempre iguais. Veja-se (ou oiça-se) por exemplo a sua Coloninpurple, instalada no Museu Ojay Valley em Ventura, Califórnia.
Tudo isto para trazer ao Conta a mais recente produção de Gerhard Trimpin: Der Ring3, a grande escultura sonora que recebe suspensa no átrio de entrada os visitantes do Centro Phaeno de Ciência Naturais (mais uma magnífica obra saída dos estiradores de Zaha Hadid, cujo trabalho se encontra exposto até Outubro no Museu Guggenheim de Nova Iorque). Com base num estudo anterior exposto em Seattle, Trimpin explora aqui o som do movimento perpétuo. Não tanto como "mais uma acha" para a discussão inconsequente (e, por sinal, igualmente perpétua) mas como pretexto para uma nova ideia, a instalação consiste em três esferas girando em trajectórias circulares e concêntricas dispostas numa estrutura vertical. Invisíveis, os cabos que sustentam do tecto os três elementos do trabalho ligam-se à caixa de velocidades de um motor controlado (pois!) por computador. Assim à vista desarmada, não se sabe se são eles ou as esferas a causar o "bamboleio dos anéis" e correspondente ronronar. Apenas se sabe que o ruído existe e que é atraente ou desconfortável conforme a frequência relativa dos três movimentos.
Até ao momento não me perguntei o que mais existe no Phaeno, que tem de científico ou de tecnológico e se valeu ou não a pena o dinheiro público para fachadas tão futuristas. Sei apenas que no seu dissimulado epicentro reside algo de potencialmente belo.
I try to extend the traditional boundaries of instruments and the sounds they're capable of producing by mechanically operating them. Although they're computer-driven, they're still real instruments making real sounds, but with another dimension added, that of spatial distribution. What I'm trying to do is go beyond human physical limitations to play instruments in such a way that no matter how complex the composition of the timing, it can be pushed over the limit.
Publicado por VB às 12:05 AM | Comentários (0)
agosto 10, 2006
Workshop Comunicar Ciência 2006

De 27 a 30 de Setembro de 2006 vai realizar-se no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC-INEB), Porto, o terceiro workshop Comunicar Ciência. Este workshop é dirigido a todos os cientistas portugueses e tem como objectivo principal melhorar a comunicação entre os investigadores científicos portugueses, os meios de comunicação e o público.
Este ano, o Comunicar Ciência seguirá os mesmos moldes dos seus antecessores, que tiveram lugar no IGC, em Setembro de 2003 e 2005. Desta feita, está também a ser organizado pelas organizadoras de anos anteriores, eu, a Mónica Bettencourt Dias e a Ana Paula Coutinho, e também por Julio Borlido Santos (do IBMC, Porto).
16 cientistas portugueses de qualquer área, participarão em 3 dias e meio de actividades abrangendo as várias vertentes da comunicação de Ciência para audiências não técnicas. Em suma, aprenderão a escrever comunicados de imprensa e notícias científicas, como preparar/agir durante uma entrevista e como comunicar e organizar actividades para/com vários públicos. Analisarão também várias formas de comunicar situações de risco em ciência.
As inscrições estão abertas até dia 5 de Setembro e poderão ser feitas aqui, onde também se encontra mais informação sobre o workshop.
Publicado por SJA às 2:03 PM | Comentários (0)
agosto 9, 2006
Os melhores blogues de ciência

Apesar de raros, os blogues de ciência espalhados por esse mundo fora, ainda vão sendo lidos. A revista Nature publicou no passado mês de Julho o top 5 dos blogues científicos. De acordo com Technorati, cinco blogues de ciência (dos mais de 40 milhões indexados) chegaram ao top 3500.
O blog de ciência com a posição mais elevada nesta lista é Pharyngula. Em 179º lugar, este blogue é obra de Paul Myers, um biólogo da Universidade de Minnesota. Com cerca de 20000 visitas por dia, este blogue mistura evolução com política, uma mistura algo explosiva para os EUA. Num comentário à Nature, Myers falou da importância, para a popularidade do seu blogue, de saber escrever como conversasse num bar e não como se escrevesse um artigo científico.
Os outros quatro blogues mais lidos (mas a grande distância da Pharyngula) são:
-The Panda's thumb (posição 1647)
-The Real Climate (posição 1884)
-Cosmic Variance (posição 2174)
-The Scientific Activist (posição 3429)
Publicado por SJA às 11:29 PM | Comentários (0)
agosto 8, 2006
Vai e vem
Acabei de ter uma ideia sobre uma coisa que gostava mesmo de saber. Se já tiver sido feito, agradecia que me dessem a referência. Se ainda não, que me dissessem quem me poderia contratar para responder à pergunta. Que é: em média, quem é que produz mais “papers” os cientistas que mudam de instituto de três em três anos? Ou os que ficam no mesmo grupo para doutoramento, primeiro pos-doc, segundo pos-doc? Ou seja, é verdade o mito de que a mudança é necessária para a não-estagnação científica? É que é fácil de verificar...
Publicado por MM às 6:55 PM | Comentários (5)
agosto 3, 2006
Significados duvidosos!
Hoje, a Fátima Alves, escreve-nos sobre acessibilidade. Estas perguntas são muito importantes quando, por exemplo, pensamos na organização de eventos de ciência para todos os públicos. SJA

Pictograma “reservado e/ou adaptado às pessoas com deficiência" (particularmente: pessoas com mobilidade condicionada = pessoas que permanente ou temporariamente estão em cadeira de rodas mas que facilita em muito as pessoas com carrinhos de bebé, pessoas com canadianas ou outros aparelhos de auxílio motor e pessoas com condições que reduzem a mobilidade sem que seja visível).
O Pictograma acima, universalmente conhecido, é sobretudo encontrado nos lugares de estacionamento ou para indicar os equipamentos adaptados (WC, elevadores, rampas etcÖ). Mas atenção! Mesmo com esta sinalização não quer dizer que a pessoa que se desloca em cadeira de rodas possa ter acesso ao sítio. Surgem várias situações das mais caricatas, tais como, conseguir estacionar mas um degrau da entrada não permitir andar para a frente, ou então, um pequeno degrau de 4 cm sem utilidade nenhuma pode contribuir para a queda das pessoas e limitação da pessoa em cadeira de rodas! A utilização obsessiva de degraus é abismal e a resolução destes por rampas tem principalmente uma versão radical (somente para pessoas que praticam desportos radicais).
Algumas questões relativas a pessoas com mobilidade condicionada:
- Existe transporte público acessível junto do sítio?
- Existe estacionamento reservado a pessoas com mobilidade condicionada?
- É possível uma viatura ou táxi deixar a pessoa junto à entrada do sítio?
- A porta da entrada principal permite o acesso?
- A circulação horizontal (largura dos corredores, espaço de viragem, planos inclinados, sinalização de obstáculos, abertura de portas, interruptores etcÖ) é segura e possível?
- A circulação vertical (escadas, sinalização dos degraus, rampas, corrimão, elevadores etcÖ) é segura e possível?
- Existem WC adaptados?
- Existem telefones a várias alturas?
- O bar é acessível, isto é, é possível chegar a ele?
- A sala ou o auditório permitem o seu acesso?
- Evacuação em caso de emergência, como?
- (Ö)
Eventualmente, algumas ou muitas destas questões poderão ser resolvidas com a prevenção, isto é, sabendo exactamente a situação com apoio externo (avaliação que pode ser obtida através das câmaras / associações - entidades / pessoas especializadas); poderão ser criadas soluções económicas a curto prazo ou escolher salas de mais fácil acesso. Portanto, há que tomar medidas, com um plano adequado de forma a resolver de forma definitiva estas falhas.
O importante é ter uma informação credível e que possa e deva ser divulgada de forma a não criar expectativas erradas.
Um conselho! Experimente sentar-se numa cadeira de rodas e faça o percurso desde o seu carro até e dentro do seu local de trabalho. Verifique até onde consegue chegar. Garanto-lhe desde já, uma mudança na sua percepção.
Por fim, nunca é demais repetir que a acessibilidade é uma condição essencial para a segurança, autonomia e inclusão social de todas as pessoas em qualquer espaço.
Alguns sites para consulta:
http://www.un.org/esa/socdev/enable/designm/
http://www.eca.lu/publications.php
2010 Uma Europa Acessível a Todos:
http://europa.eu.int/comm/employment_social/index/final_report_ega_en.pdf
Perguntas/Informações: comunicar.ciencia.ne@gmail.com
Texto de Fátima Alves
Publicado por SJA às 2:54 PM | Comentários (0)
agosto 1, 2006
Competição
Competição para o ImageBank de fotografias de biologia. Podem ser de trabalho de laboratório, de trabalho de campo ou ate de aspectos de educação de biociência. Primeiro premio 500£, data-limite 31 de Outubro. As entradas podem ser submetidas electronicamente.
Publicado por MM às 11:00 AM | Comentários (0)