« agosto 2006 | Entrada | outubro 2006 »

setembro 30, 2006

Ciência a nú revela-se Naturalista...

Epistemology.jpgColoquei na Hemeroteca um excelente artigo de Steven D. Schafersman escrito em 1997, que diz essencialmente tudo o que todos sempre quiseram saber sobre epistemologia de Ciência, mas tinham vergonha de perguntar.

Pelo menos desde a sua publicação permanece negada, aos partidários do Intelligent Design, a "cobiça" pelo título de cientistas. Cito de lá:

"Our culture persistently indulges and celebrates supernaturalism, and most people, including some scientists, refuse to systematically understand naturalism and its consequences. This paper proposes to show that naturalism is essential to the success of scientific understanding, and it examines and criticizes the claims of pseudoscientists and theistic philosophers that science should employ supernatural explanations as part of its normal practice."

Quero também destacar um apelo do autor, para sugerir ao Vasco que meta as mãos à obra:

"Why don't creationists attack something like thermodynamic theory or the theory of plate tectonics for a change? It is no fun to have to spend time dealing with creationist literature, but the degree of understanding of science among the public is so small that many people can be and are fooled by creationist arguments, so someone who understands the issues needs to deal with it."

Publicado por Santiago às 9:43 AM | Comentários (1)

setembro 28, 2006

Grandes Lições de Filosofia: 3a Lição

ben_invest3.jpg´[D]ie moderne naturwissenschaftliche Vernunft mit dem ihr innewohnenden platonischen Element eine Frage in sich, die ¸ber sie und ihre methodischen Mˆglichkeiten hinausweist. Sie selber mufl die rationale Struktur der Materie wie die Korrespondenz zwischen unserem Geist und den in der Natur waltenden rationalen Strukturen ganz einfach als Gegebenheit annehmen, auf der ihr methodischer Weg beruht. Aber die Frage, warum dies so ist, die besteht doch und mufl von der Naturwissenschaft weitergegeben werden an andere Ebenen und Weisen des Denkens ñ an Philosophie und Theologie. ª

Kardinal Joseph Ratzinger, Papst Benedikt XVI

Confirmando, talvez, quão absurda é esta vida, gerou-se uma enorme polémica à volta de um assunto marginal neste discurso.

Toda a filosofia de que um cientista precisa está contida no final deste magnífico texto (baseio-me agora na versão em português, com variantes que, sem criticar a tradução oficial, me parecem mais felizes): "[A] razão cientifica moderna é obrigada a aceitar a estrutura racional da matéria e a correspondência entre o nosso espírito e as estruturas racionais actuantes na natureza como um dado de facto, já que nisso se baseia a sua metodologia. Mas a pergunta: "Por que é que isto é assim?" ainda sobra, e deve ser confiada pelas ciências naturais a outros níveis e modos do pensar - à filosofia e à teologia".

Nenhum cientista (seja ele ou ela naturalista, sobre-naturalista, realista, materialista, monista, causalista, actualista ou o diabo a quatro) discordará desta tese.

É pena que os não-cientistas tenham dificuldade em perceber esta lição...

Publicado por Santiago às 8:24 PM | Comentários (12)

Grandes Lições de Filosofia: 2a Lição

hitchhikers_guide.jpg´There is a theory which states that if ever anyone discovers exactly what the Universe is for and why it is here, it will instantly disappear and be replaced by something even more bizarre and inexplicable.

There is another theory which states that this has already happened. ª

Douglas Adams

Aos que se angustiam com a noção de deverem a sua existência ao acaso de um Universo sem propósito quero recordar que a Ciência não procura consolá-los. Acusar a Ciência de não ter resposta para as questões a que ela não pode, não sabe e não quer responder, é o mesmo que acusar os golfinhos de não voarem.
Haja esperança, no entanto, porque um dia saberemos tudo.

Ou se calhar já soubemos...

Publicado por Santiago às 9:19 AM | Comentários (1)

setembro 23, 2006

Grandes Lições de Filosofia: 1a Lição

Sisyphus.jpg´Il níy a quíun problème philosophique vraiment sérieux: cíest le suicide. Juger que la vie vaut ou ne vaut pas la peine díêtre vécue, cíest répondre à la question fondamentale de la philosophie. Le reste, si le monde a trois dimensions, si líesprit a neuf ou douze catégories, vient ensuite. Ce sont des jeux; il faut díabord répondre ª

Albert Camus

O debate "evolucionismo vs criacionismo" degenerou num circo, com toda a gente a atirar muitos livros, e muito pesados, à cabeça uns dos outros (curiosamente ninguém atirou o maior e mais pesado, o que sugere que ninguém o tinha à mão...).
Antes que a tenda venha abaixo, quero dedicar esta lição, e o livro de onde ela foi retirada, ao AAA, que acha mal que os cientistas "[Tenham] uma definição reducionista de "ciência" (ou pior ainda "Ciência") que não só exclui a metafísica como nega o carácter científico a todo o conhecimento que não se enquadre num empirismo tacanho e frequentemente mal articulado pelos seus próprios defensores, que ignoram as noções mais básicas de filosofia"

Publicado por Santiago às 2:30 PM | Comentários (6)

setembro 22, 2006

Dia Europeu Sem Carros

Termina hoje A Semana Europeia Da Mobilidade. Esta iniciativa da Comissão Europeia começou em 2000, inspirou-se numa ideia francesa “En ville, sans ma voiture” com início em 1998 para fazer face aos picos de poluição cada vez mais frequentes nas grandes cidades, especialmente em Paris onde a alternância das matrículas pares e ímpares conseguia, com grande dificuldade, reduzir os níveis de Ozono e Monóxido de Carbono nos dias quentes, nublados e sem vento. A sua promoção, em Portugal, está a cargo do Instituto do Ambiente e desde 2003 não tem contado com a adesão desejada dos Municípios portugueses. Para os autarcas, a Educação para a Saúde dos seus munícipes é um assunto incómodo e que pode ser mal interpretado e até, quem sabe, custar alguns votos nas urnas.

walk on water.JPG
Em 1998, a Av. Casal Ribeiro era a principal artéria de Lisboa com níveis de poluição preocupantes. Actualmente os picos de poluição afectam todas as zonas da Baixa Lisboeta, com o corredor da Av. da Liberdade a merecer o destaque das campanhas de sensibilização da Quercus.

Muito para além do consumo de combustíveis fósseis, do efeito de estufa e do aquecimento global, a poluição tem consequências directas e indirectas sobre a saúde e o bem-estar dos cidadãos. As doenças respiratórias crónicas afectam hoje uma parte significativa das populações urbanas, contribuindo para o aumento dos custos com cuidados de saúde especialmente dos mais sensíveis: as crianças e os idosos. Por outro lado, o sedentarismo é um dos grandes responsáveis pela doença cardiovascular e pelos preocupantes valores de obesidade mórbida que, Nós por Cá, começamos a registar. Aproveite bem o dia para marchar, com vigor e boa disposição. Tem o terreno livre!

Publicado por RPA às 4:48 PM | Comentários (1)

setembro 21, 2006

As aparências iludem

ears 005.jpgbird_of_paradise-thumb.jpg






















Estas duas imagens parecem diferentes, mas são idênticas num detalhe. Consegue descobri-lo?

Ambas representam casos em que a Natureza não favoreceu os mais férteis ou os mais ágeis.

Isto serve-me para falar da frase "survival of the fittest", que deve ser entendida e usada (sobretudo usada...) com muito cuidado, porque a palavra "adaptação" (em americano: fit) não representa a mera soma algébrica dos conceitos acima sublinhados.

Definir "fit" como o faz o João Miranda [cf. a definição de "adaptado" tem que ser equivalente a "sobrevivente", sendo que um sobrevivente é "aquele cujos genes sobrevivem") transforma a frase numa tautologia com reduzido interesse científico. O João Miranda, com o brilhantismo (mas também a teimosia) habitual, demonstra-o cabalmente no post linkado.

Já a definição do American Heritage Dictionary [fittest adj. 1....2....3....4....5....6.Biology. a) being adapted to the prevailing conditions and producing offspring that survive to reproductive age. b) contributing genetic information to the gene pool of the next generation. c) (of a population) maintaining or increasing the group's numbers in the environment] inclui aquela subtil alinea c que, ignorando a transmissão genética, nos explica porque é que os agricultores repetidamente se dão ao trabalho de cruzar duas variedades diferentes para produzir milho híbrido.

Publicado por Santiago às 11:28 PM | Comentários (4)

O Negócio É Números

O matemático americano milionário James Simons descobriu uma nova fórmula que poderá ser útil ao Ministério da Educação português, mas também poderá levantar discórdias com o Ministério das finanças. O que se pretende é juntar os melhores professores de matemática e pô-los a fazer o que sabem fazer melhor: Ensinar Matemática.

simons_article.jpg

Para isso contribuiu a pacificação das suas mentes com a oferta de prémios convidativos e competitivos com qualquer outra carreira, especialmente para os que abandonaram a sua actividade e se dedicaram a outros ramos de actividade bem mais lucrativa. Em cima do salário os matemáticos convidados auferirão mais USD$ 90.000.

Os resultados já se começam a observar em Manhattan, região onde de forma privilegiada este programa começou, com o regresso de engenheiros informáticos em funções e investigadores universitários às escolas secundárias e ao contacto com os alunos de Nova Iorque.

O programa iniciado em 2004 com um investimento inicial de USD 25 milhões recebeu agora, esta semana um reforço de mais 25 milhões o que permitirá garantir o emprego de luxo a 400 professores de matemática naquele estado. Entretanto já foram iniciadas negociações com o governo federal que poderão abrir este programa a todos os estados. Recordamos aqui que o James Simons iniciou a sua carreira ao abrigo de um programa de reforço educativo lançado durante a guerra fria em resposta ao, bem sucedido, programa soviético Sputnik.

Aparentemente, a ideia terá surgido à volta de uma mesa de Poker, em 2003, quando Simons se encontrava em Berkeley num torneio, com fins carititativos, de jogadores de Poker. Ao conversar com alguns ilustres colegas matemáticos presentes apresenta-lhes a ideia de “Matemática para a América” que recebeu de imediato bom acolhimento. Aliás, uns anos antes já tinha escrito um editorial para o New York Times onde afirma a necessidade de “Have the people who know the subject teach the subject, and provide them with the money, training, and support they need to do so.”

É bom recordar aqui que o desinteresse pela matemática não é, apenas, um problema português. Recentemente, os E.U.A. ficaram colocados em 24º lugar numa lista com 29 países participantes no que toca ao nível de conhecimentos na disciplina de matemática.

Talvez Portugal não tenha mecenas com este interesse pela matemática e talvez não tenha matemáticos com esta fortuna, mas muito pode ser feito em termos de redireccionamento dos investimentos e de poupanças no desperdício para poder incentivar as áreas mais carenciadas como a matemática e a língua portuguesa. No fundo, trata-se de lidarmos com as nossas "paixões pela educação" com a maturidade politica e vontade de concretizar que se exige a um governante com a pasta da Educação.

Publicado por RPA às 6:37 PM | Comentários (0)

setembro 20, 2006

Inconveniências Da Verdade E Da Mentira

Um furacão de nome Gordon ameaçou os Açores na passada madrugada, passeando-se a uma velocidade de 25 Km/h com ventos a alcançarem os 195 Km/h. Estimou-se que deveria tocar no grupo ocidental (Flores e Corvo) ao fim da noite e pela madrugada avançar certeiro para o grupo central, tocando o Fail, o Pico, S. Jorge, Graciosa e Terceira.

Em Angra do Heroísmo, na véspera, à noite, um jornalista da RTP afirmava às 19 horas locais que “esta brisa que paira é o prenúncio do furacão que aí vem”. Confesso que não pude conter um sorriso perante o desejo quase sádico pelo desgraça. Acabei, no entanto por percurtar naquelas palavras outras verdades.

Gordon.jpg

Apesar dos cálculos e das estimativas, felizmente, o furacão Gordon inflecte o seu caminho e passa justamente entre a ilha Terceira e São Miguel, fazendo-se sentir com ondas de mais de 6 metros que foram usadas para justificar às populações diante de um outro jornalista, desta feita da SIC, que questionava com indignação diante do técnico do Instituto de Meteorologia (e de todos quantos assistiam ao Jornal da Noite) a existência do dito furacão, deixando o senhor completamente suspenso e empalidecido pelas manchas brancas em remoinho que se destacavam do plasma gigante ligado ao satélite. É sempre bom recordar que nesta temporada (que começa a 1 de Junho e termina a 30 de Novembro), o Atlântico Norte já conheceu três furacões (Ernesto, Florence e Gordon) e entretanto a oitava depressão extra-tropical vem a caminho sorrateiramente, com o nome sereno de Helene.

Estes “amores perfeitos” do jornalismo televisivo em Directo mostram-nos como até sabe bem um espectáculo que a natureza nos oferece de quando em vez e que lamentável que é não ter havido mais estragos, mais desgraças para mostrarÖ Nós também temos o nosso Katrina!

commence_graph3.gif

Pura coincidência, o dia acabou em Lisboa (sem vento forte e sem chuva), a entrar para uma sala de cinema para assistir a “An Inconvenient Truth” que recomendo vivamente a todos. A coincidência sai reforçada porque na véspera do episódio Gordon, o Canal 2 emitia um programa sobre Global Warming e mostrava as temperaturas médias registadas ao longo de Mil anos. Vejam e digam-me se podemos ficar indiferentes!

Em paralelo foram revelados no filme os níveis médios de CO2 que nunca ao longo das sete últimas eras glaciares ao longo de mais de 650.000 anos nunca ultrapassaram as 300 pp/milhão e que em pleno ano 2005 vão a caminho do dobro e em 2100 poderão ser 2-4 vezes superiores ao limite máximo atingido em mais de meio milhão de anos! É impressionante o que somos capazes de fazer!

CO2 global warming.gifCO2 and future emissions.gif

O dito filme recorda uns episódios que nós, aqui no conta, associámos há uns tempos atrás, antecipando umas publicações na Nature e que envolviam a indústria petroquímica americana às alterações catastróficas da atmosfera como o número de furacões registados nos últimos anos, a subida da temperatura global médiañ 2005, o ano mais quente de sempre - sempre no contexto da história da humanidade, claro está (dentro da sopa primeva, os 54º C registados na índia pareceriam um refresco). Na altura, aquele post no Conta gerou muita contestação, questionando o que as publicações cientificas teimam associar e que este filme uma vez mais vem reforçar: o aquecimento global e os gases com efeito de estufa e as suas consequências meteorológicas e ambientais.

Não há neste momento dúvida científica sobre o aquecimento global e as dúvidas que poderão surgir sobre o efeito dos gases fazedores de efeito de estufa na temperatura, tão pouco continuam a ser razoáveis do ponto de vista do bom senso. A coincidência das oscilações de ambos ao longos dos séculos são demasiado evidentes para poderem ser negadas. Tal como não há dúvidas entre o aquecimento dos oceanos e o aumento no número de tempestades e furacões registados nos últimos anos. Se juntarmos os 5 anos mais quentes do último século, ocorreram nos últimos 8 anos! São eles 2004, 2003, 2002, 1998 e 2005, por ordem crescente.

An Inconvenient Truth.jpg


Houve, ao longo de todo esta administração Bush, uma campanha de desinformação do público baseada na descrença das fontes científicas persistentemente ameaçadas e silenciadas. Os meios políticos nos E.U.A., supostamente democráticos, usam o poder para defender seus próprios interesses económicos no domínio do petróleo e derivados. O problema é que os seus interesses são incompativeis com o desejo de mantermos o planeta habitável. De longe, e sem qualquer espaço para dúvida, a economia menos eficiente do mundo é o maior poluidor do planeta. Compreende-se por que razão a par da Austrália, interessada que está na vigilância dos recursos petrolíferos do mar de Timor, a administração Bush não ratificou os acordos de Quioto!

O que faremos nós se metade da Antarctica descongelar e o nível médio das águas subir seis metros? O que dirão os Holandeses sem terra? O que poderemos dizer da região de Xangai ou de todo o Bangladesh e da índia perante estas subidas onde vivem dezenas de milhões de habitantes? O que diria o nosso Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados já aflito com umas centenas de milhar? O que faremos nós se a Gronelândia desaparecer e ao libertar a sua água doce destruir o motor de correntes quentes do Atlântico Norte lançando o rigor dos invernos da Sibéria sobre todo o sul da Europa?

Mas se acham tudo isto ficção vejam com os vossos olhos as imagens “Antes e Depois” de vários locais do mundo com distâncias de 10 anos. Uma única década.

Para já e para começar vejam o filme, depois vão ao site e comecem a fazer força, porque todos não seremos muitos para suportar o peso das consequências desta verdade tão inconveniente. Como dizia o correspondente açoreano do canal público, e afinal bem, “esta brisa que paira é o prenúncio do furacão que aí vem”!

Publicado por RPA às 2:35 PM | Comentários (0)

setembro 19, 2006

O Eterno Retorno

Não irei aqui discutir o obscuro pensamento filosófico de Friedrich Nietzsche talvez moldado pela sua frágil saúde mental mas a expressão por ele cunhada serve-me bem para recordar que se comemorou no passado Sábado, dia 16 de Setembro, o Dia Internacional para a Limpeza Costeira. O Conta Natura também esteve presente em Sesimbra, em pleno Parque Natural Marinho da Arrábida Professor Luiz Saldanha, ajudando a recuperar aquilo que o mar tem para nos devolver. Criado em 1998 a sua mise en place tem gerado ultimamente alguma contestação, e logo por parte daqueles que deveriam ser os maiores interessados na preservação do meio aquático - os pescadores. Aqui, é possível testemunhar as belezas de um passeio através de um jardim submerso já plantado, muitos milhares de anos antes da inauguração. Aqui, os encontros com chocos, robalos, vejas, lírios, bodiões, peixes trombeta, e santolas gigantes não são invenções do narrador, mas uma excitante realidade que está ao alcance de todos desfrutar.

241602165_442d262ab1.jpg

Então, por que razão somos testemunhas de tanta falta de civismo, com laivos de terrorismo ambiental por parte daqueles que vivem no mar, do mar e com o mar? A profissão com acento maioritário entre os apóstolos tem sido alvo de descrença recente e de alguma perseguição. Quem experimenta a vida de um porto ou priva acidentalmente com os homens do mar conseguirá compreender através deles a dimensão do conceito matemático de infinito. Para um pescador o mar não tem limites, os recursos marinhos são inesgotáveis e toda e qualquer restrição imposta é um atentado à classe, à sua indubitável bravura e valentia. As autoridades do mar são empecilhos à sua nobre actividade profissional, tal como a lei de protecção ambiental encerra um delírio persecutório orquestrado por uns senhores engravatados para dar um sabor nitzschiano à sua existência...

Quem para além de os conhecer, de com eles trocar algumas palavras, conseguir ver o fundo do mar, verá as consequências do desrespeito que a natureza humana tem, logo à partida, pelo “infinito”. Os sacos de plástico pairam no fundo, resistentes às variações da temperatura da água, de pressão e salinidade, das correntes e da profundidade; as gaiolas para apanha de crustáceos perdidas às dezenas mais os cabos cortados que criam teias grosseiras com origem no engenho de uma aranha subaquática imaginária, acrescentam um ar sombrio ao fundo apenas quebrado pela surpresa das latas de cerveja, infelizmente sempre abertas, ou das garrafas de vidro que adivinham outras paródias à superfície.

241727557_22de991c73.jpg

Não, os mares e os oceanos não são infinitos. Serão muito maiores do que os nossos espíritos menos abertos, mas são claramente pequenos perante a nossa capacidade de gerar desperdício. É fundamental cuidarmos daquilo que escasseia a uma velocidade impressionante, por culpa do incumprimento das leis por parte daqueles que têm interesse em que o mar ainda tenha algo para oferecer às redes em 2030 mas por culpa também de todos nós, os outros, os que frequentamos as nossas praias todos os anos e que atiramos para a areia e para o mar desde as irritantes beatas flutuantes, aos palitos dos gelados, até aos indecorosos sacos plásticos que deveriam ser taxados como produto nocivo para a saúde ambiental.

Para contribuir para a sensibilização de todos para a importância da preservação do meio marinho a International Coastal Cleanup mobiliza desde 1986 nos E.U.A. muitos milhares de voluntários na limpeza das linhas de costa. Ao longo dos últimos 20 anos e agora com a colaboração de muitos outros países, nos cinco continentes, foram reunidas várias toneladas de lixo em todo o mundo.

Aquilo que atiramos ao mar é uma traição àquilo que dele recebemos. A generosidade dos mares e oceanos é tão grande que tudo nos devolverá um dia, a qualquer hora, talvez com juros, eternamente, enquanto por aqui andarmos.

Publicado por RPA às 6:51 PM | Comentários (0)

"Only entropy comes easy"

Grande Pyramide.jpgEscreveu-me o Paulo Pereira comentando um post em que refiro a 2a Lei da Termodinâmica. Chama ele a atenção para um curioso problema que a maioria dos "evolucionistas" finge ignorar.
Diz o Paulo:


Caro Santiago, belíssima posta, salgada qb.
Aproximavas-te do ideal do post perfeito, quasi concluindo a quadratura do círculo perfeito, quando deixaste uma ponta solta. Evocar a Segunda Lei da Termodinâmica foi o teu momento de fraqueza. É que muito pouco escapa a um Criacionista atento e interessado, como podes ler no post seguinte. O primeiro parágrafo não tem nada a ver com a discussão, mas parece-me muito interessante e estimulante.

“Believe it or not, you were perfect when you were born. You were obviously healthy if you are posting here today, you hadn't sinned, and were making choices and using your free will, though they were small choices. Unfortunately, later in your life you made some bad choices and now you are a sinner, but remember, God MADE you perfect.

One of the most basic laws in the universe is the Second Law of Thermodynamics. This states that as time goes by, entropy in an environment will increase. Evolution argues differently against a law that is accepted EVERYWHERE BY EVERYONE. Evolution says that we started out simple, and over time became more complex. That just isn't possible: UNLESS there is a giant outside source of energy supplying the Earth with huge amounts of energy. If there were such a source, scientists would certainly know about it.
(Post por awesomesternerd)


Terá o awesomesternerd encontrado a chink in the armour? Estará aqui a falha que fará ruir estrepitosamente todas as Teorias sobre a evolução das espécies? Será esta a little rift within the lute/ that by and by will make the music mute/ and, ever widening, slowly silence all (Tennyson)?

Não perca os próximos capítulos do folhetim Darwin era um gajo termodinamicamente analfabeto!

Publicado por Santiago às 2:35 PM | Comentários (11)

setembro 18, 2006

Os Batas-molhadas

labcoat11.jpgNão se refere este post a um qualquer concurso estival para a eleição da(o) mais sexy cientista do ano. O título, por afinidade à sempiterna problemática de quem cruza a fronteira a salto, alude a um outro tipo de problema: qual o nível de tolerância racial dos cientistas. Ou, ainda mais simplesmente: os chineses.

Tenho encontrado vários elementos de racismo antiasiático no comportamento de um número crescente de colegas. Um desses elementos é o estereótipo fácil, invariavelmente associado a aspectos "desagradáveis" à "etiqueta ocidental". Outro é a frequência com que a etnia é usada na identificação do sujeito pelo narrador caucasiano em acções condenáveis: "O chinês deu uma canelada ao John". Um último exemplo é, como analisa Cornell West no seu Race Matters, o constante relevo dado às acções imorais dos marginalizados ignorando a responsabilidade pública pela circunstâncias imorais que os afectam.

A extensão destes e outros "sacramentos racistas" à nossa comunidade científica tem como grande bode expiatório o vínculo entre raça e cheap labour. Não são incomuns os casos de pos-docs chineses a ganhar muito menos que "os outros", apenas descobrindo o "ardil" anos mais tarde, na hora do despedimento. Talvez isto se deva em parte ao preconceito comum de que os chineses comem qualquer coisa e vivem todos juntos, naquele quarteirão onde tudo é mais barato. Aliás a própria "guetização" dos cientistas chineses é apresentada como consequência exclusiva do comportamento dos mesmos. Também conhecem-se exemplos de investigadores principais que vêem as mãos chinesas como laboriosas, incansáveis e dispostas a trabalhos de terraplanagem. Dessas sobre as quais depositam um estojo para géis de electroforese antes de trancá-las no armário do vão da escada e esperar o "Pdf" num par de horas.

Sendo o racismo independente da educação, não deveríamos esperar ao menos algo da inteligência? Pessoas com doutoramento em ciências ainda são capazes de cair na armadilha do "vêm para cá roubar-nos as posições"?
E quem poderá ainda crer naquela máxima de velhos apaziguados: "Em ciência só conta a razão"? Com efeito, acho mesmo o contrário, isto é, que com tantos desconfortos antichineses esquecemo-nos de perguntar o que se faz no país que levou a cabo a sequenciação da Oryza sativa. A sabe-lo, nós os falantes de inglês esqueceríamos o mito do tecnológico chinês e descobriríamos a utilidade de mais traduções de relatórios. É mais vantajosa a tolerância que a simples utilização de beldades para salvar a honra a filmes de terceira.

Publicado por VB às 12:45 AM | Comentários (0)

setembro 17, 2006

Do Not Forsake Me, Oh My Darlin'

high3.gifO Vasco Will Kane Barreto aceitou o repto de Jónatas Frank Miller Machado para um debate entre duas perspectivas algo diferentes de explicar o fenómeno da evolução das espécies. Quer-me parecer que hoje em dia não há ninguém em "Hadleyville" que duvide da realidade deste fenómeno, e que por isso o debate se centrará exclusivamente sobre qual o mecanismo que melhor o explica.

Se a discussão afinal vier a ser sobre a própria ocorrência do "fenómeno evolutivo", serei obrigado a procurar outro filme para ilustrar o debate...

A primeira salva do Vasco foi dada aqui. Enquanto aguardo com expectativa os futuros desenvolvimentos, dedico ao nosso héroi uma curta sinopse desta


Story of a man who was too proud to run

Due to the townspeople's cowardice, physical inability, self-interest, expediency, and indecisiveness, he is refused help at every turn against a revenge-seeking killer and his gang. Fearful but duty-bound, he eventually vanquishes the enemy, thereby sparing the civilized town the encroachment of barbaristic frontier justice brought by the deadly four-man group of outlaws. Embittered by film's end, he tosses his tin star into the dirt of the dishonorable frontier town.

Publicado por Santiago às 2:02 PM | Comentários (0)

setembro 15, 2006

Fórum Ciência e Comunicação

Cartaz_Forum .jpg

Publicado por SJA às 10:56 AM | Comentários (0)

GM kids

GMkid2.jpg

Publicado por VB às 10:28 AM | Comentários (0)

setembro 14, 2006

Debates sem graça

Meaning of Life.jpgO João Miranda, no seu jeito habitual, decidiu desafiar o pessoal para um debate entre criacionismo e evolucionismo. O desafio é apresentado ao estilo Monthy Python com um texto que me fez lembrar a fala final de The Meaning of Life. Cito:

Finally, here are some completely gratuitous pictures of penises to annoy the censors and to hopefully spark some sort of controversy, which, it seems, is the only way, these days, to get the jaded, video-sated public off their fucking arses and back in the sodding cinema.

(Fim de citação. Remeto para outros web sites os amáveis leitores em busca das tais ilustrações)

O post é enfeitado com três "ilustrações gratuitas":

1. Não se deve chamar ignorante ao adversário por muito que ele pareça ignorante

E "demonstra" que Jónatas Machado não é um "ignorante científico" (como foi acusado por Paulo Gama Mota) com um review dele a um livro (à venda na Amazon) chamado Genetic Entropy & the Mistery of the Genome. Da leitura desse review extraí uma conclusão diametralmente oposta à do João Miranda, mas confesso que, tal como um amigo meu, me sinto derrotado por K.O. técnico em face do tipo de argumentação que o Dr. J Machado utiliza.
Leiam o review e tirem as vossa próprias conclusões.

2. Deve-se perceber o que o adversário diz antes de lhe responder

Não vou discutir a "profundidade" da frase. Note-se que ela serve para argumentar que as "ciências históricas requerem uma teoria metafísica sobre o tempo", interrrogando-se depois o João Miranda como é que Paulo Gama da Mota prova que o tempo existe.
Não é problema que me tire o sono (nem ao P G da Mota, quero crer), mas sempre acrescento que Ciência é uma actividade que procura explicar o mundo natural por causas naturais. Invocar nesta discussão "metafísicas" (sobre o tempo, sobre o espaço ou até sobre o comportamento da vizinha do 5∞ esquerdo) é fugir daquela parte que diz "causas naturais", para desviar a conversa para o campo da controvérsia estéril, onde o João Miranda se sente bem. Se ele quiser discutir ciência com cientistas não devia puxar a conversa para fora do mundo natural e das causas naturais.
Afinal, os Monthy Python não precisaram para nada de "ilustrações gratuitas de pénis" para levar o pessoal a ver o filme deles. O João Miranda é bom que chegue no campo mencionado e também não devia precisar delas.

3. É um erro pensar que se pode ensinar ciência sem ensinar filosofia

Esta frase é mais uma "ilustração gratuita": Expressa uma opinião, respeitável sem dúvida, mas não mais que uma opinião. Fica essa opinião a carecer de uma definição do que entende o João Miranda por "filosofia". Eu, que sou cientista, digo-lhe de caras exactamente o oposto: "É um erro pensar que é preciso ensinar filosofia para ensinar ciência".

Se os problemas do João Miranda são a "metafísica" [da] "existência de uma realidade independente do observador", [a metafísica da] "existência de espaço" e [a metafísica da] "existência de um tempo que se prolonga até a um passado remoto" então não é ciência que ele quer discutir. O que ele quer é desviar a conversa para fora do campo das "coisas naturais" (ie: das coisas observáveis, mensuráveis, pesáveis e quantificáveis) para os chamados terrenos do blah, blah. Muito poucos cientistas o acompanharão nessas paragens.


Não debato nenhuma dessas "gratuitous pictures", sobretudo com o João Miranda. Sugiro um debate diferente, centrado nas duas proposições seguintes:

1) Não existe uma "ciência da metafísica", nem sequer uma "metafísica da ciência". Todas as Ciências são "ciências físicas".
É possível que, no fim de contas, o mundo natural não possa ser explicado unicamente por "causas naturais" e por isso os cientistas deviam ser agnósticos. É importante notar que a consequência lógica do "postulado fundamental" da actividade científica não é a metafísica de pacotilha, mas sim o aprofundamento da investigação científica sobre as causas naturais dos fenómenos naturais...

2) A Teoria da Evolução (chamemos-lhe assim) é um péssimo exemplo da necessidade de invocar "forças sobrenaturais" para explicar o mundo em que vivemos. Usar um fenómeno que podemos explicar inteiramente pela acção de "causas naturais", como evidência da operação de "forças sobrenaturais" é absurdo.
A Segunda Lei da Termodinâmica é bem mais sugestiva da intervenção de "Entidades Superiores" nos nossos "current affairs". Não seria mais inteligente debater essa "metafísica", e deixar o pobre do Darwin em paz?

Publicado por Santiago às 3:34 PM | Comentários (1)

setembro 12, 2006

Ciclope

ciclope.jpgAlvarez, Luis (1911 ñ 1988, pai de walter) e gehrels-iridium.jpg
Walter (1940-, filho de Luis)
Dupla que descobriu níveis de irídio acima dos valores normais - a anomalia de irídio - numa camada argilosa que data do topo do Cretácico. O irídio é um elemento muito comum em corpos meteóricos, levando à proposta de que um gigantesco asteróide ou cometa colidiu com a Terra há cerca de 65 milhões de anos. Daí teria resultado um levantamento de partículas que ensombrou o planeta, afectando a produção fotossintética e susbsequentemente todos os níveis tróficos, para culminar numa extinção em massa. Sem pôr em causa a validade da hipótese, não é de excluir que a ideia para este negro cenário seja um efeito secundário da sublimação do complexo de Édipo; não deve ter sido fácil ao geólogo Walter suportar a colaboração com o físico de partículas Luis, sobretudo ao perceber que, tantos anos passados, era ainda o pai quem lhe corrigia as contas.

Publicado por Conta Natura às 8:39 PM | Comentários (1)

setembro 11, 2006

Mosquito na Sopa

palu4.jpgSendo uma das principais causas de morte entre membros da nossa espécie, a infecção por Plasmodium falciparum através de vectores do género Anopheles duplicou nos últimos vinte anos e duplicará novamente no próximo par de décadas. Esta e outras doenças de epidemiologia semelhante, continuam a ser o estigma dos países pobres.

O uso de vectores geneticamente modificados no combate a doenças transmitidas por insectos conheceu um incentivo recente com a atribuição de cerca de 20 milhões de dólares a um grupo de investigação sediado em Irvine, Califórnia, por parte da Fundação Bill e Melinda Gates. Com o objectivo de impedir a transmissão substituindo populações de vectores por outras de mosquitos resistentes, a iniciativa tem suscitado um debate que já vai entrando na adolescência. Alguns pontos óbvios nesta contenda:

1. A dificuldade em produzir transgénicos viáveis e resistentes aos respectivos parasitas.
2. A desigualdade nas prioridades: de um lado as ditas "modernas", reforçando a Biologia da molécula, do outro, as "retrógradas", que têm em conta a das populações e a Ecologia.
3. O desvio de fundos de programas de luta antivectorial já vigentes.
4. O impacto do uso de organismos geneticamente modificados para o combate de uma doença sobre a epidemiologia de outras doenças que partilhem a geografia.
5. Os mecanismos de selecção de agentes que escapem à resistência dos novos vectores. Este é um ponto de particular atrito entre "molecularistas" e "acautelados", sobretudo após a sequenciação do genoma dos quatro agentes do paludismo humano de um dos seus numerosos vectores.
6. O perigo de um reducionismo déjà vu (as plantas geneticamente modificadas acabarão com a fome no mundo!) que permita a paliação das consciências "bem", de preferência acompanhada por uma "lubrificação" de impostos avultados.

A democratização da ciência e da tecnologia é um termo que surge com frequência na discussão global acerca da luta contra o paludismo. Consequentemente, também neste campo a neblina impera sobre as definições. Segundo Christophe BoÎte, investigador francês em Ecologia Evolutiva e autor de um artigo recente abordando este assunto, dos quatro principais fóruns realizados até à data afim de clarificar a "sociedade civil" sobre esta abordagem científica, apenas um ocorreu em solo africano (Nairobi, 2004).

O paludismo foi erradicado da Europa e América do Norte (Canadá, EUA e México, para os menos informados) sem recurso a conhecimentos genómicos e por acção de desenvolvimentos económicos e sociais gerados por uma evidente vontade política. Que dividendos poderá tirar um investimento em tecnologia "de ponta" sem uma campanha durável, abrangente e sustentada?

Publicado por VB às 3:58 AM | Comentários (3)

setembro 9, 2006

Em defesa dos geeks do mundo inteiro.

569.x231.ft-002.jpg
O tema principal da semana passada foi, na Time Out New York, uma classificação em paródia de vários estereótipos do nerd na cidade, dita New Dork City.

Claro que a primeira e mais evidente vítima da lista é o ur-nerd, o cientista caixa d'óculos, alérgico ao desporto, com o nome escrito nas cuecas e (principalmente) retratado pelo homem da Microsoft. Confesso: causou-me mais desconforto isto que qualquer brasileiro a contar piadas de padaria.

Felizmente, neste último número, a carta eleita como da semana foi escrita por uma colega minha defendendo com unhas e dentes a coolness do cientista. Pena é que a mensagem confirme o que afinal tenta negar. Mais, o meu optimismo obriga-me a crer que a frase que conclui a missiva tem como único objectivo o riso do leitor.

Publicado por VB às 12:36 AM | Comentários (2)

setembro 8, 2006

V FIIP

FIIP.jpg

De 21 a 23 de Setembro decorrerá o quinto encontro do Forum Internacional de Investigadores Portugueses (FIIP), na Biblioteca Almeida Garret, Palácio Cristal, no Porto. Este encontro, dedicado ao tema da Biomedicina, reunirá cientistas de renome internacional, estrangeiros e portugueses, a exercer as suas actividades dentro e fora do país. A cerimónia de abertura, a realizar-se pelas 09H00 do dia 21 de Setembro contará com a presença do Ministro da Ciência e da Tecnología e do Ensino Superior, Prof. Doutor José Mariano Gago, e do Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Rio.

Para além da comunicação dos mais recentes resultados de investigação de ponta, o encontro fornecerá um espaço para a reflexão e debate sobre o papel da Biomedicina no mundo de hoje, no que respeita à competitividade, ensino das ciências e questões de cultura científica e democracia inclusiva.

Serão abordados tópicos nas áreas prioritárias de infecção e cancro, memória e cognição, epidemias víricas, bioengenharia e bionanotecnologia. O encontro contará ainda com mesas redondas abrangendo o empreendedorismo, o futuro da engenharia biomédica em Portugal e a comunicação e ensino das Ciências da Vida.

O encontro é organizado pelo Fórum Internacional de Investigadores Portugueses, cujo objectivo é estimular a organização, a mobilidade e a internacionalização da comunidade científica portuguesa, nomeadamente através da promoção de redes temáticas de Ciências e Tecnologia. Conta com os apoios da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Publicado por SJA às 4:36 PM | Comentários (2)

setembro 7, 2006

Ciclope

ciclope.jpgangstrom.pngAngstrom, Anders Jonas (1814 ñ 1874). Físico e um dos pioneiros da espectroscopia. Voyeur noctívago: ~ foi o primeiro a observar detalhadamente o espectro da Aurora, a Boreal. Modéstia e poder autárquico: o angstrom é uma unidade de comprimento bastarda (ver S.I.) mas internacionalmente aceite, que corresponde a 10-10 m, cerca de um bilião de vezes inferior ao tamanho da rua cujo nome homenageia um qualquer tiranete de província.

Publicado por Conta Natura às 9:41 PM | Comentários (0)

O tigre da Tasmânia

tasmania.jpg

Extinto há 70 anos (artigo de Gonçalo Calado no Público).

Publicado por Conta Natura às 6:08 PM | Comentários (2)

O tigre da Malásia

Sandokan.jpg

Extinto há 95 anos.

Publicado por Conta Natura às 6:03 PM | Comentários (0)

setembro 6, 2006

Delayed-type Hipersensitivity

DTH.jpg

Demonstrando que não lê o Conta Natura todos os dias, o Claudio Sunkel só agora reagiu a um post meu em que me interrogava de onde vinham os bébés, escrevendo nos comentários:

"Seria de enorme utilidade para esta discussão e para outras deste tipo que antes de comentar o que outros "supostamente" dizem numa entrevista que durou mais de duas horas com uma jornalista que decidiu reduzir e editar a nossa conversa a meia dúzia de frases desligadas e pouco coerentes, perguntar ao entrevistado se o que foi publicado reproduz de facto o que foi dito. Como o blog não faz isso, então fica a discutir não o que o entrevistado pensa ou de facto diz, mas o que um jornalista acha que é mais "engraçado" lhe chamou a atenção. Isto normalmente dá asneira.

O entrevistado Claudio Sunkel.

Como resposta só posso desafiar o Claudio a enviar-me um texto sobre o tema, para eu publicar aqui, com todo o gosto. Aproveito para esclarecer que o propósito secreto de toda a acidez que eu tento colocar nos meus comentários é conseguir um dia ficar sem amigos.

Abraço, pá! Diz-me lá se fiquei mais perto ou mais longe desse objectivo secreto...

Publicado por Santiago às 12:20 PM | Comentários (9)

setembro 1, 2006

Doença crónica

Num artigo, Howard Gardner, psicólogo americano, e os seus colegas, expõe os estudos que eles fizeram sobre o que torna uma área de emprego e trabalho saudável.
A conclusão principal é que é essencial o alinhamento entre produzir bem ñ trabalho de alta qualidade que resulta em algo útil para a sociedade ñ e sucesso profissional ñ receber mais dinheiro e subir na profissão. Se não existe um bom alinhamento entre estes dois parâmetros, a área de trabalho está doente ou moribunda. Já estão a ver onde eu quero chegar. Nos Estados Unidos, o exemplo que os psicólogos dão de pessoas que têm um trabalho saudável é o de investigadores genéticos (curiosa esta ideia, não?) e de pessoas que trabalham numa área de trabalho doente os jornalistas. O que levanta perguntas divertidas sobre jornalistas especializados em investigação genética, como os editores da Nature Genetics. Mas adiante. Em Portugal, um campo que está obviamente doente é o ensino universitário e, se dependente deste, a investigação. Aqui, o produzir bem chega a prejudicar o avanço profissional e não há nenhuma ligação positiva. Acho que seria útil para as pessoas que estão a tentar “curar” este campo (e felizmente são muitas), olhar para as coisas neste ângulo também.

P.S. Devido a problemas informáticos (e não, infelizmente, devido aos editores estarem de férias ñ quanto muito “em conferências”) este post saiu dois dias mais tarde do que previsto.

Publicado por MM às 10:00 AM | Comentários (1)