« outubro 2006 | Entrada | dezembro 2006 »
novembro 29, 2006
Lançamento de livro na biblioteca Joanina

A Reitoria da Universidade de Coimbra, o Editor da Gradiva e o Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, organizam amanhã dia 30 de Novembro, pelas 18 horas, na Biblioteca Joanina, a cerimónia de apresentação do livro A Fórmula de Deus, da autoria de José Rodrigues dos Santos.
A apresentação da obra, em algumas partes da acção se desenrolam na Biblioteca Joanina, será feita pelo Professor Jorge Dias de Deus, seguida de uma sessão de autógrafos pelo autor do livro.
É caso para dizer que "Deus comentará a Fórmula de Deus"!
Publicado por SJA às 5:09 PM | Comentários (1) | TrackBack
Que emoção
As mulheres sentem as emoções com maior intensidade do que os homens, revela um estudo científico realizado em Portugal denominado Construção psicológica das emoções: o efeito do movimento dos músculos da face. Estudo empírico com portugueses. Este trabalho foi realizado pelo Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Universidade Fernando Pessoa no Porto e pretendeu perceber de que forma os músculos faciais podem exibir as emoções básicas.
No estudo participaram 338 portugueses (169 mulheres e 169 homens), de idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos. As emoções escolhidas foram medo, desprezo, tristeza, fúria, felicidade e surpresa.
O director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, Freitas Magalhães, explicou à agência Lusa que o procedimento consistiu em solicitar aos participantes que usassem os 46 músculos faciais para exibir as emoções.
As conclusões referem que as expressões faciais reflectem e determinam como se exprimem as emoções e que as mulheres sentem as emoções com maior intensidade do que os homens. As emoções foram sentidas mais intensamente também entre os participantes com idades entre os 40 e os 60 anos, factor que está relacionado com a aprendizagem e com o facto de as pessoas mais idosas terem uma maior predisposição para as emoções, segundo Freitas Magalhães.
Parece-me muito interessante. Mas onde é que está o artigo onde tudo isto foi publicado?
Publicado por SJA às 9:29 AM | Comentários (2) | TrackBack
novembro 23, 2006
E do fardo de ser alto
Ao que parece também existem muitos estudos que provam a existência de uma correlação negativa entre altura e mortalidade. E claro, a mortalidade masculina é superior à feminina.
Imagine-se o que acontecerá a um homem canhoto de 2 metros...
Publicado por SJA às 7:37 PM | Comentários (0) | TrackBack
Deste fardo de ser canhoto
Conto escrever com alguma substância sobre The Left-Hander Syndrome: The Causes and Consequences of Left-Handedness e A Left-hand Turn Around the World, duas obras que tratam do uso assimétrico que fazemos do nosso corpo e que vão muito além da inevitável listinha de canhotos famosos. Os livros formam um par curioso, pois sobre um mesmo objecto de estudo revelam estilos de divulgação científica distintos. Como se topa logo pelos nomes, o The Left-Hander Syndrome é vagamente catastrofista e o The Left-Hand Turn mais descontraído, embora igualmente rigoroso.
Na qualidade de canhoto extremo que tudo faz com a mão esquerda (dispenso a piadinha fácil), que joga futebol com o pé esquerdo, que ouve melhor com o ouvido esquerdo, que tem por dominante o olho esquerdo e que nos tempos da faculdade chegou até a ir ouvir o Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, não sou indiferente ao tema. Confesso-me mesmo algo chocado com o gráfico que retirei do The Left-Hander Syndrome, que me informa da altíssima probabilidade de não chegar aos 80 anos. Se até hoje desprezei o discurso a fazer ao mártir dos meus companheiros canhotos, mesmo sabendo que escapei por apenas uma geração do costume de forçar as crianças a escrever com a mão direita, perante estes dados vejo-me obrigado a rever a minha posição. Os canhotos quinam mais depressa e isto não é nada bom para a minha ansiedade natural.
Em todo o caso, para canhotos estes dois livros são absolutamente fascinantes e os restantes 90% de cidadãos que andam a contribuir para a descalabro anunciado da Segurança Social também podem aprender algo. Uma vez provado que os chimpanzés são capazes de aprender uma linguagem e perante a incerteza em saber se a consciência é uma propriedade exclusiva dos seres humanos, o que nos resta como traço distintivo? Talvez só mesmo a desproporção entre destros e canhotos- de 9 para 1 - seja a assinatura da nossa espécie. Bem, isso e a música de Bach.
Esperando não ter perturbado excessivamente os 10% de leitores deste blogue que partilham este meu triste destino, prometo voltar ao tema e restaurar a paz de espírito desta silenciosa - e silenciada! - minoria.
Publicado por Conta Natura às 2:25 PM | Comentários (5) | TrackBack
CULTURA CIENTÍFICA PARA TODOS – EM MEMÓRIA DE RÓMULO DE CARVALHO

Amanhã, dia 24 de Novembro, comemoram-se cem anos do nascimento de
Rómulo de Carvalho, o professor de Ciências Físico-Químicas do ensino secundário que foi também o poeta, dramaturgo e artista António Gedeão. Além disso foi um grande historiador de ciência e um teórica da pedagogia (tem um volume publicado pela Universidade de Coimbra sobre o Gabinete de Física Experimental dessa Universidade, hoje Museu da Física, e acaba de sair uma sua colectânea de textos pedagógicos "Ser Professor"). Foi, portanto, um extraordinário e polifacetado homem de cultura, adoptado como patrono da cultura científica entre nós (o dia 24 de Novembro é o Dia Nacional da Cultura Científica). Neste ano comemoram-se também os 50 anos da sua estreia literária com o livro de poemas "Movimento Perpétuo", publicado pela editora Atlântida de Coimbra quando o autor ensinava no Liceu D. João III, hoje Escola Secundária José Falcão, em Coimbra.
Para assinalar o dia, o Centro de Neurociências e Biologia Celular, Laboratório Associado, e o Centro de Física Computacional, da Universidade de Coimbra, organizam, na Livraria Almedina Estádio, em Coimbra, no dia 24 de Novembro, pelas 21 horas, uma sessão intitulada:
Cultura Científica para todos. Memória de Rómulo de Carvalho
com a presença de José Urbano, Professor de Física da Universidade de Coimbra, Presidente da Sociedade Portuguesa de Física e ex-aluno de Rómulo de Carvalho no Liceu D. João III, de Carlos Fiolhais, Professor de Física da Universidade de Coimbra e Director da Biblioteca Geral da Universidade, de Miguel Castelo-Branco, médico, Professor da Faculdade de Medicina e investigador do Centro de Oftalmologia e Ciências da Visão da Universidade de Coimbra, de Cláudia Pereira, Investigadora da Faculdade de Medicina e do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e de Margarida Gama Carvalho, Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa e neta de Rómulo de Carvalho.
Na Semana da Cultura Científica associada ao Dia Nacional da Cultura Científica os Laboratórios do Centro de Neurociências e Biologia Celular na Faculdade de Medicina e o do Centro de Física Computacional na Faculdade de Ciências e Tecnologia estarão abertos a visitas escolares. Está desde já prevista uma visita de uma turma de ciências do 10º ano da Escola José Falcão.
Do comunicado de imprensa do evento
Publicado por SJA às 1:14 PM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 22, 2006
Ainda o referendo que aí vem (Parte II)
É pena que nem toda a gente tenha aceite o meu pedido para termos aqui um "debate elevado" sobre o problema ético que o "referendo que aí vem" nos vai colocar. No Glória Fácil a f. abandalha a questão, levando-a para terrenos que não ajudam ninguém a votar SIM.
[Antes que ela se vire a mim a arreganhar os dentes (admito que não tenho pedal para uma briga blogosférica com ela), é melhor esclarecer que vou votar da mesma maneira que ela no referendo]
Não serve de nada pôr-se com aquelas tontices de insinuar que quem não está gravido (aliás grávida) não devia ter ideias sobre o assunto (argumento que mais não é que outra forma manhosa de fugir ao problema ético que se vai colocar a todos nós).
Não concordo em apalhaçar a discussão com a história das "comissões parlamentares" e o diabo a quatro.
Não percebo a necessidade de ignorar o que está escrito no famoso Parecer 19 do CNECV quando ataca o Walter Osswald, fingindo que ele defende o "aborto eugénico".
Preferia que ela tivesse mostrado respeito pela posição do Walter Osswald e se concentrasse no Ponto 6 dum Parecer que a f. já devia conhecer de cor nesta altura do campeonato.
Preferia ainda que uma jornalista com tantos pergaminhos não tivesse dúvidas sobre a composição actual do CNECV (é mais fácil que a "glória": É só seguir os links...).
Finalmente gostava que a f. (se depois disto tudo ela ainda me permitir um pedido...) nos dissesse se entende que um novo parecer do CNECV faz falta neste debate...
Publicado por Santiago às 11:45 PM | Comentários (6) | TrackBack
Ainda o referendo que aí vem
Choca-me ler tantos argumentos manhosos para fugir à decisão que provavelmente vamos ser chamados a tomar. Um dos mais curiosos subterfúgios que tenho lido é o do pessoal que jura que não vai votar no referendo porque a pergunta tem uma gramática duvidosa e contém uma aparente redundância. O meu choque é ainda maior ao perceber que, para alguns comentadores, quando o Tribunal Constitucional autorizou este referendo, parece que decidiu também do problema ético subjacente (visto ter decidido ser o assunto "referendável") e por isso agora o debate é entre os que defendem o "vão-de-escada" e os que defendem o "hospital".
A meu ver, a questão essencial que temos de decidir é a que vem expressa com toda a clareza no Ponto 6 do Parecer N° 19 do CNECV: Há quem se louve nessa posição e há quem discorde dela. O que nos pedem é que declaremos sem tibiezas de que lado estamos. Tudo o resto que por aí se diz é mero "fogo-de-artifíco" para iludir o problema.
Visto que não é ao Tribunal Constitucional que compete debater problemas éticos, continuo a achar que seria útil se o CNECV voltasse a dar Parecer sobre esta matéria. Sempre que uma decisão destas regressa à actualidade devíamos tentar perceber se existe algum consenso na nossa sociedade, e em que sentido ele aponta.
Walter Osswald, do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa e relator desse Parecer, deu-nos a honra de comentar o meu anterior post sobre este referendo que aí vem. Posições claras sobre a questão central é o que mais tem faltado. Não é o caso da de Walter Osswald, como se vê no comentário que abaixo transcrevo.
Faço-o cheio de esperança que aqui no Conta possamos contribuir para um debate elevado sobre este problema que, nunca é demais repetir, é essencialmente ético. Por ser ético, todos nós devíamos ter a coragem de sobre ele tomar uma posição sem ambiguidades.
Olá, sou o Walter Osswald que há anos elaborou o Relatório do CNECV sobre o aborto e peço licença para me intrometer na vossa tão interessante discussão. Em primeiro lugar, para me congratular com a vossa posição: temos aqui um problema eminentemente ético e, como tal, diz respeito a todos os cidadãos e não pode ser reservado a “eles” (sejam quem for). Depois gostaria de dizer, com a clareza que mereceu o vosso elogio, o seguinte:
1. Não há qualquer dúvida que o embrião / feto é um ser humano numa fase do seu desenvolvimento. Falar de amontoado de células, de potencialidades, de projecto, etc. é uma atitude de ignorância, de lançar fumo e de esconder a realidade e, algumas vezes, traduz desonestidade intelectual.
2. O processo de desenvolvimento é contínuo, sem cesuras nem barreiras que permitam individualizar fases na vida intra-uterina; até a clássica destrinça entre embrião e feto (8 semanas) é artificial.
3. O que está em causa no referendo só secundariamente representa uma questão do foro penal, já que a despenalização proposta só poderá ocorrer, como é óbvio, após a prática do aborto. Ou seja, o que está em causa e o SIM autorizará, é que a grávida possa decidir, sem qualquer justificação ou outra motivação, abortar, desde que o faça nas primeiras 10 semanas (já agora, por que não às 11?). Terá então a garantia de não ser penalizada, mas irá para a cadeia se o fizer quinze dias depois.
4. Convicto adepto do NÃO, relembro o que Peter Singer (certamente não suspeito de ser conservador) afirmou, há anos (no seu artigo no Dictionary of Philosophy): desde a concepção existe uma vida humana nova, mas o valor desta vida não é, para todos, um valor supremo, podendo ser inferior aos interesses da mulher. Isto é, para alguns (como ele), o novo ser pode ser sacrificado ao desígnio da grávida; esta pode dispor à vontade daquele que gerou. Ora, para mim isto não faz sentido, pois confronta-se aqui um bem, superior, que é o da vida, com bens axiologicamente inferiores, como são o conforto, a situação material, o enquadramento social, os interesses da mulher grávida. Diferente é a (raríssima) situação em que há que decidir entre a vida da mãe e a do feto, onde aquela terá sempre a primazia.
[Tomei a liberdade de adicionar um Link para a entrada "Peter Singer" na Wikipedia]
Publicado por Santiago às 2:26 PM | Comentários (3) | TrackBack
novembro 21, 2006
Então quando é que começou a Ciência em Portugal?
Há por aí muita gente que julga que a Ciência em Portugal nasceu de repente em 1995. Depois há outros que pensam que tudo começou em 1986. Não concordando com nenhum destes, sou da opinião (que partilho com eles, embora por diferentes motivos...) que a Ciência em Portugal por pouco não morreu em 2002.
A todos os que se interessam pelo Sistema Cientifico Nacional recomendo a leitura (e o estudo) da Tese de Doutoramento de Luísa Henriques, esporadica comentadora aqui no Conta Natura. O Doutoramento foi defendido em Setembro passado e o Grau de Doutor foi concedido (com "mention trés honorable avec les félicitations du Júry") simultaneamente pela École Nationale Supérieure des Mines de Paris e o Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa.
O que a Dra. (notem a abreviatura) Luísa Henriques se propôs fazer foi uma análise do desenvolvimento do "Sistema" de C & T até ao ano 2000, tentando compreender como é que o contexto histórico particular que vivemos, e as trajectórias das diferentes Instituições envolvidas, vieram a moldar e condicionar a especificidade do modelo seguido por Portugal. A Tese apresenta por isso uma interessantíssima resenha histórica dos mais marcantes momentos da construção do Sistema Científico Português, tanto no seu componente público como privado, e identifica 2 momentos particularmente significativos:
1) O primeiro "Momento de Cristalização" ocorreu com a Reforma Universitária dos anos 1970s, e foi quando nasceram os principais "actores" por onde hoje em dia passa a grande maioria da investigação produzida em Portugal: Os Centros de Investigação Universitários e as Instituições sem Fins Lucrativos.
2) O segundo "Momento de Cristalização" ocorreu em meados dos anos 80 do Séc. XX, quando, com a entrada na então CEE, assistimos à estabilização das estruturas e dos processos de decisão, sob o impacto dos fundos estruturais e a forte influência das práticas europeias.
É uma Tese escrita por alguém que observou de muito perto as enormes transformações que a Ciência portuguesa sofreu nos últimos 30 anos estando por isso numa situação privilegiada para escrever esta história, analisá-la, e extrair dela conclusões que nos ajudem a perceber que melhorias podem ainda ser introduzidas. Uma grande virtude da Tese é também servir como repositório para uma espécie de "Oral History", visto que contém numerosas entrevistas com os principais agentes fundadores do actual Sistema Científico Nacional. Para mencionar apenas alguns, transcrevem-se palavras de António Xavier, Ramôa Ribeiro, Horácio Menano, João Cravinho, Sucena Paiva, Mariano Gago, Veiga Simão, Valente de Oliveira, Fernandes Thomaz e Ma de Lurdes Pintassilgo. Encontra-se lá também a história das origens de algumas Instituições que tão bem conhecemos: A JNICT, o LNETI e (aquela que, por várias razões, mais me interessou...) o IGC.
Com a devida vénia à nova Doutora (agora por extenso) Luísa Henriques, e fazendo votos para que ela venha a publicar em livro esta fascinante análise do que "somos", de como "chegámos aqui" e do que "éramos", transcrevo abaixo um parágrafo das conclusões a que chegou no que respeita a Portugal. Tem muito a ver com o que "somos" e com o que "devíamos ser" (realces meus):
The choice for structural priorities by the public polices was possibly the most suitable for a period of construction of the major components of the system. However, the new challenges lying ahead imply that a comprehensive strategy should be designed for dealing with the challenges posed by the dual dynamics in place: the consolidation of national structures and the integration into the European Research Area. Integration into the European area is more challenging for Portugal and other smaller countries that have recently been expanding their systems because of the combination of the two dynamics, than it is for the larger countries with established and diversified research systems, and with longstanding and established cooperation patterns between them. Portugal has therefore to develop a policy-mix in order to be able to respond to these challenges, favouring continuity, capacity building and accumulation at the organisational level. As the major actors are in place, policy-making has to evolve from the evolutionary approach to develop strategic and coordinated efforts to enable the system to achieve competitive standards at the European level in those domains where the country has shown itself to have stronger capabilities. For that purpose, the development and upgrading of the country’s reflexive capacity are crucial, through the reconstruction of arenas for strategic coordination and priority setting with the involvement of key players. New visions for the future development of Portugal should also define the country’s position in the European landscape, without neglecting the heritage and longstanding tradition in bridging cultures and continents, which is also a Portuguese specificity.
Publicado por Santiago às 7:10 PM | Comentários (5) | TrackBack
novembro 20, 2006
Contas no Conta
Nas universidades, não se presta contas ao país, nem aos órgãos democráticos legítimos. Como também não se presta contas às empresas, às sociedades profissionais ou às comunidades locais. Os dirigentes universitários prestam contas ao ministro, que deles tem a tutela, isto é, que por eles também é responsável. O que quer dizer que se trata de um processo em circuito fechado. Além disso, os dirigentes prestam contas a si próprios, aos seus colegas professores e, para serem eleitos periodicamente, aos funcionários e aos estudantes. Nas escolas básicas e secundárias, o panorama é o mesmo. Uma escola, cada escola, não presta contas aos pais dos alunos, muito menos às comunidades a que pertencem. Não presta contas às autarquias, nem a qualquer outra entidade social ou profissional. Uma escola responde perante o ministério que sobre ela tem autoridade. Os erros e os êxitos de uma escola são os erros e o êxito do ministério. Ninguém tem o direito ou a possibilidade de intervir, observar e avaliar. O circuito fechado é a regra na educação, este pequeno mundo composto de milhares de escolas, de centenas de faculdades, de milhões de alunos e estudantes, de centenas de milhares de professores e de milhões de pais, mas que ninguém avalia a não ser o ministério que por ele é responsável. Em teoria, o ministério presta contas ao Parlamento, mas esse processo é absolutamente inútil. Não só porque ali apenas conta a confiança partidária, mas também porque prestar contas, por atacado, por milhares de escolas, é um procedimento inconsequente.
E não se diga que as escolas prestam contas aos alunos. Não é verdade. As leis actuais, que permitem aos alunos de 12 anos de idade criar associações para debater com os professores e as direcções a qualidade do ensino e a gestão das escolas, são leis imbecis e demagógicas que, literalmente, só uma opereta permitira. Quanto aos níveis superiores de ensino, aquilo de que se trata é simplesmente uma regra política essencial: os professores que querem ser eleitos dão aos estudantes o que eles querem. Além, evidentemente, de criticar o ministério.
NADA MUDA SÓ POR MOtivos interiores. Não há melhoramento sem intervenção exterior. Ninguém se reforma se a isso não for obrigado por entidades sem interesse directo na conservação. Quem presta contas a si próprio está no caminho da corrupção ou do desperdício. Quem governa, ministro, reitor, director ou professor não pode ser juiz em causa própria, muito menos fiscal. Eis regras básicas que tornariam bem mais saudável a vida pública nacional, mas que são absolutamente ignoradas no nosso país. Ora, enquanto as escolas não prestarem contas a entidades autárquicas, às comunidades e aos pais; e enquanto as universidades não prestarem contas a entidades civis, profissionais, científicas e culturais; podemos ter a certeza de que os orçamentos são mal gastos, que a irresponsabilidade reina e que a impunidade é a regra. E podemos estar seguros de que o desperdício de recursos é colossal. E que os esforços de reforma são inúteis.
A verdade, todavia, é que parece ser isso o que os portugueses querem. Muitos, pelo menos. António Barreto, Público, ontem, negritos meus.
Aproveito a ocasião para, com mais de uma década de atraso, anunciar publicamente que o Professor António Barreto e eu não temos laços de parentesco, esclarecimento que prestava todas as Quartas de manhã na Faculdade nos tempos do programa televisivo Terça à Noite. Não há nepotismo no Conta, tanto quando julgamos saber... Vasco Barreto
Publicado por Conta Natura às 2:33 PM | Comentários (7) | TrackBack
Agora faz de conta que o Conta é o 24 Horas...
Algumas reacções a esta demissão, citadas no Boston Globe:
«"I hope that this will be an important step forward in enabling a more collaborative and supportive environment in the neuroscience community at MIT", Stanford neuroscientist Ben A. Barres wrote in an e-mail.»
«MIT biologist Nancy Hopkins, who has previously said that Tonegawa's behavior would hurt MIT's efforts to recruit the best faculty, said, "This is the most constructive possible step to allow neurosicence to develop at MIT and a positive outcome for all concerned."»
Publicado por Santiago às 10:47 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 19, 2006
O MIT de Sísifo (Ilustrado)
Esta noite o Telejornal da RTP1 teve a amabilidade de nos explicar quais foram os "primeiros resultados" do recente acordo entre o Estado Português e o M.I.T..

.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
.....
São resultados capazes de fazer salivar o próprio Pavlov: Em troca dos pelo menos 33.000.000 € (TRINTA E TRÊS MILHÕES de euros) que a República Portuguesa se comprometeu a transferir para os cofres do Massachussets Institute of Technology começaram agora a visitar Portugal alguns prestigiados Professores dessa Instituição que, enquanto brincavam com umas peças de Meccano,
.
informaram os alunos duma Escola Secundária da região de Lisboa que nos E.U.A. também se sente agudamente a falta de vocações para Ciência & Tecnologia.
.
Tudo isto me recordou ser bem verdade o que se diz: "La lutte elle-même vers les sommets suffit à remplir un cœur d'homme. Il faut imaginer Sisyphe heureux"...
Publicado por Santiago às 11:59 PM | Comentários (3) | TrackBack
Semana da Ciência e Tecnologia - Rómulo de Carvalho
Esta semana marca o centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho, nascido a 24 de Novembro de 1906, e é também a Semana da Ciência e Tecnologia. A origem da Semana da Ciência e da Tecnologia situa-se em 1996, data em que se decidiu promover um conjunto de iniciativas para homenagear Rómulo de Carvalho, professor, historiador da ciência e poeta (sob o heterónimo António Gedeão), na semana do seu aniversário.
Por todo o país, terão lugar eventos relacionados com a ciência e cultura científica e também sobre a vida e obra de Rómulo de Carvalho. O Ciência Viva apresenta um programa cheio. No Porto, o IBMC (ver poster) apresenta um programa para toda a semana subordinado ao tema "Homem Novo", o título de um dos poemas de António Gedeão.
Também esta semana é atribuído o prémio Rómulo de Carvalho recentemente instituído pela Universidade de Évora, que visa premiar um autor de língua portuguesa relevante no domínio da história e didáctica das ciências e em divulgação científica. O prémio Rómulo de Carvalho deste ano, será atribuído a Carlos Fiolhais, em cerimónia a realizar na Universidade de Évora, no dia 24 de Novembro, dia nacional da cultura científica e o dia que assinala o centenário do nascimento do grande cientista, divulgador de ciência, e poeta português.
(Carlos Fiolhais receberá também esta semana o "Prémio Inovação" do Fórum III Millenium, uma iniciativa do jornal Primeiro de Janeiro, pela sua dedicação à divulgação científica. Está de parabéns e, como se diz por aí, "na berlinda"! E pensar que ele já escreveu para o Conta...)

Publicado por SJA às 5:45 PM | Comentários (5) | TrackBack
Poema do Homem Novo

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade inteira saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.
Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.
Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.
Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.
Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.
Mais um passo.
Mais outro.
Num sobrehumano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.
António Gedeão, 1970
Publicado por SJA às 4:51 PM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 16, 2006
A Fórmula de Deus

O novo livro de José Rodrigues dos Santos é um livro que tem uma "fórmula". Tem o historiador/criptoanalista português, “homem de cabelo castanho e olhos verdes cristalinos”. Tem a cientista iraniana, “mulher alta e de longos cabelos negros” e “olhos de um intrigante castanho-amarelado”. Tem um mistério por revelar. Também por lá andam os bons e os maus, a religião e o terror. Descreve pormenorizadamente uma cena de sexo, à beira de um lago, entre o historiador/criptoanalista dos olhos verdes e a estonteante cientista iraniana dos olhos dourados e “lábios grossos e sensuais”. E há prisões e raptos, um tiroteio, mensagens em código, algumas mortes e monjes budistas. Tudo contido em 570 páginas que parecem curtas. É um livro de leitura fácil e de ritmo agradável. Uma fórmula magistral, para quem goste do estilo, e que valerá, provavelmente, a entrada directa na lista de "best-sellers" para o Natal de 2006.
Mas a "Fórmula de Deus" é também um livro de divulgação científica. Está o leitor preocupado com os afazeres e aventuras do personagens e, eis se não quando, aparecem a teoria do Big Bang e as hipóteses do Big Freeze e do Big Crunch. Como quem não quer a coisa, o autor descreve teorias científicas e, de uma maneira acessível, explica-nos a teoria quântica, com o princípio de Heisenberg e o gato de Schrödinger. Como numa mensagem subliminar, a física e a matemática aparecem por todo o livro, no meio das perseguições, tiroteios e o prazo, totalmente imprescindível, de poucas horas para revelar o mistério da fórmula de Deus.
Há dias, dizia-me uma amiga acerca do livro “epá o livro é giro, mas tem muita física!”. Não acho que a ciência seja demais. É até um exemplo a seguir para, de uma maneira diferente, mas muito eficaz, vulgarizar alguns conceitos da ciência.
Publicado por SJA às 3:12 PM | Comentários (3) | TrackBack
novembro 15, 2006
Os erros de Tavares
O mundo da crónica lusitana pode ser visto como um ecossistema, em que os cronistas são espécies que competem entre si por esse recurso limitado que é a actualidade. O paralelo com a natureza acaba aqui. O mundo da crónica nacional rege-se por um darwinismo soft em que o arreganhar de dentes poucas vezes vai além do combate ritualizado. Nenhum cronista é seriamente penalizado – isto é, despedido - por aquilo que escreve, a menos que pratique um plágio ou infracção de calibre semelhante. A própria natureza da crónica, que segundo os grandes especialistas é um exercício onde se deve sacrificar o rigor em favor da fruição, protege o autor. Conquistado o nicho, um cronista rapidamente se sedentariza e fica anos a fio praticando o mesmo exercício. A isto alguns chamam consistência de estilo.
É pois entre os cronistas mais novos e em formação que melhor nos apercebemos das suaves pressões deste meio. Rui Tavares, por exemplo, tem sido um caso curioso. O Tavares do Barnabé foi provavelmente o blogger que mais me impressionou nos anos quentes da blogosfera. Prosador feliz, acutilante, culto e com ouvido para a expressão bem burilada, fazia parte da dúzia que merecia ter passado aos jornais. O que com ele aconteceu.
Tavares precisou então de encontrar o seu nicho. Escrever textos de esquerda pura, à Daniel Oliveira, não era solução porque já existia Daniel Oliveira a escrever textos à Daniel Oliveira. Mas a epifania chegou cedo a Tavares. Refiro-me à paixão não correspondida de António Guterres, à eterna fonte de discórdia, de agitação social e – chegamos ao que interessa – ao substrato de eleição para a prática de um decadentismo lusitano em sinergia com o pessimismo antropológico. A Educação, pois claro. Se Pereira Coutinho, Pacheco Pereira, António Barreto, Graça Moura, Filomena Mónica e Pulido Valente cascam no ensino e se horrorizam com a degenerescência cultural das novas gerações, a Tavares só lhe restava estender-lhes a mão. O nosso homem migrou então para fora de um nicho ecológico saturado, conquistando um espaço único na imprensa: o do optimismo metódico de tipo temático.
Ao contrário de um optimista metódico de raiz sazonal, como Luís Delgado, e de um catastrofista metódico de tipo temático, como César das Neves, o optimismo de Tavares é à partida mais credível e o simples facto de fazer o contraponto ao zurzir de tantos outros enriquece o debate. Sucede que “...quando temos uma grelha de leitura muito vincada sobre um tema ela tende a anular os factos que a contradizem, mesmo que eles estejam debaixo do nosso nariz.” Tavares não discordará deste enunciado, visto que foi exactamente assim que o escreveu.
A tese de Tavares é a de que a tal geração rasca (gente hoje nos trinta e poucos) singrou e que tal facto tem sido sonegado pois não está de acordo com a ideia de um ensino decadente. A prova que Tavares apresenta é o elevado número de artigos na Science e Nature assinados por portugueses que, segundo ele, estão em torno dos 30 anos.
Nesta simples e curta tese, Tavares consegue acumular 4 erros. O primeiro é um erro de leitura dos dados. Escreve Tavares : “a quase totalidade dos nomes de portugueses não aparece (ainda) como primeiro autor dos textos, a conclusão natural é a de que se tratam de investigadores “júnior”, ou seja, em torno dos 30 anos.” Como qualquer cientista sabe, o que em regra sucede é o contrário. O primeiro autor do artigo tende a ser mais novo do que o último. Se Tavares extrapolou a faixa etária com base neste erro, podemos estar a falar de outra geração que não a geração rasca. Admitamos que ele ainda não perdeu a razão. Segundo erro: artigos na Science e Nature em que os portugueses não assinam como primeiro ou último autor, com o devido respeito, são pouco relevantes. Salvo raras excepções (e excluindo a Física experimental), a força motriz – intelectual, braçal, política e de outros tipos – é determinada pela dupla primeiro-último autor. Dito isto, aceite-se que o número de portugueses jovens com primeiras autorias na Science e Nature tem vindo a aumentar, o que não me surpreenderia. O que nos diz isso sobre a qualidade do ensino? Muito pouco (chegamos ao terceiro erro de Tavares).
Dei com o artigo de Tavares a ler Paulo C. Rangel, no Público de hoje. Rangel limita-se a recordar uma ideia de base em todas as discussões: o ensino não se avalia pela excelência das suas elites mas sim pela qualidade média da população de estudantes que forma. As elites fazem-se sempre, por muito mau que seja o ensino. Persistir num deslumbramento provinciano com os feitos de um punhado de lusitanos para efeitos de originalidade argumentativa não me parece uma boa solução.
Perdoem insistir no mesmo, mas a massificação do ensino - que é de salutar – criou graves assimetrias. Um dos desafios é tornar o sucesso escolar menos dependente do agregado familiar. Só um exemplo: a minha turma do programa de doutoramento em Portugal era maioritariamente das classes média, média-alta. Será que devemos aceitar isto com uma inevitabilidade? Será que perante os feitos das elites, o melhor é esquecer os resultados menos que modestos dos adolescentes portugueses em testes de literacia, matemática e ciência* (comparados não com um Portugal passado e mítico mas com outros países da OCDE, que é o clube dos países ricos)? Podia continuar com outros exemplos, uns mais a montante, outros mais a jusante.
No caso concreto que Tavares cita, pergunto—me ainda se o papel de Portugal esteve mais na formação gradual dos seus estudantes ou no financiamento da ida destes para fora, em muitos casos dando-lhes à cabeça total liberdade de escolha e uma bolsa, assim facilitando a sua entrada nos grandes laboratórios, desejosos de ter mão-de-obra gratuita. Para que se entenda, concordo com esta política, beneficiei dela e globalmente os resultados estão à vista, mas falamos de uma correcção em fim de percurso que cria uma ilusão.
Há um último erro no texto de Tavares, o pai de todos eles. Posso acusar um efeito de paralaxe, mas creio que nunca antes foi dada tanta atenção aos portugueses que publicam na Science e Nature. Basta acompanhar as secções de ciência dos jornais ou ir ao site da TSF e contar o número de colegas com entrevistas disponíveis online. Tudo isto é muito positivo. Divulgar estas histórias de sucesso é a melhor maneira de atrair novos talentos e de despertar o interesse pela ciência. Se Tavares ainda assim descobre uma conspiração para ocultar os feitos da geração rasca, pelo simples facto de Pulido Valente nessa semana ter escolhido, sei lá, atacar os funcionários públicos, e Barreto, sei lá, cascar em Sócrates, e Coutinho, sei lá, desprezar-nos com Waugh, e Filomena Mónica, sei lá, divulgar as cores das cuecas de fulano, enfim, talvez não fosse má ideia se o nosso blogger começasse a escrever menos para eles e mais para o público. Já se percebeu que quer marcar o seu território, mas não vale a pena escavá-lo... Bem, é verdade que sobram duas explicações: ou vivemos em realidades paralelas ou a grelha vincada de Tavares é diferente da minha.
Vasco
* Procuro mais links.
Publicado por Conta Natura às 4:15 PM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 13, 2006
Cíclope Cínico
![]()
Acrocêntrico (adj., do gr. akron, extremo + kéntron, pelo lat. centru-, centro) Cromossoma cujo centrómero está perto de uma das extremidades 1. Primeira Lei da conservação do tamanho do cromossoma A posição do centrómero num cromossoma ~ faz com que um dos braços seja muito curto. Para compensar, o outro é mais longo. 2. Segunda lei da conservação do tamanho do cromossoma A posição do centrómero num cromossoma ~ faz com que um dos braços seja muito longo. Para compensar, o outro é mais curto. 3. Futebol Diz-se do pontapé (também chamado "cruzamento") que leva a bola da zona lateral para a zona central do campo, de preferência mesmo em frente à baliza adversária, para Pauleta poder falhar o golo. Não confundir com o pontapé excêntrico que Sérgio Conceição usa para levar a bola à bancada, nem com o pontapé àcro-magnon com que Petit desmembra os adversários
Publicado por Santiago às 10:44 PM | Comentários (0) | TrackBack
Cíclope Cínico
![]()
Acrossoma (s.m., do gr. akron, extremo + sõma, corpo) organelo da cabeça do espermatozóide que lhe dá competência para penetrar o óvulo 1. Metáfora à Dr. Strangelove O ~ está para o espermatozóide como a ogiva nuclear para o míssil intercontinental, e por vezes tem resultados igualmente catastróficos
Publicado por Santiago às 10:30 PM | Comentários (0) | TrackBack
Cíclope Cínico
![]()
Autossoma (s.m. do gr. autós, próprio + sóma, corpo) 1. Cromossoma casto, não sexual 2. Matemática Conta aritmética instintivamente feita de cabeça 3. Genética e S&M Doenças ou características unicamente dependentes de um determinado alelo presente num ~ dizem-se de tipo autossómico dominante; se o alelo se encontra nos cromossomas sexuais diz-se ser do tipo dominatrix, em particular quando codifica uma predisposição para chicotes, algemas e cabedais 4. Aperto mensal Dívida total a pagar ao Banco pelo empréstimo do automóvel.
Publicado por Santiago às 10:16 PM | Comentários (2) | TrackBack
Vasco Barreto and Friends
Recebi até agora 65 respostas ao inquérito sobre mobilidade académica na área das ciências da vida, valor que praticamente não se alterou na última semana e que é inferior ao número de instituições e universidades que foram contactadas por correio electrónico. O pedido foi feito em meu nome mas através da organização Viver a Ciência. Ainda assim, o dado mais significativo até ao momento é que 25% das pessoas que tiveram a amabilidade de responder ao inquérito são antigos professores, colegas e/ou amigos do Vasco Barreto.
A única forma de não fazer deste estudo uma análise sobre o percurso dos meus amigos e conhecidos é continuar a divulgar o inquérito. Sem deixar de agradecer a todos os que entretanto responderam, se não receber mais respostas não vale sequer a pena analisar os dados que entretanto recolhi.
Peço-vos que copiem o seguinte texto e o enviem a conhecidos, pedindo-lhes que façam o mesmo. Pode ser que se gere um efeito de cascata e que de amigo em amigo se consiga uma amostra mais representativa da população de docentes universitários.
Para copiar e divulgar:
1. Por que universidade e em que ano se formou?
2. Por que Universidade e em que ano concluiu o mestrado?
3. Por que Universidade e em que ano se doutorou (no caso de ter
desenvolvido trabalho em mais de uma instituição deve referir apenas
a Universidade que lhe deu o grau)?
4. Qual é o seu título profissional actual, em que ano foi contratado e por que universidade?
5. Qual é a sua idade?
As respostas devem ser enviadas para barretv [arroba] mail.rockefeller.edu até 25 DE NOVEMBRO DE 2006. Por razões óbvias, peço-lhe que use o endereço de correio electrónico da sua universidade.
Para saber mais: http://www.contanatura.net/arquivo/2006/11/sos_inquerito.html
Institutos e Universidades contactados
Gab. Comunicação e Imagem - Secretariado do IBMC
Instituto Gulbenkian de Ciência
SERCULTUR Conteúdos Digitais SA
IPATIMUP
Universidade de Evora
Faculdade de Medicina Lisboa
Faculdade de Medicina Porto
Universidade de Évora
IHMT
Núcleo de cultura cientifica – IBMC
Fac. Medicina Dentária Universidade Porto
Instituto de Investigação Interdisciplinar Coimbra
IMM
Instituto de Tecnologia Química e Biológica Lisboa
INEB e IPATIMUP Porto
Gab Rel EXTE da Ciência e Tecnologia de Coimbra
Gabinete de Apoio à Investigação Reitoria de Lisboa
Gabinete de Relacoes Publicas UBI
Secretaria do GAP U. Minho"
Grpfmup Fac. Medicina Porto
Grp ICBAS - Porto
Unidade Programas e Financiamento Faculdade de Engenharia Porto
Gire Tecnico Lisboa
Gire ISEG Lisboa
Gic Instituto Superior de Agronomia Lisboa
Gepro
GAFI Catolica do Porto
3B´s Research Group - Biomaterials, Biodegradables and Biomimetics
AIBILI
CDCTPV
CECAV
Centro de Biologia Aplicada
Centro de Biologia Celular
Centro de Biologia da Universidade do Minho
Centro de Biomedicina Molecular e Estrutural
Centro de Biotecnologia dos Açores
Centro de Biotecnologia e Química Fina
Centro de Cardiologia
Centro de Ciências Moleculares e Materiais
Centro de Engenharia Biológica
Centro de Engenharia Biologica da Universidade do Minho
Centro de Estudos de Ciência Animal
Centro de Estudos de Ciências Farmacêuticas
Centro de Estudos de Patologia Respiratória
Centro de Estudos Farmacêuticos
Centro de Farmacologia e Biopatologia Química
Centro de Gastrenterologia - Coimbra
Centro de Genética e Biologia Molecular
Centro de Genética e Biotecnolgia
Centro de Hematologia e Imunologia - Instituto de Imunologia - CHIUL
Centro de Histofisiologia, Patologia Experimental e Biologia do Desenvolvimento
Centro de Investigação de Engenharia Química e Biotecnologia
Centro de Investigação de Materiais - CENIMAT
Centro de Investigação de Otorrinolaringologia
Centro de Investigação do Instituto Português de Oncologia do Porto (CI-IPOP)
Centro de Investigação em Actividade Física, Saúde e Lazer
Centro de Investigação em Ciências da Saúde
Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias das Artes
Centro de Investigação em Genética Molecular Humana
Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos - CICECO
Centro de Investigação em Psicologia Médica, Psicossomática e Psicofisiologia
Centro de Investigação Interdisciplinar em Sanidade Animal
Centro de Malária e Outras Doenças Tropicais
Centro de Matemática e Aplicações - CEMAT
Centro de Matemática e Aplicações - CMA
Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais
Centro de Metabolismo e Endocrinologia
Centro de Morfologia Experimental
Centro de Neurociências e Biologia Celular
Centro de Patogénese Molecular - Unidade de Retrovírus e Infecções Associadas
Centro de Patogénese Molecular: Unidade de Biologia Molecular e de Biopatologia Experimental
Centro de Pneumologia
Centro de Química e Bioquímica
Centro de Química Fina e Biotecnologia
Centro de Recursos Microbiológicos - CREM
Centro Interdisciplinar de Coimbra - IMAR
Centro Interdisciplinar de Estudo da Performance Humana
Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental - CIIMAR
Centro Multidisciplinar de Astrofísica - CENTRA
CERNAS
CETAV
Escola de Ciências da Saúde
Espectroscopia RMN
Faculdade de Ciências
Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa
Gabinete de Investigação de Bioética
Genética e Desenvolvimento da Tolerância Natural
Grupo de Materiais Metálicos do Instituto de Materiais - IMAT - Núcleo FEUP
IBEB
IBET
ICBAS
IHMT
INCIFES: Instituto de Ciências, do Intelecto e do Físico, para o bem-Estar e a Segurança
INESC - Microsistemas e Nanotecnologias
Instituto Biomédico de Investigação de Luz e Imagem - IBILI
Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica
Instituto de Biologia Molecular e Celular - IBMC
Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais e Superfícies (Coimbra) - ICEMS
Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais e Superfícies (Lisboa) - ICEMS
Instituto de Engenharia Biomédica - INEB - Porto
Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde
Instituto de Medicina Preventiva
Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP)
Instituto de Polímeros e Compósitos - IPC
Instituto de Tecnologia Biomédica - ITB
Instituto de Tecnologia Química e Biológica
Instituto do Ambiente e Vida
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
IPO
ISA
ISPA
ITQB
Laboratório de Óptica Médica
Núcleo de Farmacovigilância do Centro
Núcleo IFIMUP - Pólo IMAT Porto
UBI - Universidade da Beira Interior
Unidade de Ciências e Tecnologia Farmacêuticas
Unidade de Detecção Remota
Unidade de Farmacologia e Farmacotoxicologia
Unidade de Investigação e Desenvolvimento Cardiovascular
Unidade de Investigação e Desenvolvimento de Nefrologia
Unidade de Investigação e Desenvolvimento em Enfermagem (UI&DE)
Unidade de Investigação e Formação sobre Adultos e Idosos - UnifAI
Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Domínio de Enfermagem
Unidade de Parasitologia e Microbiologia Médicas
Unidade de Transplantação dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica - UMIB
Universidade Católica
Universidade Coimbra
Universidade da Madeira
Universidade de Évora
Universidade de Lisboa
Universidade de Trás-Os-Montes E Alto Douro
Universidade do Algarve
Universidade do Minho
Universidade do Porto
Universidade dos Açores
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Universidade Nova de Lisboa
Universidade Técnica de Lisboa
Unversidade de Aveiro
Publicado por Conta Natura às 2:45 PM | Comentários (2) | TrackBack
Journal Club no Conta
Beer down-regulates activated peripheral blood mononuclear cells in vitro
Winkler et. al. (2006). International Immunopharmacology 6:390-395
Abstract
Moderate consumption of alcoholic beverages is suggested to reduce
cardiovascular risk. Within this context, most attention is drawn to antioxidant ingredients of wine, but also beer was found to be beneficial. Potential effects of three different types of beer including alcohol-free beer were investigated using freshly isolated human peripheral blood mononuclear cells stimulated with the mitogen phytohaemagglutinin in vitro. Neopterin production and tryptophan degradation were monitored in culture supernatants to determine effects of test substances on immunobiochemical pathways induced by interferon-γ. In a subgroup of experiments also production of interferon-γ was measured. Compared to unstimulated cells, phytohaemagglutinin increased production of neopterin and also triggered the degradation of tryptophan (all p < 0.01). All types of beer (2–4% dilution) were found to counteract these stimulation-induced effects and significant reduction of neopterin formation and tryptophan degradation was observed (p < 0.01). Data demonstrate that beer reduces production of neopterin and degradation of tryptophan, both these biochemical pathways
are induced during cell-mediated immune response. Data suggest that
the immunosuppressive capacity of beer may relate to its anti-inflammatory nature.
Acknowledgements
This work was supported by the Austrian Federal Ministry of Social Affairs and Generations. The authors thank Miss Astrid Haara for excellent technical assistance.
Publicado por Santiago às 9:58 AM | Comentários (7) | TrackBack
novembro 9, 2006
Conferência do Equinócio et al.

A propósito da Conferência do Equinócio recebi um email do Filipe Santos Silva, PhD. O mesmo refere que o IPATIMUP (do qual guardo boas memórias fugazes e re-visitarei em Dezembro...) está a assumir uma "estratégia inovadora na difusão da ciência e da cultura científica", disponibilizando online um dos seus eventos regulares.
É de salutar esta atitude do IPATIMUP e espero que continue, de preferência com melhor qualidade técnica. Na realidade, este tipo de divulgação é relativamente corrente na realidade académica que agora vivo para os lados de Boston. Além da divulgação através de video online para todas as pessoas - sem restrições - de vários eventos científicos e não só no Harvard@home, também podemos encontrar a um nível científico mais elevado a divulgação de cursos completos ou quase completos online na faculdade vizinha.
No entanto, penso que o maior passo que a comunidade académica portuguesa devia realizar neste âmbito é o registo em video das aulas com mais interesse e disponibilizá-las online, pelo menos, aos alunos actuais da faculdade. Confesso que ao início não achei grande vantagem ou utilidade nesta prática mas actualmente estou rendido. Como aluno tenho acesso a todo o material de qualquer curso da Universidade bem como em bastantes casos às aulas em forma de video. Há definitivamente um método melhor que tentar aprender certos tópicos através da leitura de capitulos de livros, é assistir online a palestras dadas por experts na matéria.
adenda: Procurem por ipatimup na Itunes Store que encontram mais material disponivel!
Publicado por BA às 12:29 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 7, 2006
Cíclope Cínico
![]()
Acéfalo 1. Desprovido de cabeça (s.m.: do gr. a, sem + képhalos, cabeça); ou: De pau-feito (adj.: do port. brejeiro: Aço + Falo) 2. História Apesar de ser o cognome não oficial de Carlos I de Inglaterra, de Maria Stuart da Escócia e de Luís XVI de França, para além de outros personagens menores como Américo Tomás, a verdade é que o número de ~ se tem mantido baixo ao longo da História da humanidade, com a notável excepção da França no final do Século XVIII (ver guilhotina). 3. Scrabble Sempre que é possível completá-las, pontuam muito mais as palavras equivalentes "lamelibrânquios" e "pelecípodes". 4. Sexo seguro O louva-a-deus macho é às vezes decapitado e devorado pela fêmea durante, ou após, a cópula, um horrendo episódio de História Natural que está presente na mente de todo o homem medianamente informado e que ainda hoje explica a insistência destes em levar a companheira a um bom restaurante, como preparação para a prática amorosa. 4. Zoologia e Gastronomia Regional Os animais com simetria bilateral tendem a ter cabeça, embora muitos não a usem. Um exemplo é a galinha no seu sprint derradeiro, em dia de arroz de cabidela.
Publicado por Santiago às 8:21 PM | Comentários (2) | TrackBack
A Universidade no turbilhão

António Sampaio da Nóvoa, Magnífico Reitor da Universidade de Lisboa, publica hoje no Diário de Notícias um magnífico artigo de opinião, discutindo o papel da Universidade na sociedade moderna.
Tomo aqui nota de algumas promessas e dum grito de alma (destaques meus):
Dar um novo impulso à ciência que se faz em Portugal.
[...] Assumimos com o País o compromisso de integrar os melhores investigadores na Universidade de Lisboa. [...]
Contribuir para a inovação e modernização da sociedade portuguesa.
[...] A Universidade de Lisboa não é lugar para ambições menores.[...]
Promover uma formação de qualidade, segundo padrões internacionais.
