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abril 30, 2007
A verdadeira razão...

(tirado daqui)
Publicado por Santiago às 9:36 PM | Comentários (3) | TrackBack
abril 28, 2007
A "Sacra Congregatio de Propaganda Fide" devia aprender com esta gente...
Quase por acidente fui dar com a Prova Escrita de Biologia (Prova 602 - Versão 1) do Exame Nacional do Ensino Secundário (12º Ano de Escolaridade) para o ano lectivo 2005/2006, mais a respectiva Proposta de Correcção, oferecida pela Associação de Professores de Biologia e Geologia.
...
...
Cheio de curiosidade em saber que nota teria eu hoje se fizesse este exame (en passant: Muito má), fui lê-la e assim me deparei com uma competência biológica requerida, pelos vistos, aos alunos que pretendam ingressar na Universidade. Nunca pensei que a Biologia tivesse mudado tanto desde que o tempo em que o 12º Ano se chamava Ano Propedêutico...
...
...
Falhei a resposta a esta pergunta:
(...)
III
Manipulando Genes
Analise os documentos 1e 2. Responda, depois, aos itens de 1. a 4.
Documento 1
...No Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), foi desenvolvida uma nova técnica de manipulação genética que tira partido de um sistema de defesa de Escherichia coli contra antibióticos. Quando a bactéria é confrontada com tetraciclina, activa um sistema genético – o operão da tetraciclina (operão tet – documento 2) – que leva à produção de proteínas que provocam a saída do antibiótico da célula, garantindo, desse modo, a sua sobrevivência.
...Investigadores do IGC inseriram componentes do operão da tetraciclina no genoma de ratinho, de modo a controlarem a expressão de genes do animal. Assim, para estudar a função de um gene do ratinho que esteja inactivo desde a fertilização, basta administrar tetraciclina à mãe, ou ao ratinho depois de nascer, para o gene ser «ligado» e se tornar activo; se o investigador quiser voltar a «desligar» o gene, basta suspender a administração de tetraciclina. O processo é, portanto, reversível. Vários processos biológicos complexos, como o cancro, têm sido estudados e compreendidos desta forma.
...Vários grupos mostraram já interesse nesta técnica, nomeadamente uma empresa farmacêutica multinacional, que pretende utilizá-la nos seus estudos de modelos animais de doenças humanas.
...Esta invenção é, assim, um caso exemplar de como a investigação básica em Biologia produz ideias e conhecimentos aplicáveis ao desenvolvimento de novas tecnologias em Biomedicina.
...A investigação no IGC abarca tanto a investigação científica básica como as áreas de desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias, sendo privilegiadas as interacções entre ambas. Esta estratégia tem granjeado ao Instituto uma sólida reputação internacional e coloca o IGC numa posição privilegiada para fazer a ponte entre conhecimento e inovação.
[Interrompo esta transcrição para recomendar (vivamente) à tal "empresa farmacêutica multinacional" que verifique cuidadosamente a patent position do Instituto Gulbenkian de Ciência nesta matéria, não vão eles acabar metidos em trabalhos por causa dum exame do secundário...]
(...)
1. (...)
2. (...)
3. (...)
4. Seleccione a alternativa que completa correctamente a afirmação seguinte.
De acordo com o documento 1, uma das razões que levam a que o Instituto Gulbenkian de Ciência seja reconhecido internacionalmente é o facto de...
(A) ... procurar articular a investigação básica com o desenvolvimento de novas tecnologias.
(B) ... desenvolver essencialmente investigações em cooperação com empresas farmacêuticas.
(C) ... desenvolver técnicas que permitem compreender os mecanismos reguladores do cancro.
(D) ... ter desenvolvido investigação acerca dos efeitos dos antibióticos no homem.
(...)
Não sei quem é que escreve estas palermices num exame NACIONAL para estudantes de liceu, mas tenho alguma curiosidade em saber. E já agora gostava também de saber se há alguém que me possa ajudar: A resposta proposta pela Associação de Professores de Biologia e Geologia (A !) é a correcta?
Publicado por Santiago às 8:02 PM | Comentários (9) | TrackBack
abril 27, 2007
A Árvore da Vida, por acaso, é necessariamente um Círculo...
Tenho finalmente algum tempo para retomar o interessante debate, que se começou a esboçar lá em baixo, sobre o "postulado naturalista", as limitações que impõe à Ciência, e o que me parecem ser algumas consequências lógicas dessa "Posição Filosófica de Princípio" (PFP, como lhe chamei). Renovo portanto a promessa que fiz ao Jónatas Machado de escrever brevemente novo post sobre esse tema e aproveito esta oportunidade para recomendar um texto do Zèd que explora algumas implicações importantes da premissa.
Como preâmbulo aos argumentos que irei desenvolver, sugiro que leiam este interessantíssimo ensaio de James A. Lake, publicado hoje na Nature. Aprendi nesse paper coisas que desconhecia e fiquei a conhecer um fascinante enigma científico, que poderia ser facilmente explicado com recurso a causas "não-naturais" (ou "sobre-naturais", se preferirem). A existência dessa "solução de recurso" (chamemos-lhe assim) não inibe os cientistas (ou seja, aqueles que investigam "causas naturais") de procurar outras explicações, obviamente.
Sucede que postular que os fenómenos naturais podem ser todos explicados com recurso unicamente a "causas naturais" me obriga a aceitar que um dia será possível compreender como é que moléculas inorgânicas terão evoluído (dado tempo suficiente e eficientes mecanismos de selecção natural) até ao surgimento dos complexos organismos multicelulares que conhecemos. Mesmo quem presume (como eu) que esse processo foi contínuo e estritamente "natural", não terá problema em identificar checkpoints, pontos de aparente descontinuidade, cuja transição parece ser particularmente difícil de explicar.
É o caso do aparecimento da "primeira célula", quando, imagine-se que de repente, várias moléculas orgânicas "coalesceram" num agregado coerente, com uma "fronteira" (a membrana celular) a separar o "interior" (citoplasma, contendo informação genética, mecanismos para a replicar, bem como um complexo e coerente mecanismo de obtenção e utilização de energia) do meio exterior (onde há "nutrientes").
Outra transição difícil de explicar por enquanto, é o aparecimento dos primeiros seres multicelulares, organizados em aparelhos, orgãos e tecidos especializados. Mais uma "fronteira" (para recuperar a palavra que Monod usou para descrever este "salto") é o surgimento da "consciência", do "espírito", exclusivamente em resultado de interacções físicas entre células - neurónios - altamente especializadas sem dúvida, mas meras células.
Em suma, a história da evolução parece apresentar soluções de continuidade, "saltos" evolutivos, que hoje em dia ainda temos dificuldade em explicar aplicando apenas as Leis da Física tal como as conhecemos. Essa dificuldade não sugere, não indicia, não prova, impossibilidade de encontrar uma explicação "natural": Mostra apenas, provavelmente, a profundidade da nossa actual ignorância.
De uma dessas "descontinuidades" trata o belo artigo de Lake: Como é que apareceu a primeira célula eucariota? Ou seja, como é que apareceu uma célula que separou o seu material genético dos outros constituintes celulares, isolando-o numa estrutura, o núcleo, rodeada por uma membrana e totalmente contida dentro da membrana celular que delimita a célula viva?
A resposta é ainda difícil de imaginar. Uma peça deste puzzle é o facto de os genes eucariotas resultarem, em larga medida, da evolução de genes presentes tanto em eubacteria como em archaebacteria, os dois outros grandes "reinos" em que os seres vivos são geralmente classificados. Em conjunto estes dois "reinos" representam os procariotas (as células que não têm núcleo). É interessante que, se subdividirmos os genes procariotas em dois grupos, genes operacionais (codificando para proteínas necessárias à "vida habitual" das células - metabolismo, armazenamento de energia, síntese de aminoacidos e nucleótidos, etc) e informacionais (que são os que estão envolvidos nos processos de transcripção do genoma, tradução do RNA, síntese proteica e replicação do DNA), verificamos que, em eucariotas, os primeiros (os operacionais) derivam dos ancestrais eubacterianos e os segundos (informacionais) dos ancestrais arqueobacterianos.

[A propos, estas duas grandes classes, eubactérias e arqueobactérias, têm genes bastante diferentes. Por exemplo, a membrana celular das arqueobactérias utiliza L-Glicerol, que não pode sequer ser metabolizado pelas eubactérias ou pelos eucariotas (cujos enzimas só reconhecem D-Glicerol). O RNA ribosomal das arqueobactérias, por outro lado, é claramente diferente do das eubactérias (e muito homólogo aos rRNA dos eucariotas). A "primeira célula eucariota" é claramente fruto de uma "fusão genómica" entre uma célula eubacteriana e uma arqueobacteriana. Para conhecer este argumento em detalhe leia este artigo do mesmo Lake.]
O enigma é que não se encontram em genomas eucariotas descendentes dos genes "operacionais" das arqueobactérias; e não há também genes "informacionais" que derivem dos das eubactérias! As células eucariotas utilizam a maquinaria de replicação de DNA e de síntese proteica de um dos "pais", e as "vias metabólicas" do outro... Porquê assim? Porque não ao contrário? Porque não ambas as classes de genes derivados de um único ancestral? Porque é que foram "usados" dois? etc... etc... etc... etc...
Todos os cientistas "crêem" que existe uma explicação natural para estas questões. Mais importante do que isso: Satisfazer-se-ão se a resposta, ou parte dela, vier a revelar que isso foi fruto do "acaso" (e da "necessidade" consequente), já que nada é mais natural que a aleatoriedade...
Os outros, os que não se satisfazem, não são cientistas. Sem desrespeito algum: Não são cientistas!
Publicado por Santiago às 11:30 PM | Comentários (6) | TrackBack
abril 25, 2007
Cíclope Cínico
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Aorta (s.f. do gr. aorté, "dependurado", pelo lat. aorte) 1. Grande túnel que liga o centro à periferia do corpo. É mais barato que o do Marquês e sempre inaugurado a tempo e horas, sendo, não obstante, igualmente desprovido de plano de emergência (ver aneurisma). 2. Greenpeace É a maior artéria do corpo. Contrariamente às grandes artérias urbanas, geralmente poluentes, transporta sangue sobrecarregado de oxigénio (mas ver ainda animais de sangue frio), mesmo quando saturado também de canabinóides e/ou cocaína (ver drogas recreativas) 3. Etimologia Hipocrates chamava aorté a cada um dos brônquios. Já Aristóteles, que percebia ainda menos de anatomia mas queria ser original, deu esse nome à estrutura na qual o coração estava "dependurado", parecia-lhe. Os franceses, que se vêem gregos para ler grego, acharam que esta artéria parecia um báculo episcopal e por isso chamaram crossa a uma simples curva 4. Contradições culinárias Os conhecidos "peixinhos d'aorta" nem são peixinhos, nem têm nada que ver com a ˜ 5. Afición A "faena" termina quando o matador coloca a espada entre as espaldas do animal, atingindo o coração ou provocando um irrecuperável traumatismo na ˜ (ver também traumatismo no escroto e chifralgia).
Publicado por Santiago às 11:50 PM | Comentários (1) | TrackBack
abril 23, 2007
"But the letter's men who cultivate the arts and sciences they can't to pass without the books"
Depois de ler a prova de "Inglês Técnico" que permitiu ao Snr Eng 1º Ministro a conclusão da sua Licenciatura em Engenharia Civil (Parabéns!!), pareceu-me útil divulgar a "sebenta" que ele deve ter usado.
Trata-se de um livro notável, intitulado "English As She Is Spoke", publicado no já longínquo ano de 1855 por José da Fonseca e Pedro Carolino (Engenheiros Civis, quer-me parecer...). Deste livro disse uma vez Mark Twain: “This celebrated little phrase-book will never die while the English language lasts ... it is perfect ... its immortality is secure”. Faço minhas estas palavras para descrever um texto que, no dizer do Gabinete do Snr 1º Ministro, "prova que Sócrates foi efectivamente avaliado na passagem pela UNI" (sic). "Avaliado" parece um exagero, mas "imortal" peca claramente por defeito...
Conheça aqui esse famoso livro e não se esqueça que "(...) before one can move on to a mastery of English idiotisms, it is necessary to learn more basic words and phrases"
Publicado por Santiago às 10:45 PM | Comentários (5) | TrackBack
abril 12, 2007
Afinal estávamos no bom caminho...
Recordem o habitual gap de 3 - 5 anos entre o início de um projecto de investigação e o aparecimento das primeiras publicações a que dá origem.
É portanto esta uma boa altura para felicitar os anteriores responsáveis pelo sistema público de C & T (Maria da Graça Carvalho e Fernando Ramôa Ribeiro) pelo trabalho que realizaram. As felicitações são ainda mais merecidas, se recordarmos também a dificílima situação que herdaram dos seus antecessores...
Publicado por Santiago às 1:30 PM | Comentários (4) | TrackBack
abril 4, 2007
Ratos e Homens
Fala-nos hoje o Publico do projecto Rodentia que, sob iniciativa do IBMC, tenta promover a "cultura científica" entre os mais jovens. Diz toda a gente que são eles o "futuro do País", mas como estamos a tratar de crianças de 8-9 anos, eu cá vou esperando sentado por esse tal de "futuro".
Segundo o jornal trata-se de "uma iniciativa financiada pelo Ciência Viva" (informação que não é referida - atenção que o link do Publico está errado - no site deste projecto). De acordo com a apresentação "Foi dada a oportunidade a duas escolas do Primeiro Ciclo do Ensino Básico no Porto, de dispor de um habitat especial com dois ratos, num total de três salas de aula com alunos do 4º ano. Cada um desses espaçosos habitats – monitorizado permanentemente por uma câmara móvel equipada com visão nocturna – terá acoplado um módulo adicional onde serão apresentados aos ratos um variado número de problemas e situações, em nenhuma situação dolorosas ou de algum modo causadoras de stress excessivo". Neste link (atenção novamente que o link directo está errado) podem acompanhar em permanência a vida desses 2 ratos no dia-a-dia. Tomem nota que os "dois ratos" são na realidade 2 fêmeas o que torna o filme só um poucochinho mais interessante do que ver a relva a crescer. Presumo que os alunos terão oportunidade de aprender coisas que não são bem ciência noutras alturas, quando já não tiverem apenas 8 anos...
Tal como outras iniciativas do Ciência Viva (lembram-se da "Astronomia de Praia"?) tenho muitas dúvidas que valha a pena gastar "dinheiros da Ciência" para brincadeiras destas. A Anna Olson, responsável pelo projecto, "explicou ao PÚBLICO que o Rodentia é um projecto "muito dispendioso"" (sic), mas, a ter mérito (coisa de que nem duvido), o dinheiro devia vir do Ministério da Educação ou das Autarquias que tutelam as escolas e nunca do Ministério da Ciência. Assim teríamos mais verdade no cálculo dos fundos públicos verdadeiramente aplicados em I & D.
A terminar, não resisto a transcrever do Publico o seguinte trecho (realce meu)"
O físico Carlos Fiolhais, especialista em divulgação científica para crianças, espreitou o projecto na Internet a pedido do PÚBLICO. Gostou muito do que viu. "A ciência aparece ali viva porque a atitude científica é adquirida ao vivo. Algumas das experiências, além do mais, são divertidas: uma delas, por exemplo, consiste em meter na sala um gato de peluche e em emitir miaus para ver como os ratos reagem na primeira vez e nas vezes seguintes".
Duvido que os ratos achem a experiência tão divertida como o Carlos Fiolhais, mas fico agora cheio de curiosidade: Qual foi a reacção "na primeira vez"? E "nas vezes seguintes"?
Publicado por Santiago às 1:31 PM | Comentários (6) | TrackBack
abril 2, 2007
Os Talibans da Ciência e o Significado da Palavra "Fé"
Quando neste post critiquei a publicação de um artigo no Ciência Hoje, fi-lo tão só por se tratar de um texto "requentado". Uma mera versão "revista e aumentada" do que já tinha aparecido nalguns blogs, por exemplo aqui. Não me incomoda que textos desses apareçam em sites de divulgação científica, não receio que seja lá lido por "mentes influenciáveis" capazes de subitamente abandonar a "Teoria da Evolução", e até me parece que esse texto do Jónatas Machado tocou num ponto que merece ser debatido: A famosa "premissa naturalista" que, a meu ver, está subjacente a toda a actividade científica...
Na sequência dessa publicação, vieram os "Talibans da Ciência" rasgar as vestes e bramir "Heresia!", "Sacrilégio!" e "Blasfémia!". Algumas reacções foram idênticas às de imãs acabadinhos de ler jornais dinamarqueses levando mesmo o Ciência Hoje a apagar o dito texto.
Acho que foi um grandíssimo disparate! O Jónatas (e os que pensam como ele) vão interpretar esta "censura" como fruto do medo que os leitores do Ciência Hoje se deixem persuadir pelos argumentos lá expostos. E tenho de confessar que as "boas consciências" que aparentemente querem proteger a "virgindade" da Ciência... bem... ahem.... eles "doth protest too much, methinks"...
Como disse, pelo meio desta discussão que está a ir por caminhos demasiado ridículos, há um ponto que me parece interessante: Em ciência só tem cabimento o estudo de "causas naturais". Explicações não-naturais (ou sobrenaturais, se preferirem) não podem nunca ser colocadas, nem sequer como hipótese. Já disse que esta "premissa" (para mim básica na actividade científica) nunca foi, a meu ver, "demonstrada". Trata-se por isso de um postulado, e um postulado que é essencial à prática de Ciência.
Para compensar o Jónatas Machado pelo "apagão" que sofreu, transcrevo abaixo o seu comentário-tréplica no post "The Limits of Science". Destaco (a bold) uma afirmação sobre o "paradigma naturalista" (como prometi, é só este tópico que vou debater) com a qual não concordo. Tentarei explicar porquê e explanar mais alguns raciocínios sobre este tema no próximo post, talvez amanhã.
Antes de terminar vou comentar o uso da palavra "fé" no segmento em realce. É uma palavra que, infelizmente e ao arrepio da gramática, está a adquirir uma conotação pejorativa de tão mal usada que tem sido. O próprio Jónatas usa algum sarcasmo para ma atirar em cara, parecendo pensar que isso me deixaria preocupado, ou até incomodado...
Prefiro chamar-lhe posiçao filosófica de princípio (PFP), que é a que regula a minha visão do mundo: Creio que o mundo natural pode ser totalmente explicado com recurso unicamente a causas naturais. É esta a minha premissa e é à volta desta PFP (a que outros poderão chamar fé...) que gira a nossa discordância.
O Santiago tem a sua fé naturalista (que ele mesmo admite não demonstrada) e eu tenho a minha fé criacionista (que considero totalmente corroborada pelos factos). O Santiago vai discorrer sobre a sua fé, e eu vou discorrer sobre a minha. Os leitores tirarão as suas conclusões.
Sinceramente não estou a ver como seria possível uma taxa de mutações (e da respectiva substituição nas populações) muito elevada, como o Santiago sugere. Isso poderia ser possível num mundo hipotético, fantasiado pelos evolucionistas. Mas no mundo real isso não seria possível. E nós vivemos no mundo real. A minha lógica é a lógica do mundo real. No mundo real, os evolucionistas só podem postular uma Terra antiga e interpretar toda a evidência de acordo com essas premissas, ignorando para o efeito a evidência que as contraria (v.g. quantidade de hélio na atmosfera, C-14 em rochas e fósseis datados de milhões de anos, quantidade de sal nos oceanos, ausência de erosão entre as várias camadas de rochas sedimentares, quantidade de sedimentos no fundo do mar, taxa de erosão dos continentes, datação de rochas recentíssimas como tendo milhões de anos, deformações de camadas sedimentos moles, fósseis vivos, fósseis polistráticos, evidência de fossilização catastrófica, origem recente das civilizações, estatística populacional, presença de hemoglobina e tecidos moles em ossos não fossilizados de dinossauro).
De resto, felizmente existe um sistema de "correcção automática" do DNA que previne a ocorrência dessas mutações pontuais. Sem esse sistema de reparação o DNA não conseguiria sobreviver mesmo dentro da célula (na medida em que seria rapidamente destruído, por exemplo, pelo oxigénio, pelos raios utra-violeta e pela água), sendo que esse sistema só existe por estar previamente codificado no DNA. Ou seja, o DNA só existe e subsiste graças à prévia existência de... DNA!
Esta é, aliás, uma das razões pelas quais eu acredito que a Criação instantânea é a única explicação possível para a vida. Esta necessita da presença simultânea de biliões de componentes formando maquinismos de elevadíssima complexidade especificada e integrada. Ou esses maquinismos estão todos plenamente formados e funcionam, ou não estão e não funcionam. Em vão umas partes do sistema esperariam por outras ao longo de milhões de anos. Entretanto seriam destruídas pelo meio, do qual seriam incapazes de se defender por não estarem em funcionamento e não disporem de sistemas de protecção e de conversão de energia prontos para trabalhar.
Como se vê, a extrema complexidade da vida (da qual ainda nem sequer começámos a falar!) é totalmente consistente com a doutrina Bíblica de que a mesma foi criada instantaneamente por um Ser omnisciente. O modelo naturalista não tem qualquer explicação naturalista para a origem da vida e para a sua evolução (as mutações pontuais são cumulativas e degenerativas, sendo que em muitos casos nem sequer são seleccionáveis, na medida em que o sistema de selecção opera ao nível do fenotipo e não do genotipo). Se o naturalismo não tem qualquer explicação para a origem da vida, isso significa que se trata de uma fé destituída de demonstração e de fundamento. O Santiago tem a sua fé e eu tenho a minha. Fale-me da sua fé que eu falo-lhe da minha.
Pela minha parte, ainda tenho muito a dizer.
Publicado por Santiago às 5:20 PM | Comentários (15) | TrackBack
abril 1, 2007
Grandes Frases

Publicado por Santiago às 11:55 AM | Comentários (1) | TrackBack