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fevereiro 1, 2007

Dialéctica codificada

sofa_wolvercote.jpgLewis: we all want to keep our jobs...
Morse: we are not all engaged in a high-minded persuit of the truth.
Lewis: well, not high-minded, perhaps... but we want to know, don't we?
Morse: yes, Lewis, we have that in common: policeman and academics. But the difference is that we'd be sacked for withholding information.

Relações entre dois personagens, em livro, filme ou teatro, que com o contar da história representem também o conciliador equilíbrio dinâmico entre dois princípios opostos, tendem a ser do meu agrado. Crick e Watson, Marta e Maria, Marx e Engels (Batman e Robin?), tanto faz...
O caso é que é esta a explicação mais racional que encontro para o meu secreto amor pelas duplas de detectives. Não me refiro tanto à discreta veneração passiva do amigo do Holmes e seu garantidor pessoal de álibis, mas do carácter prático e recto de Lewis (Kevin Whately) que com o seu chief inpector (John Thaw) durou treze anos sobre os ecrãs da grande audiência britânica, numa histórica série policial. Sinto saudades do Morse, da sua enorme cultura, do seu Jaguar vermelho e dos seus dilemas afectivos (maiores ainda que a dita cultura), dos quais encontrou refúgio na judiciária de Oxford. É certo que os humanos fizeram da existência esta cadeia sem fim de possíveis "spines" onde há sempre um modo de relacionar algo com qualquer outra parte do resto. Não será contudo mais que coincidência o número de paralelismos possíveis entre cientistas e elementos das "forças da ordem"? E se aqueles não forem fabricações, serão justos?

Publicado por VB às 5:56 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 17, 2006

Visualmente a Comunicar Ciência

Seguindo a tendência deste Verão, hoje trago-vos mais uma convidada. Diana Marques é uma excelente ilustradora científica freelancer e bióloga formada em Portugal e nos Estados Unidos, com experiência de trabalho em comunicação visual de ciência para o público em geral e para a comunidade científica. Divide actualmente o seu tempo entre os Estados Unidos e Portugal, colaborando frequentemente com o museu de história natural do Smithsonian em Washington e trabalhando com clientes nos dois paises. A primeira edição do Workshop de Introdução à Ilustração Científica Digital, o primeiro do género em Portugal, esteve a seu cargo e ocorreu na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa através do Centro de Investigação e Estudos de Anatomia e Ilustração Científica entre Março-Maio deste ano. Esperamos poder contar com futuros posts da Diana. SJA

mosquito.jpg

Alguma vez ouviram dizer que comunicar ciência é fácil? A favor dos comunicadores está sem dúvida a originalidade e o desconhecimento em geral dos temas por parte da audiência; mas contra, está tudo o resto: a complexidade, a linguagem específica, os mecanismos abstractos, os conceitos difíceis de transmitir e não observáveis...

Foi da necessidade de comunicar ciência e da inerente dificuldade em fazê-lo que nasceu a Ilustração Científicaóa Arte ao serviço da Ciência*.

As ilustrações científicas podem ser (e muitas vezes são) obras de arte. Mas a sua finalidade primária e razão de existência é bastante mais prática: comunicar ciência visualmente, auxiliando ou substituindo as palavras escritas e orais, para o público em geral e para a comunidade científica.

São as ilustrações que expõem o que as máquinas fotográficas nunca conseguiram ver, nos livros de Biologia Celular como funcionam os receptores das membranas e nos de Geologia o interior da Terra, para não falar das ilustrações do espaço remoto ou do fundo dos oceanos; são os painéis nas paredes dos museus que nos desvendam a aparência dos dinossauros em vida e as imagens dos artigos científicos os aspectos taxonómicos de novas espécies; são os sites interactivos e as animações que cada vez mais cativam e instruem crianças e adultos sobre o mundo da ciência.

Mas a eficácia de uma ilustração científica não resulta apenas de revelar o que de outro modo não seria observável. Na verdade, cada ilustração é a consequência de um estudo estratégico: tendo em conta a audiência, o conteúdo informativo e o suporte final da mensagem, o ilustrador edita a informação que recolheu de muitas e diferentes fontes e cria uma imagem cientificamente rigorosa, clara e apelativa, que é fácil e eficazmente assimilada.

Será que não existe alguma subjectividade no processo de edição da informação? Sim, com certeza. Por isso é que um ilustrador científico profissional tem uma preparação académica cientifica e artística e trabalha, de um modo geral, em contacto próximo com cientistas. A preocupação primária é o rigor científico, os aspectos estéticos são cuidadosamente tidos em conta de modo a não interferir com o conteúdo e apenas melhorar a sua transmissão.

Em Portugal a ilustração científica já deu os seus primeiros passos e não é arriscado dizer que há algum reconhecimento da sua existência. Workshops e cursos de ilustração científica de técnicas tradicionais e agora também de técnicas digitais ocorrem periodicamente e cada vez mais existe interesse em contar com o trabalho dos ilustradores para a valorização e capacitação da comunicação científica.No entanto, a falta de informação e ideias pré-concebidas sobre o seu uso, custos e aplicações, continuam a interferir com o papel importante que a ilustração científica pode desempenhar.

Um pouco por todo o mundo, institutos de ciência, museus, editoras e media contam com os serviços permanentes ou periódicos de ilustradores científicos e estudantes e cientistas são habilitados durante a sua formação a comunicar melhor visualmente. Como em várias outras situações, temos de olhar para fora das nossas fronteiras e seguir os exemplos de sucesso, procurar optimizar os nossos recursos para melhorar a eficácia dos nossos projectos.

Da parte dos ilustradores os esforços de sensibilização e divulgação vão com certeza continuar e vocês, da próxima vez que jocosamente vos perguntarem “queres que te faça um desenho?”, já sabem o que hão de responder... “Sim!”

Texto e ilustração de Diana Marques (*alguns dos conceitos usados foram extraídos do livro “The Guild Handbook of Scientific Illustration”, editado por Elaine Hodges, John Wiley and Sons, 2003)

Publicado por SJA às 8:23 AM | Comentários (3)

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