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agosto 8, 2006

Vai e vem

Acabei de ter uma ideia sobre uma coisa que gostava mesmo de saber. Se já tiver sido feito, agradecia que me dessem a referência. Se ainda não, que me dissessem quem me poderia contratar para responder à pergunta. Que é: em média, quem é que produz mais “papers” os cientistas que mudam de instituto de três em três anos? Ou os que ficam no mesmo grupo para doutoramento, primeiro pos-doc, segundo pos-doc? Ou seja, é verdade o mito de que a mudança é necessária para a não-estagnação científica? É que é fácil de verificar...

Publicado por MM às 6:55 PM | Comentários (5)

abril 26, 2006

O Anti-Cientista

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Eles e elas

As nossas amigas são um mito infame. Não existem. Não é geneticamente possível ser homem e manter uma relação de amizade com uma mulher. Ninguém controla a natureza humana. Sobretudo os homens. Em tempos, Miguel Esteves Cardoso dissertou sobre o factor SPAC. Teoria: Não há amizade entre homem e mulher, sem que o homem queira Saltar Para A
Cueca (SPAC) da mulher. Correctíssimo. Faz parte da condição masculina. Só que o velho Miguel pressupunha que, ainda assim, a amizade entre dois exemplares de sexos opostos era possível. Em teoria. Só em teoria.

No início dos anos noventa havia uma possibilidade real de isto acontecer. ínfima, mas real. Entre pessoas anormalmente cultas e inteligentes, claro. Porém, uma década mais tarde, não há. Vivemos na época dos tops, dos calções curtos e das mini-mini-saias. Vivemos numa época de produção hormonal descontrolada. Já nem as senhoras dominam as glândulas endócrinas. Sobretudo as senhoras. Aliás, são elas a principal causa do caos sexual em que vivemos. São elas as provocadoras das erecções ilegítimas, que tanto embaraço causam. Qual época glaciar, qual aquecimento global, qual carapuça. Nós atravessamos o período do sempre em pé. Da erecção permanente. Já não é possível atravessar dois quarteirões, num bairro minimamente decente, sem andar com o mastro erguido. São os Descobrimentos sexuais. Cheiramos um decote, lá vem ele espreitar. Vemos a empregada de quatro a limpar os rebordos da sanita, levanta-se o dito cujo. Ligamos a televisão, toca logo a alvorada. É toda uma circulação sanguínea que está fora de controlo. Não me admira, que cada vez morra mais gente com problemas cardíacos. Era de esperar.
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Ao longo da última década, verifiquei diligentemente a teoria do grande grande Miguel Esteves Cardoso. Fui o melhor amigo de um (não tão amplo como eu gostaria) bando de raparigas. Fui aquele idiota que vê, ouve, sorri (em tons de amarelo, diga-se), dá o ombro nas horas difíceis, mas não toca. Pode tudo, menos tocar. Resultados? Amargos e penosos. Extremamente penosos. E acima de tudo, tristes. Porquê? Porque eu quero sexo, meus amigos. Eu vivo em função do tacto. Eu quero carnificina. Mas uma carnificina saudável, entenda-se. Quero iniciar-me nas artes abstractas da paixão. Do Lado De Swann? Tenho tempo. Quero adiar o Senhor Proust por mais uns anos e dedicar as minhas noites em branco ao exercício da pélvis.

Porém, nem tudo é mau. Quero dizer: é mau, mas não é assim tão mau. Anos e anos de frustração sexual e prevenção do tumor da próstata através da masturbação permitiram-me obter um vasto conhecimento tácito. Algo só ao alcance de extensas horas de solidão e muitas mais de contemplação. Acreditem em mim, quando vos digo: O mundo divide-se, verdadeiramente, em dois grupos. Só dois grupos: Aqueles e aquelas. Eles e elas. É científico.

Tiago Galvão

Publicado por Santiago às 12:24 PM | Comentários (31)

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