dezembro 4, 2006
Novo Museu de Ciência
Amanhã, dia 5 de Dezembro, será inaugurado o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. O antigo Laboratório Chimico, mandado erguer pelo Marquês de Pombal, foi escolhido como o local ideal para o museu, no centro da Alta de Coimbra, onde se encontra a velha Universidade.
Depois de ter reformado a cidade de Lisboa, o Marquês de Pombal revolucionou a Universidade de Coimbra. Em 1772 mandou erguer o que é o primeiro edifício a nível mundial destinado ao ensino da Química - o Laboratório Chimico. Este belo edifício, abre no dia 6 de Dezembro ao público como sede do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. A remodelação do arquitecto João Mendes Ribeiro e colaboradores é espectacular. A exposição de abertura, intitulada Segredos da luz e da matéria, mostra não só como era a ciência no tempo em que a química nascia, mas também como a ciência está viva hoje. Todos os que gostam de história, de arte ou de ciência são bem-vindos.
A exposição que inaugura o Museu da Ciência explora o tema da luz e da matéria, cujo conhecimento sofreu um forte impulso com a revolução científica ocorrida no século XVII, continuou com a criação da ciência química em finais do século XVIII e tem prosseguido até aos nossos dias. Além dos objectos que contam a história do edifício e do ensino e experimentação, o Museu da Ciência integra diversos equipamentos multimédia e muitos módulos interactivos, por forma "a permitir que os visitantes entrem no mundo da ciência. Por exemplo, um dos módulos trata a evolução do olho nos seres vivos, desde o olho dos animais primitivos até ao olho humano.
Para o biólogo Paulo Mota Gama, director do Museu, esta é a primeira fase daquele que se pretende seja "um grande complexo museológico científico da Universidade de Coimbra". Esse Museo incluirá, entre várias outras, as ricas colecções de história natural com origem no Gabinete de História natural que o Marquês também instituiu. Para o espaço, é intenção atrair "muito público, jovens, grupos escolares, famílias, pessoas mais novas ou mais velhas que se sintam motivadas e que tenham a curiosidade de vir ao Museu da Ciência".
O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra funcionará de terça-feira a domingo, num horário das 10H00 às 18H00. O Museu será servido por uma cafetaria de apoio, funcionando para o público em geral e de acesso livre e que, para já, funcionará num edifício adjacente ao Chimico.
SJA | 2:09 PM | Comentários (2) | TrackBack (0)
dezembro 2, 2006
Geração cientista

Há cerca de um ano atrás, a Associação Viver a Ciência apresentou um projecto editorial chamado Profissão: Cientista/ Retratos de uma geração em trânsito. Depois das entrevistas da TSF, este livrinho deu agora origem a um programa de televisão que se estreia hoje na RTP2 às 19.30.
Os cientistas que fizeram parte do Profissão cientista, serão agora estrelas, aos pares, deste novo programa televisivo. As estrelas deste primeiro "episódio" são Patrícia Beldade e Rui Loja Fernandes. Uma metade do programa sobre evolução e a outra sobre geometria e dinâmica de sistemas.
Àqueles que virem o programa, peço que deixem os vossos comentários aqui neste post.
SJA | 12:46 PM | Comentários (5) | TrackBack (0)
novembro 29, 2006
Lançamento de livro na biblioteca Joanina

A Reitoria da Universidade de Coimbra, o Editor da Gradiva e o Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, organizam amanhã dia 30 de Novembro, pelas 18 horas, na Biblioteca Joanina, a cerimónia de apresentação do livro A Fórmula de Deus, da autoria de José Rodrigues dos Santos.
A apresentação da obra, em algumas partes da acção se desenrolam na Biblioteca Joanina, será feita pelo Professor Jorge Dias de Deus, seguida de uma sessão de autógrafos pelo autor do livro.
É caso para dizer que "Deus comentará a Fórmula de Deus"!
SJA | 5:09 PM | Comentários (1) | TrackBack (0)
Que emoção
As mulheres sentem as emoções com maior intensidade do que os homens, revela um estudo científico realizado em Portugal denominado Construção psicológica das emoções: o efeito do movimento dos músculos da face. Estudo empírico com portugueses. Este trabalho foi realizado pelo Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Universidade Fernando Pessoa no Porto e pretendeu perceber de que forma os músculos faciais podem exibir as emoções básicas.
No estudo participaram 338 portugueses (169 mulheres e 169 homens), de idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos. As emoções escolhidas foram medo, desprezo, tristeza, fúria, felicidade e surpresa.
O director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, Freitas Magalhães, explicou à agência Lusa que o procedimento consistiu em solicitar aos participantes que usassem os 46 músculos faciais para exibir as emoções.
As conclusões referem que as expressões faciais reflectem e determinam como se exprimem as emoções e que as mulheres sentem as emoções com maior intensidade do que os homens. As emoções foram sentidas mais intensamente também entre os participantes com idades entre os 40 e os 60 anos, factor que está relacionado com a aprendizagem e com o facto de as pessoas mais idosas terem uma maior predisposição para as emoções, segundo Freitas Magalhães.
Parece-me muito interessante. Mas onde é que está o artigo onde tudo isto foi publicado?
SJA | 9:29 AM | Comentários (2) | TrackBack (0)
novembro 23, 2006
E do fardo de ser alto
Ao que parece também existem muitos estudos que provam a existência de uma correlação negativa entre altura e mortalidade. E claro, a mortalidade masculina é superior à feminina.
Imagine-se o que acontecerá a um homem canhoto de 2 metros...
SJA | 7:37 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)
CULTURA CIENTÍFICA PARA TODOS – EM MEMÓRIA DE RÓMULO DE CARVALHO

Amanhã, dia 24 de Novembro, comemoram-se cem anos do nascimento de
Rómulo de Carvalho, o professor de Ciências Físico-Químicas do ensino secundário que foi também o poeta, dramaturgo e artista António Gedeão. Além disso foi um grande historiador de ciência e um teórica da pedagogia (tem um volume publicado pela Universidade de Coimbra sobre o Gabinete de Física Experimental dessa Universidade, hoje Museu da Física, e acaba de sair uma sua colectânea de textos pedagógicos "Ser Professor"). Foi, portanto, um extraordinário e polifacetado homem de cultura, adoptado como patrono da cultura científica entre nós (o dia 24 de Novembro é o Dia Nacional da Cultura Científica). Neste ano comemoram-se também os 50 anos da sua estreia literária com o livro de poemas "Movimento Perpétuo", publicado pela editora Atlântida de Coimbra quando o autor ensinava no Liceu D. João III, hoje Escola Secundária José Falcão, em Coimbra.
Para assinalar o dia, o Centro de Neurociências e Biologia Celular, Laboratório Associado, e o Centro de Física Computacional, da Universidade de Coimbra, organizam, na Livraria Almedina Estádio, em Coimbra, no dia 24 de Novembro, pelas 21 horas, uma sessão intitulada:
Cultura Científica para todos. Memória de Rómulo de Carvalho
com a presença de José Urbano, Professor de Física da Universidade de Coimbra, Presidente da Sociedade Portuguesa de Física e ex-aluno de Rómulo de Carvalho no Liceu D. João III, de Carlos Fiolhais, Professor de Física da Universidade de Coimbra e Director da Biblioteca Geral da Universidade, de Miguel Castelo-Branco, médico, Professor da Faculdade de Medicina e investigador do Centro de Oftalmologia e Ciências da Visão da Universidade de Coimbra, de Cláudia Pereira, Investigadora da Faculdade de Medicina e do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e de Margarida Gama Carvalho, Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa e neta de Rómulo de Carvalho.
Continue a ler "CULTURA CIENTÍFICA PARA TODOS – EM MEMÓRIA DE RÓMULO DE CARVALHO"
SJA | 1:14 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)
novembro 19, 2006
Semana da Ciência e Tecnologia - Rómulo de Carvalho
Esta semana marca o centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho, nascido a 24 de Novembro de 1906, e é também a Semana da Ciência e Tecnologia. A origem da Semana da Ciência e da Tecnologia situa-se em 1996, data em que se decidiu promover um conjunto de iniciativas para homenagear Rómulo de Carvalho, professor, historiador da ciência e poeta (sob o heterónimo António Gedeão), na semana do seu aniversário.
Por todo o país, terão lugar eventos relacionados com a ciência e cultura científica e também sobre a vida e obra de Rómulo de Carvalho. O Ciência Viva apresenta um programa cheio. No Porto, o IBMC (ver poster) apresenta um programa para toda a semana subordinado ao tema "Homem Novo", o título de um dos poemas de António Gedeão.
Também esta semana é atribuído o prémio Rómulo de Carvalho recentemente instituído pela Universidade de Évora, que visa premiar um autor de língua portuguesa relevante no domínio da história e didáctica das ciências e em divulgação científica. O prémio Rómulo de Carvalho deste ano, será atribuído a Carlos Fiolhais, em cerimónia a realizar na Universidade de Évora, no dia 24 de Novembro, dia nacional da cultura científica e o dia que assinala o centenário do nascimento do grande cientista, divulgador de ciência, e poeta português.
(Carlos Fiolhais receberá também esta semana o "Prémio Inovação" do Fórum III Millenium, uma iniciativa do jornal Primeiro de Janeiro, pela sua dedicação à divulgação científica. Está de parabéns e, como se diz por aí, "na berlinda"! E pensar que ele já escreveu para o Conta...)

SJA | 5:45 PM | Comentários (5) | TrackBack (0)
Poema do Homem Novo

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade inteira saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.
Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.
Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.
Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.
Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.
Mais um passo.
Mais outro.
Num sobrehumano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.
António Gedeão, 1970
SJA | 4:51 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)
novembro 16, 2006
A Fórmula de Deus

O novo livro de José Rodrigues dos Santos é um livro que tem uma "fórmula". Tem o historiador/criptoanalista português, “homem de cabelo castanho e olhos verdes cristalinos”. Tem a cientista iraniana, “mulher alta e de longos cabelos negros” e “olhos de um intrigante castanho-amarelado”. Tem um mistério por revelar. Também por lá andam os bons e os maus, a religião e o terror. Descreve pormenorizadamente uma cena de sexo, à beira de um lago, entre o historiador/criptoanalista dos olhos verdes e a estonteante cientista iraniana dos olhos dourados e “lábios grossos e sensuais”. E há prisões e raptos, um tiroteio, mensagens em código, algumas mortes e monjes budistas. Tudo contido em 570 páginas que parecem curtas. É um livro de leitura fácil e de ritmo agradável. Uma fórmula magistral, para quem goste do estilo, e que valerá, provavelmente, a entrada directa na lista de "best-sellers" para o Natal de 2006.
Mas a "Fórmula de Deus" é também um livro de divulgação científica. Está o leitor preocupado com os afazeres e aventuras do personagens e, eis se não quando, aparecem a teoria do Big Bang e as hipóteses do Big Freeze e do Big Crunch. Como quem não quer a coisa, o autor descreve teorias científicas e, de uma maneira acessível, explica-nos a teoria quântica, com o princípio de Heisenberg e o gato de Schrödinger. Como numa mensagem subliminar, a física e a matemática aparecem por todo o livro, no meio das perseguições, tiroteios e o prazo, totalmente imprescindível, de poucas horas para revelar o mistério da fórmula de Deus.
Há dias, dizia-me uma amiga acerca do livro “epá o livro é giro, mas tem muita física!”. Não acho que a ciência seja demais. É até um exemplo a seguir para, de uma maneira diferente, mas muito eficaz, vulgarizar alguns conceitos da ciência.
SJA | 3:12 PM | Comentários (3) | TrackBack (0)
novembro 2, 2006
100 anos da doença de Alzheimer

No dia 3 de Novembro de 1906, Alois Alzheimer deu uma palestra num encontro de psiquiatria na Alemanha, onde apresentou a descrição neuropatológica e clínica de um dos seus pacientes. Esta doente, Auguste D., morreu, com 55 anos, após demência e uma história clínica de apenas 4 anos. Na descrição deste caso, Alzheimer discutiu as características clínicas desta paciente e também as patologias que observou no cérebro após autópsia, que incluíam placas e fibrilhas. Alzheimer não foi o primeiro a descrever o quadro clínico desta doença (que os gregos já haviam documentado) assim como as placas que também já haviam sido descritas por Redlich em 1898. No entanto, ele foi o primeiro a observar e descrever as fibrilhas e assim dar o seu nome a esta doença. Estes avanços foram possíveis devido ao desenvolvimento das marcações de tecidos com nitrato de prata.
As preparações, marcadas com prata, do cérebro de Auguste D. foram recentemente recuperadas e reanalisadas e a sua análise confirmou que, actualmente, utilizamos o termo Alzheimer para descrever os mesmos casos.
Desde esse dia, há 100 anos atrás, muito se tem feito para melhor compreender esta doença. Durante os primeiros anos o ênfase esteve na maior e melhor definição da doença tanto por patologistas como neurologistas. O segundo período de investigação em Alzheimer focou-se na investigação neuroquímica que levou à identificação das lesões colinérgicas (perda de células neuronais colinérgicas) na doença. As terapias correntes para a doença de Alzheimer, baseiam-se nesta descoberta, mas infelizmente, nestes últimos 100 anos poucas aplicações médicas têm feito progressos no tratamento dos doentes. Nos dias de hoje, aposta-se na análise da doença através de técnicas de biologia e genética molecular. As novas descobertas poderão ser lentamente inseridas no tratamento da doença de Alzheimer, mas muito ainda há para fazer neste segundo centenário.
SJA | 7:53 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)
outubro 26, 2006
BEHAVIOUR PATHOLOGIES
Parte da nova série de workshops do IGC, realizar-se-á, de 14 a 16 de Fevereiro de 2007 o Workshop on “BEHAVIOUR PATHOLOGIES: BIOLOGICAL APPROACHES”. O data limite para inscrições é dia 12 de Dezembro.
SJA | 10:53 AM | Comentários (0)
outubro 24, 2006
Milipeia

"Milipeia", ou "Super-Centopeia", é o novíssimo supercomputador do país que foi ligado com sucesso, na Universidade de Coimbra, na passada quarta-feira, estando agora em fase de testes. Este computador, que tem 528 processadores, sucede à Centopeia, que tinha apenas 108 e que estava a trabalhar desde 1998, e é cerca de dez vezes mais rápido. O seu rendimento sustentado é de 1,5 Teraflops (um milhão e meio de milhões de operações aritméticas por segundo). Este projecto, realizado no Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, por Carlos Fiolhais, Manuel Fiolhais, Pedro Alberto e Fernando Nogueira (os "meninos" da foto), tem um investimento total que ronda os 700 mil euros, para além do custo da infraestrutura que já estava disponível.
Optou-se, primeiro na "Centopeia" e agora na "Milipeia", pela computação paralela, feita por uma bateria de processadores em paralelo. O nome das máquinas vem daí: assim como uma centopeia ou um milípede (bichos do grupo dos miriápodes) têm de movimentar todas as patas ao mesmo tempo para avançar, assim também para resolver um problema científico todos os processadores ("patas") têm de avançar ao mesmo tempo. A "Milipeia" tem um milhão de megabytes de memória, um valor cerca de 2000 vezes superior ao dos computadores pessoais à venda no mercado.
O novo supercomputador, o maior do país, vai poder ser usado por cientistas portugueses para efectuarem cálculos em áreas como a a física de partículas e nuclear, astrofísica, geofísica, bioquímica e biomedicina, estando aberto à comunidade científica. Entre os bio-projectos inclui-se um de cálculo de “folding” de proteínas realizados por bioquímicos de Coimbra e, em fase embrionária, um programa de biomedicina computacional, em colaboração com o Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra e que envolve as Faculdades de Medicina e Farmácia daquela universidade.
Ainda que bastante poderoso, este "cluster" de computadores não consegue entrar na lista dos 500 mais poderosos do mundo , um ranking dominado pelos EUA e onde a Espanha marca presença com um sistema, o MareNostrum. Carlos Fiolhais quer mais, conforme declarou no recente encontro no Porto sobre "Novas Fronteiras das Ciências": "Gostaríamos de ter três mil processadores com cerca de dez teraflops de desempenho e gostaríamos de poder beneficiar de uma rede nacional de supercomputação. Temos de nos associar para dispor de algo maior, algo que seja competitivo à escala internacional. Querer isso não é querer a Lua, mas simplesmente querer estar no cimo da Terra."
SJA | 1:31 AM | Comentários (2)
outubro 18, 2006
Prémios IgNobel 2006

Os prémios IgNobel 2006 foram mais uma vez organizados pelo Annals of Improbable Research e entregues, em Boston, no dia 5 de Outubro. Sempre com o intuito de divertir, este ano, na sua 16™ edição os IgNobeis foram atribuídos, entre outros, à explicação científica do porquê de os picapaus não terem dores de cabeça, ao estudo da atracção de um mosquito ao cheiro do queijo e ao relatório médico da terminação do soluços por massagem (digital) anal.
O prémio IgNobel da Ornitologia foi para Philip May e Ivan Schwab que se perguntaram por que é que os picapaus não têm dores de cabeça. Os picapaus, que chegam a bater com os bicos nos troncos das árvores mais de 12000 vezes ao dia, possuem crâneos preparados para tais actividades. Possuem também um mecanismo que faz com que os seus olhos não saiam das órbitas pelo impacto do bico contra o tronco.
Na Biologia, os louros do IgNobel foram para o estudo, de Bart Knols e Ruurd de Jong, sobre a atracção do mosquito Anopheles Gambiae ao cheiro do queijo Limburger. Para além disso, estes cientistas demonstraram que a atracção do mosquito, não é só ao cheiro do queijo, mas igualmente ao cheiro a pés humanos.
O prémio IgNobel da Medicina foi atribuído a Francis Fesmire pelo seu relatório médico da cura de um caso (quase) intratável de soluços. Depois de tentar todas as soluções possíveis o Dr. Fesmire conseguiu curar o seu paciente dos soluços que o torturavam há 72 horas, efectuando uma massagem rectal com o seu dedo. Daí até à publicação e ao IgNobel foi um piscar de olhos.
Fica-nos o conselho. Nada de sustos ou beber água por um copo ao contrário. Em casos agudos de soluços já se sabe o que fazer.
SJA | 12:04 AM | Comentários (0)
outubro 12, 2006
Prémio Citomed de Investigação em Imunologia 2006

O prémio Citomed de investigação em imunologia vai ser este ano atribuído a Leonor Sarmento durante a XXXII Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Imunologia em Braga, no próximo sábado, dia 14 de Outubro. Este prémio, uma iniciativa conjunta da Associação Viver a Ciência, da Sociedade
Portuguesa de Imunologia e da empresa Citomed, foi atríbuido a esta cientista pelos resultados do seu trabalho sobre o efeito de Notch1 na progressão do ciclo celular.
Continue a ler "Prémio Citomed de Investigação em Imunologia 2006"
SJA | 10:14 AM | Comentários (0)
outubro 7, 2006
3º Encontro - O Ensino Informal das Ciências para as Pessoas com Necessidades Especiais
No próximo dia 12 de Outubro vai realizar-se no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, o 3º Encontro “O Ensino Informal das Ciências para as Pessoas com Necessidades Especiais”. Neste 3™ Encontro pretende-se promover o debate e a partilha de experiências entre profissionais, divulgar novos projectos e programas e discutir novas abordagens para a promoção da ciência junto das pessoas com necessidades especiais.
Este encontro focar-se-á na divulgação das várias estratégias que têm sido utilizadas nalguns centros de ciência, as quais permitem que as crianças e os jovens com necessidades especiais possam tirar o máximo de experiências, quer sociais quer cognitivas. Também se apresentarão vários projectos de divulgação científica, onde as escolas e instituições de educação especial podem recorrer e participar ao longo do ano. E por último, realizar-se-ão também workshops para informar e disponibilizar vários programas (software e sites) ligados às Ciências e Tecnologias de Informação e Comunicação que têm sido e/ou podem ser utilizados com as pessoas com necessidades especiais.
A partilha entre o museu e os professores/técnicos é indispensável para o sucesso de qualquer acção. Sem essa relação, nada ou pouco acontece!
SJA | 2:41 PM | Comentários (0)
setembro 15, 2006
Fórum Ciência e Comunicação

SJA | 10:56 AM | Comentários (0)
setembro 8, 2006
V FIIP

De 21 a 23 de Setembro decorrerá o quinto encontro do Forum Internacional de Investigadores Portugueses (FIIP), na Biblioteca Almeida Garret, Palácio Cristal, no Porto. Este encontro, dedicado ao tema da Biomedicina, reunirá cientistas de renome internacional, estrangeiros e portugueses, a exercer as suas actividades dentro e fora do país. A cerimónia de abertura, a realizar-se pelas 09H00 do dia 21 de Setembro contará com a presença do Ministro da Ciência e da Tecnología e do Ensino Superior, Prof. Doutor José Mariano Gago, e do Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Rio.
Para além da comunicação dos mais recentes resultados de investigação de ponta, o encontro fornecerá um espaço para a reflexão e debate sobre o papel da Biomedicina no mundo de hoje, no que respeita à competitividade, ensino das ciências e questões de cultura científica e democracia inclusiva.
Serão abordados tópicos nas áreas prioritárias de infecção e cancro, memória e cognição, epidemias víricas, bioengenharia e bionanotecnologia. O encontro contará ainda com mesas redondas abrangendo o empreendedorismo, o futuro da engenharia biomédica em Portugal e a comunicação e ensino das Ciências da Vida.
O encontro é organizado pelo Fórum Internacional de Investigadores Portugueses, cujo objectivo é estimular a organização, a mobilidade e a internacionalização da comunidade científica portuguesa, nomeadamente através da promoção de redes temáticas de Ciências e Tecnologia. Conta com os apoios da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e a Fundação Calouste Gulbenkian.
SJA | 4:36 PM | Comentários (2)
agosto 17, 2006
Visualmente a Comunicar Ciência
Seguindo a tendência deste Verão, hoje trago-vos mais uma convidada. Diana Marques é uma excelente ilustradora científica freelancer e bióloga formada em Portugal e nos Estados Unidos, com experiência de trabalho em comunicação visual de ciência para o público em geral e para a comunidade científica. Divide actualmente o seu tempo entre os Estados Unidos e Portugal, colaborando frequentemente com o museu de história natural do Smithsonian em Washington e trabalhando com clientes nos dois paises. A primeira edição do Workshop de Introdução à Ilustração Científica Digital, o primeiro do género em Portugal, esteve a seu cargo e ocorreu na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa através do Centro de Investigação e Estudos de Anatomia e Ilustração Científica entre Março-Maio deste ano. Esperamos poder contar com futuros posts da Diana. SJA

Alguma vez ouviram dizer que comunicar ciência é fácil? A favor dos comunicadores está sem dúvida a originalidade e o desconhecimento em geral dos temas por parte da audiência; mas contra, está tudo o resto: a complexidade, a linguagem específica, os mecanismos abstractos, os conceitos difíceis de transmitir e não observáveis...
Foi da necessidade de comunicar ciência e da inerente dificuldade em fazê-lo que nasceu a Ilustração Científicaóa Arte ao serviço da Ciência*.
As ilustrações científicas podem ser (e muitas vezes são) obras de arte. Mas a sua finalidade primária e razão de existência é bastante mais prática: comunicar ciência visualmente, auxiliando ou substituindo as palavras escritas e orais, para o público em geral e para a comunidade científica.
São as ilustrações que expõem o que as máquinas fotográficas nunca conseguiram ver, nos livros de Biologia Celular como funcionam os receptores das membranas e nos de Geologia o interior da Terra, para não falar das ilustrações do espaço remoto ou do fundo dos oceanos; são os painéis nas paredes dos museus que nos desvendam a aparência dos dinossauros em vida e as imagens dos artigos científicos os aspectos taxonómicos de novas espécies; são os sites interactivos e as animações que cada vez mais cativam e instruem crianças e adultos sobre o mundo da ciência.
Mas a eficácia de uma ilustração científica não resulta apenas de revelar o que de outro modo não seria observável. Na verdade, cada ilustração é a consequência de um estudo estratégico: tendo em conta a audiência, o conteúdo informativo e o suporte final da mensagem, o ilustrador edita a informação que recolheu de muitas e diferentes fontes e cria uma imagem cientificamente rigorosa, clara e apelativa, que é fácil e eficazmente assimilada.
Será que não existe alguma subjectividade no processo de edição da informação? Sim, com certeza. Por isso é que um ilustrador científico profissional tem uma preparação académica cientifica e artística e trabalha, de um modo geral, em contacto próximo com cientistas. A preocupação primária é o rigor científico, os aspectos estéticos são cuidadosamente tidos em conta de modo a não interferir com o conteúdo e apenas melhorar a sua transmissão.
Em Portugal a ilustração científica já deu os seus primeiros passos e não é arriscado dizer que há algum reconhecimento da sua existência. Workshops e cursos de ilustração científica de técnicas tradicionais e agora também de técnicas digitais ocorrem periodicamente e cada vez mais existe interesse em contar com o trabalho dos ilustradores para a valorização e capacitação da comunicação científica.No entanto, a falta de informação e ideias pré-concebidas sobre o seu uso, custos e aplicações, continuam a interferir com o papel importante que a ilustração científica pode desempenhar.
Um pouco por todo o mundo, institutos de ciência, museus, editoras e media contam com os serviços permanentes ou periódicos de ilustradores científicos e estudantes e cientistas são habilitados durante a sua formação a comunicar melhor visualmente. Como em várias outras situações, temos de olhar para fora das nossas fronteiras e seguir os exemplos de sucesso, procurar optimizar os nossos recursos para melhorar a eficácia dos nossos projectos.
Da parte dos ilustradores os esforços de sensibilização e divulgação vão com certeza continuar e vocês, da próxima vez que jocosamente vos perguntarem “queres que te faça um desenho?”, já sabem o que hão de responder... “Sim!”
Texto e ilustração de Diana Marques (*alguns dos conceitos usados foram extraídos do livro “The Guild Handbook of Scientific Illustration”, editado por Elaine Hodges, John Wiley and Sons, 2003)
SJA | 8:23 AM | Comentários (3)
agosto 10, 2006
Workshop Comunicar Ciência 2006

De 27 a 30 de Setembro de 2006 vai realizar-se no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC-INEB), Porto, o terceiro workshop Comunicar Ciência. Este workshop é dirigido a todos os cientistas portugueses e tem como objectivo principal melhorar a comunicação entre os investigadores científicos portugueses, os meios de comunicação e o público.
Este ano, o Comunicar Ciência seguirá os mesmos moldes dos seus antecessores, que tiveram lugar no IGC, em Setembro de 2003 e 2005. Desta feita, está também a ser organizado pelas organizadoras de anos anteriores, eu, a Mónica Bettencourt Dias e a Ana Paula Coutinho, e também por Julio Borlido Santos (do IBMC, Porto).
16 cientistas portugueses de qualquer área, participarão em 3 dias e meio de actividades abrangendo as várias vertentes da comunicação de Ciência para audiências não técnicas. Em suma, aprenderão a escrever comunicados de imprensa e notícias científicas, como preparar/agir durante uma entrevista e como comunicar e organizar actividades para/com vários públicos. Analisarão também várias formas de comunicar situações de risco em ciência.
As inscrições estão abertas até dia 5 de Setembro e poderão ser feitas aqui, onde também se encontra mais informação sobre o workshop.
SJA | 2:03 PM | Comentários (0)
agosto 9, 2006
Os melhores blogues de ciência

Apesar de raros, os blogues de ciência espalhados por esse mundo fora, ainda vão sendo lidos. A revista Nature publicou no passado mês de Julho o top 5 dos blogues científicos. De acordo com Technorati, cinco blogues de ciência (dos mais de 40 milhões indexados) chegaram ao top 3500.
O blog de ciência com a posição mais elevada nesta lista é Pharyngula. Em 179º lugar, este blogue é obra de Paul Myers, um biólogo da Universidade de Minnesota. Com cerca de 20000 visitas por dia, este blogue mistura evolução com política, uma mistura algo explosiva para os EUA. Num comentário à Nature, Myers falou da importância, para a popularidade do seu blogue, de saber escrever como conversasse num bar e não como se escrevesse um artigo científico.
Os outros quatro blogues mais lidos (mas a grande distância da Pharyngula) são:
-The Panda's thumb (posição 1647)
-The Real Climate (posição 1884)
-Cosmic Variance (posição 2174)
-The Scientific Activist (posição 3429)
SJA | 11:29 PM | Comentários (0)
agosto 3, 2006
Significados duvidosos!
Hoje, a Fátima Alves, escreve-nos sobre acessibilidade. Estas perguntas são muito importantes quando, por exemplo, pensamos na organização de eventos de ciência para todos os públicos. SJA

Pictograma “reservado e/ou adaptado às pessoas com deficiência" (particularmente: pessoas com mobilidade condicionada = pessoas que permanente ou temporariamente estão em cadeira de rodas mas que facilita em muito as pessoas com carrinhos de bebé, pessoas com canadianas ou outros aparelhos de auxílio motor e pessoas com condições que reduzem a mobilidade sem que seja visível).
O Pictograma acima, universalmente conhecido, é sobretudo encontrado nos lugares de estacionamento ou para indicar os equipamentos adaptados (WC, elevadores, rampas etcÖ). Mas atenção! Mesmo com esta sinalização não quer dizer que a pessoa que se desloca em cadeira de rodas possa ter acesso ao sítio. Surgem várias situações das mais caricatas, tais como, conseguir estacionar mas um degrau da entrada não permitir andar para a frente, ou então, um pequeno degrau de 4 cm sem utilidade nenhuma pode contribuir para a queda das pessoas e limitação da pessoa em cadeira de rodas! A utilização obsessiva de degraus é abismal e a resolução destes por rampas tem principalmente uma versão radical (somente para pessoas que praticam desportos radicais).
Algumas questões relativas a pessoas com mobilidade condicionada:
- Existe transporte público acessível junto do sítio?
- Existe estacionamento reservado a pessoas com mobilidade condicionada?
- É possível uma viatura ou táxi deixar a pessoa junto à entrada do sítio?
- A porta da entrada principal permite o acesso?
- A circulação horizontal (largura dos corredores, espaço de viragem, planos inclinados, sinalização de obstáculos, abertura de portas, interruptores etcÖ) é segura e possível?
- A circulação vertical (escadas, sinalização dos degraus, rampas, corrimão, elevadores etcÖ) é segura e possível?
- Existem WC adaptados?
- Existem telefones a várias alturas?
- O bar é acessível, isto é, é possível chegar a ele?
- A sala ou o auditório permitem o seu acesso?
- Evacuação em caso de emergência, como?
- (Ö)
Eventualmente, algumas ou muitas destas questões poderão ser resolvidas com a prevenção, isto é, sabendo exactamente a situação com apoio externo (avaliação que pode ser obtida através das câmaras / associações - entidades / pessoas especializadas); poderão ser criadas soluções económicas a curto prazo ou escolher salas de mais fácil acesso. Portanto, há que tomar medidas, com um plano adequado de forma a resolver de forma definitiva estas falhas.
O importante é ter uma informação credível e que possa e deva ser divulgada de forma a não criar expectativas erradas.
Um conselho! Experimente sentar-se numa cadeira de rodas e faça o percurso desde o seu carro até e dentro do seu local de trabalho. Verifique até onde consegue chegar. Garanto-lhe desde já, uma mudança na sua percepção.
Por fim, nunca é demais repetir que a acessibilidade é uma condição essencial para a segurança, autonomia e inclusão social de todas as pessoas em qualquer espaço.
Alguns sites para consulta:
http://www.un.org/esa/socdev/enable/designm/
http://www.eca.lu/publications.php
2010 Uma Europa Acessível a Todos:
http://europa.eu.int/comm/employment_social/index/final_report_ega_en.pdf
Perguntas/Informações: comunicar.ciencia.ne@gmail.com
Texto de Fátima Alves
SJA | 2:54 PM | Comentários (0)
julho 26, 2006
Debate na LPN

No Dia Nacional da Conservação da Natureza, 28 de Julho, a LPN comemora o seu 58.º aniversário, assinalando a data com a realização de um debate sobre o tema “A Conservação da Natureza e da Biodiversidade - Os Meios de Comunicação Social e a Sociedade Civil”.
As questões relacionadas com a Conservação da Natureza são muitas vezes complexas e exigentes, obrigando a soluções de consenso, num balanço que só é aceite numa sociedade informada e participativa.
Partindo de alguns exemplos concretos, pretende-se discutir e escrutinar as razões para a existência de algumas lacunas na passagem da mensagem dos especialistas e das ONGA através da comunicação social.
Consciente das potencialidades que a comunicação social tem enquanto fonte de informação sobre ambiente e ciente do seu poder na influência da opinião pública, a LPN procura, com este debate, encontrar formas de ultrapassar essas lacunas.
A LPN desafia todos quantos queiram contribuir para enriquecer este debate, que conta já com nomes respeitados dos vários quadrantes, da comunicação social, aos representantes das ONGA e outros representantes da sociedade civil.
17h - Abertura
Presidente da LPN, Eugénio Sequeira
17h15 ñ O papel da Comunicação Social: desafios e dificuldades
Pedro Brinca (Setúbal na Rede)
Carla Tomás (Expresso)
17h30 ñ Debate moderado por Mário Batista Coelho
19H ñ Bolo de aniversário da LPN
Importante - Agradece-se confirmação de presença até ao final do dia de hoje.
Tel: +351 217 780 097
E-mail: lpn.natureza@lpn.pt
SJA | 4:05 PM | Comentários (0)
julho 22, 2006
Porque se fala cada vez mais em Acessibilidade?
Hoje, a Fátima Alves, explica-nos o conceito de acessibilidade.SJA

Desde sempre, têm existido pessoas de todas as “maneiras”, no entanto, insistimos em criar um mundo só para alguns ou para a maioria (como se costuma dizer), isto é, pessoas “normais”. Desta generalidade, foi-se criando e restringindo o acesso ao espaço e à participação/utilização de bens públicos e privados. Consequentemente, a visibilidade da diferença/diversidade tantas vezes referida como essencial na evolução da espécie humana, tornou-se invisível e/ou associada à boa vontade ou infortúnio.
Hoje, com 10% da população mundial apresentando necessidades especiais e uma sociedade cada vez mais envelhecida, começamos a sentir na pele esta indiferença “fermentada” por tantos anos.
O conceito de acessibilidade tem um significado vasto, mas que se resume a que qualquer pessoa possa usufruir de forma autónoma e tirar o máximo da oferta de qualquer espaço ou sítio. Temos tendência a pensar que a acessibilidade só tem a ver com pessoas com deficiências ou que então trata apenas do acesso arquitectónico. A prática diz-nos que são bem mais as pessoas que este conceito envolve.
Para que qualquer pessoa (funcionários, colaboradores e público externo) possa entrar, estar e participar activamente em todo espaço é preciso reunir várias condições:
ACESSO EXTERNO (componente física e informativa)
ACESSO INTERNO (componente física, informativa e participativa)
Sabermos que meios de transporte, estacionamentos, entradas (degraus, rampa, elevador), que informações nos diversos meios de divulgação (site, folhetos, poster etcÖ), que conhecimentos acerca do nosso público devemos saber e vice-versa, que condições temos e o que podemos melhorar a curto ou médio prazo; estas e muitas outras questões poderão fazer a diferença, isto é, se estamos realmente a desenvolver um trabalho para Todos ou então apenas para as Pessoas do costume.
Texto de Fátima Alves
SJA | 3:16 PM | Comentários (1)
julho 19, 2006
NANOTECNOLOGIA, O FUTURO VEM Aí!

Voltamos a ter a honra de ter um texto de Carlos Fiolhais aqui no Conta, desta vez um original escrito de propósito para nós. Espero que gostem e que, brevemente, tenhamos mais! SJA
“Nano” é uma expressão que está em moda. O prefixo “nano” está, desde há algum tempo, a proliferar não só nos títulos de artigos científicos e patentes tecnológicas (a tal ponto que a mera inclusão de “nano” no título aumenta logo a probabilidade de publicação ou de aceitação do registo...) mas também nos títulos de jornais (já chegou até às primeiras páginas dos tablóides). De onde vem essa moda? O que tem o nano de novo?
Nanometro é um milionésimo do milímetro, ou, se se preferir, um milésimo do mícron. Se uma pequena formiga tem cerca de um milímetro de tamanho, uma célula dela tem alguns milésimos de milímetro e uma molécula orgânica tem apenas alguns milionésimos de milímetro. O mícron é a escala celular ao passo que o nano é a escala molecular. Se o insecto se vê a olho nú, uma célula dela só pode ser observada com um microscópio óptico e a molécula de DNA, no núcleo da célula, só desvenda os seus segredos mais íntimos com microscópios especiais. A molécula de DNA é bastante longa, mas a sua largura é apenas de alguns nanómetros. É elegantíssima!

As máquinas-ferramentas da vida cujas estruturas e, portanto, funcionalidades, estão codificadas no DNA ñ as proteínas - têm o tamanho do nano. O nano é a escala das estruturas biológicas e, nesse aspecto, não há nada de novo. Estruturas desse tipo, muito complexas e por vezes ainda mal conhecidas, foram fabricadas pela Natureza, ao longo do lento processo evolutivo sem haver recurso à mão humana (a biotecnologia só recentemente explora a possibilidade de o homem interferir nos blocos constituintes dos seres vivos). Mas agora há algo de novo, de espectacularmente novo... Conhecendo bem os átomos e as suas ligações ñ e, lembremo-lo, toda a química e toda a biologia assentam na possibilidade de os átomos se ligarem em moléculas, isto é, de os átomos “gostarem” de estar juntos ñ os cientistas conseguem hoje associar, com um dado propósito, os átomos, formando novas moléculas e também novos materiais.
Continue a ler "NANOTECNOLOGIA, O FUTURO VEM Aí!"
SJA | 5:21 PM | Comentários (2)
julho 13, 2006
Quem tem necessidades especiais?
Continuamos hoje com mais uma contribuição da Fátima Alves. SJA

Como disse no meu post anterior, trabalho há já alguns anos na comunicação/divulgação da Ciência para as pessoas com necessidades especiais, em particular, pessoas em cadeira de rodas, pessoas cegas/baixa visão, pessoas surdas e pessoas com deficiência mental. Por isso, parece-me essencial, dizer o que significa pessoas com necessidades especiais.
São pessoas, de todas as idades, que estão impossibilitadas de executar, independentemente e sem ajuda, actividades humanas básicas ou tarefas resultantes da sua condição de saúde ou deficiência física/mental/cognitiva/ psicológica, de natureza permanente ou temporária, ou seja:
1) Utilizadores de cadeiras de rodas;
2) Pessoas que têm dificuldade em andar, com ou sem ajuda;
3) Pessoas idosas debilitadas;
4) Os muito jovens (com menos de 5 anos de idade);
5) Pessoas que sofrem de artrite, asma, ou problemas de coração;
6) Pessoas com deficiência visual e/ou auditiva;
7) Pessoas que têm uma deficiência cognitiva, incluindo demência, amnésia, lesão cerebral ou delírio;
8) Mulheres em estado avançado de gravidez;
9) Pessoa com deficiências derivadas do uso de álcool, ou outras drogas como cocaína e heroína, e alguns medicamentos;
10) Pessoas que perderam total ou parcialmente as capacidades relacionadas com a linguagem (afasia);
11) Pessoas deficientes devido à exposição à poluição ambiental e/ou irresponsabilidade da acção humana.
Como podem ver, a listagem é grande!
Tenho-me concentrado em quatro delas: mobilidade / cegueira / surdez e deficiência mental. Porquê? Além da falta de tempo, tenho-me dado conta que ao criar condições/soluções para as pessoas que têm uma destas quatro deficiências, as melhorias são consideráveis no seu todo. Brevemente, nos próximos posts, irei referir algumas destas situações.
Fátima Alves
SJA | 5:44 PM | Comentários (1)
julho 10, 2006
Ciência para Todos?
No seguimento de um comentário ao post da Ana Coutinho, e devido ao excelente trabalho que exerce no Pavilhão do Conhecimento, convidei a Fátima Alves a colaborar connosco. A Fátima faz parte do Ciência Viva onde desenvolve projectos de divulgação de ciência para públicos com necessidades especiais. Para esta colaboração, abrimos uma categoria nova à qual chamamos Ciência para Todos. Esta categoria não é só para a Fátima, mas extendo desde já o convite a quem queira escrever sobre as suas experiências em comunicação com diferentes audiências.
Acordei hoje com uma boa sensação e inspirada para viver intensamente este belo dia de sol em Lisboa, mesmo que seja a trabalhar!
Nunca pensei que ao começar este projecto, repleta de preconceitos, que trabalhar na comunicação/divulgação de ciência para as pessoas com necessidades especiais se tornasse num dos meus maiores desafios profissionais e pessoais (não, não tenho familiares com necessidades especiais). A descoberta deste variadíssimo público mudou para sempre a minha visão do mundo e das pessoas. A satisfação de ir conhecendo pouco a pouco estas diferenças, das quais todos vamos fazendo parte mas poucos reconhecem, fortaleceu a minha convicção de estar no caminho certo. E porque tudo tem sempre um outro lado, o estar associada a este público colocou-me numa situação deveras movediça. Poucos acreditam seriamente que as pessoas com necessidades especiais têm, neste mundo, o seu real lugar.
Por isso, neste espaço, tentarei expôr passo-a-passo ideias, reflexões, bons e maus exemplos sobre tudo o que envolve a comunicação de ciência para pessoas com necessidades especiais. Por favor, não hesitem em colocar-me todas as questões que tenham, tanto aqui nos comentários como para o meu email. Aos que vivem fora de Portugal e estão atentos, peço que tragam também o que vai sendo feito de novo e diferente nesta área.
Fátima Alves
SJA | 9:51 AM | Comentários (2)
julho 7, 2006
POR QUË SÓ BONS NA BOLA?
Hoje temos outro convidado. Carlos Fiolhais é Físico (oh, não, um físico a escrever num blog de Biologia!) e um excelente comunicador de ciência que não necessita apresentações. Este desabafo sobre futebol foi escrito para o Campeão das provincias, depois da vitória de sábado, mas pareceu-me boa ideia pô-lo aqui também (apesar da recente derrota), com os devidos agradecimentos.

O futebol é um jogo simples baseado nas leis da física. E não é preciso invocar a física mais moderna (que é necessária para transmitir audiovisualmente os jogos), mas sim e apenas a velha física de Newton. A bola é um projéctil sujeito às leis da mecânica que se aprendem na escola.
Armando Vieira, um físico doutorado na Universidade de Coimbra, publicou recentemente um artigo numa revista norte-americana em que explicava um efeito estranho no pontapé. Essa contribuição portuguesa para a ciência do futebol não passou despercebida aos “media”: o “Público”, a SIC e a Sport-TV entrevistaram-no (na última junto com o ex-goleador Mário Jardel).
Os ingleses também estudam a ciência do golo. O último “Expresso” noticiava que um físico inglês, Ken Bray, da Universidade de Bath, tinha analisado no seu livro
“How to score” (“Como marcar golos”) a melhor forma de marcar penaltis. Pesquisando jogos como o do Portugal-Inglaterra do Euro 2004, concluiu que há zonas que são alvos indefensáveis, pois estão fora do alcance do guarda-redes.
Continue a ler "POR QUË SÓ BONS NA BOLA?"
SJA | 12:39 PM | Comentários (1)
julho 6, 2006
A Ciência, o público, a cultura científica...e os profissionais da comunicação de ciência
Hoje temos mais uma convidada. Transcrevo aqui um artigo da Ana Coutinho, adaptado de um outro que foi publicado na Revista da Sociedade Portuguesa de Bioquímica. A Ana Coutinho é Scientific Communications Officer do Institute for Stem Cell Research (Edinburgo, Reino Unido), colaboradora para a Comunicação de Ciência do Instituto Gulbenkian de Ciência (Oeiras) e membro da Direcção da Associação Viver a Ciência. Comigo, organiza eventos de comunicação de ciência e co-editou o novo guia Comunicar Ciência.

Era Quinta-feira e eu aguardava a minha vez de pagar as compras da semana, no supermercado. Reparei que a funcionária perguntara ao cliente à minha frente se tivera um bom dia, ao que o cliente respondeu com um murmúrio inaudível. Chegada a minha vez, imaginem a minha surpresa quando a funcionária me fez a mesma pergunta:
- Teve um bom dia?
- Sim, obrigada - respondi eu.
- Tem planos para o fim de semana?
(Tenho reparado que os escoceses têm muita curiosidade sobre o que os outros têm planeado para o fim de semana).
- Por acaso - respondi eu - vou a Bruxelas em trabalho.
- Que bom! O que faz?
- Trabalho em comunicação de ciência.
Um olhar em branco. Obviamente, “comunicação de ciência” não lhe dizia muito. Tentei uma nova abordagem:
- Trabalho num instituto onde se faz investigação científica. Dou a conhecer o que lá se faz a jornalistas, estudantes, professores, o público em geral.
- Ah - disse ela - é relações públicas.
- Sim - respondi eu, com um suspiro - sou relações públicas.
- Então bom fim de semana.
Agradeci e parti com um sorriso nos lábios ñ não é todos os dias que a funcionária da caixa de um grande supermercado mostra interesse pelo nosso bem-estar!
Para além deste incidente, têm-me acontecido outros, no último ano, que me levam a concluir que, mesmo aqui no Reino Unido, onde o movimento da chamada “compreensão pública da ciência” é tão activo, há muitas pessoas que não sabem o que é fazer comunicação de ciência por profissão. Permitam-me contar mais um destes incidentes, em poucas palavras.
SJA | 2:31 PM | Comentários (6)
julho 5, 2006
Dolly

Faz hoje 10 anos que nasceu a ovelha Dolly. Dolly, que foi abatida em 2003, foi o primeiro mamífero a ser clonado a partir de células de um adulto.
SJA | 10:16 AM | Comentários (0)
junho 30, 2006
Previsão estatística

A febre dos golos também pode ser científica. Assim, um grupo de matemáticos publicou a demonstração de que quando uma equipa marca o primeiro golo, tem mais hipóteses de vir a marcar muitos mais, devido, a factores tais como a maior confiança da equipa nas suas capacidades. Isto significa que as equipas não marcam sempre um número de golos proporcional às suas capacidades futebolísticas, mas sim são empurradas para a glória depois de marcarem um ou dois golos consecutivos.
Este efeito é menos notório em competições como o Campeonato do Mundo do que, por exemplo, nas ligas de cada país. Provavelmente, isto deve-se a um maior grau de competência e igualdade de qualidades das equipas que chegam às finais.
Resta-nos esperar que, amanhã, PORTUGAL marque um primeiro golo bem cedinho e que a esse primeiro se sigam muitos mais!
SJA | 11:23 AM | Comentários (0)
junho 28, 2006
Do Expresso
Portugal evita ëfuga de cérebrosí
PORTUGAL está a atrair cada vez mais cientistas estrangeiros. Os últimos dados da Fundação para a Ciência e Tecnologia relativos a 2000/2006 mostram que o número de doutorados estrangeiros a quem foram atribuídas bolsas para fazerem investigação no nosso país (753), supera largamente os portugueses bolseiros a fazerem investigação no estrangeiro (345), o que é uma realidade inteiramente nova.
Jornal O Expresso, edição de 24 de Junho de 2006, primeira página.
Mesmo que estes dados sejam referentes apenas às bolsas de pós-doutoramento da FCT, custa a crer que os números sejam verdadeiros. No entanto, é díficil ter acesso ao número total de bolseiros da FCT. Em todo o caso, a maioria dos doutorados a trabalhar no estrangeiro não é financiada pela FCT, o que implica que Portugal não está verdadeiramente a evitar a "fuga de cérebros"...
SJA | 10:43 AM | Comentários (2)
junho 26, 2006
Exposição de ilustração científica

Está aberta ao público, desde dia 22 de Junho, uma exposição de ilustração científica no Museu Nacional de História Natural em Lisboa, composta pelos trabalhos de alunos do Dr. Pedro Salgado da Faculdade de Belas Artes e do Instituto de Artes e Ofícios da Universidade Autónoma de Lisboa dos últimos dois anos. Os trabalhos expostos incluem ilustrações nas suas versões finais, bem como uma variedade de exercícios de técnica, estudos preparatórios e cadernos de campo.
Algumas obras (excelentes, digo-vos já) de Diana Marques também estão expostas. Diana Marques é ilustradora científica profissional, embora não faça parte deste grupo de alunos da FBAUL.
A exposição, que vai estar aberta ao público até 7 de Julho, conta com os patrocínios da Reitoria da Universidade de Lisboa e da Associação de Antigos Alunos da FBAUL. Mais informações na página do Museu Nacional de História Natural.
SJA | 9:43 AM | Comentários (0)
junho 15, 2006
O guia Comunicar Ciência

O novo guia Comunicar Ciência é um 2 em 1. De um lado, um guia prático, com dicas de como melhor comunicar ciência, do outro, um guia teórico, com algumas bases do “Porquê comunicar”.
Os conteúdos deste guia foram editados (por mim, pela Mónica Bettencourt Dias e pela Ana Godinho Coutinho) a partir do material de apoio apresentado no workshop Comunicar Ciência, realizado no Instituto Gulbenkian de Ciência em 2003. A parte prática do guia contém conselhos a utilizar quando se fala com os media, por exemplo, o que fazer quando se é entrevistado. Aposta também em como chamar a atenção dos media sobre o nosso trabalho e em como comunicar directamente com o público. A parte teórica foca os temas da comunicação da ciência, as bases e a história da comunicação, de uma forma resumida.
O guia, é em formato A5 e contém apenas 24 páginas. Destina-se a cientistas de todos os ramos, quer possuam ou não um interesse forte em comunicar o seu trabalho. Afinal, quem sabe se amanhã um jornalista não lhe telefonará a pedir que faça uma entrevista!
O guia estará disponível para download em formato PDF no website Comunicar Ciência num futuro próximo. Os cientistas interessados em receber este guia pelo correio, por favor enviem um email, explicando as razões por que gostariam de ter o guia e especificando uma morada postal para info@comunicar-ciencia.org.
SJA | 10:41 AM | Comentários (2)
junho 8, 2006
O primeiro encontro de Comunicação de Ciência

O primeiro encontro de Comunicação de Ciência, em Portugal, realizou-se no passado dia 3 de Junho, no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras. A ideia de organizarmos este encontro emergiu dos workshops de treino em Comunicação de Ciência que fizemos em 2003 e 2005. Durante estes dois workshops, tanto nós como os participantes, concluímos que era necessário mais interacção entre as pessoas interessadas em comunicação de ciência em Portugal. Hoje em dia, uma parte significativa da comunidade científica portuguesa tem vindo a demonstrar um grande interesse na comunicação da sua investigação a audiências não técnicas. Por estas razões, tornou-se urgente encontrar um espaço para discutir projectos, partilhar ideias e fomentar o contacto entre os intervenientes na comunicação de ciência em Portugal.
O encontro começou com as palavras simpáticas do nosso anfitrião, António Coutinho, seguindo-se uma apresentação da parte da organização (eu, a Mónica Bettencourt Dias e a Ana Paula Coutinho). O pontapé de saída foi dado pelo Ben Johnson da Graphic Science que nos falou, durante meia hora, do programa “Meet the scientist” que (claro, por si só merece um post) desenvolve no Reino Unido.
Em seguida, passámos à primeira sessão com quatro apresentações orais, seleccionadas dos abstracts recebidos. O “chair” foi João Caraça (FCG) e as apresentações versaram diversos modos de comunicar ciência a públicos muito diferentes. A Ana Sanchez (ITQB) fez uma pequena reportagem sobre os dias abertos do ITQB; o Paulo Ribeiro-Claro (UA) falou-nos da popularização da disciplina da química e de como atrair mais estudantes para a Química; seguiu-se-lhe a Isabel Ferreira (UM) que descreveu a inovadora exposição “Física na cidade”; no final da sessão, a Ana Paula Santos descreveu o dia, e um projecto inovador, em que o ITQB abriu as suas portas a públicos com necessidades especiais.
Depois do almoço, a segunda sessão tinha como “chair” Carlos Fiolhais e começou com duas investigadoras das ciências sociais: Anabela Carvalho veio falar-nos da sua investigação sobre a aceitação e as reacções do público português ao tema da mudança climáticas e Rosa Gomes apresentou o seu trabalho sobre educadores de infância como comunicadores de ciência. Em seguida, José Xavier apresentou o mega-projecto de comunicação que tem a ver com a participação portuguesa no Ano Polar Internacional 2007-2008. Para finalizar esta sessão, tivemos a honra da presença de Maria Mota, que veio falar-nos dos projectos da Associação Viver a Ciência.

A última sessão começou com uma apresentação de meia-hora, de Anna Lacey, sobre o projecto de rádio/podcast “The Naked Scientists”, que teve um dos seus moments altos perto do final, quando da audiência perguntaram à Anna se a equipa gravava os programas mesmo sem roupa! Depois vieram as fantásticas apresentações da sessão de SciArt com Ana Moutinho, como “chair”. Judite Dias descreveu o seu novo projecto de ciência e teatro; Diana Marques apresentou o seu trabalho como ilustradora científica e Marta Menezes falou-nos do novo projecto Ectopia.
Para finalizar, Lígia Amâncio da FCT, fez os comentários finais ao encontro e, de seguida, Elisabete Caramelo, apresentou o nosso novo Guia de Comunicação de Ciência (que também merecerá um post só para ele).
Depois deste longo dia, bebemos e comemos uns aperitivos no terraço da cantina do IGC (aquele onde estão expostos as marcas, em cimento, das mãos e pés do Thiago, das mãozinhas da Ana Coutinho e de umas outras mãos não identificadas)!
Um dia bem passado onde se testemunhou tudo o bom que se passa em comunicação de ciência em Portugal. Infelizmente, notou-se a ausência de muitos projectos financiados pelo programa Ciência Viva, mas talvez a divulgação não tenha chegado a todos. Ficou presente a necessidade de mais colaborações entre os comunicadores científicos e as pessoas que fazem investigação em comunicação de ciência. E, claro, a necessidade de organizar mais eventos deste género.
Resta dizer que estamos todos agradecidos à Fundação para a Ciência e para a Tecnologia e ao British Council que financiaram esta nossa iniciativa. Agradecemos também à Fundação Calouste Gulbenkian, ao Instituto Gulbenkian de Ciência e à (nossa) Associação Viver a Ciência pelo apoio que nos deram.
Esperamos que este tenha sido o primeiro de muitos destes encontros.
SJA | 10:56 PM | Comentários (1)
junho 1, 2006
V FIIP

Organizado pelo Fórum Internacional de Investigadores Portugueses o V Encontro FIIP terá lugar no Porto, em Setembro. Esta associação tem por objectivo constituir um espaço de divulgação e aproveitamento do potencial e recursos científicos portugueses dentro e fora de Portugal, e estimular a mobilidade e a internacionalização da comunidade científica portuguesa.
No V encontro FIIP, a realizar-se de 21 a 23 de Setembro de 2006 na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, apresentar-se-ão temas da maior importância e actualidade para a Saúde, Medicina e Sociedade, em Simpósios coordenados por cientistas, de forma aberta e convidativa à compreensão e discussão por não-especialistas.
Para mais informação e pormenores sobre como participar, bem como para a própria inscrição, ir, por favor, a: http://www.up.pt/fiip2006
SJA | 10:58 AM | Comentários (1)
maio 19, 2006
DIA ABERTO NO INSTITUTO GULBENKIAN DE CI NCIA
Hoje deixo-vos aqui o relato da Sofia Cordeiro, a coordenadora da comunicação de ciência do IGC, sobre o dia aberto do passado dia 13 de Maio. SJA
“Eu acho que isto foi bué fixe e é por isso que vou ser cientista”

“Posso confessar-lhe que desde sábado, a minha cozinha se transformou num laboratório onde se preparam as mais diversas "poções" e os livros sobre ciência foram tirados das prateleiras”, escreve num e-mail emocionado Paula Faria, mãe da Rita, de 8 anos. Estas foram duas das visitantes do Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) que decorreu no passado dia 13 de Maio, sábado. O mote deste ano era “destino: ciência!” e propunhamos aos visitantes que viajassem com os cientistas pelos avanços na área da Biomedicina que se vão fazendo no Instituto. Num dia que convidava à praia e suplantando as expectativas, mais de 1300 pessoas aceitaram o convite de visitar o IGC, das quais cerca de 500 eram crianças, ansiosas por conhecer os cientistas e a ciência que se faz neste Instituto.
Tirar cientistas do laboratório para receber o público não é tarefa fácil. Há sempre a reticência do tempo perdido de uma experiência para algo que não se materializa num paper. Mas a verdade é que, para os cientistas que já tinham participado no ano passado, a recompensa era conhecida e muito apetecida. O ambiente vivido nos dias anteriores ao Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência foi de um entusiasmo colectivo, muito motivante, com novas ideias a surgir à última da hora e muita vontade de receber quem nos visita à procura do “futuro”. Foi assim que 130 cientistas do IGC se mobilizaram para um dia diferente. No fim do dia, cansados, ficaram ainda num pequeno convívio, trocando as experiências e impressões de um dia diferente. Mesmo aqueles que já tinham participado se confessam mais uma vez agradavelmente surpreendidos pela grande afluência de público e pelas reacções dos visitantes. Desde as crianças mais pequenas, que nos apanham desprevenidos com as observações mais engraçadas, aos adultos que os acompanham e vêm também eles com uma vontade grande de conhecer e uma curiosidade que traz de novo um brilho de criança aos seus olhos.
Continue a ler "DIA ABERTO NO INSTITUTO GULBENKIAN DE CI NCIA"
SJA | 6:48 PM | Comentários (0)
maio 12, 2006
Dia Aberto IGC

Ciência é o desafio que o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) lança amanhã, dia 13 DE MAIO, entre as 10h e as 17h, num DIA ABERTO em que os visitantes podem fazer experiências divertidas, ver exposições e filmes científicos, conhecer os investigadores e a ciência que fazem, como e porquê.
Os visitantes de todas as idades são convidados para uma viagem pelos avanços na Biomedicina, em áreas como genética de doenças, o autismo ou diabetes, acidentes vasculares cerebrais, doenças auto-imunes, desenvolvimento embrionário de plantas e animais, ou a evolução dos organismos vivos. Lado a lado com os cientistas do IGC, os participantes vão poder dar passeios guiados pelos laboratórios, descobrir como se faz ciência, observando as células, tecidos e os organismos, extraindo ADN de morango tal como se faria no laboratório para analisar, por exemplo, o sangue ou navegar pelos genomas com a ajuda de ferramentas bioinformáticas.
Uma oportunidade para todos aprenderem a brincar, levando como
recordação o resultado de algumas experiências.
Para mais informações visitem:
www.igc.gulbenkian.pt/diaaberto/2006/
ou contactem: Sofia Cordeiro (scordeir@igc.gulbenkian.pt, tel. 214 407 959)
texto da comissão organizadora do dia aberto 2006
SJA | 9:10 AM | Comentários (0)
maio 11, 2006
Biobank UK

A maior experiência médica do mundo começou, em Março, no Reino Unido. Esta mega-experiência, que envolverá cerca de meio milhão de britânicos, tem como objectivo principal descobrir como se combinam factores genéticos e ambientais para manter a saúde ou provocar a doença. O projecto Biobank UK é uma experiência a nível nacional que estudará pessoas de idades compreendidas entre 45 e 69 anos e está a ser financiado pelo MRC, o Wellcome Trust e o Department of Health do Reino Unido, com apoios de várias instituições de caridade.
Da informação gerada através do estudo destes milhares de participantes será criada uma base de dados nacional para estudo e consulta por parte dos vários investigadores do projecto. Depois de consultados e de obtidas as suas respectivas autorizações, cada participante dará uma amostra de sangue e outra de urina, será examinado por uma enfermeira e preencherá um questionário sobre os seus hábitos de vida. Durante os próximos 20 a 30 anos a análise seguirá e serão registados todos os acontecimentos relacionados com a sua saúde. De acordo com a informação oficial, todos estes dados serão unica e exclusivamente utilizados para investigação etica e cientificamente aprovada. No entanto, a controvérsia sobre toda esta confidencialidade já existe.
O Gene Watch UK uma organização sem fins lucrativos que faz a monitorização das novas tecnologias genéticas) tem emitido uma série de avisos aos participantes do Biobank e tem organizado diversos debates sobre qual a utilidade do Biobank UK. As questões postas são, regra geral, sobre confidencialidade, o eterno medo das companhias de seguros e o acesso a estes dados e, fora tudo isto, a grande incerteza sobre os próprios resultados do Biobank e o que isso trará de novo para a medicina. Novos testes genéticos, novos fantasmas sobre análises e predicções de inteligência e, como sempre, o admirável mundo novo da genética aliada à medicina. A bola de cristal da medicina moderna. Será que queremos saber a que estamos destinados? Tudo isto se tem discutido ad nauseum sobre o Biobank. No entanto, para a comunidade científica britânica o Biobank não foi (e continua a ser) mais do que um profundo corte no financiamento científico. O fundo inicial para o Biobank foi anunciado, em 2002, como 45 milhões de libras provenientes do MRC. Nos anos seguintes o MRC veio a diminuir o seu financiamento não só a todos os outros projectos científicos do Reino Unido, mas também aos salários dos cientistas, para poder cobrir este “Biobankgate”. Aparte das discussões sobre a utilidade científica do Biobank, é importante focar que, como sempre, estes projectos megalómanos têm que ser mais bem pensados e financiados. Não se pode retirar financiamento a toda a investigação de um país para cobrir os gastos de um projecto que devia ser financiado independentemente. Claro, ao mesmo tempo, os governos e os cientistas europeus queixam-se da fuga de cérebros. Afinal, não é só em Portugal.
SJA | 10:16 AM | Comentários (2)
abril 25, 2006
Citação

"(...) people just don't come out in refereed journals and lie about their work. It's crazy. First of all, they'd never get away with it. There are too many safeguards. They'd get caught by their principal investigator. Or the referees would find something fishy in the article. And then, even if the thing did get published, no one would be able to reproduce the work later on, and the scientific community would catch them (...) You suppress bad data - it's going to cost you your career."
Do novo livro "Intuition" de Allegra Goodman. Um livro sobre ciência ao estilo do "Da Vinci Code" que talvez, um dia, seja revisto aqui no Conta.
SJA | 8:33 PM | Comentários (0)
32 anos

SJA | 11:51 AM | Comentários (1)
abril 20, 2006
Novo prémio para a Imunologia

A Associação Viver a Ciência, a Sociedade Portuguesa de Imunologia e a empresa Citomed lançam um novo prémio de estímulo à investigação científica. Desta feita, destina-se a premiar o melhor trabalho publicado na área da Imunologia básica ou aplicada (clínica).
O Prémio Citomed, tem um valor de 5.000 euros e será atribuído ao autor ou autores do melhor
artigo, neste domínio, publicado em revista científica com arbitragem pelos pares ( peer review) durante 2005 ou 2006. A investigação que deu lugar ao artigo deverá ter sido desenvolvida total ou parcialmente numa instituição nacional.
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SJA | 1:08 PM | Comentários (3)
Arte e Ciência

Cartoon de Rafael Florés em LabTimes
SJA | 8:51 AM | Comentários (0)
abril 19, 2006
Ecossistemas valem dinheiro

A ideia de que os recursos têm valor económico não é nova - consulte-se, por exemplo, este artigo da Nature que faz referência a alguns artigos dos anos 80. Os ecossistemas prestam serviços e são por si só altamente valorizados financeiramente, constituindo um capital natural avaliado em muitos biliões ou triliões de euros.
Os seres humanos beneficiam dos recursos naturais, tal como beneficiam dos recursos artificiais criados por si. Os primeiros têm sido desvalorizados financeiramente, enquanto que os segundos têm um preço a ser pago para serem obtidos.
Os benefícios provenientes dos ecossistemas vão desde os aspectos estéticos aos culturais, até à prestação de serviços ecológica. Exemplos destes serviços são a regulação climática, a formação do solo, os ciclos dos nutrientes e a captura de espécies selvagens que fornecem, entre outros, alimentos, combustível, fibras para vestuário e produtos farmacêuticos.
O aumento do crescimento das populações humanas ñ estima-se que somos já 6,5 biliões ñ origina uma enorme pressão sobre o ambiente, colocando muitas vezes em risco a existência dos recursos naturais. O benefício que retiramos do mundo natural deveria ter um retorno financeiro, cujo objectivo seria incentivar a conservação dos ecossistemas. Neste caso, parece fazer todo o sentido aplicar-se o conceito do utilizador-pagador.
No entanto, a elevada complexidade dos ecossistemas e o número de variáveis envolvidas numa avaliação económica de recursos naturais torna os estudos muito difíceis, uma vez que não se pode utilizar uma análise convencional aplicada às economias de mercado.
Continua num próximo post.
Texto de Rita Caré
SJA | 3:02 PM | Comentários (0)
abril 13, 2006
Primeiro encontro de Comunicação de Ciência

Cartaz de Paulo Emiliano
O primeiro encontro de Comunicação de Ciência vai realizar-se Sábado, 3 de Junho de 2006 no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, e tem como objectivo reunir todos aqueles que exerçam e/ou se interessem por actividades de envolvimento do público com a ciência em Portugal. Este encontro visa debater ideias, partilhar experiências e fomentar colaborações em comunicação de Ciência. Estarão presentes como oradores convidados: Ben Johnson (Graphic Science, Bristol, Reino Unido), Chris Smith (The Naked Scientists, Cambridge, Reino Unido) e um dos responsáveis pelos projectos de comunicação da Associação Viver a Ciência (a confirmar). Este primeiro encontro de comunicação de Ciência em Portugal está a ser organizado por mim, pela Mónica Bettencourt Dias e pela Ana Godinho Coutinho, sob a alçada da Associação Viver a Ciência, e tem os apoios do British Council, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Gulbenkian de Ciência.
No final do encontro, apresentar-se-à e distribuir-se-à pelos participantes um guia de bolso de Comunicação de Ciencia com conselhos práticos em como comunicar com os media e o público. Depois desta cerimónia de lançamento dia 3 Junho, este guia também será distribuído por investigadores em todo o país.
Poderão participar todos os interessados, após inscrição prévia, até dia 5 de Maio, em info@comunicar-ciencia.org. Para além dos oradores convidados, serão seleccionadas 10 apresentações orais dos interessados em partilhar as suas experiencias, que apresentem um resumo da apresentação até dia 5 de Maio. Os restantes interessados, não seleccionados como oradores, poderão apresentar um poster. Para mais informações contacte info@comunicar-ciencia.org.
SJA | 9:27 AM | Comentários (5)
março 30, 2006
Size matters?
Nem a propósito do que se escreveu aqui sobre a inteligência dos europeus, o QI volta ao ataque. Num estudo publicado hoje na Nature, a inteligência, medida através do QI, pode ser correlacionada com o padrão de crescimento do cérebro, mas não com as suas dimensões finais. Durante a infância o cortex cerebral torna-se mais espesso até atingir o seu máximo e, durante a adolescência, diminui outra vez. Philip Shaw e colegas decidiram estudar se este padrão tem alguma relação com a inteligência. Para tal, efectuaram um estudo que analisou os QIs de mais de 300 crianças e adolescentes dos 6 aos 19 anos. Para as medidas estruturais do cérebro fizeram ressonância magnética a cada um dos participantes, a intervalos de 2 anos. Os resultados indicam que o grupo com o QI mais alto (denominado grupo de inteligência superior) demonstra um padrão de crescimento do cortex característico. O cortex destas crianças começa mais fino que o dos outros grupos, mas recupera rapidamente, tornando-se mais espesso aquando da altura do seu máximo. No entanto, aos 19 anos, os elementos de todos os grupos (inteligência superior, alta e mediana) convergem para cortexes da mesma espessura.
Este estudo não nos proporciona muitas explicações sobre como e porquê os cortexes das crianças com QI mais alto possuem mais plasticidade/agilidade de crescimento que os restantes. Especula-se sobre o de sempre, factores genéticos e ambientais. Para discernir entre as várias incógnitas será necessário analisar os números de neurónios presentes na zona do cortex, a mielinização das fibras e as quantidades de ligações neuronais eliminadas durante a puberdade (por processos normais, mas por que não também pela quantidade de bebedeiras apanhadas entre os 15 e os 19 anos?!). Além disso, se não acreditarmos no QI como medida do que quer que seja, este estudo apenas relaciona os bons resultados no teste de Wechsler com umas diferenças esporádicas, e não significativas no cérebro adulto, do crescimento do cortex.
SJA | 7:52 PM |